terça-feira, janeiro 05, 2021

Em Cabo Verde e Guiné-Buissau o PAIGV (PAICV e PAIGV da Guiné Bissau) não estão no poder

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) foi um movimento que sob Álmicar Cabral organizou e lutou pela independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Em 1980 deu-se a ruptura devido ao golpe de Estado em Guiné-Bissau sob Nino Vieira. Cabo Verde formou o seu PAICV e a Guiné Bissau manteve o PAIGC. Contudo, tanto o PAIGV como o PAICV mantiveram o monopartidarismo até 1990.
Houve ruptura, mas houve conflitos entre os dois países? Ainda procuro saber. Do que mais sei é que Cabo Verde é um dos bons exemplos em governação e direito de estado democrático. Guiné- Bissau tem tido golpes estado mas sempre melhor em múltiplos índices que Moçambique e Angola.
Nota: 1) Posso não estar certo nos meus comentários e nessa tentativa de compreender a história do PAIGC, estou lendo o que está à minha disposição.
2) No programa de Fortunato sobre a guerra colonial, admirei que Pedro Pires que não se agarrou ao poder, estava no teatro da guerra e não num gabinete.
3) Os veteranos da luta pela libertacão de Guiné-Bissau e Cabo Verde são necessariamente associados dos partidos PAIGC e PAICV?
Danilo Tiago, Carlos Trocado Ferreira e 11 outras pessoas
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domingo, janeiro 03, 2021

Total evacuates Afungi, correctly predicting 1 Jan attack

By Joseph Hanlon

Insurgents reached the gates of the Afungi LNG project on Friday 1 January. After a series of ever closer attacks, Total evacuated most of its staff from Afungi and Palma last week. Fighting continued yesterday, and the military has banned sea traffic to Afungi and Palma. Insurgents have been moving north and closing in on Afungi:

Since August insurgents have controlled Mocimboa da Praia, 55 km south of Afungi.
9 December: insurgents attacked Mute (also Muite), 21 km south of Afungi. The insurgents then were repelled with the assistance of DAG (mercenary) helicopters. President Filipe Nyusi personally confirmed the attack and went on to say “Three days ago, the enemy wanted to approach Afungi. But thanks to our young people they were unsuccessful. Our young fighters have been accepting their role in this combat." But he spoke too soon.
24 December: Insurgents returned to Mute, burning houses and taking food. The group of 80-120 insurgents was again ousted after heavy fighting, with deaths and injuries.
29 December: Insurgents attacked Monjane (also called Mondlane) just 5 km south of the Afungi border fence; again there was fighting. A military patrol was ambushed on the road from Monjane north to Patacua on the edge of the Afungi zone, with two military and one insurgent killed. There was also an attack on Olumbe (also Olombe) on the coast 14 km south of the Afungi boundary, with people kidnapped. This accelerated the flight of Total staff. (Bloomberg 29 Dec, 1 Jan; Intelyse 25 Dec; Pinnacle News 29 Dec, 2 Jan; Lusa 10, 29 Dec; AIM 11 Dec)
+ Friday, 1 January: There were attacks on the resettlement village of Quitunda which is in the Total area but outside the fence, and on the Riot Police (UIR) camp on the main road to the Afungi development, just at the gates of the project. There was some fighting and casualties, but it is difficult to establish the seriousness of these two attacks. Pinnacle News (2 Jan) reports that the fighting was continuing late yesterday. The rainy season has started and insurgents have been gathering food reserves in most raids, and the UIR camp is the main kitchen for the joint military-police task force. Insurgents have also left leaflets saying Palma will be attacked on Tuesday 5 January

The map shows the sites of the attacks (purple arrows). The project has a land concession (Duat) which is the 6625 ha inside the yellow line. The blue line encircles the 4371 ha of the actual LNG industrial zone which includes the port, airport and will include gas liquefaction plants. Quituda resettlement village is in orange, within the Duat but outside the industrial zone. Palma town is at the upper left of the map and Mondlane (Monjane) at the bottom.
 
Fonte: Mozambique New reports & clippings, 03.01.2021

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Visão de Samora Machel sobre a Polícia (Repeticão)

O polícia deve ser um elemento político, altamente educado e cortês. Sabem o que é cortesia? (Não!) Vou dar um exemplo: um polícia não pode dar um pontapé a ninguém! (RISOS E APLAUSOS). O polícia que dá um pontapé a um cidadão, e particularmente a uma senhora ou a um jovem, não tem ética, não tem brio profissional, não respeita a farda que enverga, não dignifica o seu boné que tem o emblema da República Popular de Moçambique. (APLAUSOS MUITO PROLONGADOS). Esse polícia não sabe o que representa a farda que enverga.

Um polícia espancar as pessoas é o cúmulo da vergonha! (APLAUSOS). Este elemento não serve para a estrutura do Estado. Ele, embora fardado, não representa o nosso poder popular.

A Polícia no nosso País chama-se Polícia Popular de Moçambique. É popular porque não é uma elite, vem de vocês, do povo.

O nosso polícia não tem privilégios. O seu privilégio é servir bem a República Popular de Moçambique, é zelar pela aplicação da Constituição, é fazer respeitar as leis, educar os cidadãos.

Para o nosso polícia, o estudo, a educação, a aprendizagem, devem ser permanentes. Ele deve aprender constantemente a evolução da ciência da Polícia, de todo o Mundo. O polícia deve preocupar-se em conhecer as leis para as fazer respeitar, conhecer a Constituição para a saber defender. Ele deve respeitar o sofrimento dos outros. Deve saber representar a autoridade, representar o vosso poder, o poder popular, este poder do nosso povo do Rovuma ao Maputo, que muito lutou para o conquistar.

Mas, o que assistimos hoje é o contrário do que acabei de dizer. Em todas as nossas cidades, a Polícia comporta-se pior que a Polícia colonial! (RISOS E APLAUSOS MUITO PROLONGADOS).

A Polícia, no mundo, é assim: não vive confortavelmente, renuncia ao conforto. O polícia não deve ter uma cama com um colchão fofo. Todos eles dormem numa tarimba, mesmo o Comandante. O Comandante-Geral da Polícia, em toda a parte do Mundo, dorme na tarimba para ter sempre a coluna vertebral bem esticada! (RISOS E APLAUSOS PROLONGADOS). É que o colchão de luxo dobra a coluna, e então, o polícia dobra a farda, dobra o poder também! Se o polícia anda com as costas curvadas, que polícia é este? Que imagem nos transmite?

O polícia que anda com as pernas tortas, esse não é polícia. O polícia que mete o dedo no nariz e limpa o dedo na farda, não é polícia! (APLAUSOS PROLONGADOS E RISOS).

O polícia anda sempre com a coluna vertebral bem esticada, com um passo bem cadenciado! Esse, sim, é um polícia!

Estes são problemas nossos. Por que é que temos polícias assim? Porque não seleccionamos, porque produzimos polícias em série, como se estivéssemos na época dos fenícios! (RISOS E APLAUSOS PROLONGADOS).

Os elementos que vão para a Polícia devem ser bem seleccionados, devem revelar boas qualidades, devem ser inteligentes e bem constituídos fisicamente. Devem ter, pelo menos, 1,75 metro de altura, para representarem com evidência a autoridade. Imaginem: se o polícia tem só 1 metro e meio, como vai pedir a documentação a um cidadão com 1 metro e oitenta de altura? (RISOS E APLAUSOS)."

