sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Quando o poder é do povo eles têm nomes

Por Pedro Nacuo

EXTRAS - O que é isto?

Está a pegar moda a população correr para uma democracia efectiva. Por outra, quer exercer o poder que se diz pertencer-lhe. Cabo Delgado, desta vez, também está a ser pioneira: só neste ano, primeiro foi em Palma e agora em Meluco. Pede, de dia, em plenos comícios populares, a retirada imediata de administradores. Quer provar até onde vai o seu poder.
Trata-se de um fenómeno que tem a desvantagem de alterar a ordem das coisas, já que, nesta fase do exercício democrático no nosso país, ainda os governadores, administradores e outros, devem ser “impostos” por quem tenha sido eleito. Daí o nepotismo, o amiguismo, em algum momento, um certo regionalismo, que envolveram a utilização do fundo dos sete (agora nove) milhões de meticais, destinados às iniciativas locais.

Quais são as razões que assistem à população de Meluco, que lhe fizeram despir o seu lado tradicionalmente tolerante, para pedir a Eliseu Machava levar consigo o seu administrador, Vitorino Benjamim Chaúque! Que deveria ir, naquele dia, e que se não houvesse lugar nas 10 viaturas da comitiva, se encarregava em localizar uma que se encontrava parqueada na sede do Partido Frelimo?

Chegaram os primeiros sete milhões de meticais. A população disse que não percebeu como se correu a investir numa antena parabólica, um tractor, um carro-aviário, principalmente porque a antena serve apenas ao administrador; o tractor ainda não lavrou; o carro dizem que nem sabe para quê serve, e ainda assim, o furo que constava do programa para aquele lote, dizem que transitou para este ano.

A única transparência que a população facilmente consegue identificar é que o dinheiro foi distribuído entre os membros do governo distrital e outros assalariados dependentes de instituições do Estado. E o povo disse o que disse:

Que José Muchanga, um escriturário da administração local, na companhia de Cabral Anli, é que estão sentados em cima da “mola”, confiados pelo Conselho Consultivo Distrital (?). Só dão dinheiro a quem lhes dá alguma percentagem do valor total, assim como falsificam dados. Recebeu 100 quem recebeu 50 mil meticais!

Que Hermenegildo Matola, agente da PRM, veio transferido de Maputo, directamente para o distrito rústico de Meluco. Sete meses depois já era elegível junto do Conselho Consultivo Distrital e beneficiou de 150 mil meticais. Imediatamente a seguir voltou para Maputo, alegando ir passar férias. Ainda não regressou passam já quatro meses. Desconfia-se que “abriu” de vez. Vinha pegar o “taco” em Meluco.

Que o anterior chefe distrital da Polícia de Investigação Criminal (PIC) de nome Assane, beneficiou de um montante de 50 mil meticais, depois do que foi transferido para Mecúfi, onde se pensa irá aplicá-lo. Tal como Assane, outro indivíduo de nome Gomes, que também trabalhava em Meluco, agora está em Montepuez, onde comprou um “mini-bus” com que está a fazer dinheiro para si, beneficiando não a população de Meluco.

Que Abdul Salimo, funcionário da administração do distrito, recebeu o dinheiro do fundo de investimento das iniciativas locais e foi aplicá-lo em Awasse, localidade pertencente ao distrito de Mocímboa da Praia, sua terra natal. Que, finalmente, o anterior secretário permanente, Jaime Raimundo, beneficiou do fundo e logo foi transferido para Ancuabe. Levou consigo a “mola”!

Em todos estes casos fica difícil saber como serão justificados os valores levantados, mas é fácil saber que eles o foram ao gosto de quem montou esta engenhosa estratégia. Não se chama a isso, desorganização? Merece outro nome?

O administrador?! Sereno e impávido corre a dizer que está com a consciência limpa. Que correm processos. O disciplinar, entretanto, tem como instrutor um beneficiário destas falcatruas, o director distrital da Saúde, que igualmente faz parte do grupo dos funcionários públicos confiados pelo Conselho Consultivo Distrital para produzir comida, gerar emprego e rendimento.

