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segunda-feira, setembro 27, 2010

Depois de 1 de Setembro, que soluções?

ECONOMICANDO

Por João Mosca

Este artigo apresenta alguns elementos de reflexão sobre eventuais medidas económicas de médio prazo. É opinião quase consensual que as medidas imediatas da governação e a serem revistas em finais de 2010 não são incorrectas. As dúvidas são principalmente quatro:
• Qual o montante e de onde vêm os recursos para valores tão elevados a subsidiar.
• Se haverá entendimento entre governo e agentes económicos (parece estar difícil).
• Quais os mecanismos de transferência de recursos.
• Como se fará a monitorização da implementação. As opções de decisão administrativa de preços e de fiscalização não resultam.

segunda-feira, maio 24, 2010

Monopólios públicos

ECONOMICANDO

Por João Mosca

Considera-se que uma estrutura de mercado monopolista quando existe um único agente económico do lado da oferta e muitos do lado da procura. Considera-se um monopólio público quando o Estado é o proprietário da empresa. De uma forma não precisa, pode-se considerar um monopólio público quando o Estado possui uma participação na estrutura accionista que lhe permite influenciar as decisões da empresa. Quando a empresa monopolista é protegida por leis e mecanismos económicos, está-se perante o que se designa por um monopólio legal.
Aprende-se nas escolas de economia que uma estrutura de mercado monopolista é imperfeita, o que significa que é contrária à concorrência, dificulta ou mesmo impede a utilização eficiente dos recursos, não incentiva a inovação tecnológica e portanto não contribui para a competitividade empresarial e das economias. Geralmente os preços de monopólio são superiores aos que poderiam existir num mercado de concorrência prejudicando os consumidores e regra geral prestam um serviço de deficiente qualidade. Em monopólio, os lucros, além de serem geralmente superiores aos de uma situação de concorrência, ficam socialmente concentrados, o que dificulta o desenvolvimento inclusivo e a configuração de um padrão de acumulação socialmente mais amplo.
Após esta breve e simples apresentação livresca do que é e significa um mercado monopolista, passa-se à realidade mo¬çambicana. Há vários monopólios públicos, a maioria já existente na economia colonial, reforçados na época “socialista” com objectivos diferentes e continuam após as reformas também com mudanças de papéis na política económica, na economia política e na reprodução do poder. Este texto apenas se refere ao período recente.
Não se pretende demonstrar que as empresas monopolistas em Moçambique, como em qualquer outro local (e isto não é dogma do liberalismo económico), praticam preços altos e um deficiente serviço aos cidadãos. Este artigo debruça-se sobre a indefinição (ou a definição conscientemente confusa) entre sector público da economia (neste caso os monopolistas públicos), governo e Estado, como estes aspectos se reflectem nos desempenhos empresariais e nas relações com os clientes. Este artigo não se refere aos monopólios públicos como instrumentos do poder, aos mecanismos ilícitos de transferência de recursos entre empresas e governo, às formas paralelas e não transparentes de financiamento do orçamento público, entre outros aspectos.
Parte-se de três exemplos. Um, a empresa Caminhos-de-Ferro de Moçambique pratica tarifas subsidiadas no transporte de passageiros cujos custos são suportados pela própria empresa. Admite-se que os transportes públicos sejam subsidiados. Assim acontece em muitas economias e existe algum consenso nas sociedades. Os custos de transportes re¬presentam percentagens elevadas nos orçamentos das famílias principalmente das que possuem menores rendimentos e é um bem público essencial. Consequentemente, o subsídio facilita o acesso ao transporte e representa uma forma de redistribuição da riqueza nacional.
Para isso acontecer (subsídio suportado pela empresa), ou se agravam os prejuízos ou se reduzem os lucros. Em qualquer circunstância, diminui a capacidade empresarial para realizar investimentos, isto supondo que não existem investimentos públicos directos. Se a empresa pratica preços abaixo dos custos médios, então o prejuízo terá de ser coberto com os lucros obtidos em outras actividades da empresa ou aumentando os preços de outros bens e serviços oferecidos pelos CFM, o que prejudica outros consumidores e pode reduzir a capacidade competitiva da empresa e da economia. E a questão a este respeito é: compete à empresa suportar os subsídios dos transportes públicos? Ou a empresa deve definir o preço que cubra os gastos (supondo níveis de eficiência aceitáveis), praticar o preço subsidiado ao utente e receber o subsídio do Estado? A questão não consensual dos impostos de todos os cidadãos subsidiarem (beneficiarem) uma parte da população (os utentes), não é aqui debatida.
Dois, na Beira, um cidadão que vá deixar uma pessoa ao aeroporto, sem estacionar o carro, à saída para a cidade, passa por uma cancela onde é obrigado a parar e a pagar uma “portagem”. A via que passa pelo aeroporto é pública, é mais uma das ruas da cidade e nenhuma razão parece existir para qualquer pagamento. Qual a justificação desta medida? O que fazem as autoridades? E os cidadãos porque não se rebelam, com excepção de alguns que simplesmente não param e também nada lhes acontece? Neste caso não estamos perante um abuso de autoridade e de poder em relação ao qual ninguém se manifesta? É compadrio, aceitação tácita (para quê?) ou simplesmente incúria? Ou de tudo á mistura e de mais algo?
Três, um voo Maputo-Beira da LAM (escuso-me de referir a data e hora) foi adiado cerca de 12 horas. Os passageiros conheceram do adiamento no aeroporto, no check in, por volta das sete da manhã. Nenhuma justificação foi dada. Voltou-se ao aeroporto para o embarque e o voo atrasou mais cerca de uma hora. De novo sem qualquer informação. Um passageiro pediu o livro de reclamações nos balcões da empresa. O chefe de escala, depois de responder que não havia, virou as costas ao cliente. Em pleno voo, o comandante, muito gentilmente, pediu desculpas aos pas¬sageiros e agradeceu a preferência dada à LAM. Como preferência se não há alternativa?
O que podem demonstrar estes três exemplos?
• O caso dos CFM não revela uma mescla entre funções do Estado e das empresas públicas? O Estado não está instrumentalizando uma empresa desresponsabilizando-se das suas funções sociais, retirando competitividade à empresa e distorcendo o mercado?
• Retirando a hipótese do caso do aeroporto da Beira reflectir incompetência ou incúria, não será um caso de abuso do poder, autoritarismo e negligência?
• Para o caso da LAM, admita-se que o atraso e o comportamento do chefe de escala não sejam a regra. Os restantes aspectos revelam um nítido desrespeito pelos clientes.
É legitimo admitir que grande parte dos trabalhadores das empresas procurem fazer o melhor. Deve-se acreditar que os dirigentes dão o melhor para elevar o desempenho das organizações. O que está em causa é como as empresas são politizadas, como os tiques do autoritarismo se reflectem na relação com os clientes, como o governo intervém (ou não), como se perde competitividade.
Em muitos países existem políticas anti-monopolistas e órgãos reguladores dos monopólios. E em Moçambique? Ou será que não há, porque as indefinições facilitam promiscuidades? Ou é a chamada política de navegação em águas turvas e, por vezes, em turvas e em águas profundas.

