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domingo, outubro 31, 2010

Onde anda a Geração da Viragem?

Por Lázaro Mabunda

A última vez que ouvi falar, de forma insistente, da Geração da Viragem, foi durante a Chama de Unidade, nas vésperas do 25 de Junho (...) A chama que é chama apagou-se, as crises que são crises vieram, a Viragem que é uma geração, virou.

domingo, junho 13, 2010

Sim, à Geração da Verdade!

Por Bayano Valy

Não se trata de nenhum erro. Quero dizer Geração da Verdade e não Geração da Viragem; esta última deixo para o Presidente Armando Guebuza, os doutores de propaganda da Frelimo e os demais “geracionistas” disseminarem-na ad nauseum.
Pessoalmente, entendo que a discussão das tais Três Gerações enquadra-se dentro da estratégia de marketing político do partido Frelimo, ou seja, criou-se um produto tão ubíquo quanto irreal – todo o mundo fala dele mas não existe senão apenas nos discursos.
Várias questões podem ser colocadas mormente o fundamental objectivo da Geração da Viragem: por exemplo, é possível derrotar a pobreza? Não se conhece nenhum país em que a pobreza foi derrotada, mesmo os mais poderosos têm bolsas de fome no seu seio. Não se estará a colocar a fasquia tão alta que nem o Gigante de Manjacaze conseguiria ultrapassar? Ademais, “lutar contra algo” traz sempre consigo uma conotação negativa; nem sei se isso não impacta negativamente na psique social moçambicana.
Das três gerações que representam a nação, segundo a Frelimo, me parece que apenas uma teve uma vontade própria, uma consciência própria. Foi esta vontade e consciência que a levaram a lutar por Moçambique. Não tiveram ou receberam qualquer orientação que fosse senão das suas próprias consciências, das suas vontades.
O mesmo não se pode dizer da Geração 8 de Março, muito menos do novo produto Geração da Viragem. A Geração 8 de Março foi uma imposição da FRELIMO; os jovens não tiveram muita lactidude de escolha. Seguiram ordens e as cumpriram. Portanto, a geração não foi fruto de uma consciência e vontade próprias. O mesmo se pode dizer da proposta Geração da Viragem: não nasce do seio da juventude ou de um sentimento juvenil de que é necessário o seu envolvimento em algo que não seja pensar no seu próprio umbigo. Nasce algures e a juventude, ou um punhado de jovens, os “geracionistas”, vai servindo de caixa de ressonância.
Mas o que mais me espanta é que lança-se um produto e não se quer que o discutamos. Este me parece um dos grandes problemas deste país: faz-se de contas que todos podem falar apenas para o Inglês ver. Um exemplo flagrante, foi o Presidente da República, que aquando da tomada de posse aconselhou o seu governo a não ter receio da crítica justo porque a mesma ajudava a crescer, ter tentado coarctar o debate. Ninguém está assustado, penso que o maior problema é que as explicações não convencem e se não se está convencido, não se pode apropriar de seja lá o que for. Alguém está assustado?
É contra este pano de fundo que eu acho que nós os jovens temos que ter algo nosso, algo que possa espelhar os nossos anseios; algo em que possamos encontrar uma Utopia nossa. Acho eu que é altura de nós os jovens criarmos algo com que possamos nos identificar, uma Geração da Verdade.
A Geração da Verdade seria uma geração de jovens pensantes, com vontade e consciência própria, de jovens que não se preocupassem em defender as cores de seja lá qual fosse o partido político, raça, religião, etnia, entre outros, mas sim as cores da bandeira nacional, visando promover o bem estar cultural, social, económico e político.
Uma geração de jovens que colocaria as ferramentas científicas ao seu dispor na busca constante da verdade (se é que esta existe). Na concepção da Geração da Verdade, a verdade não seria nada menos que encontrar formas de operacionalizar os artigos plasmados na Cons¬tituição da República de modo a criar-se um Estado justo, igualitário, emancipador, entre outros.
A Geração da Verdade seria uma geração comprometida em promover a cidadania e alargar o debate na esfera pública; uma geração que promoveria ideias pelo seu mérito e não pela sua atracção política, religiosa, rácica ou étnica.
A Geração da Verdade exaltaria o patriotismo que seria acima de tudo almejar o melhor para Moçambique. Esta geração se constituiria por jovens inquiridores, respeitadores, e responsáveis. Jovens que não se conformam com respostas ou soluções fáceis; jovens que exigem respon¬sabilização na má gestão da coisa pública; jovens que promovam a previsibilidade no exercício da burocracia nacional.
Finalmente, a preocupação fundamental da Geração da Verdade seria de produzir co¬nhecimento objectivo com o intuito de contribuir no crescimento de Moçambique no concerto da nações. A democracia apenas pode funcionar se exigir de si e das lideranças políticas, económicas e sociais a aplicação de altos padrões de cidadania.

