Mostrar mensagens com a etiqueta gerações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gerações. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 29, 2010

SOLTA-TE: A Nação do faz de conta dividida em gerações

A Nação do faz de conta dividida em gerações

Uma Nação dividida, é o que se pretende fazer de Moçambique não obstante assistirmos, até à náusea, as sucessivas pseudo-campanhas-unificadoras crismadas por “Unidade Nacional”, como se alguma vez as populações deste imenso país estivessem divididas. Emboras separadas geograficamente, as populações das três regiões que compõem a Nação ora baptizada de "Pérola do ĺndico ", ora "Pátria Armada" sempre estiveram unidas num sonho comum em busca da dignidade que elas merecem e de um Estado livre de preconceito/discriminação partidária.
Mas, devido às políticas terroristas - leia-se sem misericórdia – postas em marcha pelo governo de turno, as populações continuam a morrer em massa de fome, de doenças curáveis como a malária, e de overdoses de discursos cheio de parra e uva nenhuma. Aliás, o que se pode esperar de um país do "faz de conta", cujo planos de desenvolvimento são meros mitos cientificamente concebidos para o G-19 ver, senão "tanto faz"?
Aliás, para continuar a levar habilmente água ao seu moinho, o regime mercantilista descaradamente decidiu implementar a teoria clássica do “dividir para reinar”, separando os moçambicanos em três gerações distintas, nomeadamente a de Setembro, a de Março e a da Viragem. Esta última, por alguma razão, padece da Sindrome de Pato Gordo, uma vez que sozinha não consegue voar e quando voa não vai longe, razão pela qual está sempre de pernas abertas ao regime para lhe cantar vivas e hossanas.

