quarta-feira, setembro 02, 2015

Tempos tenebrosos

Por Machado da Graça

Mais uma vez estamos à beira do desastre. A reunião dos combatentes da Renamo, em Quelimane, e as suas decisões, vieram, mais uma vez, dizer-nos que, desta vez, o partido de Afonso Dhlakama não quer voltar a engolir sapos. E as cinco emboscadas seguidas a uma coluna policial, em Moatize, serviram apenas para tornar essa ideia mais credível.

Qualquer pessoa de bom senso teria percebido que fazer uma fraude eleitoral de grande dimensão, em Outubro de 2014, poderia acarretar o risco de uma nova guerra. Infelizmente, no partido que controlava o Governo da época parece que não havia pessoas de bom senso. Apenas se vislumbravam “clarividentes” e “visionários”. E o resultado é este que temos agora.


Os tais achavam que se, no passado, Dhlakama tinha engolido os sapos todos, agora iria engolir mais um.

Só que observadores mais atentos deviam ter percebido que, desta vez, a coisa parecia diferente. A gota tinha feito transbordar o copo e, agora, já era impossível voltar as coisas para trás.

Mas, pelo contrário, tudo continuou a ser tratado da mesma forma, esperando que o passer do tempo e os constantes apelos à Paz e unidade nacional iriam resolver o problema.

Só que a Renamo já não está aí. Tácticas que, levadas a sério, poderiam ter tido sucesso no passado, hoje já não têm credibilidade. Embora eu acredite que Dhlakama é um homem que quer a Paz, a intransigência total do Governo do partido Frelimo está a atirá- lo para os braços dos radicais da Renamo. E os resultados só podem ser péssimos para todos nós.

Estas propostas de encontro Nyusi/Dhlakama com agenda vaga não vão resolver nada. A Frelimo e o seu Governo têm de se convencer de que é preciso fazerem cedências reais e significativas à Renamo para poderem manter a Paz no país. Mais truques, cambalhotas e flic-flacs já não adiam os acontecimentos.

Não sei se Filipe Nyusi tem poder real para responder a este tipo de situação.
Se não tiver, esperam-nos tempos tenebrosos...


In Savana - 28.08.2015

1 comentário:

mondla barna disse...

Nao se faz democracia a custa de vidas humanas!