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terça-feira, setembro 22, 2015

MINEDH dispensou alunos “problemáticos” para garantir decurso normal das aulas

Dispensar os alunos que desmaiavam com frequência para garantir o decurso normal das aulas. Essa foi a solução encontrada pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano para a onda de desmaios que agitou a Escola Secundária da Manhiça, província de Maputo, durante o primeiro trimestre deste ano. São ao todo 80 alunos e a maioria já regressou ao ambiente escolar.
A decisão de suspender os alunos problemáticos, para garantir a continuidade do processo de ensino e aprendizagem para a maioria saudável, foi aplicada também outras instituições de ensino que registaram o mesmo problema, na regiões centro e norte do país.
“Pedimos àqueles que estavam doentes para que se curassem e demos a garantia de que, assim que melhorassem, teriam a oportunidade de voltar à escola. Esta foi e continua a ser a minha recomendação”, explicou Jorge Ferrão, sexta-feira, durante a visita que efectuou à Escola Secundária da Manhiça, para monitorar a situação.
Fonte: O País – 21.09.2015

quarta-feira, agosto 31, 2011

Desmaios nas escolas de Angola

Já há pistas de crime

Pretória (Canalmoz) - Três pessoas presas em Cabinda revelaram aos investigadores que o veneno é uma composição que tem como solvente a conhecida “creolina”, resultante do cresol, composto químico com alguma toxicidade quando ultrapassados os níveis normais.

A ponta do novelo para o esclarecimento dos casos de intoxicação dos alunos nas escolas de todo o país foi encontrada na província de Cabinda, onde peritos de investigação Ler mais

Reflectindo: E nos desmaios de Mocambique?

sábado, novembro 13, 2010

Desmaio nas salas de exames

Segundo o Jornal Notícias, reportam-se casos de desmaios nas salas de exames, envolvendo estudantes secundários na cidade da Beira onde pelo menos seis jovens deixaram de fazer as suas avaliações finais devido a este fenómeno. Parece ser o problema que é sede e stress devido ao calor que sufoca o país. Embora se diga estranho por o fenómeno ocorrer nas disciplinas ligadas às ciências (física e matemática) pode ser cientificamente explicável. Ou?? O papão a essa disciplinas não foi criado há tempos que já lá vão?
Na minha opinião, em tempos de exames, devia-se dispor água para os examinandos, e, ainda recomendar-se que eles vão lá com alguma coisinha para comerem durante o exame, banana por exemplo.

segunda-feira, maio 31, 2010

Alunas possessas desenterram objectos estranhos

A Escola Secundária Quisse Mavota, arredores da capital do país, já saiu do campo de desmaios e agora entrou numa outra etapa. Ontem, três alunas manifestaram-se possuídas de espíritos e duas delas puseram-se a cavar junto a uma árvores da escola, alegando estar à procura de garrafinhas associadas ao fenómeno estranho que afecta aquele estabelecimento escolar... A primeira aluna, uma adolescente com idade entre 16 e 17 anos, percorreu o recinto da escola e apareceu com uma garrafinha de cor escura, com linhas vermelhas amarradas na sua parte superior>>>>>

Fonte: O País - 28.05.2010

Reflectindo: As garrafinhas pertencem aos espíritos? Quem as fabricou, onde e quando foram fabricadas? Alguém pensou em levá-las ao laboratório? Será que podemos falar também em feitiçaria para o caso Quisse Mavota? 

domingo, maio 30, 2010

Os desmaios da razão (2): População I

Por Elísio Macamo

VAMOS começar pelo mais básico. Os vários jornalistas que noticiaram o fenómeno dos desmaios deram destaque àquilo que chamaram de “opinião popular”, mais concretamente a opinião da “população local”. Disseram que a população explicava o fenómeno dos desmaios com recurso à crença local segundo a qual os espíritos do clã local estariam revoltados pelo facto de não terem sido consultados quando se construiu a escola. É aqui onde começam os problemas analíticos. Na verdade, população, em ciências sociais, é coisa que não existe. Repito: em ciências sociais não existe nada parecido com população. Existem indivíduos com características mais ou menos bem definidas e que, agregadas, podem dar grupos distintos com formas idênticas de pensar e agir. Portanto, o erro mais grave cometido pelas pessoas que noticiaram o assunto foi de dizer que a “população local” tem esta ou aquela opinião. Deram-nos informação falsa e sem valor de ... informação. Já vou explicar isto, mas antes quero abrir um parêntesis para contar algo semelhante a esta história dos desmaios e que me parece instructivo.

