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sábado, agosto 09, 2008

Raimundo Samuge - caso para minha reflexão (6)

As reflexões em torno deste caso

Duma ou doutra forma tenho me esforçado em analisar um fenómeno e não uma pessoa. Portanto, do que reflicto não é Raimundo Samuge, embora seja ele quem me tenha chamado a atenção para este tema, mas pelo fenómeno que tem se caracterizado pelo que se costuma dizer como deserção dum partido para outro, geralmente da Renamo para Frelimo, isto segundo a imprensa pública. Pela imprensa independente tem se relatado um movimento contrário. A situação voltou a ser quase aquela que se assistia nos anos 80, durante a guerra civil, onde cidadãos ora se retiravam das aldeias para xoxorona (nome em macua de locais com casas dispersas, onde os aldeões dormiam durante a guerra civil) ou se obrigavam para voltar para elas.

Aliás, casos destes eram os de pequeno vulto, pois os de grande vulto constituiam na fuga de funcionários seniores do Servico Nacional de Seguranca Popular (SNASP) como é o caso de Jorge Costa, Mascarenhas ou do oficial do exercito e piloto Adriano Bomba à Renamo e de Paulo de Oliveira à Frelimo. Nos anos 80, o papel da imprensa pública a única com o direito de difundir o que lhe apetecia, era de publicar os chambocos, as execuções públicas ou as ditas recuperação de civis e capturacão do inimigo. A Renamo servia-se da Imprensa internacional para fazer passar a sua propaganda.

Pelo que me parece, as lideranças dos dois partidos continuam a ver as trocas ou deserções dos membros da mesma forma, por isso desvalorizam a accão do outro e super-valorizam a sua própria. Entretanto, os tempos são outros. Não estamos em tempo de guerra, mas sim num tempo em que o interesse é democracia, desenvolvimento do país e resolução dos problemas sócio-económicos da nossa sociedade. Na verdade, os moçambicanos, sobretudo os da nova geração, não vêem e nem querem ver a Frelimo e a Renamo como movimentos guerrilheiros, mas sim partidos políticos empenhados na resolução dos seus problemas, entre eles o emprego, a habitação, os transportes públicos, a educação, a saúde pública. Portanto, a prioridade dos moçambicanos é outra e não aquela em que a imprensa pública e pior ainda as lideranças partidárias se dedicam.

No futuro, para eu ser bem claro sobre as minhas reflexões, deixarei de falar de Raimundo Samuge. Samuge como tal, gostaria um dia de falar com ele para lhe dar o meu ponto de vista quanto ao seu "abandono" à Renamo. Segundo o meu ponto de vista, Samuge fez mal e muito mal ainda por ter usado os meios da Frelimo para anunciar a "renúncia" à Renamo. Samuge, que ouvi dizer ser membro do Conselho Nacional da Renamo, deve saber do peso que carrega perante os outros membros. Ele estava lá não para decidir por si, mas pelos milhares de membros da Renamo. Agora Raimundo Samuge agiu como um egoista e isso é mau. Admito que Raimundo Samuge teve problemas com a liderança da Renamo e pessoalmente me solidarizo com ele, contudo, ele NÃO usou o poder que teve para criar na Renamo uma cultura democrática. Samuge como membro do Conselho Nacional e segundo os estatutos da Renamo, artigo 24 a 27, tinha direitos através dos quais o partido Renamo pode cultivar um sistema verdadeiramente democrático.

Na verdade, se boicotar fosse coisa fácil, eu o teria feito. Isto é, eu boicotaria a muita coisa, entre outras Moçambique como país, por causa de tanta roubalheira que por este país passa, a apatia para com os problemas reais do país, e não menos pelo comportamento de muitos políticos sejam eles da Frelimo como da Renamo. Mas eu sou refém da pátria amada.

P.S: todos são livres de discutir comigo aqui ou enviando-me e-mail: askwaria@gmail.com.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Raimundo Samuge - caso para minha reflexão (5)

Samuge inocente? (1)

Veja aqui e aqui

Onyanyala é uma palavra em língua macua e significa boicote ou boicotar. Pode ser que existam outras palavras em macua que signifiquem o mesmo. Os que conhecem outras que me ajudem e até que eu gostaria de saber de como se diz onyanyala em Chuabo o qual considero um macua mal falado ou uma língua inventada para os outros falantes de macua não entenderem. Uma ganda provocação.

De facto, na nação macua há muito disso, ilhas de línguas convencionais entre pessoas ou grupos de pessoas para a maioria não entender. Para entender, temos o coti, em Angoche. Todos os falantes de coti falam macua, mas nem todos os que falam coti falam macua. Também todos os chuabos que conheci em Nacala-Porto falam macua e no melhor de tudo, eles adoptam facilmente o acento do macua do litoral do que os macua-lomówès fazem.