 

sexta-feira, dezembro 04, 2020

30 anos de democracia em Mocambique

 A celebração de 30 anos da democracia em Moçambique tem que ser feita por uma reflexão profunda por cada moçambicano que se reconheça cidadão.

Os debates deviam se fazer não apenas nas televisões, mas também em locais como escolas porque lá estão os jovens e por lá todos os cidadãos passam e moldam a sua consciência de cidadania.

Por outro lado, cada um de nós, devia reflectir pelo que faz em prol da democracia.
Na minha opinião, para tudo não ser vago, o debate devia aprofundar o próprio conceito de DEMOCRACIA, tendo em conta que há os que em comentários privados acham que há multiplas democracias e outros que acham que a nossa é importada. Outros vão ainda mais longe, dizendo que África em geral, e Moçambique em particular, devia "implementar" a sua própria democracia. Contudo, esses nunca nos mostram o modelo dessa DEMOCRACIA AFRICANA ou MOÇAMBICANA.

quinta-feira, novembro 26, 2020

A vida e obra do revolucionário Jerry John Rawlings

 


Jeremiah (Jerry) John Rawlings nasceu em 22 de junho de 1947 em Accra, na Gold Coast (hoje Gana), uma colônia britânica. Seus pais são Victoria Agbotui, nativa, e James Ramsey John, um químico de Castle Douglas, Escócia.

James Ramsey John era casado com outra pessoa na Inglaterra, com uma família que vivia em Newcastle e Londres. Rawlings frequenta a Escola Achimota em Accra. Ele é o único filho de sua mãe, ela própria de grupos étnicos, os Nzema e Ewe, de baixa importância numérica. Essa falta de uma linhagem importante provou ser uma vantagem política para Rawlings, pois o libertou das pressões familiares e tribais. Rawlings se casa com Nana Konadu Agyeman, que conhece no Achimota College. Eles têm três filhas.

Em 1968, ele ingressou na academia militar ganense em Teshie. Tendo se tornado um tenente voador na Força Aérea de Gana, Jerry Rawlings liderou uma primeira tentativa de golpe em 15 de maio de 1979. Sua tentativa falhou. Ele está parado. Três semanas depois, libertado por outros oficiais, ele organizou um novo golpe em 4 de junho de 1979, que derrubou o regime de Fred Akuffo e o levou ao poder. Em 24 de setembro de 1979, ele cedeu o poder a um governo civil, liderado pelo presidente Limann.

Insatisfeito com o poder civil, que considera corrupto, ele recupera o controle do país em 31 de dezembro de 1981 com um novo golpe de Estado que derruba o regime de Limann. Ele então se tornou o presidente do Conselho Provisório de Defesa Nacional. Em 1992, Rawlings renunciou ao exército, estabeleceu um sistema multipartidário e fundou o Congresso Nacional Democrático. Ele compromete o país com um processo de democratização. Não pretende ser marxismo ou capitalismo, mas, diante de uma crise econômica, aplica a partir de 1983 uma política econômica liberal, respondendo aos anseios do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

Foi eleito presidente em 7 de dezembro de 1992 e assumiu o cargo em 7 de janeiro de 1993. A IV (Quarta) República de Gana foi proclamada. Em 7 de dezembro de 1996, foi reeleito Presidente da República de Gana. Iniciou seu segundo mandato em 7 de janeiro de 1997. Após dois mandatos, limite previsto pela Constituição de Gana, Rawlings endossou a candidatura de seu vice-presidente, John Atta Mills, à presidência em 2000, em nome de seu partido. Mas em 7 de dezembro de 2000, o candidato da oposição do Novo Partido Patriótico (NPP), John Kufuor, foi eleito presidente. A alternância foi pacífica, Rawlings por sua vez foi para a oposição. Em 28 de dezembro de 2008, o candidato do Congresso Nacional Democrata John Atta-Mills foi eleito presidente desta vez, marcando uma nova alternância política. Mais uma vez, essa alternância é pacífica.

 Ele morreu em 12 de novembro de 2020, de uma curta doença, em um hospital em Accra, aos 73 anos, deixando para trás 5 filhos e um povo afetado de Gana. Fontes não oficiais atribuem a causa de sua morte ao COVID-19. Como um lembrete, ele havia enterrado sua mãe algumas semanas antes. Sua esposa, Nana Konadu Agyeman Rawlings, 72, é candidata às eleições presidenciais de dezembro de 2020 em Gana, em nome do Partido Democrático Nacional (NDP).

Fonte: Retido na sua íntegra do https://pt.teles-relay.com/2020/11/13/la-vie-et-loeuvre-du-revolutionnaire-jerry-john-rawlings/  

Ou https://pt.teles-relay.com/2020/11/13/la-vie-et-loeuvre-du-revolutionnaire-jerry-john-rawlings/Teles & Relay (

quarta-feira, novembro 25, 2020

AINDA SOBRE A NOMEAÇÃO DE UM MEMBRO DE PARTIDO DA OPOSICÃO (RENAMO) A MINISTRO DO GOVERNO DA FRELIMO

Voltando a este assunto e é mesmo aqui onde eu queria chegar. Muitas vezes não percebo é de como concidadãos académicos acham que a nomeação de um membro de um partido da oposicão a MINISTRO é sinal de despartidarização do Estado. Não percebo a base dessa convicção. Eu nunca acreditei sequer de um governo da unidade nacional como qualquer caminho para o fortalecimento de um estado de direito democrático. Ministro é um posto político e este é reservado ao partido que governa que vai fazer com o seu manifesto. Em todos estados democráticos é assim. Isto é diferente dos demais postos, que são ténicos ou administrativos como PCA, directores de instituicões públicas, chefes de departamentos de todos os níveis, reitores, etc, etc, Muitos dessses postos, em países democráticos são por concurso público. SIMPLES COMO É.

Falando ainda de MINISTRO, alguns partidos podem colaborar no programa de governação, mas negarem-se à nomeacão de ministro. Um exemplo concreto é o que acontece nos governos suecos. O partido da esquerda ou seja o partido comunista apoia o Partido Social Democrata que governa, mas este não aceita nomear alguém do primeiro ao posto de ministro. O mesmo acontece com os conservadores que na prática não aceitam formar um governo com os ditos Democratas Suecos. Só para verem, se o interesse dos conservadores e outros partidos aliados fosse de governar a todo custo, estes já teriam estado lá depois das últimas eleições. Quando houver interesse posso explicar sobre isto ainda melhor.
N.B: 1) Nos casos de África que alguns apreciam, quando alguns governantes espertos nomeam um membro dum partido que paradoxalmente é da oposição e não um aliado ou coligado, a intenção é de aos poucos esse indivíduo abandonar o seu partido e passar ao governamental. O mesmo acontece com aqueles que formam os famosos GUN (governos da unidade nacional). Esses governos sempre acabam eliminando ou pelo menos cortando o processo de desenvolvimento dos pequenos. São raras as vezes que os resultados são contrários ao que aqui escrevo.
N.B: 2) A despartidarização do Estado passa essencialmente por retirar as células partidárias nas instituições, concursos públicos aos postos de chefia, e, uma série de medidas que constam na Lei da Probidade Pública. É isso que beneficia a todos aqueles que votam e trabalham duro nas bases. Sempre esperei que os nossos políticos e académicos se agarrassem nisto e nunca sobre postos de MINISTROS.

