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terça-feira, fevereiro 05, 2019

Por que é que Chagonga, Mhole e Gwambe não são heróis?

Por Adelino Buque


Os fundadores das organizações que deram origem à FRELIMO – Frente de Libertação de Moçambique, refiro-me ao Matias Mhole, Baptista Chagonga e Adelino Gwambe, merecem um lugar na história libertária de Moçambique, ao ousarem criar organizações para fazer frente ao colonialismo português.
Na época que o fizeram, mostram que não são cidadãos comuns, são homens que, cada um à sua maneira, queriam um Moçambique livre da colonização portuguesa.
A história de Moçambique não se pode cingir a tratar esses homens ousados como “desertores, traidores ou conspiradores”.
Temos de olhar para essa época fora da visão exclusivista da Frente de Libertação de Moçambique.
Aliás, até os combatentes da Renamo que desencadearam uma guerrilha de destruição maciça e sem precedentes, com milhões de mortos, são tratados como guerrilheiros de luta pela democracia. Por isso, julgo que é chegada a hora de rever a nossa história libertária.
Aqui e agora, não pretendo discutir se os guerrilheiros da Renamo merecem ou não esse tratamento, no entanto temos que ter a honestidade para assumir que seja feita a justiça aos homens e mulheres que no contexto da revolução foram tratados como “traidores”.

terça-feira, abril 05, 2016

Nova toponímia gera polémica na cidade da Beira

A bancada do partido Frelimo, na Assembleia Municipal da Beira, contesta parte dos nomes apro­vados para a nova toponímia da segunda maior cidade do país, que foram semana finda aprova­da, por via do voto maioritário do MDM (30 membros).
O partido Frelimo que tem 14 membros na Assembleia Muni­cipal, apesar de reconhecer que a discussão da nova toponímia iniciou da base, absteve-se no pro­cesso de votação, alegando que alguns nomes, sem apontar quais, estão ligados a actos que ferem a Constituição moçambicana.
“São nomes que não reúnem os princípios da elegibilidade dos to­pónimos. Estamos a falar da sua história, como na luta de liberta­ção, na arena desportiva, política, cultural entre outros. Para nós, al­guns dos nomes propostos preci­sam de uma clarificação, pois nós entendemos que eles nada têm a ver com a nossa história”.

Fonte: O País – 04.04.2016

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

PR atribui títulos honorificos a cidadãos nacionais

O PRESIDENTE da República, Armando Emílio Guebuza, no uso das competências que lhe são conferidas pela alínea j) do artigo 159 da Constituição da República de Moçambique, atribuíu Títulos, Ordens e Medalhas, numa cerimónia a decorrer hoje, em Maputo, aos seguintes cidadãos nacionais: 
 Para O Título Honorífico “Herói da República de Moçambique”  · Eduardo Chivambo Mondlane
· Filipe Samuel Magaia

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Soldado desconhecido com monumento em Quelimane

Um Monumento em memória ao soldado desconhecido será erguido este ano pelo governo municipal da Cidade de Quelimane.

O edil da urbe, Manuel de Araújo, que revelou o facto durante as celebrações do 3 de Fevereiro, dia dos Heróis Nacionais, disse que a iniciativa visa reconhecer, com a devida vénia, a todos os soldados que com garra, determinação e tenacidade alienaram a sua juventude para integrar o movimento que libertou o país do jugo colonial.

Segundo o autarca, neste momento existem moçambicanos que deram a sua juventude pela causa nacional, sobretudo participando na luta armada, mas que não estão a ser reconhecido e a historiografia política do pais ainda não reservou um lugar para eles e nem estão a ser exaltados.

sábado, março 24, 2012

DIZER POR DIZER... - A vergonha que Fernando Natal evitou!

Por Pedro Nacuo

Estivemos em Muade, no dia 17 de Março, a fim de presenciar o ponto mais alto da homenagem ao herói Robati Carlos, que alguma corrente diz ter sido inventado, o que não me parece verdade.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Celebrar Hoje 50 Anos, Obriga a Homenagear Todos os Nacionalistas, Principalmente Aqueles Catalogados de “Reaccionários”!!

Por Jonathan McCharty

Está no seu auge, a celeuma devido a badalada celebração dos 35 ou 50 anos, desde a formação da Frelimo, partido de vanguarda, de orientação marxista-leninista.
Documentação histórica existente, que ainda não foi contestada, assegura que um tal partido, de ideologia comunista só se formou a 7 de Fevereiro de 1977, nas instalações do Clube Militar, em Maputo, o que fazendo os devidos somatórios, totaliza neste ano de 2012, 35 anos da sua existência e não os propalados 50 anos, como se está a papaguear por aí aos 7 ventos. Ler mais

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Governo transfere cerimónias do 3 de Fevereiro para Mocuba

O governo da Zambézia decidiu escolher a cidade de Mocuba, por sinal a segunda cidade da província para realizar as cerimónias centrais do dia dos heróis moçambicanos, a assinalar-se esta sexta-feira em todo país.