Para dar razão às suspeitas populares, há oito meses que o processo disciplinar não é concluído, nem o instrutor é punido pelo incumprimento dos prazos processuais, conforme mandam as normas e demais regulamentos. É, por outro lado, sintomático, que a Frelimo tenha entrado neste caso, denunciando os desvios e ajudando, inclusive, por via do seu comité de verificação, os prejudicados.

Seja o que seja, tendo em conta os objectivos do dinheiro de investimento às iniciativas locais, estamos perante uma orgia que não parece ter sido planificada por curiosos. Por isso, tem lugar a pergunta: o que é isto?

Fonte: Jornal Notícias

segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Governo, FEMATRO e chapeiros (1)

Ao acompanher a greve dos chapeiros, em Maputo, voltei a ler o que a 7 de Fevereiro eu havia escrito e me interrogado e o comentário da Ximbitane que num resumo fala da problematica dos transportes públicos em Maputo. Éis o comentário .

Reflectindo, deveras interessante as questões levantadas. Já me havia posto algumas das questões que constam neste artigo.

A meu ver, o público manifestante só sai a ganhar se ao manterem-se os preços respeitem-se as rotas determinadas, pois essa era uma das grandes questões da manifestação.

A FEMATRO fala dum estudo feito, a seu pedido, não sei a que instituição ou analista, que concluiu que a subida os preços do combustivel no mercado internacional estavam a desequilibrar as contas dos chapas por cá.

A alternativa é a subida do proço das tarifas, muito certo! Logo vê-se que a preocupação dos chapeiros é de longe o bem estar e conforto dos utentes dos mesmos, apenas o seu proprio bolso.

No que concerne a distribuição dos tais subsidios governamentais, hummm..., prevejo muita confusão.

Primeiro no seio dos proprios chapas, que já mal gerem as tarifas diarias (que supunha-se ser uma fonte para a renovação das frotas dos membros)e segundo do Governo (a nao ser que o Ministerio sugerido pelo Reflectindo seja criado para o efeito!!!).

Nampula : Público questiona papel dos secretários permanentes

REPRESENTANTES de diferentes segmentos da sociedade civil em Nampula manifestam-se agastados com o que consideram de excesso de burocracia e burocratismo nas secretarias distritais, e atiram culpas aos secretários permanentes indiciando-os de nada fazerem para corrigir as irregularidades.

Reunidos recentemente naquela urbe, os mesmos apelaram aos secretários permanentes distritais para envidarem esforços visando a melhoria da qualidade de prestação de serviços à população. Este facto, segundo vincaram, passa necessariamente pela adopção de mecanismos de coordenação das actividades a serem implementadas com os respectivos administradores distritais.

Disseram que a expectativa que se gerou em torno da criação da figura de secretário permanente distrital era de libertar o administrador da carga de trabalho a que estava sujeito. Pelo contrário, segundo acrescentaram, o efeito disso é contrário.

Agira Muanema, representante de uma organização social baseada em Memba, disse que o secretário permanente local tem demonstrado falta de articulação com o respectivo administrador, na execução das actividades planificadas.

Estou contrariada com a criação da figura de secretário permanente distrital porque, pelo menos em Memba, a mesma vem complicar a vida da população. Os períodos relativamente curtos que esperávamos para um encontro com o administrador, agora viraram longos períodos como se nada a fazer tenhamos. Isto é mesmo um calvário. Alguma coisa tem de mudar, referiu.

Por seu turno, Américo Jacinto, da Associação para o Desenvolvimento Comunitário (ADEC) em Nampula, afirmou que sendo o papel do Estado, através das suas instituições, como as secretarias permanentes, garantir uma prestação de serviços cada vez adequada a dinâmica do desenvolvimento que o país vem registando em, vários domínios, é inadmissível que se criem esses órgãos para complicar a vida do cidadão.