domingo, agosto 23, 2020

Discurso do Papa aos jovens moçambicanos - texto integral


Depois do discurso às autoridades, o Papa Francisco encontrou-se com os jovens no Pavillon Maxaquene, distante 3 ikm do Palácio Presidencial. Trazemos o discurso escrito, SEM os acréscimos realizado ao longo de seu pronunciamento, que podem ser conferidos no vídeo. Ler mais

domingo, julho 26, 2020

União Africana (UA) versus Democracia


União Africana (UA) versus Democracia
David Aloni
Quer-me parecer que o que há de mais violento e dramático, na vida de um ser humano, é pensar e ter que pensar, queira ou não; porque o simples facto de viver a isso o obriga, imperativamente. E toda a problemática se resume no simples facto de o homem ser um animal, não só  racional, como também político, como nos ensina o estagirita, Aristóteles.
Por  conseguinte, pensar e ter, necessariamente, que pensar é, também,   o drama do  articulista destas linhas  sobretudo quando, por  amor, que  presume sentir  pela sua pátria e pelo seu  Continente, o Continente Negro, é  obrigado  a ter que pensar  e reflectir  sobre a diversidade e multiplicidade de factos  e fenómenos  sociais, económicos e políticos que ocorrem  e acontecem  em África. Por isso, seria  caso e motivo  suficiente para  se vociferar  e gritar: Quem  me dera  não poder pensar, para não  sofrer  tanto! ... Só  que o meu  fado  é que  tenho  mesmo que pensar, por causa da minha  racionalidade, que me distingue dos  irracionais.
O Kenya de Nzee Jomo Kenyata  fez-me  pensar  muito, nos  últimos  meses. O Xenofobismo negro  contra  outros negros,  na África do Sul, perturbou-me  a mente e deixou-me  confuso  e desorientado. Seguiu-se  o Zimbabwe. Uma  autêntica  paranóia  de descalabros  políticos, sob a liderança déspota de um psicopata, que  se chama  Robert  Gabriel Mugabe, menino bonito de Angola e da  Namíbia; menino  bonito das lideranças políticas da África do Sul, de Moçambique, países esses que  morrem  de amores por aquele  presidente  negro-africano. Um  verdadeiro  fora-da-lei que não quer saber absolutamente nada da Democracia, porque não  lhe interessa,  da mesma maneira que  parece  não  interessar  mesmo à  maioria  esmagadora  dos actuais  Presidentes e Chefes  de Governo  com direito  a assento  nas Cimeiras da (UA).
Depois de uma  precipitada  palhaçada  e  trágico-cómica  tomada de posse, domingo à noite, 29/06/2008 do psicopata  presidente, “reeleito“(?) na  farsa  eleitoral  de 27 de Junho de 2008,  e sob  inspiração do espírito das trevas, na  manhã de 30 de Junho de 2008, segunda-feira, inaugurava-se a XI Cimeira da UA, na  famosa estância turística  egípcia  de Sharm El-Sheik com  uma agenda muito ambiciosa  e cujos objectivos, só  por  milagre  do Alto, é  que os Líderes  africanos  poderiam  cumprir  e realizar com êxito.
E como  em África  tudo é  possível, até o  inverosímil acontece. Lá estava (e porque não) o maníaco presidente  que acabava  de tomar posse a escassas  horas da abertura da Cimeira, no  Egipto. Com muita naturalidade (?), própria  de um cara-de-pau ocupou o assento reservado ao legítimo  presidente do Zimbabwe. Ninguém tugiu nem mugiu. Mugabe apresentou-se como um  herói  e “campeão  do  Estado de Direito ( Rule of  Law). Por isso, ninguém  o incomodou. Antes pelo contrário. É que, por estranho  e incrível que possa parecer, o que se está a passar no Zimbabwe  é  natural  e normal. É uma questão de soberania. Só que se está a esquecer ou ignorar, por  conveniência política, que a soberania  reside no povo”, e nunca nos líderes e dirigentes políticos.
Nos discursos de abertura (da praxe) da XI Cimeira da UA, nenhum presidente  ousou  condenar  o Zimbabwe,   a violência, a intolerância  e  a tirania  prevalecentes, naquele  país vizinho de Moçambique, também ninguém se atreveu a propor qualquer sanção contra o Zimbabwe. É tudo muito  estranho e misterioso, e não  admira. São todos uns bons comparsas, nunca podem ter a consciência tranquila. Por isso, e que se saiba, democracia é um projecto adiado para África. Portanto “For the time being” (para já) não interessa  aos actuais  líderes Africanos.
Estou  desiludido com a liderança africana da actualidade, mas  não  estou  desesperado, porque as jovens  gerações  saberão  como  dar-lhe a volta  e não tardará  muito  que isto aconteça. O Botswana e a Zâmbia já fazem a  diferença, na África Austral, e o Líder da Renamo trouxe  na sua bagagem, de regresso de Paris uma boa mensagem, que deveria constituir um TPC para todos os  moçambicanos, que nutrem algum sentimento genuíno e  sincero de solidariedade para com o povo irmão do Zimbabwe, o qual, hoje, mais do que nunca, necessita de libertação, porque  só  com  essa segunda libertação é que se lhe  poderá  restituir, não  só  a dignidade como seres humanos com direitos, deveres e obrigações sociais, morais, cívicos, políticos e patrióticos, como também  usufruir do  bem-estar  material e  espiritual  que o regime  ditatorial  de Harare, sob a liderança de Robert Mugabe, lhe tirou  e privou, deixando-o na miséria, sem precedentes  na história  do Zimbabwe.
Afonso Dhlakama propõe, sem   pestanejar nem gaguejar: uma das medidas para pôr  o  Ditador  e sanguinário  Robert Mugabe na linha  e restituir a dignidade  aos zimbabweanos seria  encerrar a Embaixada (Alto  Comissariado) do Zimbabwe,  em Maputo e correr com o respectivo Embaixador. Depois, interditar a passagem  de mercadorias e outros  itens do e  para Zimbabwe, pelos portos  moçambicanos,  nomeadamente, de   Maputo, Beira e Nacala.
O regime de Harare precisa de uma boa lição para deixar de brincar com o povo. Urge pôr-se Mugabe de joelhos!
Com as palmadinhas  nas costas, Mugabe até  se sente aconchegado e acarinhado  pela  solidariedade ideológica   dos camaradas, tanto da SADC, quanto da UA.
Esta é a liderança  que  os povos  africanos têm. Urge inverter-se a situação! Já chega de  vergonha para os africanos dignos deste nome.
Infelizmente, e para desgraça de África a fórmula política do Kenya já pegou moda !.....
Matola, Julho, de 2008
SAVANA – 22.08.2008

