Na cerimónia de lançamento do
estudo “Cidadania Urbana”, Adriano Nuvunga foi convidado para fazer comentários
sobre o tema, mas o académico foi muito além. Na sua longa e incisiva
intervenção, Nuvunga defendeu que não faz sentido falar-se de uma história da
luta de libertação nacional, porque os seus actores continuam a dominar o
processo político. Problematizou a Constituição da República, afirmando que ela
garante à Frelimo uma superioridade em relação aos outros partidos. Mas o
director do Centro de Integridade Pública (CIP) foi hilariante quando descreveu
o protótipo do dirigente moçambicano: “quer ser adulado, quer sentir que o povo
está com medo dele, gosta que as mamanas (senhoras) dancem para ele. Em todos
os aeroportos moçambicanos, basta chegar um dirigente, seja quem for, quer que
as mamanas vão lá dançar. É preciso que as pessoas comecem a negar que as suas
mães e irmãs vão dançar para os dirigentes. Cumprem mal o seu dever e querem
que as pessoas vão dançar para eles. Se dançar é bom, que levem as suas irmãs”.
Categórico na definição de cidadania, Nuvunga defendeu que quem não paga
imposto não é cidadão. Mas, atenção: o académico lembra que não é por culpa
própria que milhões de moçambicanos não pagam. Falta-lhes emprego. Além do
desemprego, o analfabetismo e a pobreza extrema também condicionam o exercício
da cidadania. Concluindo, Nuvunga disse que os instrumentos de manutenção e
legitimação do poder em Moçambique não são potenciadores da cidadania, mas sim
do “silêncio, do encolher dos ombros e de esquemas individuais de
sobrevivência”.




