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quinta-feira, novembro 06, 2014

Má cobertura das eleições gerais em Moçambique pelos média estatais

A cobertura mediática das campanhas dos vários partidos políticos é um ponto criticado pelos observadores durante as eleições gerais deste ano e também em pleitos anteriores em Moçambique.

Critica-se principalmente a falta de imparcialidade nos órgãos de comunicação social públicos em Moçambique. A Rádio Moçambique, a TVM, o diário Notícias e o semanário Domingo são acusados de favorecer o partido no poder, a FRELIMO, na sua cobertura.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Um partido chamado MDM

Um estreante ousado!

O partido fundado em Março de 2009 conquistou, quatro anos depois, 341 assentos em 50 assembleias municipais e o número ainda vai subir...

O partido Frelimo tem 822 assentos em 52 assembleias; ASSEMONA tem sete (7) assentos em uma assembleia e a AAUPEC tem um (1) assento também em uma assembleia municipal

Por Borges Nhamirre

Nascido num contexto de partidos pequenos fracassados, a “morte” do MDM foi vaticinada logo após as eleições presidenciais de 2009, nas quais conseguiu a proeza de fazer eleger oito deputados. Mas nestas últimas eleições autárquicas provou o contrário. O MDM conseguiu aquilo que nenhum outro partido conseguira em Moçambique, para além da Frelimo. Está representado em 51, dos 53 municípios e governa três das quatro cidades mais importantes do País.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Algo está errado nos exames de admissão à UEM

"Nos resultados (pode vê-los neste link:  
http://www.admissao.uem.mz/resultados/resultadosUEM.php, dos primeiros 100 nomes apresentados, de um total de 1234, apenas 8 candidatos foram admitidos aos cursos a que concorriam.
Destes 8 admitidos, apenas um (1) conseguiu tirar notas positivas em todos exames: 14.6 valores a Português e 13 valores a história.
Os restantes 7 foram admitidos ou com ambas notas negativas ou com pelo menos uma das notas negativas. Há casos mais gritantes como o de um candidato que foi admitido ao curso de Engenharia Civil com média de 6.4 valores. Conseguiu 7.3 valores no exame de Física e 5.5 valores no de Matemática." Ler mais (Canalmoz)

sexta-feira, setembro 28, 2012

A inocência dos membros da Frelimo

Por Borges Nhamirre

Eleição de Valentina Guebuza:

Maputo (Canalmoz) – Milhares de jovens se esfolam em campanhas eleitorais, em campanhas de propaganda nos debates televisivos, radiofónicos, em artigos de jornais, no Facebook, no Twitter, nos blogues, todos a defender as cores partidárias da Frelimo. Mas quando chega a vez de se decidir quem entra nos órgãos directivos do partido que passam a vida a lutar por ele, então é que estes batalhadores são postos de lado e aparece uma “princesa milionária” (SIC REVISTA FORBES) – que nunca foi vista a fazer algum trabalho – a candidatar-se para a direcção do partido.
  A princesa não é qualquer, é filha do presidente do partido. Aos jovens verdadeiros combatentes pelo partido não basta serem preteridos quando se chega a vez da direcção, ainda são obrigados a concordar, aplaudir e a saudar a eleição da filha do presidente. Ler mais

segunda-feira, setembro 03, 2012

Letargia das instituições do Estado moçambicano

‎"...há 37 anos não se consegue criar uma Polícia que garanta o mínimo de segurança à metade dos cidadãos; onde há 37 anos não se consegue criar um serviço de saúde que satisfaça a metade dos cidadãos; onde há 37 anos não se consegue criar um sistema de justiça que sirva 1/4 do povo; onde há 37 anos não se consegue construir escolas para todas as crianças moçambicanas; onde há 37 anos não se consegue criar um exército que proteja o território nacional na sua total extensão e largura; onde há 37 anos não se consegue prover o mínimo de alimentação a todos os moçambicanos; onde há 37 anos não se consegue acabar com as mortes de crianças por malnutrição; onde há 37 anos não se consegue registar todas as crianças que nascem em Moçambique; onde há 20 anos não se consegue dar pensão aos desmobilizados da guerra civil; onde há 14 anos (da municipalização) não se consegue recolher o mínimo do lixo que “ornamenta” os centros urbanos;"


Borges Nhamirre, Canalmoz (03.09.2012)

segunda-feira, abril 30, 2012

Estado burlão?!

Por Borges Nhamirre

Maputo (Canalmoz) – “Gangster State” ou Estado Gangster/mafioso – em português – é um conceito usado nos estudos de segurança para descrever Estados que ao invés de garantirem a segurança e bem-estar aos cidadãos, constituem ameaça. Bem que Moçambique assenta no conceito do “Gangster State”, ou não fossem as torturas da FIR, a corrupção na administração pública, as torturas e execuções sumárias de reclusos e detidos, marcas deste país. Mas parece que, para além de estado “Gangster” a que já se assemelha, Moçambique está agora também às mãos deste governo a se especializar como “Estado Burlão”. Ler mais 