Temos os naturais da zona de Merrote, em Namapa, com uma língua que outros falantes do macua não entendem. Ela se denomina por emaravi. A estranheza é a mesma dos angochianos/aparapato. Todos os amaravis falam o puro macua com o sotaque de Namapa.

Ainda que não sou linguista, não pretendo aqui reflectir sobre aquelas línguas, mas sobre um fenómeno onyanyala que significa boicote ou boicotar. Desde cedo, a minha mãe ensinou-me que nada se ganha com boicote e agora me resta saber se ela tinha ou não razão. Nas minhas tentativas de boicotar (recusar) alguma refeição em protesto, a minha mãe tomava medidas muito mais severas como consumindo-se tudo o que havia-se preparado e criando-me dificuldades para alternativas. A minha mãe dizia: onyanyala kumpwanyeriya ethu o que significa: com boicote nada se ganha. Na verdade, quando eu boicotasse alguma refeição ficava apenas com fome até a próxima refeição. Não quero dizer que a minha mãe foi justa e nem quero pensar que ela ficava sem sentir alguma culpa por eu não ter comido. Mas ela obrigou-me a reflectir sobre as consequências de boicote.

Se o ensinamento da minha não vale em todo o mundo, pelo menos em Moçambique com boicote não se ganha nada. Na nossa história multipartidária, vimos o preço de boicotes e acho que deveríamos ter aprendido que eles só prejudicam o nosso processo eleitorais e por vezes a políticos dos partidos políticos. Mas ainda a maioria deste povo não aprendeu e é coisa de grande reflexão. Porém, o que assistimos com alguns membros seniores da Renamo parece ser uma acção de boicote que apenas prejudica a eles e ao nosso processo democrático. Geralmente trata-se de zangas de "compadres" que resulta em que o loser (perdedor) se "rende" ao winner (vencedor). Veja-se o currículo político e sobretudo, nesse partido, dos que vão à imprensa pública anunciando seu abandono à Renamo. O currículo não nos diz menos que eles estão a colher o que semearam. São quadros seniores com posições relevantes capazes de contribuir na criação, implementação e aperfeiçoamento de uma cultura democrática, uma cultura de respeito aos estatutos do partido, uma cultura de transformar a Renamo numa instituição política, numa pertença de todos os membros. Entretanto, enquanto o contrário disto lhes beneficia eles se movem em direcção contrária - estagnar o partido e quando se zangam com os "compadres", nem chegam de pensar no membro da Renamo em Chicualacuala que viu seus braços partidos por apoiantes da Frelimo, mas não entregou o cartão ainda que na vida, ele nunca recebeu sequer 1 Mt da ou pela Renamo.

terça-feira, agosto 05, 2008

Raimundo Samuge - caso para minha reflexão (4)

Um permenor interessante

Retirado na sua íntegra do Allafrica

Ex-Renamo Official Explains His Resignation

(Maputo)
1 August 2008

Posted to the web 1 August 2008

Maputo

Raimundo Samuge, once a trusted cadre in Mozambique's main opposition party, the former rebel movement Renamo, on Friday confirmed to reporters that he has resigned from Renamo and has no intention of returning.

Addressing a Maputo press conference, Samuge said he had sent his membership card, attached to a letter of resignation, back to Renamo on Tuesday.

Samuge was once an adviser to Renamo president Afonso Dhlakama, and in 2002 was national director of the party's mobilization department. He was then one of Renamo's appointees to the National Elections Committee (CNE) that organised the 2003 local elections and the 2004 presidential and parliamentary elections.

When that CNE ceased to exist, in May 2007, he presented himself for work at the Renamo headquarters. To his surprise, although the other Renamo former CNE members, were received with open arms, he was told he would have to wait for the return of Renamo general secretary Ossufo Momade, who was not in Maputo.

Even after Momade's return, he declined to receive Samuge. On 12 June 2007, Samuge received a text message from Momade on his mobile phone, telling him to "stay at home and await new instructions".

So Samuge waited, but no "new instructions" were forthcoming. He asked for a meeting with Dhlakama, but no audience with the party's top leader was granted. He concluded that the order to "await new instructions" was a way of suspending him from the party.

After a couple of months in which his wages were interrupted, Renamo resumed paying him, but Samuge believed this was just a way for the Party leadership to maintain an ambiguous situation. He decided "I could not abdicate from my right to political activity just because of my meagre party wage".

He believed that Renamo was avoiding the publicity attendant on expelling him from the party. "I realized there was a silent decision to get rid of me", he said, "but they didn't want to expel me because of Renamo's past experience with expulsions".