domingo, julho 05, 2020

Reflectindo sobre a guerra em Cabo Delgado

Apesar de sistema anti-democrático, Samora Machel era Comandante-em-chefe das FPLM e via-se isso. Como Comandante-em-chefe, Machel exigia disciplina do exército. Também sentia-se que havia comando de brigadas aos pelotões.
Não estou a dizer que por isso, tivemos um exército muito organizado. O exército teve problemas e fez atrocidades contra civis. Um dos problemas foi de ter um exército mal alimentado. Vivi em Netia, distrito de Monapo, onde eu era director da então escola secundária e centro internato de Natete, em pleno tempo de guerra. Duma ou doutra forma, eu tinha contactos ao nível dos seus comandos com o sétimo batalhão estacionado na MADEMO, o pelotão em Netia, e os estacionados em Namialo. Sei do que o exército governamental fez de errado e que devia ser uma grande licão no combate contra os insurgentes em Cabo Delgado. A obra de Christian Geffray " La cause des armes au Mozambique" também devia ser bem lida pelos comandos em Mocambique. Mas parece-me que os erros se repetem e da pior maneira, pior quando me parece que não temos comandante-em-chefe das FDS. Os vídeos e áudios que circulam nas redes sociais são quase incríveis. Tivessemos um comandante-em -chefe à altura de Samora Machel, já teria reagido, pelo menos para nos dar a entender que ele repudia aquilo que acontece em Cabo Delgado e mesmo no Centro do país.
Parece-me que estão pensando que se assim aconteceu sempre, na guerra de 16 anos, acontece desde 2012 e o mundo não se preocupa, porquê vai ser agora? Podem ter razão. Mas eu alerto que enquanto nós somos estáticos o mundo é dinâmico. Uma outra questão é que na guerra de 16 anos houve essa competicão de quem mata mais entre o exército governamental e a Renamo e assim nos bombardeam na Assembleia da República. Mas enquanto na altura era difícil provar, por exemplo que o exército governamental executou duas pessoas em Natete, em frente de criancas, alunos das duas escolas, missionários, professores que foram obrigados a assistir, hoje tudo isso é filmado e até pelos executores sem nocão da consequência. Eles mesmos publicam nas redes sociais.
Nota: 1) Em boa hora, em 2017, questionamos sobre aqueles ataques em Mocimboa da Praia e a accão do SISE. Se quem perguntava fosse visto como patrão, e, mais digo, se tivessemos um comandante-em-chefe, ter-se-ia mostrado a dificuldade de penetrar em Mocambique apesar de toda porosidade. Infelizmente não foi isso.
2) Não podemos continuar com exército que que recorre à carne de jiboia para ter proteinas. Tudo o que é gordura é para quem não se sacrifica em Maputo ou capitais provinciais. Só para gozar os gordos falam de subsídio de razões duvidosas.
3) Não estou aqui para dar glória aos exército colonial, mas a verdade tem que ser dita. Pelo que vi, apesar de pequeno, o exército colonial era organizado, regrado, bem alimentado. Acho que se fosse para fazer massacre como em Wirriamu, só era algo bem planificado. Eu como miúdo, para além dos camiões a transportar alcodão, os carros que eu mais ouvia eram de militares saindo do lado de Namapa para a belíssima praia de Simuco. Havia vezes que esses militares desviavam para a escola de Simuria para "fins de assistência de saúde". Ponho entre parenteses porque o interesse podia ser outro. Uma das vezes levaram o meu tio Ângelo que tinha uma doenca que em emackua se chama epupa. Duvidamos se alguma vez o devolveriam, mas meses depois e quando curado,o trouxeram.

sábado, maio 16, 2020

O guião para a negação

A o fim de três audições dos polícias envolvidos no assassinato de Anastácio Matavele, parece mais ou menos claro o cenário traçado por quem nos bastidores comanda o julgamento dos agentes de uma das mais temidas unidades paramilitares de Moçambique. Dado que há um agente foragido e dois que foram para o reino dos mortos no próprio dia do assassinato, a táctica é passar tudo para os ausentes. Foi Agapito quem escolheu os homens para a missão, foi Nóbrega quem trouxe a viatura e Martins quem disparou a AK47 conjuntamente com Agapito. Uma táctica ilusória uma vez que a culpa não se dissipa pelo facto de não se disparar.
Uma segunda linha de argumentação é restringir a participação no homicídio ao “grupo dos cinco”, os ocupantes do Mark X. A ideia é afastar responsabilidades acima no comando da companhia do GOE, na sub-unidade da UIR e ainda mais acima, pois é pouco provável que a decisão operacional tenha partido das casernas da unidade paramilitar em Xai-Xai.
Na estratégia encenada não se poupam argumentos. Prestigiados comandantes na UIR acompanham revoltados uma descrição de operacionais temidos e bem treinados envolvidos em rotineiras “sessões de copos” entre a barraca Xirico na cidade alta e as barracas do mercado Lafamba bicha, na baixa. Numa promiscuidade pouco comum no meio castrense em que guardas partilham rodadas de cerveja com os seus oficiais de comando.
A ideia é afastar qualquer participação institucional da polícia, como se desconfia, ou o cenário de “um Estado dentro do Estado” que acolhe o formato dos “Esquadrões da Morte” e a “indústria dos raptos”. Falar em Frelimo no julgamento parece heresia. Nestes cenário, faz sentido “efeito Sheltox” do advogado Elísio de Sousa. Esperemos pelos próximos episódios. F. L.


In Savana, 15.05.2020

terça-feira, abril 07, 2020

Passividade e propaganda em Mocimboa da Praia

ESTRANHO
Depois de escutar áudios nos grupos das redes sociais como whatsapp, ler e ver vídeos em certos murais do facebook como Pinnacle News e Carta de Mocambique, tenho constantemente aberto os sites dos jornais tradicionais como o Jornal de Notícias, Domingo e O País, e nas noites assistir a TVM e STV, para certificar sobre os conteúdos relativos aos ataques dos insurgentes em Cabo Delgado.
Infelizmente, muitas das vezes isso só serve para me deixar em MUITAS dúvidas e regresso aos tempos da luta de libertacão e da guerra civil de 16 anos. Se não sei bem de como se captava a "Voz da Revolucão" sei sobre a "Voz de àfrica Livre" a que a FRELIMO, partido de vanguarda do povo mocambicano, partido marxista-leninista, chamava de "VOZ DA GUIZUMBA".
Voz da Guizumba era o termo dado pelo governo para que ninguém gostasse de ouvi-la, porQue era a uma voz da "hiena". Mas o que realmente acontecia? Todos nós corriamos para a Voz de África Livre quando fossem às 20 horas.
Ainda bem, que as redes sociais agora não estejam ao servico dos insurgentes ou pelo menos eu assim não creia. Antes pelo contrário, creio que as redes sociais, pretendem contribuir na alerta das FDS e á populacão em geral para tomar posicão e preocacões. Se será que este papel das redes sociais é capitalizado pelas FDS? E se não se faz, porque será?

sábado, março 07, 2020

Eleições em África são uma mera formalidade, segundo o ativista dos direitos humanos