sexta-feira, maio 28, 2010

Os desmaios da razão (1): Confundidos pela “nossa” cultura

Por Elísio Macamo

Na escola Quisse Mavota, leio curioso, há desmaios aparentemente inexplicáveis de alunos e alunas. Principalmente de alunas. Antes mesmo de os serviços de saúde mandarem uma brigada para o local para apurar as causas do fenómeno, alguns jornalistas e alguns cientistas sociais já tinham começado a conjecturar. Embora se “distanciassem” da opinião da população local – que, segundo os jornalistas, imputa o fenómeno a uma zanga dos espíritos locais que não foram consultados quando se construíu a escola – as suas especulações, por serem demasiado rápidas e insensatas, têm tido o condão de mistificar a coisa, confundir a opinião pública e fazer má publicidade da nossa cultura. A apetência que alguns jornalistas têm de enveredar pelo lado irracional na abordagem de fenómenos sociais que ultrapassam as suas faculdades analíticas é preocupante. Uma manifestação nociva disto é a consulta dos ditos “médicos tradicionais”, pessoas que pelas suas declarações estão evidentemente à leste das coisas. Por outro lado, e a completar o quadro charlatão, a forma ávida como alguns cientistas sociais pegam em fenómenos desta natureza para legitimarem a sua actividade é também alarmante.

O aspecto mais problemático deste assunto é a tendência natural com que um bom número de gente decente e sensata está disposta a dar o benefício da dúvida a crenças bizarras entre nós. Dou uma parte da culpa a alguns jornalistas de formação duvidosa que, dentre outras coisas, dão demasiado tempo de antena a charlatães como os chamados “médicos tradicionais”. Dou outra parte da culpa a alguns cientistas sociais que levam ao extremo a importância de valorizar o ponto de vista das pessoas sobre as quais eles fazem as suas investigações até ao ponto de deixar pairar no ar a ideia de que possa haver algum toque de verdade nessas crenças. Esta atitude dos cientistas sociais é exarcebada por uma tendência cada vez mais vincada nos últimos 15 anos – sobretudo na sequência da guerra da Renamo e da tese fantástica sobre as suas “causas” culturais – de procurar explicar tudo o que é do pelouro social no nosso país com recurso ao que se pensa ser a nossa cultura tradicional. Esta tendência, por sua vez, ganhou maior ímpeto ainda com uma aparente perda de razão passageira do Ministério da Administração Estatal e que levou, nos anos noventa, à reabilitação da chamada autoridade tradicional com base nas mais fantásticas razões que a antropologia é capaz de produzir.

A maior culpa, porém, vai para uma aparente incapacidade generalizada de definir a nossa cultura sem recurso à técnica bastante nociva de a reduzir ao que não faz sentido, é irracional e obscurantista. Numa altura em que muitos de nós temos o privilégio de apreender o mundo através da ciência, temos mais ou menos certeza sobre as suas características e comportamento típico, a crença na influência de defuntos sobre o estado de saúde de rapariguinhas de escola não constitui expressão da nossa cultura tradicional. Constitui, isso sim, expressão de ignorância por parte de algumas pessoas, ignorância essa que precisa de ser abordada como o que é – nomeadamente, ignorância – e não como manifestação cultural. A cultura não está no que as pessoas pensam sobre a influência de espíritos sobre seja o que for; a cultura está nas consequências éticas que gente que pensa – formada ou não – tira da morte e da vida. A nossa cultura forma-se no debate que conduzimos sobre o significado destas coisas e nas razões que cada um de nós tem de aceitar ou não o que a maioria – ou a minoria poderosa – diz sobre o assunto. Ninguém é imune à irracionalidade. Posso fumar e beber, apesar de saber que isso faz mal à saúde. Em momentos difíceis da minha existência posso ficar bastante vulnerável a crenças fantásticas, mas isso tudo não dá permissão a nenhum de nós de articular essas fraquezas com uma suposta cultura tradicional moçambicana. Acreditar em coisas sem sentido não é manifestação de cultura tradicional. É ignorância.

Proponho uma série sobre o fenómeno dos desmaios. O meu propósito não é de explicar o assunto – porque não tenho nenhuma explicação – mas sim de dar alguns subsídios a alguns jornalistas bem como a todo o leitor sensato sobre como abordar este tipo de assuntos. A mistificação de que o assunto está a ser alvo parece revelar a necessidade de clarificar a forma como as ciências sociais abordam este tipo de fenómenos como contribuição à melhoria do debate público. Nos textos que se seguem vou analisar aspectos importantes da abordagem científica social, aspectos esses que são acessíveis a qualquer pessoa sem formação nessa área, mas com bom senso.

Elísio Macamo - Sociólogo/ Nosso colaborador

Fonte: Jornal Notícias - 26.05.2010