segunda-feira, abril 26, 2010

As três “gerações” e a luta pelo poder na Frelimo

TRIBUNA DO EDITOR

Por Fernando Gonçalves

Cada vez que oiço o slogan “Três Gerações, Uma só Nação”, pergunto-me se não haverá assuntos mais importantes e que mereçam um debate mais profundo neste país. Não sei quem terá sido o autor de tal conceito, que até pode ter resultado das reflexões pessoais de alguém, mas a verdade é que está se a espalhar muita confusão à volta desta questão.
Não acredito que haja alguém que esteja convencido que os moçambicanos tenham que ser regimentados em três grupos distintos.
A meu ver, o debate das três gerações não é mais que o reflexo de uma contestação pelo poder que parecer ter se iniciado dentro da Frelimo, em preparação do décimo congresso do partido, que deverá ter lugar em 2012.
O significado particular deste congresso é que será dele que deverá emergir a nova liderança do partido, com claras indicações sobre quem será o candidato da Frelimo nas eleições presidenciais de 2014. Por outras palavras, o futuro Presidente da República.
É por isso que este debate geracional não deve ser visto como sendo um assunto de interesse nacional, devendo ser entendido a partir da perspectiva de três gerações dentro da Frelimo que se posicionam para tomar de assalto o poder através de um processo de exclusão mútua, alicerçado em argumentos aparentemente lógicos, mas que no subtexto encobrem interesses de sectores distintos.
Será lógico, por exemplo, que a chamada “geração do 8 de Março” apregoe o argumento de que a sua predecessora já fez o seu papel e que é a ela que cabe agora tomar conta dos destinos do país, enquanto vai treinando a “geração da viragem”, esta que por sua vez deverá se posicionar para tomar o poder a partir de 2022.
Por esta via estarão automaticamente eliminadas as outras duas gerações, abrindo espaço para que os 8 Marcistas tenham o caminho aberto.
Mas haverá uma outra possibilidade, que irá dar no mesmo, com apenas uma diferença. Será a instigação, a partir de dentro da própria “geração do 25 de Setembro”, para que se auto-exclua do processo. Assim evitar-se-á a possibilidade de alguém desta geração tomar conta do poder e transformar-se num elemento autónomo, sem dívidas de lealdade a seja quem for.
O nosso erro de juízo é que devemos estar a ver a “geração do 25 de Setembro” como um bloco monolítico, o que não é. As clivagens havidas no processo de transição da era Chissano para a actual liderança são o testemunho mais eloquente disso. Haverá dentro deste grupo aqueles para quem o importante não é estar dentro do processo, mas ser capaz de controlá-lo.
A natureza desta luta pelo poder não abre espaço para que se fale das outras gerações, que também deram o seu suor e sangue por este país.
Onde é que se encaixam os Madgermanes, por exemplo? Os Madgermanes constituem um grupo de jovens recrutados em massa e enviados como mão-de-obra barata para vários tipos de indústrias na antiga República Democrática Alemã, com base num acordo em que parte dos seus salários eram pagos directamente ao governo moçambicano.
Numa altura em que Moçambique enfrentava imensas dificuldades impostas pela guerra, os recursos gerados por esses jovens para o Estado moçambicano devem ter constituído uma importante fonte de alívio.
Mas com a queda do Muro de Berlim em 1989, e o subsequente fim da Guerra Fria, com a reunificação da Alemanha no ano seguinte, os contratos de trabalho destes jovens foram brusca e unilateralmente rescindidos, e eles obrigados inesperadamente a regressarem ao país. Regressados a uma pátria mal preparada para os receber, nos números em que regressavam, eles viram-se abandonados à sua sorte. Não sendo provavelmente a vasta maioria deles parte da elite do partido, eles fazem parte da geração dos excluídos. Nem 25, nem oito, nem viragem.
Depois temos centenas de milhares de jovens incorporados no Serviço Militar Obrigatório durante o período em que o país esteve em guerra. Foi a bravura destes jovens, apoiando-se numa logística precária e sob as ordens de um comando deficiente e que já nessa altura denotava sinais de uma quebra vertiginosa pela corrupção, que impediu que a Renamo, com o apoio dos sectores militares e dos serviços de segurança da África do Sul (do apartheid) tomassem conta do poder. Por essas alturas, os homens e mulheres da “viragem” ou deviam ser ainda projectos dos pais ou na melhor das hipóteses andavam ainda vestidos de fraldas.
Desnecessário dizer que a maioria destes jovens heróicos deixaram de ser necessários a partir do dia 4 de Outubro de 1992. Sem uma formação académica e profissional que se adequasse à nova era da “viragem para a modernidade”, nem sequer o fizeram para as fileiras das novas forças armadas. E aqui estamos a falar dos que sobreviveram as vicissitudes da guerra. Há os que nem chegaram ao fim da guerra, cujos corpos andam espalhadas pelas matas deste país, em campas não identificadas. Ou se o fizeram, e com um pouco de sorte, já sem braços ou pernas, hoje andam pendurados numa cadeira de rodas doada por uma dessas organizações de caridade que por vezes se substituem à responsabilidade do Estado.
Como podemos ver, o Comité Central da Frelimo tem uma limitação no número de membros que não haverá lugar para todos estes heróis. Nem todos os moçambicanos cabem na definição tri-geracional que alguns sectores nos pretendem impor para encobrir os seus apetites pelo poder.
Continuaremos a lutar contra a pobreza, é verdade, continuaremos a lutar pela consolidação da democracia, pelo respeito dos direitos dos cidadãos, e tudo o que for necessário para que Moçambique se imponha como uma nação de respeito perante o mundo. Mas recusemo-nos a ser compartimentalizados em grupos geracionais que nada mais significam se não a reivindicação de um lugar na mesa de banquete do poder.

Fonte: Savana - 23.04.2010

segunda-feira, abril 19, 2010

O povo não é propriedade de ninguém

Por João Baptista André Castande

1. Na edição de 2-4-2010 deste semanário, o compatriota Machado da Graça levantou uma questão que na minha óptica é de suma importância para a sociedade moçambicana. A questão em alusão está relacionada com as chamadas três gerações em que pretende-se dividir o povo moçambicano, segundo se alcança do discurso político oficial hoje bastante recorrente.

2. Acho que a questão merece profunda reflexão de todos os moçambicanos cônscios, tendo em atenção as suas repercussões sociais futuras bem previsíveis.