Fonte: Savana in Diário de um sociólogo- 11.06.2010

segunda-feira, maio 31, 2010

Virar para onde, quando podemos mudar?


Por Lázaro Mabunda
Fartei-me de “gerar” uma “viragem” na minha mente, enganando-a que ela é que era pobre, pelo que havia uma necessidade inevitável de combater, fervorosamente, a pobreza que nela (mente) residia como o primeiro passo para erradicá-la do país.
Virei para todos os lados à procura de uma geração, no mundo, que tivesse combatido a pobreza pelo discurso e gritos aos quatro ventos de que “somos uma geração de virar a pobreza”. Não encontrei nenhuma. Aliás, encontrei a geração dos “Tigres Asiáticos” que conseguiu prosperidade por projectos de desenvolvimento devidamente concebidos, sem ter nunca martelado as mentes dos seus compatriotas por discursos de viragens políticos.
Na verdade, senti que por tanto virar à procura de uma geração, peguei vertigens e acabei perdendo, por alguns segundos, o norte e a direcção que pretendia seguir no combate à pobreza.
Concluí que nós nos perdemos muito nos discursos do que nos planos concretos de combate à pobreza. A pobreza não será combatida por uma geração que vira ou não vira, mas por gerações que, mais do que reproduzir discursos políticos, desenham projectos concretos de geração de riqueza ou produzem ideias inovadoras e consistentes que irão, num futuro próximo, ser transformadas em planos concretos de geração de riquezas.

quarta-feira, maio 19, 2010

Guebuza explica a Couto “geração da viragem”

Está a virar-se o quê, o que capotou? ...”

O Chefe do Estado moçambicano, Armando Emílio Guebuza, esclareceu ontem em Nampula que, quando fala em “geração de viragem”, se refere a todos os cidadãos nacionais que se encontram empenhados no combate à pobreza no país. Guebuza fez este pronunciamento em resposta ao reitor da Universidade Eduardo Mondlane, padre Filipe Couto, que disse não entender o que significa “geração da viragem”, no seu discurso durante a cerimónia de graduação dos estudantes daquela instituição do ensino superior. “Está a virar-se o quê, o que capotou? ...”, questionou o reitor e instou o Chefe do Estado a explicar o sentido desta expressão.
Em face desta questão, Guebuza elucidou que a “geração da viragem” engloba todos os cidadãos nacionais que, apesar das dificuldades do dia-a-dia, buscam o seu melhor para combater a pobreza, que ainda enferma milhares de moçambicanos.
“A missão que essas pessoas difundem é a mesma que foi ou está sendo difundida até hoje e que está virada, fundamentalmente, para a resolução dos problemas vitais do nosso país. O país era explorado e dominado por estrangeiros e a geração 25 de Setembro virou a situação”, disse Guebuza para de seguida esclarecer que o país deparou, ainda, com a crise de quadros e a geração 8 de Março entendeu que tinha que resolver esse problema.
Para Armando Guebuza, o país está, neste momento, empenhado na luta contra a pobreza e, “quando aparecem pessoas que estão dispostas a colaborar e participar nesta luta, mesmo sabendo que há barreiras e dificuldades, é motivo de exaltação, é momento de definição de uma missão para todos”.
Refira-se que a expressão “geração de viragem” foi a tónica dominante do discurso de Guebuza durante a campanha eleitoral de 2009, que culminou com a sua reeleição para o cargo que, actualmente, ocupa.

Fonte: O País online - 19.05.2010

Reflectindo: Não encontro neste texto alguma resposta sobre o que é "Geração de Viragem". Afinal, não refere a nenhuma idade? Afinal, as outras duas são as que fizeram alguma viragem? Afinal, devem haver outras que já viraram algo no nosso país?
Vale a pena questionar e Filipe Couto fez bem por ter questionado ao verdadeiro significado de "Geração de Viragem".