O presidente da Rede dos Defensores dos Direitos Humanos da África Austral, Arnold Tsonga, defendeu hoje em Maputo que os processos eleitorais no continente se tornaram numa mera formalidade e não um direito dos cidadãos de escolherem os seus governantes.
"Em África, o que acontece nos processos eleitorais é o cumprimento de um ritual cronológico, em que apenas se cumpre um calendário eleitoral sem o conteúdo do sufrágio universal", disse Arnold Tsonga, falando na palestra "Novo autoritarismo, espaço cívico e defesa dos direitos humanos", na Universidade Politécnica, em Maputo.
Segundo Tsonga, o sufrágio universal na maioria dos países africanos carateriza-se pela negação, muitas vezes violenta, do direito da população à livre escolha dos seus governantes.
"Geralmente, quem nos governa não é quem escolhemos, é quem tem as forças de segurança e os recursos do Estado para se perpetuar no poder", referiu Tsonga.
Como resultado da viciação dos processos eleitorais, prosseguiu, vários Estados africanos são dirigidos por "elites predadoras e antidemocráticas", que delapidam os recursos dos países.
"Nuns casos, são elites predadoras e antidemocráticas indiferentes ao desenvolvimento dos seus países, como é o caso do Zimbabué, noutros casos são elites antidemocráticas, mas que promovem o desenvolvimento dos seus países, como é o caso do Ruanda", disse.
Citando diversos estudos, Arnold Tsonga assinalou que há uma aliança entre os grupos que controlam o poder político em África e os investidores estrangeiros, que resulta numa sangria dos recursos naturais do continente.
O presidente da Rede dos Defensores dos Direitos Humanos da África Austral referiu que para manterem os seus privilégios, as cliques que estão no poder intensificam o controlo das forças de defesa e segurança, do judiciário e do setor empresarial.
Nesse contexto, prosseguiu, as eleições são usadas como um expediente para legitimar oligarquias
"Enquanto não tivermos uma cultura de alternância política por meios democráticos, a vida dos defensores dos direitos humanos e as liberdades duramente conquistadas estarão sempre em perigo", defendeu.
Fonte: Notícias Sapo - 07.03.2020

domingo, novembro 24, 2019

França reconhece vitória de Nyusi apesar das “irregularidades e más práticas” detectadas pelos observadores europeus

A França, país envolvido nas dívidas ilegais e que agora vai participar na exploração do gás na Bacia do Rovuma, reconheceu nesta quarta-feira (20) a vitória de Filipe Nyusi e do partido Frelimo nas Eleições Gerais de 15 de Outubro apesar da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia ter detectado “um número de irregularidades e más práticas no dia eleitoral e durante o processo de apuramento de resultados”.
Através de uma mensagem enviada pelo Presidente Emmanuel Macron a França tornou-se no primeiro país ocidental relevante a reconhecer a vitória de Filipe Nyusi e do partido Frelimo nas Eleições Presidenciais, Legislativas e Provinciais.
“O seu país regista um forte crescimento e a França e os seus operadores estão interessados em contribuírem para o alcance dos seus objectivos económicos e sociais. Eles estão ao seu lado para acompanhar o desenvolvimento do seu país. Da mesma forma, as empresas francesas presentes em Moçambique mobilizam-se para contribuírem para o crescimento sustentável do país”, pode-se ler na mensagem de Emmanuel Macron, segundo um comunicado da Presidência da República de Moçambique.
Para a França parecem ter sido indiferentes as constatações da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia que detectou “um número de irregularidades e más práticas no dia eleitoral e durante o processo de apuramento de resultados. As irregularidades incluíram enchimento de urnas, voto múltiplo, invalidação intencional de votos da oposição, e alteração de resultados de mesas de assembleia de voto com adição fraudulenta de votos extra”.
“Os observadores da UE notaram também dados improváveis de participação, grandes desvios de resultados entre mesas da mesma assembleia de voto, e em muitos casos membros de mesa, funcionários públicos e eleitores encontrados com boletins de voto fora das assembleias de voto. As irregularidades foram observadas em todas as províncias”, divulgou a Missão em comunicado no início de Novembro.
Depois de ter sido o país onde foram construídos os barcos para a Proindicus e EMATUM e pagos a preços sobrefacturados com dinheiro dos empréstimos contraídos violando a Constituição e leis orçamentais a França está agora envolvida na exploração do gás natural existente na Bacia do Rovuma através da petrolífera Total que passou a controlar a Área 1.

Fonte: @Verdade - 20.11.2019

sábado, novembro 23, 2019

Dívidas Ocultas: Frelimo diz que PR “não recebeu nenhum suborno”

O porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) referiu hoje que o seu líder e Presidente da República, Filipe Nyusi, "não recebeu nenhum suborno" do dinheiro das dívidas ocultas e "está isento de culpa".

“Está isento disto, não recebeu nenhum suborno”, disse à Lusa, o porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse.

O responsável referia-se a alegações do principal arguido do julgamento nos Estados Unidos, Jean Boustani, de que a empresa Privinvest pagou cinco milhões de dólares para a campanha presidencial de Filipe Nyusi de 2014 (um milhão para a campanha própria e quatro milhões para a Frelimo), a pedido do ex-Presidente Armando Guebuza.

Caifadine Manasse assinalou que antes do início do julgamento do caso, em Nova Iorque, Filipe Nyusi já trabalhava no esclarecimento do mesmo e na responsabilização dos seus autores.

“O Presidente Filipe Nyusi mandou criar uma comissão de inquérito, através da bancada parlamentar da Frelimo, e ele orientou o Governo para esclarecer esta situação das dívidas”, afirmou.
Uma comissão de inquérito da Assembleia da República concluiu que os avales prestados pelo anterior Governo moçambicano para a contração dos empréstimos que deram origem às dividas ocultas são ilegais, tendo remetido os resultados à Procuradoria-Geral da República para a responsabilização criminal, civil e administrativa dos autores daqueles encargos, num processo que decorre.
Caifadine Manasse frisou que o desenrolar do processo judicial sobre as dívidas ocultas deve ser acompanhado com serenidade até ao seu desfecho.
“Devemos aguardar serenamente, há um cidadão [Jean Boustani] que é arguido em Nova Iorque, está a ser julgado pelo tribunal e está a trazer aquilo que ele acha que são formas de se defender”, declarou o porta-voz da Frelimo.
Filipe Nyusi, prosseguiu a mesma fonte oficial, está limpo, tranquilo e sereno.

Fonte: Notícias Sapo - 22.11.2019

sexta-feira, novembro 01, 2019

STV JornaldaNoite 12 10 2019



Nota: Nas massas alguém diz: Papa muinimatrekari (Papá (Ossufo Momade) não nos matreque. Que significado tem essa expressão?