H was presumably thinking of the expulsion in 2000 of the former head of the Renamo parliamentary group, Raul Domingos. But Samuge stressed that he had no connection to Domingos, or to the Party of Peace, Democracy and Development (PDD) that Domingos founded after his expulsion.

No disciplinary proceedings under the Renamo statutes were started against him, he said, and he still did not know what offence he had committed in the eyes of the Renamo leadership. "I was suspended without being heard, and without any information", he said. "I was suspended for an unlimited period, and the other party members had instructions not to speak with me. Only the most courageous disobeyed".

The only disagreement he could recall was after the 2004 election results, when the Renamo leadership, angry at losing, and looking for people to blame, ordered the Renamo CNE appointees to resign, and they refused to obey. Even that, however, had only been a verbal instruction, and there was never a written Renamo decision to pull its members off the CNE.

Samuge said he had not yet decided to join any other political party, nor did he have any intention of running in the November municipal elections as an independent. "Each party has its own internal rules, just like Renamo", he said. "I need time to reflect".

The Renamo national spokesperson, Fernando Mazanga, shrugged off Samuge's resignation. He told AIM that "just as Samuge was not forced to join Renamo, so he was not forced to leave. It was a voluntary decision and we welcome it". He denied that any Renamo members had been told not to speak to Samuge.

As for Renamo's failure to give Samuge a job after he left the CNE, Mazanga said Renamo had no contract with him. When Samuge went into the CNE, his old job of head of mobilisation was occupied by somebody else, whose performance satisfied the party.

"So samuge was told to wait, and it was recommended that he carry on working at the grass roots of the party", said Mazanga. (This was probably illegal - the employers of people who are appointed to the CNE are supposed to give them their old jobs back when they leave the CNE.)

Mazanga said the party would not react to Samuge's resignation, though it would do so if he decided to join another party.

sábado, agosto 02, 2008

Raimundo Samuge – caso para minha reflexão (3)

A Frelimo alicia?

Há quem acha que atribuir à Frelimo a postura de certas pessoas, instituições públicas ou privadas é injusto, é apenas uma teoria de conspiração. Esses podem pensar assim, é do seu direito. O certo é que o pensamento deles é também uma suposição, embora sejam muito certos numa coisa: cada um, cada instituição pública ou privada tem instrumentos para recusar qualquer missão fora das competências do partidão. Temos leis baseadas na nossa Constituição da República. E os próprios estatutos da Frelimo observam geralmente o que está na Constituição da República.

Quando a Frelimo publicamente nega que alicia pessoas a aderir ao seu partido, ela tem aparentemente razão. Na prática, a coisa pode ser e é outra. A Frelimo usa muitas vezes as brechas existentes na Constituição da República e nas outras leis vigentes para agir em seu benefício. Uma das brechas é a falta de uma instituição para derrimir casos de discriminação. No pior de tudo, poucas organizações da sociedade civil trabalham para lever à justiça os actos de discriminação. E as nossas instituições de justiça são uma autêntica calamidade que para mostrarem trabalho, ainda ao partidão só intimidam o jovem Azagaia e jornalistas que lhes ajudam a investigar casos da sua responsabilidade.

Há sim aliciamentos que passam muitas vezes por chantagem. Também, a Frelimo conhece o seu alvo, conhece a quem chantagear e claramente são os fracos. Para se ser susceptível a chantagens do partidão não significa exactamente ter fraqueza mental embora haja alguns, mas devem ser muito poucos, os que resistem as chantagens por serem fortes mentalmente. Mesmo assim há premissas para os que são fortes mentalmente para resistirem aliciamentos do partidão.

Muitas vezes as pessoas mentalmente fortes para resistirem chantagens são as bem preparadas para tal. Elas arrumam as suas formações académicas ou profissionais, os seus empregos, a sua conduta social. Elas procuram actualizarem-se nisso que ninguém os tira, isto é, procuraram exercer a sua profissão ao lado da política. Por outro lado, são membros dum partido por convicção, conscientes de todos os problemas que aí surgem. Deixarem-se aliciar por um outro partido consideram, vender a sua integridade. Assumem-se actores activos e geralmente têm bases de apoio de membros e simpatizantes dentro do partido. Se não as têm quando aderem ao partido, apressam-se a constituí-las as quais nunca as largam. Conheço pessoas que sofreram a tentação e resistiram firmemente.

Geralmente as pessoas aliciáveis são opostas ao que descrevi acima, mas não é tudo. As condições sócio-económicas podem ser um factor. Elas podem produzir fracos mentais que se deixam aliciar pelo menos aparentemente. Digo aparentemente porque muitos de nós, talvez menos os reconhecidamente frelimistas, conhecemos muita gente que anda com cartão da Frelimo, mas que não se identificam nem tão pouco com ela.