Fonte: SAVANA in Diário de um sociólogo - 21.05.2010

quarta-feira, janeiro 06, 2010

ECONOMICANDO: o próximo livro de João Mosca


Maputo (Canalmoz) - O último livro do economista João Mosca, com o título ECONOMICANDO, será lançado no dia 20 de Janeiro, às 18 horas na Universidade POLITÉCNICA.
O livro será apresentado por Lourenço do Rosário, Reitor da Universidade anunciou ontem o autor ao Canalmoz.
João Mosca diz que este livro baseia-se em textos publicados no semanário SAVANA, contém ainda outros trabalhos apresentados e/ou publicados em revistas, seminários e conferências e cada texto tem um corpo próprio podendo ser lido independentemente dos demais. Cada um pode se um ponto de partida para reflexões e debates mais complexos, refere o autor.
Os escritos têm ênfases na experiência e nas áreas de formação do autor. A formação de base em economia e especialização em economia agrária e sociologia rural, o trabalho em diferentes órgãos centrais e locais da agricultura, o percurso académico e as vivências do autor, influenciam naturalmente os enfoques e aproximações dos textos.
Com o objectivo do contributo de cidadania, o autor assenta os textos com preocupações nas éticas comportamentais como fundamentos filosóficos e não de valores como referência teológica, na equidade e justiça social, na liberdade de pensamento, da escrita e de opinião sem quaisquer riscos. O primado do colectivo não é contraditório com os direitos, liberdades e ambições dos indivíduos, que se revelam pelo mérito, competência e honestidade na política, na economia e na vida.
Nessa perspectiva, o autor demonstra a sua indignação pela corrupção, promiscuidade entre a política e os negócios, por alianças de oportunidade, falta de transparência, agendas subterrâneas de longo prazo, pactos tenebrosos de silêncio, manipulação negativa da opinião pública, ausência de coerência nos comportamentos, sobretudo quando se trata de questões relacionadas com a causa pública, o exercício da política activa, na orientação política e económica de um país e na actividade profissional.
Não é por acaso que o autor coloca no princípio do livro a seguinte frase de Barack Hussein Obama, no Gana, a 11 de Julho de 2009: “Nenhum país vai criar riqueza se os seus líderes usarem a economia para se enriquecerem ou se a polícia puder ser comprada por traficantes de droga”.

Fonte: CanalMoz (06.01.2010)