quinta-feira, outubro 31, 2019

PAGAMENTO DE IMPOSTOS IMANCIPA O CIDADÃO

Nota: não conto isto para sugerir que se devam usar os mesmos métodos coloniais para a recolha de impostos. Não quero nunca ser como Gaspar Zimba, quando era governador de Nampula. Conto somente para, na minha opinião, vermos de como os impostos se tornam uma causa de luta para pagantes. Ao leitor peço que entenda-me nesse sentido.
No tempo colonial, ou pelo menos no anos que observei com os meus olhos e lá na zona de Nampula, o pagamento de imposto anual era OBRIGATÓRIO para todos cidadãos considerados maiores de idade. O controle de seu pagamento era MUITO RIGOROSO. Posso ter perdido os detalhes, mas talvez os recupere com ajuda de outros aqui. 
Mas na minha percepção é que o controle de pagamento de imposto anual estava centrado no chefe/administrador dum posto administrativo. Creio que o posto administrativo tinha a lista de todos os cidadãos adultos sujeitos a pagar imposto e controlava através de régulos - cabos e capitães como eram as estruturas do governo na base. Para tal controle o chefe/administrador enviava para as aldeias cipaios ou cabo de terra para pressionar os régulos e cabos a prenderem aqueles que não pagassem impostos anuais até o prazo estabelecido. 
Se não estou em erro, o imposto anual para o camponês era de 100$00. Eram apenas os homens que pagavam. As mulheres estavam isentas. Como não havia registo de nascimento, muitas vezes dependia da altura do rapaz ou se o rapaz já tinha pêlos no sovacos. Até certa idade, os homens, por velhice, eram isentos ao imposto anual. Assim eles recebia um documento que em macua chamavam por “epassa”. 
A questão é se todos tinham rendimento para pagar imposto anual e cumprir outras obrigações que o governo impunha ao cidadão. Imaginando que certas obrigações eram de iniciativa local e no nosso caso, do carrasco Magalhães, por exemplo, não vou mencioná-las aqui. Ora, para que a pessoa tivesse rendimento, na minha zona pelo menos, o governo impunha para que um homem solteiro tivesse que cultivar 0,5 ha (meio hectare) de algodão e casado 1 ha. Adicionado a isso podia cultivar gergelim e ou amendoim. A colheita de castanha de caju também ajudava em algo. 
Nem todos conseguiam com isso pagar o imposto e daí encontravam o trabalho nas grandes plantações, por exemplo em Geba, como recurso. Às vezes, ir trabalhar nas plantações era compulsiva e podia ser ainda longe das suas zonas como nos canaviais de Sofala.
Porém, a percepção da maioria é que os impostos não serviam para eles mesmos. Na propaganda dos nossos libertadores também se realçava isso de que o maior destino dos impostos era a Metrópole, Portugal. Eu até agora estou nessa percepção. Se se construíam escolas, hospitais e outras infraestruturas, em Moçambique, era nos locais de maior concentração dos descendentes da Europa. Haviam muitas estradas terceárias  (picadas) boas, mas com o objectivo de controlar em primeiro lugar o cultivo de algodão. 
Dos murmúrios que eu ouvia, muitos, mesmo de forma passiva protestavam contra o pagamento coercivo de imposto de que não lhes beneficiava. Este pode ser um dos motivos de maior apoio dos camponeses à luta pela independência. Nas cidades era ainda possível encontrar muitos que os revolucionários chamavam por alienados, claro porque estavam perto dum hospital, duma escola, bebiam água potável, pago pelo imposto. 
A minha conclusão é de o imposto torna a pessoa a uma verdadeira cidadã porque tem algo a defender - o seu imposto.

domingo, outubro 27, 2019

Interesse Nacional acima de tudo: o poder político saudável é um bem público ao serviço do Povo Moçambicano

Por Marquês Malua

Moçambique precisou de cerca de 500 anos para livrar-se da subjugação colonial?
De quantos mais precisará desta vez para livrar-se da CNE/STAE/CC/ e de todo um sistema proto-democrático predador e desumano que fomenta a dúvida, o descrédito dos órgãos, das instituições e seus titulares, a corrupção nas pessoas, que estimula os seus intintos mais baixos e glardoa vulgarmente a irresponsabilidade?
Em entrevista ao Savana de 25 Outubro 2019, pág.4, o docente de ciências políticas, João Pereira, afirmou a dado momento que "(...) o problema não é da Frelimo ou da Renamo, mas de toda a sociedade e não podemos esperar outra coisa senão caos nem podemos reclamar, porque estamos sendo indiferentes perante isto tudo".
Alinho-me com a primeira parte deste postulado, mas em relação ao não podermos reclamar, tenho uma opinião diferente. Acho precisamente o contrário. Não só devemos reclamar, mas também devemos negar terminatemente em coseificarmo-nos, rejeitar essa auto imposta fatalidade e conformismo. Só que devemos exigir a acção e as mudanças de nós mesmos. Não da Frelimo, não da Renamo nem da comunidade internacional. Esses estão a fazer o seu papel de acordo com a sua agenda e interresse, que seria desejável que fossem convergentes com a agenda e interesse de Moçambique no seu todo.
Ora, quando os interesses que dominam e prevalescem sobre os moçambicanos são diferentes dos que lhes asseguram o bem estar, a sobrevivência e o seu desenvolvimento harmonioso e sustentável, a nossa reclamação sobre nós mesmos deve ser estridente. Devem incomodar-nos a inacção, a falta de coragem e o medo de continuar a sonhar o ideal da Nação Moçambicana livre, próspera e saudável onde os nossos filhos e netos possam viver com orgulho e dignidade.
Não podemos conformarmo-nos com o caos criado por pessoas ou sistemas que indicamos ou criamos e custeiamos com o propósito de aperfeiçoarmo-nos como seres humanos. Não podemos darmo-nos ao luxo de organizarmos eleições de trafulhice em cada 5 anos onde nem nós que ganhamos e nem aqueles que perdem saem com dignidade. O governo que formámos cheira a esturro. O nosso Presidente até emerge como uma simulação. Que irresponsabilidade é esta?
As pessoas que estimulam a fraude eleitoral não têm noção do perigo real que criam sobre todos nós: vencedores ou vencidos. As pessoas que, tendo a lei e o poder do povo para corrigir estes erros ou fraudes não fazem, não sabem que estão a minar o País e a acorrenta-lo no subdesenvolvimento por mais longos anos. Estão a ferir a Pátria de uma forma agonizante.
Devemos reclamar para nós os moçambicanos e credibilizarmos o sistema eleitoral para que nós e o nosso partido ganhador, (ou outro que vier a conseguir) possamos com orgulho, levantar o troféu para todo mundo ver, por ter sido fruto de trabalho justo, legitimo e de qualidade superior ao dos outros openentes. E não este troféu que parece humilhar mais que dignificar.
Se quisermos construir uma Nação unida, pacifica e próspera devemos trabalhar para ela. De outro modo, o Projecto Moçambique não vai dar certo.