Por exemplo, algumas actividades programadas pelas organizações da sociedade civil ao nível dos distritos onde a ADEC tem projectos em curso, ficam por implementar ou acontecem tardiamente devido à descoordenação que caracteriza o relacionamento entre o secretário permanente distrital e o administrador, denunciou Américo Jacinto.

O deputado da Assembleia da República pela bancada da Frelimo Alfredo Gamito, que esteve a moderar o encontro disse haver várias percepções sobre o desempenho do Governo e seus órgãos por parte da sociedade civil e ajuntou que as críticas feitas devem servir de factor motivador para a melhoria da prestação de serviços ao público.

O encontro tinha igualmente como finalidade, a divulgação dos resultados da auscultação das pesquisas no quadro do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Fonte: Notícias

domingo, Fevereiro 24, 2008

Dhlakama recorre a Franciscanos

Para realizar seminário com seus membros

Percorreu toda cidade de Quelimane até “cair” nas mãos dos padres. Quando o líder da Renamo-União Eleitoral, Afonso Dhlakama, chegou a cidade de Quelimane, afim de realizar mais um encontro com os seus membros, tal como veio fazendo na Beira, Nampula e por ai fora, de repente as casas que têm acolhido este tipo de eventos, simularam que estavam ocupadas. Leia mais

terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Respostas as preocupações ?

As minhas dúvidas em relação às manifestações populares, essas que alguns indivíduos intencionalmente chamam de tumultos ou vandalismo, têm tido algumas respostas. Por vezes, as respostas são em forma de outras perguntas, outras são em forma de uma análise ou uma combinação de questionamento e análise. É também uma forma de resposta as manifestações de Chokwè, Chibuto, Jangamo, Manjancaze, na zona sul do país e em áreas fora da capital. Espero que não se pense que as populações do centro e norte de Moçambique estejam satisfeitas ou com medo de reagir como estas do sul. O que a população daquelas zonas um pouco afastadas da capital mostrou, é de que ela tem os mesmos problemas dos concidadãos que vivem em Maputo e Matola. Esses problemas são semelhantes aos das zonas centro e norte. Neste caso, foi logo uma crítica ao que Nelson Scott no blog do Manuel de Araújo chamou por penso rápido, isto é, à decisão de o governo subsidiar aos chapeiros da cidade capital, sem ter em contam aos restantes do país inteiro. Segundo O País online, a reclamarem pelo subsídio, estão também os transportadores inter-provinciais e distritais. Sobretudo, receiar que o tal subsídio venha alimentar aos predadores, não é apenas o meu problema como se pode ler no blog A voz do povo
Uma das perguntas que fiz no post anterior foi sobre o motivo de aumento incrível de tarifa das chapas, quase na ordem de 50 %. Na minha opinião, isto não pode depender apenas do último aumento do combustível ou só do preço do combustível. Nesta pergunta encontro resposta na análise do Eugénio Chimbutane, no seu blog racionalidade económica ao falar dos problemas de infra-estruturas e ou estradas e mesmo de investimento e ou crédito, leia aqui. As condições das estradas elevam os custos dos chapeiros para manterem os seus carros em funcionamento. Eles têm que substituir as peças dos carros com mais frequência porque se desgatam rapidamente e com frequência. Gastam mais tempo a fintarem os buracos, etc. Contudo, o problema de infras-estrutura pode em si não ser combustível para atiçar uma manifestação daquela. Era preciso que a crise abalasse à maioria das populações para ser ela a fazer uma manifestação que mexesse os governantes.
Quanto à falta de investimentos e ou créditos, já Eugênio Chimbutane explica-nos que um chapeiro com menos de 5 carros não consegue operar neste negócio por muito tempo, porque a margem do lucro, não dá para manter os carros a funcionarem.

segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Qual é o problema em Chiúre?

Qual é o problema em Chiúre?

