A administradora da cidade da Beira, Cremilda Sabino, acusa os régulos da cidade com o mesmo nome de se oporem a ser reconhecidos por si como representantes do Estado, conforme manda a lei.
Cremilda Sabino, visivelmente agastada com a situação que, segundo disse, se arrasta há mais de um ano, referiu que os régulos da Beira sempre se manifestaram contra o processo do seu reconhecimento, que culminou com a atribuição de símbolos, insígnias, fardamento e salários do Estado.
“Não sei efectivamente o que se passa com as autoridades tradicionais desta cidade. Tudo temos feito há mais de um ano para reconhecê-los, mas nada acontece. Por vezes, indicam claramente que não estão interessados. marcamos encontro mas não aparecem. Às vezes, aparecem e na hora das cerimónias levantam-se e vão embora. Alguns já entregaram a documentação, mas não aparecem para o seu reconhecimento”, disse Sabino.
Contudo, Cremilda Sabino disse que o mesmo cenário não acontece quando se trata de trabalhos para o bem da comunidade onde, por incrível que pareça, o regulado está lá”.
Questionada sobre as razões deste comportamento por parte do regulado da Beira, a administradora disse não saber, mas que a instituição sob sua tutela vai continuar a trabalhar para o reconhecimento dos mesmos”.
DAVIZ SIMANGO RECONHECE REGULADO
As divergências entre as autoridades tradicionais na Beira e as estruturas administrativas são antigas.
Quando a cidade da Beira completou 100 anos, em Agosto de 2007, uma das cerimónias que marcou a data foi o reconhecimento dos régulos por parte do Conselho Municipal da Beira (CMB), orientada pelo actual edil, Daviz Simango. Na ocasião, os régulos receberam fardamentos, insígnias, telefones celulares e motorizadas e o CMB fixou um certo valor como subsídio mensal, que não conseguimos apurar. Desde lá até cá, os régulos tem mantido estreita ligação com o município da Beira, facto que faz crer a opinião pública de que o comportamento dos régulos tem que ver com o bom relacionamento que têm com a edilidade da Beira. O esforço de ouvir a reacção do regulado redundou em fracasso.
Reflectindo: Uma boa matéria para debate partido da história sobre os régulos e regulado e não menos no período pós independência. Depois podemos voltar ao debate sobre administradores municipais - uma dupla administracão para que objectivos? Porquê Alfredo Matata na Ilha de Mocambique e Chale Ossufo em Nacala-Porto, antigos administradores daqueles municípios, são hoje presidentes dos respectivos municípios?