3. Segundo tal discurso político oficial, o povo moçambicano é constituído por três gerações, a saber: 1) Geração vinte e cinco de Setembro, 2) Geração oito de Março e 3) Geração da Viragem. Na sua abordagem do dia 2-4-2010, o compatriota Machado da Graça teceu várias e valorosas considerações sobre esta matéria, mas nem por isso isentas de rebate.

4. Aliás, dizer que foram várias e valorosas as contribuições tecidas por Machado da Graça, não significa a minha concordância com tudo o que este escreveu sobre o assunto em análise. É assim que um outro compatriota desta feita de nome Júlio Muthisse - pág. 7 da edição de 9-4-2010 - já rebateu algumas dessas considerações, razão pela qual no presente artigo prefiro destacar apenas a parte em que aquele considera que “(...) esta divisão, actual e simplista, em 3 gerações é, em termos teóricos, uma aberração sem ponta por onde se lhe pegue”.

5. Respeito esta opinião do compatriota Machado da Graça, pela indesmentível coragem e sobretudo honestidade que ela encerra, mas peço permissão para dizer o seguinte:

a) Atendendo e considerando que o número 1 do artigo 74 da Constituição da República de Moçambique (CRM) consagra que os partidos políticos “concorrem para a formação e manifestação da vontade popular e são instrumento fundamental para a participação democrática dos cidadãos na governação do país”, entendo que ao Presidente da República, alto dirigente político que é, assiste o direito de abordar o assunto tal como de algum tempo à esta parte o vem fazendo;

b) Ademais, nada tenho contra todos aqueles que, seguindo as tradições seculares da luta heróica e da resistência dos nossos antepassados contra o jugo colonial, formaram e juntaram-se à Frente de Libertação da Pátria moçambicana, sendo por isso que a consagração desses cidadãos no artigo 15 da CRM foi sem dúvidas ditada pelo consenso nacional;

c) No que diz respeito às ditas gerações 8 de Março e da Viragem, julgo que é assunto que compete a todos os moçambicanos, num ambiente de cordialidade e respeito pelas opiniões contrárias, analisá-lo com toda a profundidade e objectividade necessárias, buscando consenso nacional sobre a matéria, no âmbito da participação democrática dos cidadãos prevista nas partes finais do artigo 73 e do já acima citado número 1 do artigo 74, ambos da CRM;

d) Por conseguinte, é aos cidadãos nacionais, ou seja ao povo moçambicano, que compete decidir se aceita ou não a sua divisão na forma que agora se apregoa.

6. Na verdade, não está ao livre arbítrio de quem quer que seja dividir o povo, na medida em que este não é propriedade de ninguém.
Por isso, causa-me tamanha admiração sempre que oiço um concidadão a empregar no seu discurso político o advérbio possessivo “o nosso povo”. Mas afinal de contas, o povo moçambicano é propriedade de quem? Não tenho a menor dúvida que quem hoje diz “o nosso povo” amanhã pode muito bem dizer “o meu povo”.

7. Neste contexto, e com todo o respeito devido à opinião contrária, sugiro que paremos desde já com este tipo de linguagem, que só demonstra estupenda ignorância de quem a usa!

8. Além disso, há que termos presente que todos e cada um de nós, independentemente da sua época, fez a sua parte da forma que esteve ao seu alcance e com todos os sacrifícios exigidos em cada momento, pelo que tentar enaltecer hoje apenas os feitos, quais feitos?- das ditas Gerações 8 de Março e da Viragem é, a meu ver, injustiça grave.

9. Não pode haver geração nenhuma que não tenha sido gerada, alimentada, educada e feita crescer por uma outra anterior. Nesta ordem de ideias, é no mínimo ridículo que alguém goste loucamente da fruta relegando para o plano secundário a árvore que a produziu!

10. Julgo que ninguém ficaria preocupado se todos os concidadãos que se revêm nas referidas duas gerações constituissem as respectivas associações cívicas, ao invés de exigir algo do Estado como já começaram a fazer.

11. Então, falemos do povo moçambicano e evitemos dividí-lo em grupinhos sem nenhuma base de sustentação credível e de consenso nacional.

