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sábado, abril 07, 2018

No dia da Mulher Moçambicana, o debate sobre a vulnerabilidade continua

As mulheres em Moçambique continuam entre o grupo social mais vulnerável. Apesar de existência de políticas que priorizam a mulher, esta ainda enfrenta a discriminação, dificuldades no acesso ao emprego, a violência domestica, o assédio sexual, e os casamentos prematuros.

A desigualdade entre homens e mulheres é visível na sociedade moçambicana, e algumas activistas têm defendido um planeta cinquenta – cinquenta, onde homens e mulheres gozam da mesma maneira de seus direitos humanos.

Dos 28 milhões de habitantes em Moçambique, de acordo com o resultado preliminar do censo populacional realizado no ano passado, a mulher é a maioria, mas ela é muitas vezes relegada o papel de responsável pelo lar o que leva muitas a não concluírem a escola.

Anchieta Ayuba, tem 26 anos, mãe de quatro filhos, é residente na cidade de Nampula, norte do país.
Nunca frequentou a escola porque como disse, os seus pais "não tiveram condições para o efeito".

Com a crise económica, Anchieta foi abandonada no ano passado pelo seu marido e hoje sustenta os seus quatro filhos através do comércio informal ambulante vendendo produtos da época.

Com dinheiro que consegue do comércio, ela paga apenas a escola do seu filho mais velho que tem 12 anos os outros de dez e sete anos respectivamente não estudam.

Com a sua actividade, consegue um rendimento diário de 55 meticais, quase um dólar , o que não chega para suprir todas as necessidades da família: "Não ganho muito, mas consigo alimentar as crianças. Há dias que o negócio não anda, aí a situação fica difícil em casa’’, disse. Ler mais (Voz da América).



FonTe: Voz da AMérica – 07,04.2018

sábado, abril 07, 2012

DIA DA MULHER MOÇAMBICANA LIVRE DE PARTIDARIZAÇÃO


7 Abril 2009

Por Linette Olofsson

A coragem, é o uso da razao a despeito do prazer. Coragem, é ser coerente com seus príncipios a despeito do prazer e da dor.
“A Coragem é a primeira qualidade Humana, pois garante todas as outras”
Aristoleles
Esta pequena frase,  foi-me inspirada por uma Mulher muito simples e dotada de uma grande humildade, a quem dedico este artigo, Lúcia Inácio, uma camponesa anónima da etnia sena  com título de Rainha, nascida e  residente  no interiror do Distrito de Mopeia na localidade de Chimbazo, uma Mulher com tive a opurtunidade de trocar expriencias, e dela colher  os seus actos de coragem, jamais vistos  ou reportado de uma Mulher camponesa, muito menos por Mulheres com altos cargos no poder político em Moçambique.

quinta-feira, abril 08, 2010

Uma Reabilitação importante da História:

(Foto)Tanzânia – Nachingueia – Janeiro 1975 – Apresentação dos ditos “reaccionários” depois de uma noite de tortura. Da esquerda para a direita: pintor João Craveirinha (autor desta crónica); estudante José Francisco, 1º Comdt. de mísseis Pedro Simango; Dr João Unhai (médico); Prof. Dr. Faustino Kambeu (Direito Internacional); professora Celina Muchanga Simango (esposa do Rev. Uria Simango). Todos dissidentes da FRELIMO. (Foto arquivo de J.Craveirinha).
Publicado em O AUTARCA e CANAL DE MOÇAMBIQUE - 12.04.2006

CELINA MUHLANGA SIMANGO

Uma Mártir paradigmática, ignorada em Moçambique. (Muhlanga, lê-se aproximadamente Mux.Lhanga – (Muchanga)

Ensaio

A Propósito do 7 de Abril - Dia da Mulher Moçambicana

Por João Craveirinha

PREÂMBULO ETNO-HISTÓRICO XINDAO / INGUNI:
Excerto de saudação laudatória (de louvor) muito antiga – mais de 100 anos. Xithopo / xithoko – zelo: «Davuka! Muhlanga! Duva!... Va Ka Muhlanga Va Huma Musapa i Vandau». (Acorda Muchanga! Zebra!... Os Muchangas saiem de Mussapa são vaNdao) …«xa ku remero ra re kure, bare» (nascidos de algo pesado que veio de longe).