Fonte: Diário da Zambézia - 02.02.2012

sábado, fevereiro 05, 2011

“Quem escolhe os heróis é o povo”

Telesfério Nhapulo lançou, no ano passado, o Atlas Histórico de Moçambique. O académico olha para o debate em torno dos heróis nacionais de forma desapaixonada. Diz que a História é uma ciência e “está permanentemente à procura da verdade.” Ou seja, o que “está a ser ignorado hoje, amanhã pode ser venerado.”
Aliás, os heróis, diz, devem ser construções do povo. A Revolução de Jasmim, diz o historiador, pode, mais tarde, criar heróis legitimados pelo contexto daquele episódio. Há, então, sempre o reverso da moeda. Por tudo isto, os manuais de História já não falam de Urias Simango como reaccionário. Quanto à obra de Bernabé Lucas Nkomo, afirma que não pode ser posta de parte. Até porque ela faz parte do processo de construção da nossa História.

quarta-feira, agosto 25, 2010

"Eu quero os meus heróis"

GENESMACUA de: Sebastião Cardoso

Eu quero os meus heróis. Gungunhana, era neto de Soshangane, um general zulu que se revoltou contra o Imperador Tchaka.
Derrotado por este, em 1819, foge com o seu exército para Moçambique, subjugando, submetendo e absorvendo numerosos povos especialmente na área costeira desde o Limpopo ate ao Save, fundando, assim, o Império de Gaza. Humilhou, varias vezes, os portugueses, conquistando Lourenço Marques e Inhambane. A questão aqui é: Soshangane pode ser considerado uma figura da nossa Historia com que papel? Invasor zulu ou fundador machangane? Morre em 1858, sucedendo-lhe Muzila.
Vou saltar Muzila e escrever um pouco sobre o neto, Gungunhana, cuja fama ultrapassou fronteiras.

quarta-feira, abril 12, 2006

A Propósito do 7 de Abril - Dia da Mulher Moçambicana

Uma Reabilitação importante da História:

CELINA MUHLANGA SIMANGO

Uma Mártir paradigmática, ignorada em Moçambique. (Muhlanga, lê-se aproximadamente Mux.Lhanga – (Muchanga)

Ensaio
A Propósito do 7 de Abril - Dia da Mulher Moçambicana
por João Craveirinha

PREÂMBULO ETNO-HISTÓRICO XINDAO / INGUNI:
Excerto de saudação laudatória (de louvor) muito antiga – mais de 100 anos. Xithopo / xithoko – zelo: «Davuka! Muhlanga! Duva!... Va Ka Muhlanga Va Huma Musapa i Vandau». (Acorda Muchanga! Zebra!... Os Muchangas saiem de Mussapa são vaNdao) …«xa ku remero ra re kure, bare» (nascidos de algo pesado que veio de longe).

Segundo a História o Clã Muchanga veio de muito de longe. Originário para lá do Sul de Moçambique (Cordilheira dos Libombos - Suazilândia). De uma origem muito antiga iNduanduê (iNguni), derrotados em guerras com os Muthétuas – Zulos da era de Tchaca Senzagakhona iZulo (1816 / 1828). Alguns são integrados nos Zulos. Um dos generais vaNguni convertidos do Imperador Tchaca Zulo (n.1787 / m.1828), era Muhlanga. Outros Muhlangas (Muchangas), fogem mais para Norte (Zimbabué e Manica), integrados nas hordas vaNguni (dos Grandes). Em 1825, iNgunis reconquistam Mussapa e Mossurize chefiados pelo iNkôssi Soshangana, General do derrotado Zuide, Rei iNduanduê. Soshangana, mais tarde avô de Mundungazi (alcunhado inGungunhane), segundo filho de uMuzila na linha de sucessão do Império da velha Gaza em Manica (e Sofala). (O nome Mundungazi provém de Mundu = pessoa – iNgazi = sangue (real). Palavras de origem shona / indao). O verdadeiro nome de inGungunhane era iNdao e isto nunca havia sido dito antes.
Na invasão do Sul do Save (1889), o Imperador Mundungazi, de alcunha inGungunhane o iNgonhamo (leão), marcha com cerca de 100 mil vaNdao (despovoando Mussapa e Mossurize), rumo a Mandlha – inKaze (Mandlakaze - Mandjacaze), massacrando os vaLengue (chopes) em maioria –, do rio Limpopo ao rio Save. Um dos dois principais tiNduna – chefes de inGungunhane era o todo poderoso General Simango e outro de nome muTazabano, veteranos do tempo de seu pai uMuzila, sepultado em Udengo – Manica (Sofala), onde permanece. Outros Muhlangas (Muchangas) fixam-se no Sul do Save na Nova Gaza, depois da conquista.
Os Muchangas, anteriormente (1820/30), ocupam Mussapa – Manica (dos dois lados de Moçambique e de Zimbabué), zona dos Shonas, conquistando-os. Surge o fenómeno de aculturação mútua – vencedores iNgunis Muchangas com Shonas derrotados. Mais tarde os Shonas de Moçambique são denonimados – iNdao. (Vide livro de Crónicas Históricas, 2ª edição: - Moçambique, Feitiços, Cobras e Lagartos, pag. 45, último parágrafo).
A saudação laudatória final dos Muchangas entoada em xiNguni é elucidativa: «Hlambasi wa Mafukuthe, wa Ucenga. Yebo!». Indicação de que na realidade o Clã Muchanga é vaNguni e veio do Sul, o mesmo se aplicando aos Dhlakamas (De – lha – kamas).
Na origem de Mamã CELINA MUHLANGA (n.1937? / m.1981?), esposa do reverendo Uria SIMANGO (antigo vice - Presidente da FRELIMO), correm genes (ADN) de lendários guerreiros Muhlangas (Muchangas) e na descendência de seu casamento (filhos), se misturam ainda genes de avós Tivanes dos iMpfumos (rongas de Maputso) e Shonas de Zimbabué da parte do pai Uria Simango (n.1926/m.1981?); outro grande mártir do Nacionalismo Africano e de Moçambique. (ADN = ácido desoxirribonucleico).