sábado, outubro 26, 2019

JOMAV, SISSOCO, NUNO E CADOGO RECUSAM ENTREGAR FOTOS PARA BOLETINS DE VOTO

Quatro dos 12 candidatos admitidos pelo Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau às presidenciais de 24 de novembro recusaram-se a entregar fotografias que vão constar nos boletins de voto, por discordarem do andamento do processo eleitoral.
Uma fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE) guineense disse hoje à Lusa que recusam entregar fotografias os candidatos José Mário Vaz (Jomav), atual Presidente do país, os antigos primeiros-ministros Carlos Gomes Júnior (Cadogo) e Umaro Sissoco Embaló, e o líder da Assembleia do Povo Unido - Partido Social Democrata da Guiné-Bissau, Nuno Nabian.
Em carta dirigida à CNE, datada de 19 deste mês, os quatro dirigentes políticos fizeram saber ao órgão de gestão eleitoral guineense que não vão tomar parte em qualquer ato preparatório das eleições presidenciais, enquanto não forem destruídos os ficheiros com os nomes de cerca de 25 mil eleitores.
A situação daqueles eleitores tem alimentado uma acesa polémica entre o Governo e os quatro candidatos às presidenciais que não querem que os nomes daqueles cidadãos constem dos cadernos da votação de 24 de novembro.
Na sessão plenária da CNE foi decidido que os cadernos a utilizar serão os usados nas legislativas de 10 de março.
Fonte da CNE disse à Lusa que a instituição eleitoral "já não sabe o que fazer" perante as exigências dos quatro candidatos, salientando ser "incompreensível falar em destruição de um material que se encontra em ficheiro eletrónico".
"Mesmo que se destrua uma ‘pen’, um disco, há mais documentos dessa natureza", observou a mesma fonte, tranquilizando os candidatos às presidenciais de que "é fácil saber se os cadernos foram alterados".
A fonte da CNE lembrou que todos os candidatos têm acesso aos ficheiros eletrónicos, numa ‘pen drive’, com os dados usados nas eleições legislativas.
"Basta só comparar os dados", referiu a fonte.
No sábado passado, a CNE organizou o sorteio para determinar o posicionamento dos 12 candidatos nos boletins de voto, sem a presença dos representantes dos quatro contestatários, mas à luz da lei eleitoral, mediante a existência de quórum, o processo foi realizado.
As quatro candidaturas deveriam proceder imediatamente à entrega das respetivas fotografias, mas por não o terem feito, a CNE enviou-lhes uma carta a dar um prazo de 48 horas para disponibilizarem as fotografias.
Caso contrário, assinalou a fonte da CNE, os boletins serão feitos em Portugal sem as fotografias, mas apenas com os nomes dos candidatos.
Uma fonte do Governo disse à Lusa que elementos da comunidade internacional em Bissau têm estado a tentar convencer os quatro candidatos a entregarem as fotografias para que o processo possa decorrer normalmente.
Antes da votação, a CNE vai fazer chegar ao país, peritos da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO, entidade mediadora da crise política guineense) para proceder a uma auditoria aos ficheiros eleitorais.
A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais a 24 de novembro, estando a segunda volta, caso seja necessária, marcada para 29 de dezembro.
A campanha eleitoral, na qual vão participar 12 candidatos aprovados pelo Supremo Tribunal de Justiça, vai decorrer entre 01 e 20 de novembro.
//Com LUSA
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quinta-feira, outubro 24, 2019

Opinião: Uma vitória da FRELIMO com muitas manchas nas eleições em Moçambique

Segundo os resultados provinciais, a FRELIMO e Filipe Nyusi venceram as eleições em Moçambique. O pleito pouco teve a ver com o funcionamento duma democracia exemplar, diz Johannes Beck, chefe de redação da DW África.


As eleições em Moçambique foram "calmas e pacíficas", de acordo com vários relatórios sobre as eleições em Moçambique a 15 de outubro. De uma forma ou de outra, um veredicto espantoso perante dois manifestantes mortos e numerosos feridos por tiros disparados pela polícia em Nacala-Porto, província de Nampula, no norte do país.

Mas para que as eleições sejam livres, justas e transparentes não conta apenas o próprio dia da votação, mais importante são os meses e anos anteriores. Eleições justas requerem um clima aberto de competição democrática que respeite outras posições e filiações partidárias. Infelizmente, há anos, Moçambique não tem dado um bom exemplo.

Problema 1: Violência contra membros da oposição

Nos últimos anos, várias figuras importantes da oposição, como o edil de Nampula, Mahamudo Amurane, e intelectuais críticos, como o constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac, foram assassinados. Em quase todos os casos, os assassinos escaparam impunemente.
Uma exceção foi o último assassinato na província de Gaza, onde, a 7 de outubro, quatro membros de uma unidade de elite da polícia moçambicana alvejaram o observador eleitoral Anastácio Matavel. Foram apanhados em flagrante delito e identificados pela polícia local, que aparentemente não tinha conhecimento dos planos.
O resultado destes assassinatos políticos é um clima de intimidação. Um clima em que membros da oposição, os seus familiares e jornalistas críticos são intimidados ou até ameaçados de morte. E já parece quase normal em Moçambique que os funcionários da administração pública sejam obrigados a participar nos eventos do partido FRELIMO durante o seu horário de trabalho.

Problema 2: Violência da oposição

Mas mesmo o maior partido da oposição, a RENAMO, está a ajudar a envenenar o clima democrático. Nos últimos anos, tem atacado repetidamente automóveis, autocarros e camiões, matando muitas pessoas inocentes. A RENAMO tem criado uma tensão constante com as suas ameaças, diretas ou indiretas, de escalada da luta armada.
Embora o líder do partido Ossufo Momade tenha assinado um acordo de paz com o chefe de Estado Filipe Nyusiainda antes das eleições, o desarmamento dos combatentes da RENAMO não teve boa progressão desde então. Um grupo radical, liderado por Mariano Nhongo, questiona abertamente a autoridade do líder do seu partido.
No dia das eleições, os apoiantes da RENAMO também cometeram excessos violentos em alguns locais: incendiaram seis mesas de voto na província do Niassa, no norte do país, e tentaram roubar urnas na província central de Sofala, porque suspeitavam da ocorrência de fraude eleitoral. Isto também não contribui para um clima pacífico para que uma concorrência saudável de ideias possa florescer.

Problema 3: Recenseamento eleitoral injusto e irregularidades na contagem

Foram alcançados resultados surpreendentes no período que antecedeu as eleições quando o recenseamento eleitoral teve lugar. Na província de Gaza, baluarte da FRELIMO no sul de Moçambique, as autoridades eleitorais fizeram um grande trabalho. Aqui foram registados mais 230.000 eleitores do que a província tem de habitantes adultos, de acordo com as estatísticas oficiais. Por outro lado, os eleitores nos bastiões da oposição foram registados de forma lenta e não tão abrangente.
O resultado em Gaza com 95% para a FRELIMO e Filipe Nyusi fala por si mesmo. Faz lembrar os resultados de países socialistas e monopartidários.
Em quase todas as províncias, inúmeras irregularidades foram reportadas por observadores e partidos da oposição durante a votação e a contagem. Enchimento de urnas, invalidação de votos válidos que não foram a favor da FRELIMO, falta da afixação dos resultados em lugares públicos são apenas algumas. Os dois maiores partidos da oposição, a RENAMO e MDM, já anunciaram que contestam os resultados.
Mas mesmo sem estas irregularidades no registo dos eleitores e sem as manipulações na contagem dos votos comunicados pelos observadores, penso que a FRELIMO teria provavelmente vencido as eleições a nível nacional, já que a sua vantagem nos resultados provinciais publicados até agora é muito clara.