Segundo a História o Clã Muchanga veio de muito de longe. Originário para lá do Sul de Moçambique (Cordilheira dos Libombos - Suazilândia). De uma origem muito antiga iNduanduê (iNguni), derrotados em guerras com os Muthétuas – Zulos da era de Tchaca Senzagakhona iZulo (1816 / 1828). Alguns são integrados nos Zulos. Um dos generais vaNguni convertidos do Imperador Tchaca Zulo (n.1787 / m.1828), era Muhlanga. Outros Muhlangas (Muchangas), fogem mais para Norte (Zimbabué e Manica), integrados nas hordas vaNguni (dos Grandes). Em 1825, iNgunis reconquistam Mussapa e Mossurize chefiados pelo iNkôssi Soshangana, General do derrotado Zuide, Rei iNduanduê. Soshangana, mais tarde avô de Mundungazi (alcunhado inGungunhane), segundo filho de uMuzila na linha de sucessão do Império da velha Gaza em Manica (e Sofala). (O nome Mundungazi provém de Mundu = pessoa – iNgazi = sangue (real). Palavras de origem shona / indao). O verdadeiro nome de inGungunhane era iNdao e isto nunca havia sido dito antes.
Na invasão do Sul do Save (1889), o Imperador Mundungazi, de alcunha inGungunhane o iNgonhamo (leão), marcha com cerca de 100 mil vaNdao (despovoando Mussapa e Mossurize), rumo a Mandlha – inKaze (Mandlakaze - Mandjacaze), massacrando os vaLengue (chopes) em maioria –, do rio Limpopo ao rio Save. Um dos dois principais tiNduna – chefes de inGungunhane era o todo poderoso General Simango e outro de nome muTazabano, veteranos do tempo de seu pai uMuzila, sepultado em Udengo – Manica (Sofala), onde permanece. Outros Muhlangas (Muchangas) fixam-se no Sul do Save na Nova Gaza, depois da conquista.
Os Muchangas, anteriormente (1820/30), ocupam Mussapa – Manica (dos dois lados de Moçambique e de Zimbabué), zona dos Shonas, conquistando-os. Surge o fenómeno de aculturação mútua – vencedores iNgunis Muchangas com Shonas derrotados. Mais tarde os Shonas de Moçambique são denonimados – iNdao. (Vide livro de Crónicas Históricas, 2ª edição: - Moçambique, Feitiços, Cobras e Lagartos, pag. 45, último parágrafo).
A saudação laudatória final dos Muchangas entoada em xiNguni é elucidativa: «Hlambasi wa Mafukuthe, wa Ucenga. Yebo!». Indicação de que na realidade o Clã Muchanga é vaNguni e veio do Sul, o mesmo se aplicando aos Dhlakamas (De – lha – kamas).
Na origem de Mamã CELINA MUHLANGA (n.1937? / m.1981?), esposa do reverendo Uria SIMANGO (antigo vice - Presidente da FRELIMO), correm genes (ADN) de lendários guerreiros Muhlangas (Muchangas) e na descendência de seu casamento (filhos), se misturam ainda genes de avós Tivanes dos iMpfumos (rongas de Maputso) e Shonas de Zimbabué da parte do pai Uria Simango (n.1926/m.1981?); outro grande mártir do Nacionalismo Africano e de Moçambique. (ADN = ácido desoxirribonucleico).