Mas que crime terá cometido Mamã Celina? O “Crime” de ser MULHER, ESPOSA e MÃE MOÇAMBICANA?! Ou na realidade, Celina Muhlanga Simango, terá sido uma Mártir da Independência e da Liberdade simbolizando todas as outras MULHERES MÁRTIRES ignoradas que a Luta pela Independência gerou?
“Mama” Celina foi Presidenta da LIFEMO – LIga FEminina MOçambicana que daria origem ao D.E.F (1968) e à OMM a 16 Março 1973. Ao citarem a OMM sem dúvida um dia na História, o nome de Celina Muhlanga Simango, terá de ser lembrado como uma das pioneiras na organização política feminina na Luta anti-colonial em Moçambique e em África.
A 4 Março 1968, é extinta a LIFEMO e criado o D.E.F – Destacamento Feminino da FRELIMO do qual Josina Muthemba viria a participar como dirigente. Josina Abiatar Muthemba (mais tarde Machel), nasce em 1945. É mãe a 23 de Novembro 1969. Morre em 7 de Abril 1971, em Dar-es-Salaam (Hospital Chinês de Kurassine). Sucumbe ao esforço físico de acompanhar a situação das crianças afectadas pela guerra, no interior de Moçambique – Cabo Delgado e Niassa. Daí o 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana.
No entanto, Celina Muhlanga Simango, sofreria no corpo e na alma rasgada de dor o destino cruel de todas as mártires de uma Luta de Libertação. Fiel ao lado de seu marido cumprindo a jura celebrada no casamento cristão: “até que a morte nos separe” – na realidade nem na morte separados. Estariam unidos para sempre na entrega total pela causa de uma Independência de Moçambique para outros a desfrutarem sem a merecerem. “Os primeiros serão os últimos” –, reza a Bíblia que seu marido, Uria Simango, tão bem conhecia assim como os Cânticos dos Salmos de que se serviu para atenuar a dor física das bastonadas a oito mãos que recebia na tortura em 1975 no campo de Nachingueia em Tanzania.
No dia das Mulheres Moçambicanas, resgato a memória de Mamã Celina Muhlanga Simango, humilhada, torturada, somente por não renegar seu marido Reverendo Uria Simango – Presidente interino da Frelimo após a morte de Eduardo Mondlane, em 3 Fevereiro 1969. Em Novembro de 1969, Uria Simango é oficialmente expulso da Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO.
Na figura dessa Mulher – Esposa – Mãe, Celina, se resgatam todas as MULHERES Moçambicanas ou Moçambicanizadas que foram caluniadas, presas e enviadas a fatídicos campos da morte por Moçambique fora e em Niassa, nas diversas operações produção desde 1975. MULHERES violentadas na condição humana, e, outras, na fuga, devoradas por leões ou mortas por metralhadoras kalashenikove.
In Memoriam a essas MULHERES MÁRTIRES, este Dialogando de hoje, sem diálogo, chora lágrimas de silêncio! (João Craveirinha)

Foto Tanzânia – Nachingueia – Janeiro 1975 – Apresentação dos ditos “reaccionários” depois de uma noite de tortura. Da esquerda para a direita: pintor João Craveirinha (autor desta crónica); estudante José Francisco, 1º Comdt. de mísseis Pedro Simango; Dr João Unhai (médico); Prof. Dr. Faustino Kambeu (Direito Internacional); professora Celina Muchanga Simango (esposa do Rev. Uria Simango). Todos dissidentes da FRELIMO. (Foto arquivo de J.Craveirinha).