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segunda-feira, janeiro 03, 2011

Figura Internacional de 2010

Julian Assange coloca diplomacia mundial de calças na mão

O homem de que se fala nasceu na Austrália, em 1971. Com 16 anos - estávamos em 1987 - recebeu um computador Commodore 64.Ligou-lhe um modem e entrou no mundo da troca de informação entre computadores.”É como o xadrez”, disse uma vez à revista New Yorker.
“O xadrez é muito austero, na medida em que não tem muitas regras, não tem acasos e o problema é muitodifícil”. Assange estudou matemática e física na Universidade de Melbourne. Criado sem qualquer influência religiosa, o jovem Assange, segundo a mãe, mostrou desde sempre o desejo de fazer o que considerava ser justo.

2011: no rescaldo da borrasca

EDITORIAL do Savana

O ano de 2010 foi um ano particularmente difícil.
Parece um lugar comum, pois as famílias moçambicanas e os agentes económicos sentiram na pele os efeitos da crise. A crise que veio de fora e a crise que foi provocada pela inépcia da Frelimo e o seu Governo em lidar com os factores conjunturais.

2011 é ano novo?

Por Olívia Massango

“O homem é o único animal que é intrinsecamente descontente; daí o seu sentimento de vergonha – porque ele sabe que pode ser livre”, Osho.
A salada de acontecimentos esteve bem recheada em 2010, apenas não conseguiu aguçar o meu apetite para dela me degustar aspirando prosperidade. Meu olhar atento apenas captou inquietações cada vez que procurava o nexo de cada acontecimento. Aflições nascidas da incerteza do futuro.

domingo, janeiro 02, 2011

SAVANA: as figuras de 2010 (3)

MENÇÕES HONROSAS

Benvinda Levi

A jovem jurista Benvinda Levi, indicada para o cargo de ministra de justiça em Março de 2008, tem revelado competência desde que chegou àquela casa. Levi gere um sector difícil com massa crítica e vários interesses corporativos em jogo. Os seus parceiros internos e externos dizem que há claramente um novo e saudável ambiente naquela casa e o desempenho melhorou consideravelmente.

SAVANA: as figuras de 2010 (2)

A origem do PJ

O PJ é resultado de uma recomendação do primeiro Fórum da Juventude da SADC realizado no distrito de Bilene, província de Gaza, em 2007.
Foi nesse encontro onde se decidiu pela constituição de um Parlamento Juvenil ao nível da SADC. Para a consolidação do desejo manifestado em Bilene, cada país da região devia criar um PJ nacional. Moçambique chamou a si a responsabilidade de ser o pioneiro, tendo seguido o exemplo a Zâmbia, Angola, África do Sul e Namíbia.
Seu orçamento anual ronda os 200 mil dólares norte-americanos, maioritariamente financiados pelos seus membros e parceiros internos. Outra verba provém de doações externas, nomeadamente de organizações alemãs, americanas, britânicas, norueguesas, dinamarquesas e sul-africanas.
Nas palavras da direcção, os USD 200 mil é um valor muito abaixo dos reais custos do funcionamento do PJ.

Fonte: Savana in Diário de um sociólogo (31.12.2010)

sábado, janeiro 01, 2011

SAVANA: as figuras de 2010 (1)

Parlamento Juvenil e Salomão Muchanga:

Há momentos em que aquela que se pretende ser grande História dá lugar a pequenas histórias vividas no quotidiano, aquelas histórias feitas por pessoas anónimas no seu dia-a-dia. Nesses momentos, a História, a grande História, esgota-se nos mitos. Nesses momentos, o silêncio é denegado e a ilusão social de uma sociedade próspera e de justiça social imposta pela ideologia dominante é questionada. Durante o ano 2010, o Parlamento Juvenil, uma organização da sociedade civil com apenas dois anos de vida, chamou a si a responsabilidade de interpelar criticamente o país, promovendo estimulantes debates em que jovens, ora interagindo com académicos ora interagindo com políticos, procuravam apreender a realidade do país para além dos constrangimentos ideológicos.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Os piores e os melhores de 2010!