quinta-feira, abril 29, 2010

O objectivo das três gerações

Por Borges Nhamirre

Está lançado um aceso e fervoroso debate, na imprensa, em torno do slogan “Três Gerações, Um Povo, Uma Só Nação”. Incompreensivelmente, este slogan que vai orientar a celebração dos 35 anos da maior e mais importante conquista do Povo moçambicano, a Independência Nacional, defende que os moçambicanos devem estar segmentados em “gerações”.
Na essência, esta ideia não passa de uma empreitada política, aliás de uma politiquice elaborada – e muito mal elaborada, se diga – por um punhado de gente favorecida e que se acomoda no status quo!
Esta ideia é mais um instrumento forjado para tentar distrair os poucos moçambicanos atentos, que reivindicam igualdade de direitos neste Moçambique que, a passos largos, caminha para um triste cenário de segmentação social, semelhante ao sistema de castas da sociedade Hindu.
Já li e escutei muitos discursos dos defensores desta segmentação do Povo moçambicano em castas, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, até ao mais bajulador jovem da OJM, que cegamente apoia as políticas obscenas de exclusão social hoje implantadas no país, em troca de um promessa de emprego num ministério, ou de uma entrada directa para a universidade pública – sem necessitar de passar no exame de admissão.

Nenhum dos discursos dos apologistas das tais “gerações” me consegue convencer da necessidade de os moçambicanos estarem segmentados em “gerações” para se tornarem “num Povo, numa Nação”.
Sobre a geração “25 de Setembro”, diz-se que esta merece ser a “casta” dos governantes e empresários, porque libertou o País. É preciso clarificar este conceito de “libertar o Povo”, e é imperioso que se diga como foi esta libertação.
De facto, eles lutaram pela Independência Nacional. Mas é preciso analisar a própria conjuntura do sistema internacional do momento, que facilitou, senão possibilitou, essa luta.
Será mera coincidência que a maioria das independências em África tenha tido lugar num espaço de duas décadas – entre 1960 e 1980? É bom que se diga também, que todas as ex-colónias portuguesas em África, com excepção da Guiné-Bissau, tenham alcançado as suas independências no mesmo ano: 1975. Linda coincidência!
Não estou a duvidar do papel dos antigos combatentes para o alcance da independência nacional, estou apenas a fazer um exercício de “advogado do diabo” para a autenticidade da canonização dos tais da “geração 25 de Setembro”.
É bom que se saiba que houve factores endógenos que favoreceram, senão determinaram, as independências nacionais, nomeadamente a nossa. Portanto, no momento da canonização é importante que isto se diga, principalmente, quando os libertadores tendem a se transformarem em novos colonizadores.
E sobre a “geração de 8 de Março”, o que de anormal fez? É preciso não conhecer a história do momento para dizer que eles foram excepcionais. Estes são canonizados porque deixaram a escola para serem dirigentes? Quem se recusaria a fazê-lo? E ainda sob ordens de um chefe do Estado, no contexto que se vivia na época?
Imaginemos mesmo no contexto actual do País. Que estudante de Direito não abandonaria a formação ao meio para trabalhar como economista? Que estudante de Ciência Política não desistiria da faculdade para trabalhar como gestor de recursos humanos? Que estudante do curso médio de Contabilidade não deixaria o Instituto Industrial ou Comercial para trabalhar como gestor de companhias agrícolas?
A “geração de 8 de Março” respondeu ao chamamento da nação, sim, mas todos cidadãos o fariam em função das circunstâncias, portanto, quanto a esta geração, é bom que se diga que a resposta ao seu chamamento, não foi algo excepcional, mas antes uma reacção óbvia a uma oportunidade inédita de ganhar emprego, mesmo sem formação específica. Ou existe alguém em Moçambique que estuda pelo mero prazer, sem estar a pensar no emprego?
E a resposta a essa oportunidade trouxe os frutos que hoje são visíveis. Todos os da “geração 8 de Março”, hoje são empresários, ministros, vice-ministros, deputados, directores de faculdades!
Sobre a dita “geração da viragem” pouco há por se dizer. Pior: é uma utopia. Se as anteriores “gerações” são fruto de alguma acção palpável, independentemente de ter havido mérito ou não, a “geração da viragem” não passa de uma teorização mal formulada para entreter os jovens.
Essa invenção de “geração da viragem” visa abafar as reivindicações dos jovens que continuam a ser marginalizados pelo poder político, principalmente aqueles jovens que, não sendo filhos, cunhados, sobrinhos, enteados, de antigos combatentes ou dos ditos da “geração 8 de Março” combatem dia-a-dia pela vida, enfrentando barreiras políticas nas universidades e nas instituições públicas, quando buscam formação e emprego.
Estes jovens, que o poder político quer acomodar na “geração da viragem”, na sua maioria são vítimas do passado dos seus pais que não transitaram de antigos combatentes para dirigentes do Estado. Estão a pagar pela culpa dos seus pais que não tiveram a oportunidade de integrar “a geração 8 de Março”.
Entre estes jovens, há preguiçosos e empenhados. Os primeiros andam atrás de cartões coloridos e optam por bajular os dirigentes do Estado para ganhar emprego, enquanto os últimos lutam contra todos os obstáculos naturais e artificiais para ganharem a vida com esforço próprio e justiça. (Borges Nhamirre)

Fonte: CANALMOZ – 29.04.2010