O delegado provincial da Renamo em Cabo Delgado e o deputado Cornélio Quivela, diz que o presidente Afonso Dhlakama, de passagem por Chiúre, ofereceu a grupos de dança uniformes constituídos de capulanas e aos anciãos que são da simpatia da Renamo distribuiu camisas, calças e chapéus, do mesmo tecido e cor. Entretanto, o administrador-substituto, António Ntchonho, chama de distribuicão de uniforme a líderes comunitários. Outro caso, interessante é a problematizacão de bandeiras. Leia mais

sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

O Povo Saiu da Garrafa

Já que andamos duvidosos, que tiremos ilacão no seguinte:

"O Povo Saiu da Garrafa”


Nos últimos dias há um novo Ditado que circula em Moçambique, principalmente nos principais centros urbanos, fazendo referência a manifestação popular da semana passada em Maputo, em protesto ao anúncio do agravamento das tarifas dos transportes semi-colectivo de passageiros.
“O Povo Saiu da Garrafa” é o novo Ditado que corre de maior frequência nos chapas. Estudiosos já tentam interpretar isso de múltiplas maneiras, mas pare-ce que a expressão remete para o sentido de liberdade ganha, dos direitos afirmados. Por outro lado, é também importante saber que existe localmente a crença de que os feiticeiros são capazes de engarrafar pessoas, quer dizer, são capazes de meter pessoas dentro de garrafas (alguns académicos também acreditam nisso).
O AUTARCA - 15.02.2008

quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Uma lição para aprender?

Acha-se que o povo não é inteligente e continua a ser provocado. És que os governantes responsáveis pela situação de transportes públicos no mais independente mais do que no tempo colonial que se desdobram para ir ofendê-lo. É a governadora do Maputo, essa que detém um gabinete fútil, mas muito sofiscado com meios financeiros e humanos que vai às escolas para ensinar aos alunos a não exercerem a sua cidadania. Ainda não reparei a lei de direito à manifestação para ver com que base estes dirigentes foram, ainda usando meios do estado, a pôr em causa o direito de cidadania dos alunos. Crianças não têm o direito de protestar? E se algum economista calcular pelo que se aloca ao gabinete da governadora da Cidade de Maputo criado pelo governo de Armando Guebuza, será que não concluiria que esse montante podia-se minimizar o problema de transportes públicos nesta urbe?

Seja como for, as próprias crianças, nomeadamente, os alunos da escola secundária de Laulane, deram a resposta que a governadora Rosa Silva, queria e a merecia, ler aqui. É que é ofender às crianças acusá-las de serem manipuladas pelos adultos ao participarem em manifestação contra a subida de tarifas como se estas crianças não fossem utentes de chapas, por um lado. Por outro lado, como se a subida de tarifas de transportes e do preço do pão não reflectisse nas vidas delas e pior ainda, elas fossem anastesiadas para não sentirem as consequências. E parabéns menina Lurdes Muianga pela coragem de informar à Sra Rosa Silva de que os jovens participaram da manifestações conscientemente.

Outro dirigente que se não fosse pela ganância do poder e verdadeira manipulação partidária se ocuparia em outras coisas que fingir-se de fazer uma governação aberta desplanificada ou seja improvisada, é o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche. Talvez, Comiche, respeitando o seu eleitorato, fizesse uma outra coisa que tentar atirar culpa a outrem pelas manifestações. E, a população descontente chegou mesmo a exigir que o Edil, caso continuasse a ter o mesmo fio de pensamento, abandonasse o local e a deixasse. Para muitos o que Eneias Comiche dizia não passava de disparates, ler aqui . Talvez seja o tempo de os nossos digerentes aprenderem a respeitar ao povo.

segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

Caso inédito em África

Edward Lowassa demitiu-se do cargo de Primeiro-Ministro da Tanzania por alegado envolvimento num escândalo financeiro, isto é, num caso de corrupção (leia aqui). Depois de ter citado num caso de corrupção, Lowassa anunciou quinta-feira passada ao Parlamento ter apresentado a sua demissão.

Segundo um relatório apresentado ao Parlamento sobre um contrato de fornecimento de electricidade assinado entre o Governo e a empresa norte-americana Richmond, Lowassa e outros altos responsáveis governamentais teriam intervindo na altura do lançamento do concurso a favor desta última.