12. Admiravelmente, e sem o necessário consenso nacional, assistimos à institucionalização da palavra de ordem que salvo o erro constitui surpresa para a maioria dos cidadãos: Três Gerações, uma Nação, um Povo. Só resta-nos esperar que brevemente estas duas gerações (8 de Março e da Viragem) não reivindiquem a sua consagração no texto da Lei Mãe!

13. “Conquistada a independência, construídos os pilares pelos quais assenta a máquina administrativa do Estado a todos os níveis, continuamos a assistir muitos moçambicanos que vivem no limiar da pobreza, com carências a todos os níveis. O trabalho dos moçambicanos de hoje na luta contra este flagelo, pode fazer emergir no futuro o que orgulhosamente chamaremos de Geração da Viragem”, assim escreve doutamente o compatriota Júlio Muthisse.

14. Manifesto desde já o meu sincero respeito por esta sua opinião.Todavia, permita-me fazer os seguintes três reparos:

a) É repugnante verificar que contra a afirmação de Júlio Mutisse segundo a qual a Geração da Viragem é algo a emergir no futuro, para outros moçambicanos tal geração já existe, tendo sido ela que no dia 7-4-2010, no Distrito de Nangade, discursou e recebeu das mãos da Geração 8 de Março a chama dos 35 anos da independência nacional;
b) Caro compatriota Júlio Mutisse, é vergonhoso defender causas absolutamente desconhecidas!
c) Quanto ao combate à pobreza no conceito hodierno, é imperioso que sejamos honestos para connosco mesmos: Não haverá jamais um combate sério e eficaz à pobreza num País em que ao mesmo tempo promove-se o obscurantismo, a excessiva acumulação de cargos pelas mesmas pessoas (mesmo contra a proibição expressa da lei), a corrupção, a impunidade, salários mínimos injustos e de miséria, a ganância pela riqueza ilícita, ausência da justiça, o fanatismo político-partidário em detrimento do patriotismo genuíno!
d) Por outro lado, temos que ter a coragem de dizer que o combate à pobreza, no actual conceito, não é iniciativa de Moçambique mas sim dos ricos na sua globalidade, devido ao longo processo de empobrecimento a que submeteram os povos dos respectivos países. O combate à pobreza assim concebido não é obra altruísta a favor dos empobrecidos, mas sim, porque os enriquecidos estão assolados por um incontível receio de se verem afogados nas ondas da fúria popular.

15. Finalmente, escutemos o que diz Leonardo Boff, in Teologia do Cativeiro e da Libertação, pág. 226: “A pobreza é empobrecimento; a riqueza é enriquecimento. Há uma riqueza que se constitui fazendo outros pobres, debulhando-os, tirando-lhes a dignidade, roubando-lhes os bens e com isso privando-os das condições materiais para serem dignamente homens. A pobreza denuncia a presença de injustiça e a existência de uma riqueza desonesta. Semelhante pobreza que significa empobrecimento é resultado da desmesurada ganância dos ricos. Ela não é nenhum bem, porque se deriva de um mal. Que alguém, numa situação de pobre, pode ainda conservar sua dignidade humana e renunciar a todo espírito de vingança e de possuir gananciosamente, é fruto não da pobreza, mas da inesgotável grandeza humana que se torna capaz de superar tudo e ser maior do que cada situação. Não é por causa da pobreza que ele conserva sua humanidade mas apesar dela. Não é por causa desta dignidade humana vivida e conservada apesar do mal da pobreza que vamos ideologicamente justificar a pobreza. Antes pelo contrário: por causa da dignidade inviolável de cada pessoa devemos combater a pobreza, não para contrapó-la à riqueza e propor a riqueza como ideal, mas para buscar relações mais justas entre os homens que impeçam a emergência de ricos e pobres.”, sendo o bold da minha responsabilidade.

16. Tenho dito.

Fonte: SAVANA - 16.04.2010

Reflectindo: chegou a altura de eu procurar todos os textos sobre gerações e publicá-los. Textos de Egídio Vaz, Rossana Fernando, João Mosca, Machado da Graça e Júlio Mutisse serão publicados neste espaço.