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terça-feira, agosto 05, 2014

As Três Candidaturas à Presidência de 2009

Dos nove candidatos presidenciais que submeteram candidaturas ao Conselho Constitucional (CC) só foram aceites três: Armando Guebuza, Afonso Dhlakama e Daviz Simango. Cada candidato deve submeter assinaturas de 10.000 pessoas, reconhecidas pelo notário, que apoiam a sua nomeação. Alguns candidatos são acusados de “tentativas grosseiras de defraudar a lei e ludibriar o próprio Conselho”, e o CC apresentou os documentos relevantes ao Ministério Público e ao Ministro da Justiça, pedindo procedimento disciplinar e criminal, disse o CC no seu acórdão de 14 de Agosto. ver aqui (@Verdade)

quinta-feira, outubro 15, 2009

Ninguém pode desistir de votar

Editorial: Há causa

Maputo (Canalmoz) - Catorze (14) milhões de dólares americanos é uma estimativa muito limitada – muito limitada mesmo – que se faz do que tem estado a gastar, por ano, o presidente da Frelimo Armando Guebuza, nas suas “Presidências Abertas”, para pagar helicópteros, e toda a logística dos parasitas do sistema, obviamente sem contabilizar-se todos os outros meios do Estado usados. Só de helicópteros e pouco mais estima-se uma despesa acumulada de cerca de 70 milhões de dólares, em cinco anos. Esta estimativa vem de fontes da Sociedade Civil atentas a estes gastos.
Mais ainda: cerca de 3 milhões de USD estima-se que estejam a custar os helicópteros que estão a ser utilizados para esta campanha da Frelimo. Sairão das comissões do que, durante o quinquénio que está a terminar, o Estado pagou à companhia Helicópteros Capital? São vários helicópteros. Seis (6) pelo menos. Fazem um espectáculo imenso para o qual também estarão a contribuir as gasolineiras que estão a suportar o deficit dos preços dos combustíveis aos consumidores, nessa outra grande burla orçamental que um grupo de cidadãos irresponsáveis e sedentos de se perpetuarem no Poder, montaram para enganar os moçambicanos, enquanto durarem as eleições, para depois nos trazerem a factura que certamente nos vai doer bem nos bolsos, a partir de 2010.
Podemos avaliar os números referentes aos gastos com aluguer de helicópteros, de várias maneiras. Há quem já tem a barriga cheia e por isso terá a tendência de ir pela via política, dizendo que esta despesa enorme com helicópteros é um investimento que permite um contacto directo da população pobre com “o Presidente”. Muitos desses são aqueles que beneficiam das comissões e de toda a negociata em volta dos helicópteros. Mas de facto é muito dinheiro que faz falta ao dito combate à pobreza absoluta.
Nós somos daqueles para quem esse dinheiro são “quantias irrisórias”, terminologia que já um dia ouvimos dizer a um “jovem empresário de sucesso”, no julgamento do Caso Carlos Cardoso, o jornalista assassinado por ordem de mandates ainda não julgados.
Somos daqueles que queremos abertamente, sem rodeios, dizer basta a este esbanjamento que tanta felicidade podia proporcionar a quem tem a dupla e fatídica sina de ser mesmo pobre e estar simultaneamente a ter de ouvir, quem esbanja, a dizer que está a combater a pobreza absoluta.
Nós nunca estivemos, não estamos, nem queremos estar aqui a puxar sacos. Por isso dizemos abertamente: quem anda a esbanjar dinheiro desta maneira está a enganar os moçambicanos quando diz que tem no seu programa o ideal de combater a pobreza absoluta.
Não pode ser verdade alguém dizer que quer combater a pobreza absoluta e gastar ao mesmo tempo, em helicópteros e cortejos, milhões de dólares dos nossos impostos e dos impostos dos Povos pobres de países do Grupo dos 19 que sustenta, pelo menos 55% do Orçamento Geral do Estado de Moçambique.
Nós recusamo-nos a ser cúmplices desta vergonha.
Quem combate mesmo a pobreza absoluta faz contas e 70 milhões de dólares é um valor inadmissível para ser “mamado” desta maneira hipócrita.
Quem combate de facto a pobreza absoluta não gasta dinheiro desta maneira. E quem quer mesmo saber onde há miséria absoluta, não anda de helicóptero. Anda no terreno, anda inclusivamente a pé, anda por forma a sentir in loco os problemas dos pobres. Sobretudo não se esquece de onde veio e o quanto o ofendia a “riqueza absoluta” dos “colonialistas”.
De helicóptero anda quem quer estar longe das realidades e perto da teta leiteira dos cofres do Estado, “a chupar o sangue fresco da manada”.
Esta maneira hipócrita de nos falarem da pobreza que só vêem do alto, de helicóptero, faz-nos lembrar a história, ensinada nas escolas primárias após a Independência de Moçambique, do pai que comia cinzas para que os filhos não exigissem muito. Mais tarde os filhos descobriram que o pai nesse período de fome, afinal não comia cinzas, mas chupava mel.
Agora estamos perante um cenário parecido em que o presidente Guebuza e “a Esposa do Chefe de Estado” fingem chorar a miséria que os rodeia, mas ofendem, dia-a-dia, com gastos exorbitantes e inadmissíveis, essa mesma camada de moçambicanos que tantos dias nem sequer um pedaço de pão têm para enganar o estômago.
O que andam a gastar para irem dizer ao Povo que querem continuar a combater a miséria absoluta, seria suficiente para manter, com um rendimento mínimo nacional de 1.600,00 MT/mês, cento e cinco mil, setecentos e vinte e nove moçambicanos (115726), durante 12 meses. Com esse rendimento mínimo garantido, os beneficiários, cada um certamente saberia o que fazer para reproduzir esses valores e construir a sua própria riqueza sem ter de continuar pobre a ouvir quem diz combater a pobreza, ofendê-los com exibicionismos que nem os presidentes dos Países que ajudam Moçambique têm o descaramento de praticar.
Com este dinheiro quantas casas para jovens ou bancas para tirar os informais das ruas, ou postos de saúde, ou machimbombos se poderiam construir ou comprar? Quantas bolsas de estudo ou médicos poderiam ser contratados para que os moçambicanos não morressem enquanto outros estudavam? Quantas coisas poderiam ter sido feitas para o bem de Moçambique, e não apenas de um pequeno grupo a nível da actual Presidência da República, se o dinheiro gasto em helicópteros fosse bem gerido e gasto em coisas realmente úteis para o Povo?
Quem assim se comporta, será mesmo verdade que quer combater “a pobreza” e a “pobreza absoluta”?
Quem assim se comporta é mesmo republicano e socialista? Será que algum dia o foi ou só andou esperando a morte de Samora para exibir a sua verdadeira face?
Com estes gastos exorbitantes com os seis (6) helicópteros, que dirá a FDC da Senhora Graça Machel, esposa de Mandela? Não vê que quando anda a reunir-se em segredo com o presidente da CNE, João Leopoldo da Costa, para ajudar a transformar estas eleições uma burla, está apenas a tentar amaciar a ditadura, e a pôr “nívea” na burla que se preparou? O dinheiro dos helicópteros não seria melhor empregue em projectos de desenvolvimento comunitário?
E ainda aos representantes dos doadores. Quanto dos impostos dos pobres dos Vossos Países vai ter de continuar a alimentar esta ostentação “helicopteriana” dos desavergonhados que insistem em esbanjar dinheiro ao mesmo tempo que ofendem a miséria? Quanto tempo mais os Senhores vão permitir-se enganar os dignos Povos dos vossos Países aceitando que o dinheiro suado por eles continue a alimentar despesistas, chulos e burladores de eleições, nesta “dita democracia” em Moçambique?
Pobres povos que se sacrificam por nós moçambicanos!
Perante isto: que fazer? – A resposta é simples. É irmos massivamente às urnas votar e votar bem para acabarmos com estes abusos e esta maneira de gerir o erário público.
Votando, cada cidadão pode ajudar a acabar com estes parasitas, chulos e burladores do Povo Moçambicano e dos Povos irmãos e amigos de Moçambique.
O voto de cada um tem mais utilidade do que se pensa. Votar consciente é um imperativo nacional.

(x)

Fonte: Canal/Moz (2009-10-15)

quinta-feira, agosto 20, 2009

A festa vai animar!

Por Edwin Hounnou

O Conselho Constitucional, CC, aprovou as candidaturas de Armando Guebuza, da Frelimo, Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique, e de Afonso Dhlakama, da Renamo, às eleições presidenciais de 28 de Outubro. De forma surpreendente, foram rejeitadas as candidaturas de Yaqub Sibindy, do PIMO, e de Raul Domingos, do PDD. As outras – de Kalid Sidat, da ALIMO, Leonardo Cumbe, do PUMILD, José Viana, da UDM, e de Artur Meque, da UD, por inelegibilidade decorrente de insuficiência de proponentes. Aos demais, foi feita a justiça. Houve falsificação de documentos. Isso é um crime nos termos da lei. Os candidatos que fizeram tais falcatruas deveriam ser notificados pela Procuradoria Geral da República e não pelo CC para suprir irregularidades.
Guebuza teve 20 mil proponentes processados, dos quais foram validados 14.898 e invalidados 5.102 (25.51%). Simango entregou 16.730proponentes processados, validados 12.383 e invalidados (25.98%). Dhlakama apresentou 19.890 proponentes processados, validados 10.246 e invalidados 9644 (48.63%). Idades dos partidos – Frelimo (47 anos), Renamo (32 anos) e MDM (4 meses). Conclui-se que o MDM é um fenómeno a ter em conta. Com tão pouco idade já ombreia com velhos partidos que emergiram das cinzas da guerra.
O País vai assistir a uma corrida animada à Ponta Vermelha. A Frelimo habituada a jogar com a Renamo não laboriosa, agora, nem tudo será pêra doce. Em 1994, Dhakama competindo com Joaquim Chissano, estava decidido que o poder, fosse quem fosse o vencedor, ficaria com Chissano e Frelimo - imposição da diplomacia internacional. Em 1999, a Renamo e seu candidato bateram a Frelimo e Chissano, mas, só, Dhlakama pode explicar sobre as razões que pesaram para se tornarem molezas.
Dhlakama não fiscaliza o suficiente os processos eleitorais em que participa, confiando, apenas, na reclamação que não consegue provar porque, sempre, tem um défice enorme de delegados de candidaturas. Os seus apoiantes andam desanimados por confiarem em alguém que não sabe tirar proveito dos seus esforços. Dizer que nunca perdeu uma eleição, é sinal de que não sabe jogar com sabedoria. Remeter recursos desprovidos de provas e fora do prazo, é um insulto aos seus apoiantes. Aqui reside a razão das constantes deserções que se verificam.
A presença, na pista, de Simango é um estímulo aos jovens eleitores que haviam deixado de ver qualquer interesse nos pleitos eleitorais. Começam a apontar uma luz no fundo do túnel e acreditam que é possível introduzir mudanças no sistema de governação do País. As eleições autárquicas de 19 de Novembro de 2008, na Beira, servem de fonte de inspiração para jovens e funcionários. Em democracia, as mudanças dependem do voto dos eleitores.
Os funcionários, que, de modo geral, votam para garantir seu emprego, prometem escolher em consciência, pelo bem de seus filhos. Dizem não hesitar em trocar o menu de peixe com legumes por outro mais saboroso. Por isso, a festa vai animar.

AtribunaFax (18.08.2009)

quinta-feira, abril 16, 2009

MDM não vai apoiar candidatura de Afonso Dhlakama

Eleições Presidenciais de 2009

- porta-voz do MDM, desmentindo uma notícia no jornal “O Autarca” da última terça-feira

Geraldo Carvalho reafirma que seu partido vai participar nas três eleições, presidenciais, legislativas e provinciais deste ano

Beira (Canal de Moçmbique) - O porta-voz do Movimento para a Democracia em Moçambique (MDM), Geraldo de Carvalho, disse ontem, na Beira, ao “Canal de Moçambique”, que o “galo” (insígnia do MDM) ficou perplexo com a notícia “inverdadeira” veiculada pelo jornal “O Autarca” da última terça-feira. Segundo a publicação o MDM não irá concorrer às eleições presidenciais deste ano, mas de acordo com Carvalho “a Comissão Política” daquele partido que se reuniu no último fim-de-semana em Maputo, bem ao contrário do que escreve «O Autarca» decidiu que o MDM entrará nos três escrutínios deste ano”.

“O MDM vai entrar nas presidenciais, nas legislativas e nas provinciais”, disse ao «Canal de Moçambique» o porta-voz do movimento que tem como presidente o actual edil da Beira, Daviz Simango.

Uma fonte bem colocada no seio do MDM, como refere o “O Autarca” na sua edição de terça-feira, terá afirmado ao jornal que Daviz Simango, presidente do “galo” não vai se candidatar às presidenciais deste ano, devendo o novo partido vir a apoiar a candidatura do líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O “O Autarca” escreveu que a informação da sua fonte, “foi consolidada ainda ontem (isto é 2ª feira transacta), no termino de um encontro que envolveu membros da comissão política do partido, na Cidade da Beira, devendo ser apresentada formalmente na reunião do Conselho (Nacional do MDM) a ter lugar brevemente na cidade de Nampula”.

Conforme ainda «O Autarca», a decisão do MDM de não levar candidato seu a concorrer deve-se ao facto de jã admitir a vitória antecipada de Armando Guebuza, o actual chefe de Estado, no pleito para se encontrar o próximo inquilino na Ponta Vermelha. “Daviz Simango tem procurado sempre aproximar posições com a Renamo, representando também uma forma estratégica de conquistar o apoio do eleitorado do até aqui maior partido da oposição moçambicana”, refere também o jornal que se publica na Beira.

Para a fonte do “O Autarca”, segundo o jornal, “está claro no seio do MDM que Armando Guebuza será o vencedor das próximas presidenciais, mas não duvida que a Frelimo e a Renamo poderão perder assentos na Assembleia da República a favor do MDM”.

Geraldo Carvalho, porta-voz do MDM que esteve em Maputo a participar na reunião da Comissão Política do seu partido terminada no último domingo diz que “O Autarca” baseou-se em fontes anónimas e acabou espalhando um boato. Ao dizer, pró outro lado que o MDM vai apoiar a candidatura de Afonso Dlhakama, presidente da Renamo, também não disse a verdade. “Em momento algum chegamos a um acordo com a Renamo nesse sentido, além de que nunca conversamos com aquele partido sobre quaisquer estratégia eleitoral.”

Carvalho afirmou que na reunião de Maputo a Comissão Política do MDM anunciou que de 30 a 31 de Maio próximo será realizada a reunião do Conselho Nacional em Nampula para deliberar sobre os candidatos às próximas eleições gerais (presidenciais e legislativas) e provinciais que se realizarão em simultâneo este ano, em data que o chefe de Estado poderá anunciar dentro de dias.

“O Conselho Nacional é que vai decidir quem serão os candidatos do MDM. Está já garantido que o MDM vai participar nas três eleições”, disse Geraldo Carvalho ao «Canal de Moçambique».
“Caberá ao Conselho Nacional em Nampula, à luz do Estatutos do MDM, decidir quem são os candidatos do movimento, não havendo sequer dúvidas quanto à confirmação da nossa participação nas eleições nas presidenciais, legislativas e provinciais”, afirmou o porta-voz do Movimento Democrático Moçambicano.

Geraldo Carvalho afirmou entretanto que “Guebuza nunca esteve nas perspectivas do povo moçambicano como vencedor” e é “pura mentira” dizer que o MDM vai apoiar Dhlakama para as presidenciais deste ano. “Não vamos nunca apoiar Dhlakama. A Comissão Polítca deliberou em Maputo que no dia 30 e 31 de Maio vai avançar com o perfil dos candidatos. MDM está a caminhar com cabeça, tronco e membros. Representa a união dos moçambicanos e não há possibilidade de coligação com a Renamo. Neste momento não espaço para coligações.”

Carvalho deplorou que tal notícia do Autarca tivesse sido passada sem a confirmação do MDM. “Não nos contactarem para confirmar a informação”, refere o porta-voz do MDM “satisfaz o capricho de alguns servidores do regime, que não querem que haja um candidato forte a concorrer com Guebuza”.

“Trabalhos forçados”

Num outro desenvolvimento, Carvalho disse que o MDM aguarda neste momento a sua legalização pelo Ministério da Justiça, sendo que o processo ainda está dentro dos prazos. Todavia, em alguns pontos do país como Caia e Angónia o partido tem tido dificuldade de trabalhar porque as estruturas do Governo lá estabelecidas dizem que não o podem fazer por ainda não serem legais. “Em Caia, o nosso delegado, sob ordens de uma figura do governo local, foi detido pela Polícia e submetido a trabalhos forçados, como corte de árvores na vila, o que foi uma humilhação. Isto passou-se na semana passada,” precisou Carvalho para retratar a atitude do governo em relação ao MDM.

(Adelino Timóteo) do Canal de Moçambique

Nota:

1. Interessante é saber de como o MDM apoiaria a um candidato que esse mesmo partido tivesse declarado derrota antes das eleições. Qual seria o interesse?

2. Mais uma vez, é interessante que nenhum outro jornal da Praça tenha ouvido falar disso, mas "O Autarca" o canal pelo qual a Renamo se destruiu. De recordar, foi do Autarca que Mário Barbito começou a lançar pedras contra Daviz Simango.