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sábado, março 05, 2016

Um extraterrestre chamado Paulo Awade

Há momentos em que o rumo que a vida toma, obriga-nos a reconhecer e a assumirmos que SOMOS AZARADOS.
O país já está a arder, com tiroteios, colunas militares ao longo da N1, perseguição e assassinatos de dirigentes partidários (Frelimo e Renamo), refugiados ou deslocados moçambicanos no Malawi e outros fenómenos que estão a tornar o dia-a-dia dos moçambicanos um verdadeiro caos.
É de outros tempos o provérbio segundo o qual “um mal nunca vem só”.
Há sempre um acompanhante que vem, negativamente, apimentar a já sofrida condição de vida dos 25 milhões de moçambicanos.
Vem isto a propósito das recentes declarações de um governador provincial que, por qualquer equívoco, passou no casting da lista que foi parar às mãos de Filipe Nyusi.
Nome dele é Paulo Awade. Não é a primeira a vir publicamente dizer, à luz do dia e diante de câmeras de televisão, tamanhas asneiras. Daquelas asneiras que, em Estados modernos, quem o nomeou tinha a obrigação moral e profissional de, no dia seguinte, exarar um despacho de exoneração.

terça-feira, março 01, 2016

“As mulheres e crianças no Malawi são familiares de homens da Renamo”

Quem queima as casas, já sabes, é a Renamo. Quem ataca as populações é a Renamo. Não sabemos disso? 
O governador da pro­víncia de Tete, Paulo Awade, nega que haja refugiados moçambicanos no Malawi, afirmando que as pes­soas acomodadas no campo de Kapise são deslocados, na sua maioria malawianos que fogem da fome que assola aquele país.
O governador diz ainda que os poucos deslocados moçambi­canos são familiares de homens armados da Renamo e acu­sa os guerrilheiros de Afonso Dhlakama de terem incendiado casas da população de Nkonde­zi. Awade diz também que quem ataca nas estradas e destrói pro­priedades são os guerrilheiros da Renamo, enquanto a popula­ção tenta construir o país. Veja a seguir a transcrição da breve entrevista com o governante da província de onde terão saído os mais de sete mil refugiados mo­çambicanos para Malawi.
O que está a ser feito para evitar que mais moçambicanos se refugiem no Malawi e os que estão lá regressem a casa?
Mas quem está a atravessar para o Malawi?
Os refugiados moçambica­nos…
Não me fale de refugiados, porque não há nenhum refugia­do. O que existe no Malawi são deslocados e, se nós prestarmos atenção, dia após dia, os núme­ros estão a subir. No Malawi há seca, como em Moçambique, e alguns malawianos fazem-se de deslocados em pontos estratégi­cos da nossa fronteira, portanto, nós não temos nenhum refugia­do no Malawi.
Fonte: O País – 01.03.2016