Mas que crime terá cometido Mamã Celina? O “Crime” de ser MULHER, ESPOSA e MÃE MOÇAMBICANA?! Ou na realidade, Celina Muhlanga Simango, terá sido uma Mártir da Independência e da Liberdade simbolizando todas as outras MULHERES MÁRTIRES ignoradas que a Luta pela Independência gerou?
“Mama” Celina foi Presidenta da LIFEMO – LIga FEminina MOçambicana que daria origem ao D.E.F (1968) e à OMM a 16 Março 1973. Ao citarem a OMM sem dúvida um dia na História, o nome de Celina Muhlanga Simango, terá de ser lembrado como uma das pioneiras na organização política feminina na Luta anti-colonial em Moçambique e em África.
A 4 Março 1968, é extinta a LIFEMO e criado o D.E.F – Destacamento Feminino da FRELIMO do qual Josina Muthemba viria a participar como dirigente. Josina Abiatar Muthemba (mais tarde Machel), nasce em 1945. É mãe a 23 de Novembro 1969. Morre em 7 de Abril 1971, em Dar-es-Salaam (Hospital Chinês de Kurassine). Sucumbe ao esforço físico de acompanhar a situação das crianças afectadas pela guerra, no interior de Moçambique – Cabo Delgado e Niassa. Daí o 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana.
No entanto, Celina Muhlanga Simango, sofreria no corpo e na alma rasgada de dor o destino cruel de todas as mártires de uma Luta de Libertação. Fiel ao lado de seu marido cumprindo a jura celebrada no casamento cristão: “até que a morte nos separe” – na realidade nem na morte separados. Estariam unidos para sempre na entrega total pela causa de uma Independência de Moçambique para outros a desfrutarem sem a merecerem. “Os primeiros serão os últimos” –, reza a Bíblia que seu marido, Uria Simango, tão bem conhecia assim como os Cânticos dos Salmos de que se serviu para atenuar a dor física das bastonadas a oito mãos que recebia na tortura em 1975 no campo de Nachingueia em Tanzania.
No dia das Mulheres Moçambicanas, resgato a memória de Mamã Celina Muhlanga Simango, humilhada, torturada, somente por não renegar seu marido Reverendo Uria Simango – Presidente interino da Frelimo após a morte de Eduardo Mondlane, em 3 Fevereiro 1969. Em Novembro de 1969, Uria Simango é oficialmente expulso da Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO.
Na figura dessa Mulher – Esposa – Mãe, Celina, se resgatam todas as MULHERES Moçambicanas ou Moçambicanizadas que foram caluniadas, presas e enviadas a fatídicos campos da morte por Moçambique fora e em Niassa, nas diversas operações produção desde 1975. MULHERES violentadas na condição humana, e, outras, na fuga, devoradas por leões ou mortas por metralhadoras kalashenikove.
In Memoriam a essas MULHERES MÁRTIRES, este Dialogando de hoje, sem diálogo, chora lágrimas de silêncio!
(João Craveirinha)

Fonte: o texto e a foto retirados daqui.

Reflectindo: republico este artigo neste blog devido à afirmacão do Governador de Sofala, Maurício Vieira, segundo o CanalMoz que não havia outra verdade sobre o 7 de Abril, Senão a que é conhecida de todos e segundo o Jornal Notícias, o Governador apelou para que a história não fosse deturpada...