PS: Como se consideraria um caso destes no meu Moçambique?

quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

O Estado Mocambicano?

Como resposta às manifestacões contra o agravamento da tarifa de transportes, vulgo chapas, ocorridas na Cidade de Maputo, capital do país, o Estado prometeu que vai subsidiar a a parte agravada da tarifa para os passageiros manterem-se a pagar o valor anterior leia aqui. Tomando em conta apenas esta decisão, dá entender que ganharam os manifestantes e os chapeiros, pois ambas as partes vão obter o que exigem sem ser necessariamente analisada a essência das exigências. Como não sou economista, pelo que não posso apresentar uma análise exaustiva sobre o agravamento das tarifas, mas lendo o comentário do Oxalá no imensis pode-se interrogar se o tal agravamento corresponde à subida do combustível como os chapeiros clamam. Também não é porque os chapeiros não possam ter suas razões, mas essas podem não ser apenas de subida de combustível. Será que o preço das peças, reparações, o vencimento dos motoristas e ajudantes se mantêm desde que a anterior tarifa foi estabelecida? Apenas um dos meus pontos de reflexão sobre a causa de agravamento da tarifa.

Seja como for, a manifestação popular na cidade de Maputo, foi necessária, pois mostrou de quão o povo pode resistir aos abusos. Agravar preços a quase ou igual a 50 %, é na minha opinião um abuso ao consumidor.

Mas quem perdeu nesta batalha? Não será o Estado Moçambique e tudo devido a um governo irresponsável? Não terão os governantes interesses nesta decisão que cheira mais uma maneira de tirar o dinheiro do cofre do Estado sem controle? Primeiro, este governo esbanja o dinheiro do cofre do Estado distribuindo-o aos seus “boys” de diferentes formas, e não nos surpreenderá se daqui há dias se instituir mais um ministério – “Ministério das Subvencões das Chapas do Maputo” (MSCM). Já nos lembramos de um novo governo na Cidade do Maputo, Secretários-permanentes, administradores de municípios, ministério da função pública, instituições criadas para os “boys” terem “job”.

Contudo, mais uma pergunta é de quem, isto é, de que chapeiro vai-se alegar que recebe o subsídio, como e porquê? Aquele que comprou um carro e registou como chapa? Aquele que tem a chapa em circulação? Mas qual tipo de circulação? Transportando sempre o público ou fazendo viagens pessoais? Como se controlará isso? Através do ministério, o MSCM que suponho vir-se a criar? Como é que se saberá que o chapeiro x transportou tantos (y) passageiros que deviam pagar (w), para se avaliar o que ele tem por receber como subsídio? As perguntas são tantas, mas prossigo com outras.

Porquê razão o governo decidiu em subsidiar só aos chapeiros da Cidade de Maputo? Por que foram só eles que agravaram as tarifas forçando o governo para subvênção do Estado? Que o agravamento das tarifas foi por razões de a vida ser mais cara em Maputo em relação às outras partes do país? Por que o preço de combustível subiu só em Maputo? Por que os chapeiros de Maputo conduzem em estradas péssimas, exigindo-os mais reparações que os que conduzem para os distritos, localidades, isto é no país real? Ou é por que foi a população da capital, nas barbas da comunidade internacional e imprensa independente que manifestou? Como seria se fosse a população a população de Nipepe, em Niassa, a reclamar por um problema nacional? Aliás, até eu devia dizer a população de Mocímboa da Praia ou de Montepuez, Aiúbe para que não seja apenas uma suposição, mas algo muito concreto para comparar. Parece que aos olhos da comunidade internacional e da imprensa privada, já que a pública continua a sonegar tudo nem que os factos se dêem em Maputo, o método é dar-se uma resposta que faz calar os gritos do povo ao mesmo tempo que beneficiará ao poder. Fazer calar de imediato à população de Maputo, chapeiros e os passageiros, para que não seja exemplo das restantes e pior ainda fazer ver o descontentamento dos moçambicanos à comunidade internacional. Se fosse em Montepuez ou Mocímboa da Praia, a medida era outra – meter todos os reivindicadores numa caixinha para morrerem asfixiados ou embuscá-los e matá-los à catanada. Em Maputo é só prometer-se a distribuição do dinheiro do Estado.