Por Lázaro Mabunda
Há um consenso generalizado de que o ano que hoje termina foi bastante difícil. Também estou de acordo. Foi difícil em vários aspectos. Creio que poucos terão saudades deste ano. Mas como o final de um ano está reservado ao balanço, pretendo, em poucas linhas, analisar os destaques deste ano na minha opinião.
Na altura, pensei que fosse o clone da Assembleia da República e do Parlamento Infantil. Porque a árvore é conhecida pelos seus frutos e hoje, reconheço que as percepções enganaram-me. Parlamento Juvenil não é nada disso, muito menos versão do Conselho Nacional da Juventude.

sexta-feira, abril 16, 2010

Oposição questiona critérios da distribuição do Orçamento do Estado

Gabinete do ex-Presidente da República tem um orçamento três vezes superior ao do Gabinete Central de Combate à Corrupção
A distribuição do Orçamento do Estado, cuja proposta está a ser debatida no parlamento, desde ontem, dá prioridade aos órgãos centrais, em detrimento das províncias e dos distritos; privilegia as instituições de defesa e segurança, em prejuízo dos sectores sociais e económicos; confere mais fundos ao Gabinete do ex-Presidente da República, em comparação com o valor destinado ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). Esta situação levou os deputados dos dois grupos parlamentares da oposição (Renamo e MDM) a questionarem o critério usado pelo Governo para elaborar a proposta do orçamento.

MDM critica “militarização do Estado”

Sem bancada nem muito tempo para intervir durante o debate em plenário, o grupo parlamentar do MDM aproveitou o pouco tempo que lhe foi concedido para criticar duramente a distribuição do Orçamento do Estado proposta pelo Governo. Fê-lo através do seu porta-voz, José Manuel de Sousa, que falou de “militarização do Estado”.
Manuel da Sousa questionou por que razão “o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) tem um orçamento para o funcionamento superior ao orçamento para o funcionamento do Ministério da Agricultura”. Para o funcionamento do SISE, em 2010, o Governo propõe 689 717 700,00,MT, enquanto para o funcionamento do Ministério da Agricultura, o orçamento proposto para o seu funcionamento é de 125 328 000,00MT.
“Será que o SISE é mais importante que o sector da agricultura? Então por que razão o Governo alega que a prioridade na distribuição do Orçamento vai para os sectores sociais e económicos, quando na verdade aposta na segurança. Será que o SISE é mais importante do que alguns distritos que recebem um orçamento muito inferior a este?”, questionou o deputado do MDM, para quem esta distribuição do orçamento mostra que o Governo “está interessado em controlar pessoas” através do SISE.

Orçamento do Gabinete de Joaquim Chissano

O deputado do MDM insurgiu-se ainda contra o orçamento para o funcionamento do Gabinete do ex-Presidente da República, Joaquim Chissano, que está muito acima do Orçamento para o funcionamento do gabinete Central do Combate à Corrupção, segundo consta da proposta do Governo, que está a ser debatida no Parlamento.
Segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2010, o Governo quer atribuir mais de 48 milhões de meticais (48 351 700,00MT) para o funcionamento do Gabinete do ex-Presidente da República, enquanto, para o funcionamento do Gabinete Central de Combate à Corrupção, o Governo propõe atribuir apenas 16 milhões de meticais (16 010 000,00MT).
O deputado do MDM pergunta ao Governo o que é que tanto dinheiro irá custear no Gabinete do ex-Presidente da República, que até supera o orçamento do GCCC, quando o Governo diz que um dos seus objectivos principais é o combate à corrupção.