Partidarização de 7 de Abril mancha festa da mulher moçambicana

– Daviz Simango, presidente do MDM

“Que a luta dos moçambicanos pela não privatização de eventos nacionais continue até que a razão vença a intolerância. Somos moçambicanos, e lutaremos por Moçambique para todos.” – Daviz Simango
O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, disse que o 7 de Abril actualmente tornou-se uma data festiva, com flores e bombons para umas, e de marginalização e descriminação para outras que, devido a natureza super partidária com que a data é tratada, não se vêem nela identificadas.
Falando, ontem, na Beira, numa entrevista exclusiva com o Canalmoz à margem da comemoração, do 7 de Abril (feriado nacional), cujas cerimónias tiveram lugar no Monumento dos Heróis Moçambicanos, na zona da Chota, Simango afirmou que as mulheres são, por natureza, Amigas, Companheiras, e sobretudo nossas mães pela forma como elas cuidam de nós, desde que nascemos até a morte, nas diversas etapas que com elas vivemos. Por isso, tenho o privilégio de manifestar o meu reconhecimento e admiração por elas, pois sem elas nós não existiríamos.
“A luta do Movimento Democrático de Moçambique visa fazer com que este dia constitua um momento privilegiado de reflexão sobre as melhores formas de busca de igualdade social entre os homens e mulheres e de eliminação de todas formas de descriminação de mulheres com base na sua filiação política”, acrescentou o presidente do MDM que é também o presidente do Município da Beira.
“Queremos também, nesta luta, chamar atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vem sendo impostas”, sublinhou.
Ele acrescentou que o seu partido tem consciência de que esta luta “requererá de nós muita ponderação, patriotismo e paciência, porque é um processo que mexe com totalitarismo e arrogância, em que a todo o custo se colocam organizações do Partido no Poder como proprietárias de datas nacionais, num autêntico golpe ao Estado moçambicano. Esta forma de opressão temos que enfrentá-la de frente e não auto-excluirmo-nos. Só assim evitaremos que esse comportamento atinja proporções cada vez mais difíceis de reparar. É por isso que a nossa luta deve continuar a assumir cada vez mais o compromisso de combater o obstáculo e promover o avanço da Mulher”.
Daviz Simango adiantou que “não daremos trégua até que os fazedores das mentes saibam que estas mulheres moçambicanas, geradoras da vida precisam dum dia que simbolize a sua dignidade e identidade como moçambicanas, independentemente do seu estrato político, social e económico”.
A OMM como vulgarmente é conhecida a organização feminina do Partido Frelimo não representa a unidade nacional, nem a voz da razão de luta das mulheres moçambicanas, pois representa apenas um universo constituído em um Partido com dois milhões de seguidores num país com cerca de vinte milhões de habitantes.
Portanto, Simango advertiu que o 7 de Abril deve ser celebrado por todas, pois se trata duma data nacional dedicada a Mulher. As camaradas e outras formações que queiram festejar datas próprias que encontre espaço próprio porque o ano tem 365 dias, adiantou em jeito de proposta para que não se confundam datas partidárias com uma data nacional. “Não queremos discutir datas nacionais porque elas existem e devem ser respeitadas por todos moçambicanos”, disse Daviz Simango, presidente do MDM.
“Os governantes de hoje devem ter a lucidez necessária para saberem distinguir o que não gostariam que lhes fizesse, discriminados e negados na sua terra. Daí que devem entender que não se deve fazer algo a alguém que não se goste que seja feito a si próprio. Por isso a Paz deve iniciar na nossa atitude para o bem das futuras gerações e de mãos dadas construirmos uma sociedade cada vez mais solidária. Somos poucos para cada um de nós no seu canto fazer só. Todos juntos faremos melhor. Como moçambicanos ninguém deve estar de fora do seu direito constitucional, na sua contribuição de construirmos a nação moçambicana”, frisou Daviz Simango.
Por fim, Simango desejou um dia feliz e parabéns a todas as mulheres empresárias, funcionárias, camponesas, trabalhadoras do mercado informal, mães, amigas, esposas, donas de casas, estudantes, filhas, colaboradoras, associações femininas, deficientes e doentes. “Que a luta dos moçambicanos pela não privatização de eventos nacionais continue até que a razão vença a intolerância. Somos moçambicanos, e lutaremos por Moçambique para todos” concluiu.
Refira-se que no Monumento dos Heróis Moçambicanos esteve uma moldura humana bastante considerável, particularmente mulheres, representando organizações políticas e também outras não partidárias. O evento foi manchado pela partidarização da data, o que levou o representante do Conselho Municipal, José Domingos, a advertir sobre a necessidade de as moçambicanas saberem a verdade sobre a essência do 7 de Abril. O Governador, Maurício Vieira, disse que não há outra verdade sobre o 7 de Abril, Senão a que é conhecida de todos. (Adelino Timóteo)

Fonte: CanalMoz - 2010.04.08

“MUTHIANA ORRERA” IGNORA

- Governador defende maior engajamento de mulheres nos órgãos de decisão

Sob o lema “Mulher Moçambicana engajada na luta contra a pobreza, pela igualdade de direitos e oportunidades para todos”, o país comemorou ontem, quarta-feira, o trigésimo nono aniversário da morte de Josina Machel, heroína nacional, e trigésimo sétimo aniversario da criação da Organização da Mulher Moçambicana.
Em Nampula, a data foi caracterizada por uma enorme movimentação de mulheres de todas as idades e extractos sociais que saíram à rua para celebrar a efeméride num ambiente de festa e de muita emoção.
Uma moldura humana, composta maioritariamente por mulheres fez-se presente, logo pela manhã, à praça do Destacamento Feminino, de onde seguiu, depois, em caravana à praça dos Heróis Moçambicanos, local onde decorreu a tradicional cerimónia de deposição de flores, incluindo a apresentação de diversas mensagens.
Cuja sequência sofreu, entretanto, algum constrangimento devido ao facto de enormes grupos de mulheres terem abandonado prematuramente o local a fim de se submeterem a adornos faciais com base no tradicional mussiro. Inicialmente, repleta de pessoas, a Praça dos Heróis Moçambicanos acabou, em face da situação, por ficar bruscamente “às moscas”, reduzida à presença de membros e simpatizantes do partido Frelimo, alguns alunos, funcionários e formandos das instituições de formação de professores, que se viram obrigados a pemanecer no local até ao final das cerimónias, cumprindo, deste modo, as instruções recebidas das suas instituições. Alguns dos nossos entrevistados, justificam que a debandada resultou do alegada partidarização das datas nacionais.
É exemplo disso o MDM (Movimento Democrático de Moçambique) que, este ano, juntou-se à outras formações politicas nas celebrações do 7 de Abril, mas decidiu retirar-se imediatamente da Praça quando foi informada que a sua
proposta de apresentar uma mensagem havia sido chumbada na sede do Comité
Provincial da OMM em Nampula.
Gilda Bonifácio Muchomola, presidente da Liga Provincial da Mulher daquele partido, estranhou a rejeição. Entretanto, porque reconhece os feitos de Josina Machel, acabou por festejar a efeméride na sede do seu partido. Enquanto a Liga Feminina da Renamo optou pela habitual ausência nas celebrações.
O Wamphula fax teve muitas dificuldades de aceder ao programa da Renamo, mas acabaria por ser informado que aquele partido considerava o 7 de Abril como simples aniversário da OMM, movimento que defende os interesses da Frelimo.
Entretanto, o secretariado provincial da Organização da Mulher Moçambicana defende a necessidade de se elevarem os níveis de escolarização da rapariga com vista à materialização dos objectivos de combate à pobreza no país. E sublinhou que, apesar da prevalência de alguns obstáculos relacionados com o baixo nível de escolaridade, a mulher sente-se orgulhosa na valorização da igualdade de oportunidades e na sua participação na tomada de decisões em diversos sectores de produção.
Aquele organismo considera que a efeméride não só deve servir de festa, como também de reflexão, tendo em conta os esforços empreendidos por Josina Machel, a quem coube o comprometimento de pugnar ao lado do homem na luta contra o colonialismo português.
Por seu turno, o governador da província, Felismino Tocoili, disse que reconhece o envolvimento da mulher nos programas de combate à pobreza, mas defende a necessidade do seu melhor engajamento nas acções de formação académica e técnico-profissional e nos órgãos decisórios.
De acordo com suas palavras, em Nampula, cerca de 35 por cento de mulheres farão parte dos conselhos consultivos nos próximos anos.
Na cidade de Nampula, a festa do 7 de Abril prosseguiu, até ao principio da
noite, no seio das famílias e em estabelecimentos de hotelaria e turismo, incluindo uma feira de gastronomia regional. Wf

Fonte: WamphulaFax in Diário de um Sociólogo - 07.04.2010

terça-feira, abril 07, 2009

Participação de Daviz Simango quebra monopólio da Frelimo

Cerimónia central do Dia da Mulher, na Beira

Beira (Canal de Moçambique) - Na cidade da Beira, capital da província de Sofala, as cerimónias centrais do Dia da Mulher Moçambicana, ontem assinalado, tiveram uma característica sem precedentes. O presidente do recém criado MDM tomou parte e surpreendeu tudo e todos favoravelmente.

Passados que são 17 anos da assinatura dos acordos de Paz, assinalado em Roma, entre o Governo da Frelimo e a Renamo, sem que o partido de Afonso Dhlakama participasse em eventos deste tipo, um dado novo surgiu na maneira de estar nestas datas que sempre foram monopolizadas pelo Partido Frelimo. Em data que tem a sua origem no processo da luta pela Independência Nacional conquistada por uma ampla frente de moçambicanos com visões distintas sobre a forma de governação do país, Daviz Simango, expulso que foi da Renamo e agora a dirigir um movimento que integra dissidentes daquela formação e até da Frelimo e outros partidos para além de moçambicanos que até agora se abstinham de ter qualquer opção partidária, foi tomar parte nas cerimónias centrais alusivas à Mulher Moçambicana.

Depois de anos de protagonismo frelimista em torno da data, o presidente do recentemente constituído Movimento Democrático Moçambicano (MDM), Daviz Simango, veio quebrar a partidarização da data, ao participar no evento, juntando-se, desta feita às mulheres moçambicanas em geral; às membros da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) – uma organização de massas da Frelimo; figuras do governo de Sofala, elementos da sociedade civil, e população na sua asserção mais alargada.
A cerimónia teve inicio com uma pequena marcha, da Munhava até à ao Monumento dos Heróis Moçambicanos, no bairro da Chota, arredores da urbe, onde o secretário permanente do Governo de Sofala, António Máquina – o governador Vaquina não esteve – fez a deposição de uma coroa de flores em memória a Josina Machel, que morreu nesta data ainda quando a Frente de Libertação de Moçambique lutava pela Independência Nacional.

Depois da deposição da coroa de flores, seguiram-se actividades culturais, um rol de discursos apresentados pela encarregada do governo na cidade da Beira, Cremilda Sabino, secretária provincial da OMM, Isaura Júlio, Associação dos Combatentes de Luta de Libertação Nacional (ACLLIN) e António Máquina em representação do governador da província.

No seu discurso, a secretária provincial da OMM, Isaura Júlio, falou sobre a necessidade da mulher moçambicana desempenhar um papel preponderante na erradicação da pobreza absoluta, para além de se tornar activa no combate à violência doméstica e HIV/SIDA. Destacou também o empenho de Josina Machel durante a guerra de libertação nacional.

Enquanto isto, a representante do Governo na cidade da Beira, Cremilda Sabino, afirmou que o plano quinquenal do Governo assenta no envolvimento da mulher em todas as esferas de luta em prol do desenvolvimento de Moçambique.

Já Daviz Simango, que é presidente do Conselho Municipal da Beira e presidente do MDM, centrou o seu discurso na tónica de que o 7 de Abril é uma data de festa de toda a mulher moçambicana, independentemente do seu credo religioso e inclinação partidária ou ideológica. “Nós apelamos ao não partidarismo nesta data, de forma a comemorarmo-la em ambiente de harmonia, amor, paixão, paz e consolidarmos a nossa moçambicanidade dentro da diversidade” disse Daviz Simango, edil da Beira e presidente do MDM.

Entretanto, vários jornalistas abordados pelo «Canal de Moçambique» não esconderam a sua satisfação pelo facto de pela primeira vez a data ter juntado várias sensibilidades políticas que até dialogaram entre si, pondo de lado as divergências partidárias e ideológicas passando apenas privilegiar a quem se dirigia a homenagem.

(Adelino Timóteo)

Retirado do Canal de Moçambique

7 ABRIL - UM EXEMPLO DE CORAGEM (1)

Por Linette Olofsson

“ Os males nao cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filosofos chegue ao poder, ou antes que os chefes das Cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente ” (Platao carta sétima, 326 b).

Esta afirmaçao de Platao deve ser compreendida com base na teoria do conhecimento, e lembrando que o conhecimento para Platao tem fins morais.

Todo o projecto político platónico foi traçado a partir da convicçao de que a Cidade-Estado ideal deveria ser obrigatoriamente governada por alguém dotada de uma rigorosa formação filosofica.

O Homem sem temeridade motiva-se a ir mais além. Entra em desafios com confiança e não se preocupa com o pior, o medo pode ser constante, mas o impulso o leva adiante.

Coragem é a Confiança que o homem tem em momentos de temor ou situações difíceis, é o que faz viver lutando e enfrentando os problemas e as barreiras que colocam o medo. É a força positiva para combater momentos tenebrosos da Vida.

A coragem é o uso da razão, a despeito do prazer. Coragem, é ser coerente com seus príncipios, a despeito do prazer e da dor.

Esta pequena frase, foi-me inspirada por uma Mulher muito simples e dotada de uma grande humildade, a quem dedico este artigo, Lúcia Inácio, uma camponesa anónima da etnia sena com título de Rainha, nascida e residente no interiror do Distrito de Mopeia na localidade de Chimbazo. Uma Mulher com quem tive a oportunidade de trocar experiências, e dela colher os seus actos de coragem, jamais vistos ou reportados, de uma Mulher camponesa, muito menos por Mulheres com altos cargos no poder político em Moçambique.

Depois de uma longa ausência nas páginas do Magazine Independente, regresso aos poucos com a minha enorme vontade de escrever, tentando contribuir com uma gota neste grande oceano, que é Moçambique, um País que ainda não é para todos e muito menos para as Mulheres rurais que no seu dia a dia ainda transportam o fardo de uma vida primitiva que não se ajusta as exigências do novo milénio, uma realidade bem diferente da nossa, Mulheres urbanizadas, letradas , académicas e com certo poder nos corredores do poder político que pouco fazem para que estas nossas irmãs atingiam, gradualmente, a ” terra prometida.”

Lúcia Inácio, Mulher de coragem acentuada viveu 3 momentos amargos da nossa historia: o colonialismo, a ditadura do partido unico e guerra civil. Mesmo assim não deixou de lutar pelos seus ideais, resistindo com coerência e frontalidade à tudo aquilo que passou numa sociedade ainda “remota” no interior do Distrito de Mopeia.

A ajuda aos Distritos como polo de desenvolvimento, seria uma aposta certa e justa para o desenvolvimento das Mulheres rurais, ao inves da distribuiçao “gratuita” entre os camaradas.

Não seria este apoio, uma boa forma de criar e promover a equidade do Gênero a partir da nossa sociedade tradicional?

Os vulgo 10 milhões de meticais, com todas as suas vicissitudes, ainda estão à quem do desejo no que concerne ao empoderamento da Mulher rural para que esta, possa na realidade competir ao lado do Homem na sociedade tradicional.

A mulher rural por si só, já enfrenta dificuldades no ambito cultural, socio –economico. A falta de estrategias dinámicas, falta de imparcialidade, partidarização na distruibiçao destes recursos do Estado de forma equitativa, colocam a Mulher rural numa vivência e convivência do século passado, ainda bem longe do novo milénio.

Quantas Mulheres a título de exemplo com capacidade de liderança fazem parte dos ditos Conselhos Consultivos?

Lúcia Inácio, é uma mulher de coragem é oposicionista com suas convicções num meio “imprópio”! Ela, dificilmente terá a ajuda do Estado, por via dos que decidem, para que ela se torne ainda mais forte e um exemplo a seguir pelas aldeias espalhadas pelo País.

Estamos perante mais um 7 de Abril. O desejo de consenso, e a não partidarização das festividades alusivas à Mulher Moçambicana continua a ser o nosso apelo neste contexto multipartidário.

Neste mês em que se comemora mais um dia alusivo a Mulher Moçambicana, temos orgulho de sermos um dos poucos Países, senão o único do Mundo, que honra a Mulher com um feriado Nacional. Neste momento é natural fazermos reflexões, de forma mais diversas, tendo como ponto focal chamar a atenção a sociedade e a quem de direito sobre as enormes dificuldades e desigualdades que a Mulher Moçambicana ainda enfrenta neste novo Milénio. E também, porque não, reconhecer e elevar algumas delas, aquelas anónimas, esquecidas, marginalizadas e excluídas, como exemplos a oferecer a nossa sociedade heterogenea?

Depois de ter tido o privilégio de recordar algumas figuras femininas de âmbito Nacional que fizeram parte dos objectivos da luta de libertação Nacional tais como a Dra. Joana Simeão (uma das poucas, senão a única mulher de raça negra, na altura, académica) e a professora Celina Simango, outra exemplo endelével da historia recente do nosso país, no contexto actual, recordamos no ano passado a Ministra do Trabalho Helena Taipo pelos seus actos notóricos de coragem e de um raro brilho no Executivo de Emilio Guebuza.

Neste 7 Abril elegemos uma simples Mulher que vem de uma das camadas mais desfavorecidas do País real, a zona rural, onde pelas estatísticas, reside mais de 50% da Mulher Moçambicana que, muitas vezes continuam a carregar o maior fardo no seu dia a dia e é representada. Uma Mulher, muitas vezes traida em conferências internacionais por Mulheres de salto alto que carregam em suas mãos pastas de couro, vestidas de marcas como George Armani, e perfumadas com marcas francesas, portadoras de relógios das melhores marcas internacionais, ornamentadas de Ouro e munidas de pesados envelopes de ajudas de custos provenientes do erario público moçambicano. As verdadeiras camponesas, Mulheres que na verdade minimizam a pobreza no seu dia a dia, essas, nunca se fazem presente nessas conferências, contrariamente com o que acontence com alguns países da America Latina e Asia que contemplam nas suas listas, para as conferencias internacionais as camponesas como porta-vozes reais dos problemas que a Mulher enfrenta no campo.

Do anonimato

Lucia Inácio, mãe de 5 filhos, casada com o régulo Chimbazo, não sabe dizer em que ano nasceu, apenas sabe dizer que se tornou Mulher quando se afundou um batelão com tropa Portuguesa nos anos 60, vindo da Província de Sofala, quando faziam a travessia no rio Zambeze.

O primeiro encontro com seu marido, foi quando foi visitar o seu tio Cofe Nkolomola na zona de Chimbazo.

Recorda-se que se casou no tempo de Caetano (suas palavras) com Marcelino, régulo Chimbazo.

Sua primeira filha nasce na vila de Mopeia, recorda com alegria a limpeza do hospital e a boa dieta que recebeu após ter dado a luz, de ter sido tratada com carinho por “Muzungo” (branco). Andou na escola de Caetano, penso que se refere a Marcelo Caetano (Presidende do Conselho de Ministros após a queda de Salazar), onde ferquentou até a segunda classe do ensino primário.

Em 1975 com a chegada da Frelimo, recorda-se com tristeza das machambas do povo, a obrigatoriedade em viver nas Aldeias Comunais, deixando para trás os seus pertences privados. Lúcia participou no cultivo de milho e arroz entre outros cereais nas zonas baixas do Distrito de Mopeia, nas ditas machambas do povo. Tudo o que se cultivava, segundo ela, entregavam a Frelimo, e estes prometiam que, com a venda dos produtos, o dinheiro voltaria para o povo, para compra de tratores, carros, bicicletas, charruas, capulanas entre outros produtos de primeira necessidade que existiam nas cantinas espalhadas pelas areas rurais. Devido a falta de cumprimento das promessas pelo regime monopartidário da Frelimo, ela e muitas outras camponesas abandonaram o projecto em finais de 1977.

Recorda-se ainda de que na altura dormiam nas bichas para comprar capulanas e muitas vezes saiam sem uma para se cobrirem e que que só as filhas e mulheres dos secretários da Frelimo é que se beneficiavam dos bens essenciais naquele pequeno mundo onde nasceu e cresceu.

Lucia começa a sentir aí a mudança do regime, não entende, mas consegue ver a diferença entre o regime colonial e a forma autoritária compulsiva da governaçao da Frelimo depois 1975.

Conta que, a partir dos finais dos anos 70 e 80, as mulheres ja não tinham capulanas nem roupas para se vestirem, tinham que ir ao mato e cortar um tipo de pau que se chama musassa para fazer de roupa que davam o nome de mutcheka que durava cerca 2 semanas para cobrir o corpo. Como não tivessem nada para se cobrir, ficavam em casa e eram os homens que iam ao mato cortar para elas se cobrirem mais 2 semanas.

Nao tinham direito ao privado, não podiam ser donas de nada, era crime condenável uma mulher possuir algum bem, recorda Lucia.

Continua...