Vitória da FRELIMO não significa apenas algumas manchas

As irregularidades, porém, não são apenas manchas, mas sim o resultado de deficiências profundas no sistema democrático de Moçambique.
O antigo movimento de libertação governa o país há 44 anos, ou seja, desde a independência de Portugal em 1975. Até à data, a FRELIMO não conseguiu estabelecer uma cultura democrática em que fosse possível uma coexistência pacífica e uma concorrência leal entre diferentes ideias e partidos em todo o país.
Estes são problemas que os doadores ocidentais ignoraram durante muito tempo. Parecia mais fácil apresentar Moçambique como um modelo para uma ajuda ao desenvolvimento bem sucedida.
De cinco em cinco anos, após as eleições, os doadores fizeram advertências para que o Governo melhorasse a sua atuação, apenas para brevemente esquecer os próprios avisos. Mas a verdadeira democracia tem de ser vivida todos os dias, não apenas em dias de eleição: Moçambique ainda tem grandes desafios pela pela frente!
por: Johannes Beck
Fonte: Notícias Sapo - 24.10.2019

quarta-feira, outubro 23, 2019

Os tipos de eleitores mais conhecidos

Por Claudio Costa

Prezados leitores, em tempos de eleição vemos de tudo. Costumamos falar mal dos candidatos mal-intencionados, mas esquecemos que toda essa corrupção ocorre pela falta de consciência cidadã de nossos eleitores. Tudo isso é retrato de uma cultura clientelista e paternalista, enraizada no imaginário do nosso povo e que dificilmente será mudada. Só com muita educação e olhe lá. Pensando nisso, vou elencar aqui dez tipos de eleitor mais conhecidos. Talvez esqueça de alguns, mas  no geral é mais ou menos por aí. E nesse meio tem pessoas que se enquadram em vários perfis.
1. O apaixonado: esse é aquele que briga pelo candidato, só consegue ver seus pontos positivos, grita ao ouvir seus discursos, parece mais um daqueles torcedores fanáticos. Esse está fadado  à ignorância. Nem vale a pena discutir com ele.
2. O agradecido: é o que recebeu algum favor ou benefício pessoal de determinado candidato e por isso vota nele, sem nem mesmo olhar sua conduta pública. Para esse eleitor o que vale é o que o candidato fez por ele. É um dos mais comuns que encontramos. Infelizmente a gratidão pessoal não é um dos melhores critérios para a escolha de um representante público.
3. O leiloeiro: para o eleitor leiloeiro, ganha seu voto quem lhe der mais. Ele assume compromisso com todos que batem à sua porta, mas vota no que lhe pagar melhor. Desse eleitor os políticos tem medo, pois podem está gastando dinheiro sem ter resultado.
4. O negociador: esse é o que faz do voto uma espécie de negócio. Esse tipo de eleitor barganha sempre alguma coisa (dinheiro, material de construção, promessa de emprego etc.) para se beneficiar. Como os outros anteriores, não observa muito o histórico dos candidatos, afinal, negócio é negócio, e depois de fechado, caso encerrado.
5. O simpatizante: O eleitor simpatizante é geralmente o que escolhe pela simpatia, aparência ou pela forma como o candidato lida com o povão. Esse eleitor tem tendência a optar por candidatos populistas. Se o candidato for daqueles que cumprimenta todo mundo, já ganhou seu voto.
6. O panelinha: o eleitor panelinha é aquele que de alguma forma se beneficia da máquina pública, seja emprego ou qualquer outra forma que lhe renda um benefício do governo. O eleitor dessa categoria é ciente das mazelas administrativas, mas defende com unhas e dentes o lado em que está, pois é a sua pele que está em jogo.
7. O duas caras: é o eleitor que finge está de um lado, mas na verdade está de outro.
8. O Maria vai com as outras: esse é aquele que não sabe perder e por isso pende sempre para o lado mais forte, ou que aparenta estar mais forte. Para esse eleitor, votar num candidato que perde é um desperdício, por isso ele procura sempre candidatos que tem quase certeza que serão eleitos. Esse não tem opinião alguma, o que vale mesmo é seguir a maioria. Me perdoem, mas na minha opinião esse nem deveria votar.
9. O pau-mandado: O eleitor pau-mandado não tem opinião própria, geralmente tem alguém que lhe orienta em quem tem de votar. Às vezes quem manda é o patrão, alguém da família, ou qualquer outra pessoa com quem mantém um relação de submissão. Esse eleitor parece ainda viver no tempo do coronelismo ou da ditadura, infelizmente não se emancipou como cidadão.
10. O consciente: este é quase inexistente. O eleitor consciente vota observado os critérios mais éticos possíveis: trabalho, honestidade, transparência, compromisso público, histórico, políticas públicas, propostas de governo etc. Esse eleitor pesa os prós e os contras de cada candidato, usando como parâmetro esses critérios, e a partir daí faz a sua escolha. Se todos os eleitores fossem conscientes, os governos com certeza seriam diferentes, pois as exigências também seriam diferentes.
E aí, em qual você se enquadra? Teriam outros tipos, no entanto vou ficar por aqui para não alargar a fila. A lista aqui citada é só para você perceber que no meio de tantos tipos de eleitores o voto consciente fica praticamente perdido e é por isso que as coisas dificilmente mudam, porque as escolhas não são pautadas em valores éticos. Por isso é válida a frase popular: "o povo tem o governante que merece". O governante realmente é a cara do povo que o elege. É claro que isso não exime a culpa daqueles que são eleitos para representar o povo e zelar pelo bem comum, mas mostra claramente o mundo em que estamos inseridos, de pessoas individualistas com quase nenhum senso de coletividade. Todos esses vícios se refletem na política e prejudica o ideal de democracia que tanto sonhamos.  Fonte: Aqui

quarta-feira, outubro 16, 2019

Os fantasmas de Gaza não ressuscitaram

E na província de Gaza, os eleitores fantasmas não ressuscitaram para votar. Há uma assembleia de voto n. 092012-02, onde todos os 800 eleitores inscritos votaram, dos quais 799 votaram em Nyusi, 1 em Ossufo Momade. Não houve voto em branco nem nulo. Mas em outra assembleia de voto, nenhum fantasma votou. Apenas 17 MMV’s e observadores votaram. E em algumas assembleias de voto, apenas 200 das 800 pessoas votaram. Parece que a publicidade sobre os 300.000 eleitores extras registados assustou muitos fantasmas ao não votar.

Fonte: Eleições Gerais 2019 - Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique 79 - 16 de Outubro de 2019


sábado, outubro 12, 2019

Senhor José Pacheco (2)

A seguranca de um país ou cidade se verifica pelo tipo de casas ou quintais que tem. Se você chega num país e nota que as casas e quase todas são vedadas por muros cumpridos que nem permitem ver as casas, muros que até levam arame farbado ou estilhacos de vidros, nesse país ou cidade não há seguranca, há muita bandidagem, ladroagem, criminalidade. Se você chega numa cidade e vê guardas em todo o canto mesmo à luz do dia, é porque nessa cidade não há seguranca, há muita ladragem, há muitos roubos mesmo à luz do dia; Se todas as portas e janelas são gradeadas como se fossem celas ou prisões que até mete medo em caso de incêndio, é porque nesse país ou cidade há muita bandidagem, muita ladroagem, muita criminalidade.
Se você for cidadão desse país ou citadino, não pode se orgulhar por ter casa com quintais com muros altos ou casas todas elas gradeadas. Se você ainda consegue sorrir, quem vêm dum ambiente contrário sente-se aterrorizado. Infelizmente, um país com tamanha inseguranca tem problema no investimento empresarial e não menos na área do turismo. Se você for autoridade, tem que se empenhar no sentido de remover esses muros e grades, algo que só é possível depois de resgatar a seguranca. Dessa forma se resgata o orgulho. Você nunca deve ensinar de como se vive seguro quando é de uma cidade insegura, de um país perigoso.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé