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quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Jorge Ferrão nega ter inibido uso de minissaias nas escolas moçambicanas

O antigo ministro da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), actualmente reitor da Universidade Pedagógica (UP), Jorge Ferrão, diz que em nenhum momento proibiu o uso de mini-saias nos estabelecimentos do ensino público moçambicano, assunto que gerou pandemônio e debate na sociedade.
Por conta desta situação, uma cidadã de nacionalidade espanhola, Eva Anadon Moreno, foi humilhantemente detida e deportada 30 de Março do ano passado, por participar, na companhia de outras cidadãs, numa reunião pública cujo fim era reivindicar o término da violência contra a rapariga nas escolas.
Na altura, algumas correntes intenderam que Eva Moreno e as mulheres na sua companhia contestavam a decisão, supostamente do MINEDH, que obrigava as alunas a abandonar o uso de saias cuja bainha fica bem acima dos joelhos.
Aliás, a confusão não parou por aí, a magistrada Benedita Langa foi também presa no Aeroporto de Mavalane quando tentava evitar a deportação de Eva Moreno, pois considerava-se a sua expulsão do país ilegal, facto que, mais tarde, foi corroborado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ordenando a realização de um inquérito cujo desfecho ainda é publicamente desconhecido.

sábado, abril 02, 2016

As saias das alunas têm machismo pintado (na íntegra)

Por Boaventura Mojane

A partir de este ano, os uniformes femininos das escolas secundárias de Maputo não terão mais saias “curtas”. A decisão foi divulgada nos regulamentos internos das instituições de ensino que consideram que a vestimenta acima do joelho “facilita o assédio sexual”.
Ao reprimir as manifestantes feministas que se concentraram no exterior da Escola Francisco Manyanga, a 18 de Março, e prender cinco mulheres que lutavam pela liberdade dos seus corpos, também a polícia moçambicana pareceu sentir-se “ameaçada” com o tamanho das saias destas crianças e jovens.
Acompanhei a pouca repercussão que o assunto teve nas redes sociais e assustei-me com as publicações e comentários que fui lendo: aplaudiam a directiva, repudiavam o protesto, ridicularizavam as feministas – insultando-as – e culpabilizavam as meninas e mulheres pela violência de que são vitimas, acusando-as de provocar os incautos homens.

quarta-feira, março 30, 2016

Moçambique: autoridades ameaçam deportar activista do movimento feminista (Actualizações mais recentes: extradição confirmada)

Até a 01h00 de hoje, quarta-feira 30, a activista encontrava-se retira pela polícia no aeroporto internacional de Maputo. 
(Notícia em actualização)
30/03 - 13h40: EVA VAI EMBARCAR AS 15h35 (HORA DE MAPUTO) E ESPERA_SE QUE CHEGUE A MADRID AS 13h25 (HORA LOCAL). Um agente da Polícia da República de Moçambique acompanha-a.
30/03 - 10h40: CONFIRMADA A EXTRADIÇÃO DE EVA ANADÓN MORENO. Advogados tentam reverter a situação, mas tudo indica que a activista embarca hoje as 14h, horas de Maputo.
"Deportam-me hoje. Já estou retida no aeroporto. Os advogados estão a tentar produzir um documento que suspenda temporalmente o auto. Mas não sabemos se vai dar tempo", confirmou-me Eva Anadón

23h50: A Procuradora Geral da República foi impedida de retirar a activista do aeroporto. Segundo a polícia, há ordens superiores para deporta-la. Ler mais (Pambazuka – 30.03.2016)

domingo, março 27, 2016

As saias das alunas têm machismo pintado

É preciso educar o menino, o adolescente, o adulto, o director da escola, o político, o pai, o presidente a compreender que suas acções na sociedade perpetuam sistemática e estruturalmente a violência contra as mulheres. É preciso educá-los a compreender que as mulheres são humanamente iguais ao homens e têm o direito às mesmas liberdades. É preciso educá-los a dessexualizar, a desmercantilizar e a desobjectivar o corpo feminino.
É o machismo que devemos proibir e não as saias...
É precisamos que construamos, mulheres e homens, um país onde ninguém seja julgado pelo tamanho da sua saia. (Boaventura Monjane in @Verdade - 24.03.2016)

sexta-feira, março 25, 2016

Das mini-saias às maxi-saias

Há sensivelmente oito meses, publicámos neste espaço, um artigo com o título “Do uniforme escolar à crise das relações professor-aluno”, também disponível na página electrónica deste jornal de referência.
Dentre vários aspectos, o artigo discutia sobre o uniforme escolar, sugerindo a padronização daquele, começando pela eliminação das saias escolares com pouco pano, muito comuns entre as escolas secundárias da capital do país.
Não tardou que o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDDH), chefiado por Jorge Ferrão, instituísse um regulamento visando, fundamentalmente, DEVOLVER A DIGNIDADE ao espaço escolar como um local formal de ensino-aprendizagem e da formação do Homem culto.
1. Um pouco sobre o novo regulamento:
O novo regulamento do MINEDH estabelece ditames de apresentação no espaço escolar. Saias, calças, cortes, tranças, maquilhagens e calçados, ao todo extravagantes e a interdição do uso do telemóvel no recinto escolar, a título de exemplo, são realidades que o novo regulamento veio travar.

terça-feira, março 22, 2016

Proibição de saias curtas nas escolas moçambicanas divide opiniões

Saias curtas ou compridas nas escolas de Moçambique? É um tópico que domina o debate público na capital, Maputo, desde que o Ministério da Educação proibiu o uso de saias curtas, alegando que este é um dos motivos do assédio e da violação sexual no país.
Algumas escolas públicas passaram a obrigar as alunas a usarem saias compridas, já apelidadas de "maxi-saias", que vão da cintura aos tornozelos. Mas para a sociedade civil esta não é a solução para o problema, pois incide sobre a vítima e não sobre o atacante. Ler maiss  (Deutsche Welle – 22.03.2016)