Reflectindo sobre Moçambique

quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

ATACAR OS ORTODOXOS? CORRESPONDER AOS SEUS ATAQUES?

Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo,

Uma necessidade inadiável…


Beira (Canal de Moçambique) - Não é 100% certo que de facto sejam ortodoxos, marxistas-leninistas da linha original ou suas reminiscências. Com tantas corruptelas a solta por aí, nada nos garante que seja o produto original. Até porque não é importante que sejam ou não ortodoxos. Relevante é o que fazem e dizem. É o que planificadamente e com a anuência dos titulares dos cargos públicos lhes é permitido que façam.
O importante é o que se deve fazer com essas fontes permanentes de opiniões e sobretudo de manifestações claras de intolerância politica.
Usando meios públicos e órgãos de comunicação social públicos avançam de maneira aberta na protecção das irregularidades e do ilícito primando pelo silencio quando é importante referir e mencionar os factos que ocorrem na praça publica.
Os nossos problemas entanto que país são muitos e evitar acrescentar outros não é o que se necessita de momento.
Impõe-se sim transferir a riqueza discursiva de alguns mestres do passado, que teimam em continuar a baralhar e distribuir as cartas como se o país fosse só deles para frentes de trabalho onde tal é necessário.
Não se pode negar a utilidade e necessidade de se usar da experiência que essas forças do passado possuem. Mas não se lhes pode conceder o monopólio da opinião nos órgãos de comunicação pública e nem se pode atribuir uma importância e papel que não possuem.
Quando analisadas com atenção, as acções por eles executadas no passado recente do país até foram fracassos. Tanto em política económica proposta e executada, como seu trabalho noutras esferas da vida nacional, somos levados a dizer que deixaram muito pouco a desejar. Não se pode de maneira alguma subestimar o papel que certas pessoas tiveram nos esforços para a conquista da independência nacional. Mas é preciso ter muitas cautelas e atenção para não se cair no erro de sobrestimar os feitos e colocar os participantes na luta pela libertação nacional num pedestal imerecido.
Os moçambicanos têm de ser capazes de avaliar os factos que se lhes apresentam de maneira clara e tirar as conclusões que interessam a maioria. Não podemos continuar presos a teorias duvidosas que não até nem conseguiram provar noutras latitudes.
A tentativa persistente de associar os destinos deste país ao que somente uma minoria de “eleitos” julga que é o melhor para ele, já provou ser um caminho errado. Sempre que a opção privilegiada e aplicada foi a promoção de “supostos eleitos” e a exclusão da maioria enveredou-se para práticas que desembocaram no desentendimento, crises e conflitos. Os mestres do passado tem um conhecimento profundo do país mas isso não significa que as soluções por eles propostas sejam sempre as melhores.
De combatentes declarados da burguesia, a realidade não deixa mentir, muitos dentre eles transformaram-se em burgueses de facto, capitalistas e accionistas que até Marx e Lenine de seus túmulos devem estar abominando.
Aqui a questão não é estar contra a riqueza de fulano ou beltrano. Pretende-se é discutir ou trazer para domínio público aquilo que é público e de interesse público.
Aparentar, esconder, encobrir, proteger, usar de subterfúgios e estratagemas para manter a situação imutável, são práticas sobejamente conhecidas entre nós.
Só que há alguns erros na avaliação dos mestres e paladinos do socialismo de ontem, hoje capitães do capitalismo selvagem. Eles partem de pressupostos errados e desse modo arriscam-se a levar o país para crises e conflitos perfeitamente evitáveis. A intolerância e o receio activo de alguns mestres, de que a alternância democrática no país possa conduzir a situações em que eles sejam julgados por acções passadas leva-lhes a cultivarem, promoverem e usarem toda uma série de meios para perpetuar o status. Compreende-se o seu medo. Afinal. Alguns dentre eles poderiam de facto ser considerados culpados de actos merecedores de sanção judicial.
Outra coisa que lhes faz correr e defender o indefensável são as regalias e privilégios que a sua posição actual garante. Julgam que poderiam desaparecer em caso de mudança de governantes. Essa realidade em que vivem, torna estes mestres do passado extremamente perigosos e acutilantes nas suas acções.
Desamarrar os nós estabelecidos, as alianças em que existem, as tendências megalómanas que teimam em manifestar são acções que requerem muita inteligência, tácticas e habilidades.
Confrontar com dinossauros, poderosos e entrincheirados em estruturas políticas omnipresentes, requer capacidade, discernimento, persistência.
Está claro que uma das armas eleitas pelos defensores da manutenção do status é a distribuição de favores políticos, económicos e financeiros.
Fazem de conta que estão aceitando a integração de novos elementos no seu partido mas na verdade estão só garantindo que nas regiões estratégicas haja votantes a seu favor. Não é que tais novos membros cheguem algum dia a ocupar posições com peso para desequilibrar a balança. Tudo o que é permitido aos novos membros é brilharem e comerem das migalhas que restam do banquete principal.
Esta maneira de proceder não é exclusiva do partido no poder. Sempre que conta, é alguém do núcleo dirigente que toma funções e dirige as acções. Os partidos da oposição em Moçambique aparentemente também aprenderam a fazer o mesmo.
É toda esta ortodoxia que importa contrariar através de uma acção inteligente e continuada para assim se conseguir trazer aos moçambicanos, alternativas e soluções para os problemas que teimam em não conhecer fim.
Não se pode desarmar numa situação em que estão em risco não só nós assim como as gerações do amanhã.

Fonte: Canal de Mocambique


Democracia bizarra

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Há poucos dias ouvi na rádio uma notícia que aumentou, ainda mais, a minha estranheza em relação à nossa tão bizarra democracia.
Em linhas gerais, a questão foi assim: um grupo de cidadãos da Manhiça sentiu que estava a ser lesado e que as suas terras estavam a ser usurpadas. Não faço ideia se tinham razão nem isso vem para o caso.
Para defenderem os seus interesses, elaboraram um documento e decidiram ir entregá-lo a quem de direito. E decidiram que, como forma de dar maior peso à sua preocupação, fariam uma marcha pacífica através da Manhiça até à repartição onde iriam entregar o documento.
Gente ordeira e sem nenhuma intenção de criar desordem, os organizadores da marcha informaram a Polícia da data e local em que pretendiam realizá-la. E pediram que a Polícia os protegesse durante a manifestação.
Se bem percebi a notícia, ninguém lhes respondeu. Nem sim, nem não, nem sequer talvez.
No dia e à hora marcadas lá se juntaram os marchantes para irem levar a sua carta ao destino.
E, provavelmente, terão ficado satisfeitos por verem a Polícia presente, de acordo com o que tinham pedido.
Erro deles.
A Polícia estava lá, mas era para carregar violentamente contra os marchantes.
Não era para manter a ordem, em nada ameaçada pelos pacíficos manifestantes, mas para criar a desordem e a confusão através do seu comportamento violento e totalmente desnecessário.
Quando será que as autoridades deste país percebem que a manifestação pacífica é um direito democrático?
E, se a actual lei das manifestações põe demasiados condicionalismos absurdos à sua realização, essa lei deve ser urgentemente alterada para que não continuem a acontecer coisas destas.
Custa a perceber que a nossa Polícia não seja capaz de acabar com a criminalidade no país, mas gaste os seus esforços a reprimir cidadãos pacatos que em nada ameaçavam a segurança ou a paz local.
Coisas de uma democracia mal aprendida e pior posta em prática por pessoas que de democratas pouco têm.
É a nossa realidade...

Fonte: Mocambique para todos

segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

O Quénia, uma surpresa?