Orçamento da Presidência é para suportar actividades do partido Frelimo

Outra verba que foi alvo de críticas é a verba destinada à Presidência da República, a qual é muito superior ao orçamento da Assembleia da República, do Conselho Constitucional, do Tribunal Supremo ou do Tribunal Administrativo.
Francisco Machambisse, deputado da Renamo, diz que este dinheiro destinado à Presidência da República é para “financiar as campanhas partidárias da Frelimo, disfarçadas em “presidências abertas” do chefe do Estado.
De acordo com o documento da proposta do Orçamento do Estado, a Presidência da República recebe 733 553 000, 00MT do orçamento para o ano de 2010, destinado às despesas de funcionamento (623 553 000,00MT) e de investimento (110 000 000,00MT). Este montante é de longe superior ao reservado para a Assembleia da República, que é de 491 827 100,00MT, para funcionamento e investimento.
O Conselho Constitucional é o órgão de soberania que menos dinheiro recebe do Estado, em 2010, se comparado com os demais órgãos, cabendo-lhe cerca de 65 105 900MT, enquanto ao Tribunal Supremo são destinados 364 794 400,00MT.
Machambisse questionou igualmente a distribuição do Orçamento do Estado entre os órgãos centrais e locais. Como já adiantara o semanário Canal de Moçambique em edições anteriores, o Governo gasta mais de 70% do orçamento ao nível central, atribuindo às províncias apenas 22% e aos distritos 6,5%. Machambisse questiona de que descentralização está a falar o Governo, se o Orçamento do Estado está concentrado no nível central.
Estas e outras questões levantadas pelos deputados da oposição não tiveram resposta dos membros do Governo que acorreram ao Parlamento para apresentar e defender o Orçamento do Estado. O debate ainda continua hoje e poderá haver respostas a estas questões, mas o mais provável é os ministros tentarem contornar estas questões que provam a contradição entre as promessas e as acções do Governo.

(Borges Nhamirre)
Fonte: CanalMoz - 16.04.2010

terça-feira, janeiro 12, 2010

2010: mais um ano de militância!

Por Shirangano

Os finais de ano sempre levam no bojo a possibilidade de descansar. Passar mais tempo em família e longe da internet, rever os amigos e divertir-se à grande, são estas as imagens que me vêm à cabeça quando o assunto é férias. Entretanto, não abdiquei do meu direito de desfrutar o merecido descanso depois de duros horários exigidos durante o trabalho e o semestre universitário.

Enquanto gozava as merecidas férias, o país prosseguia nas suas habituais mediocridades, onde não faltaram, de maneira alguma, as rotineiras práticas enviesadas protagonizadas por alguns moçambicanos despojados de consciência crítica, juntamente com certas figuras deste belo país e alguns jovens bacteriologicamente limpos paridos pelo Sistema para se apresentarem com o ar mais cândido do mundo perante os moçambicanos marginalizados e empobrecidos, com o fito exclusivo de garantir lugares e tachos nos cobiçados poleiros.

Vêm aí o novo governo. E os inúmeros interessados em lugares prosseguem em lume brando, proferindo palavras meticulosamente estudadas para ajeitar a gravata do chefe-todo-poderoso o que mostra, logo à partida, que vivemos numa sociedade onde as pessoas deixam de usar a mente e passam a agir segundo as exigências dos seus insaciáveis estômagos.

Se não fosse a morbidez que a situação em si representa, confesso que soltaria sonoras gargalhadas de acordar defuntos. Sinceramente, é em casos como este em que chegou à conclusão de que é necessário mergulhar prudentemente nos eruditos tomos da Psicologia para compreender alguns comportamentos humanos, ou dito sem metáforas, alguns comportamentos animais.

Nada de novo. Nem a prática maiêutica da política libertadora feita de questionamento e cepticismo radical, pelo contrário, continuam como robots programados para sorrir, subscrever ideias alienantes habilmente concebidas e ignorar os problemas reais e concretos que afligem os moçambicanos que vivem à intempérie.

Com direito à holofotes, a juventude gaba-se da sua inércia intelectual, e cresce à margem da política libertadora. Aliás, essa apatia tem outra justificação, ou seja, representa uma lacuna na formação académica e é uma situação absolutamente irreparável...

Leia o texto na íntegra aqui no Solta-te!