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terça-feira, dezembro 01, 2015

STV Chissano CamposdeReeducaçao 30 11 2015



Sobre os centros de reeducação

Chissano fala de um que matou a mulher, mas que apenas foi uma mistura de delinquentes com todos aqueles inocentes que vimos na reportagem da STV e outros até intelectuais que foram conduzidos àqueles centros pelo simples facto de não levantarem os bracos para mais alto como "VIVA A FRELIMO", missionários e outros religiosos que defendiam as suas crenças.
Desde 1979 vivi no Itoculo onde se localizava um dos maiores centros de reeducacão. No Itoculo encontrei e encontrei-me com muitos reeducandos alguns deles que já conhecia como é o caso do meu ex-professor de desenho em Nacala, o Ismael, o meu conterrâneo e ex-professor de francês da Escola Secundária de Memba, o falecido Luciano Ravia, o meu conterrâneo Tuaha trazido da antiga RDA num grupo de 12 que segundo se dizia, era porque haviam arranjado namoradas alemãs, E para Itoculo ia sempre o padre Leandro, o então professor de música da Escola Secundária de Nacala para visitar a um seu colega...
Para Namilala, em Malema foi levado o irmão do meu amigo, digamos de infância, o falecido António Álves Almasse, simplesmente por ter pedido a palavra num comício realizado no Campo do Desportivo de Nacala orientado por Óscar Monteiro, então ministro do interior em 1977. Eu estive nesse comício.

Chissano quer dizer que não sabia disto tudo, mas de um homem que havia morto a sua mulher???

sábado, dezembro 15, 2012

"Escravos sem dono": a experiência social dos campos de trabalho em Moçambique no período socialista

Autor: Omar Ribeiro Thomaz

RESUMO
Nos dezessete anos que se seguiram à independência, boa parte da população moçambicana foi objeto de deslocamentos forçados, ora como conseqüência de projetos específicos de desenvolvimento ou expedientes repressivos levados a cabo pelo regime socialista, ora em função da cruel guerra civil na qual mergulhou o país. Entre os projetos de desenvolvimento, destacam-se as grandes empresas agrícolas que tinham como propósito concentrar a população camponesa do país, ou mesmo operações de deportação massiva de indivíduos classificados como"improdutivos" para regiões longínquas, onde deveriam transformar-se em mão-de-obra rural; milhares de indivíduos foram ainda objeto de expedientes repressivos, os quais se traduziram nos"campos de reeducação" ou em campos de prisioneiros políticos, para onde eram enviados aqueles considerados inimigos do processo revolucionário em curso. Por fim, o"rapto" foi freqüentemente utilizado pela Renamo, movimento que se opunha ao regime socialista do partido Frelimo, e mesmo pelo exército governamental para engajar jovens do conflito bélico. A experiência de desterritorialização acompanha assim a memória de parte significativa da população moçambicana. Neste artigo sugerimos que tal experiência é percebida por aqueles que a viveram, particularmente no sul de Moçambique, como parte de um processo histórico mais longo que tem raízes nos conflitos que assolaram a região entre meados e fim do século XIX. Por outro lado, rapto e deportação são interpretados como mecanismos próprios de construção, pacificação e até mesmo eliminação daqueles indivíduos classificados como"inimigos", e que caracteriza a dinâmica social do sul de Moçambique.
Palavras-chave: Moçambique, campos, revolução, socialismo e pós-socialismo. Ler mais

sexta-feira, outubro 15, 2010

Não ao regresso dos “Campos de Reeducação”

Editorial do Canalmoz/Canal de Moçambique

Haja, no mínimo, vergonha!

O tristemente célebre “sistema de reeducação”, que o regime da Frelimo pretendia que servisse de modelo prisional da nação moçambicana independente, caracterizou-se desde sempre por atropelos flagrantes à lei e ao desprezo pelos mais elementares direitos humanos consagrados em diversos instrumentos jurídicos. A reeducação começou por servir de capa de execuções sumárias decretadas por uma certa ala da Frelimo a partir de 1966, prática denunciada no seio da própria Frente de Libertação de Moçambique e que continuou depois de 25 de Junho de 1975, arrastando como corolário o nome do Estado moçambicano para os corredores de instâncias jurídicas internacionais onde algumas das vítimas começam agora a fazer valer os seus direitos em processos em curso.