SAVANA, David Aloni

Só em África é que isso pode acontecer, porque os Partidos no poder são alérgicos à alternância do poder. Para eles é apenas fachada ou traça do edifício. O conteúdo do conceito não interessa. Só querem o poder e à foça. Só que a explosão da população do Quénia veio dizer basta de fraudes eleitorais e basta de ser explorada pelos seus próprios concidadãos. Donde se poderá inferir que o que está a acontecer no Quénia é a luta de classes sociais (“Class Struggle”): os ricos demais de um lado, e os pobres demais do outro. Foi assim que a fúria contra os ricos demais eclodiu por todo o Quénia. Não é tanto o tribalismo, embora este possa ter contribuído, em parte (“somehow”), mas em menor escala. São muitas as lições que os países africanos devem (“must=have to”) extrair do “Caso Kenya”, porque a África ainda não está em Paz real e efectiva. E como bem o disse o prof. Dr. Lourenço do Rosário, no âmbito da Conferência Internacional, do MARP, realizada na capital moçambicana: “NÃO HÁ POVOS PACÍFICOS, NO MUNDO”.

Logo, é falsa e enganosa a premissa segundo a qual o Povo Moçambicano é pacífico. Isso não é verdade! É só para fazer dormir o boi. O povo vai sendo domesticado e enganado, com falácias políticas dos detentores do poder político-administrativo e económico. Por isso, eu digo com muita convição socio-antropológica e psicológica que, em Moçambique, todas as possibilidades são possíveis para a eclosão de um conflito social e económico. E hoje, mais do que nunca, a luta de classes é evidente, no nosso País. Cuidem-se os dirigentes políticos, porque a vida não está fácil, está muito difícil para o povo, e os pobres demais estão a ferver. Estão num estado de ebulição psico-sociólogica de consequências imprevisíveis. Povo é igual a si mesmo, em todo o
Mundo.

sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Renamo mexe quadros

A RENAMO acaba de proceder a mexidas na sua organização interna, num processo que visa colocar o homem certo pelo lugar certo, com vista a responder aos desafios decorrentes da participação do partido nas próximas eleições.

Assim, segundo fonte da organização, Fernando Mazanga cessa as funções de chefe do Departamento de Informação, cedendo o lugar a Rahil Khan que é também deputado da Assembleia da República. Mazanga vai trabalhar no gabinete presidencial, como assessor para a comunicação, mantendo ainda as funções de porta-voz do partido. Fernando Mazanga foi igualmente designado chefe do gabinete central de eleições para a área de marketing, comunicação e imagem.

De acordo com a mesma fonte, a Renamo criou um novo gabinete virado à organização, que será chefiado por João Alexandre, deputado da Assembleia da República. Alexandre foi em tempos secretário-geral da “perdiz”. Este departamento fica com a responsabilidade de garantir a implantação do partido a todos os níveis e imprimir uma nova dinâmica nas suas actividades, tendo sempre presente os desafios políticos da organização.

Por outro lado, Artur Vilanculos, deputado da Assembleia da República, cessa as funções de chefe do Departamento das Relações Exteriores, cargo que passa a ser ocupado por Ivone Soares. Este departamento tem a responsabilidade de controlar e mobilizar os membros da Renamo na diáspora, sabido que estes serão sempre chamados a participar em processos políticos, segundo estabelece a Lei Eleitoral.

O coronel José Manuel vai chefiar o Departamento dos Assuntos Sociais e desmobilizados, lugar vago na sequência da morte do seu titular, o general Mário Frank.

A nossa fonte disse que estas movimentações foram feitas pelo presidente do partido, Afonso Dhlakama, ao abrigo das competências e atribuições que lhe são conferidas pelos estatutos.

Dentro de dias os nomeados serão convidados para o acto de posse.
A fonte partidária confidenciou-nos que dentro da reorganização interna a Renamo irá proceder a outras mexidas na perspectiva de injectar novo sangue nas veias da organização e imprimir nova dinâmica no seu funcionamento.

Fonte: Jornal Notícias