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terça-feira, maio 17, 2016

Porquê o Governo não dá a mão à palmatória?

O Governo já não pode continuar a mentir; nem os governantes podem continuar a roubar, como sempre o fizeram, perante os olhos de uma população ignorante, que hoje dispõe de dispositivos de acesso à informação não seleccionada. Estamos diante da mudança do paradigma, pois, no passado, a informação passava pelo crivo do Governo.
No passado, durante a guerra, o Governo atribuía todo o tipo de barbaridade aos chamados “bandos armados”. Mas agora vimos que o Governo criou esquadrões da morte para matar opositores. Meteu dó ver o PR na Alemanha a dizer que quem mata civis são os seus oponentes, quando o Governo é quem iniciou a saga de matança de civis e opositores ou críticos do regime.
Está-se mesmo a ver uma hierarquização de mentirosos. O antigo presidente mentiu nos números que forneceu quanto à aquisição da dívida externa. O antigo ministro das Finanças, idem. O governador do Banco, idem. O primeiro-ministro foi a Washington e reconheceu ter havido ocultação da dívida. Está-se mesmo a ver que os moçambicanos têm um Governo de mentirosos, que vêm há muitos anos engordando à custa das mentiras e sonegação da verdade ao povo, que dizem tanto amar.

segunda-feira, maio 02, 2016

Estado de Direito

Por Machado da Graça

os próximos dias vamos ficar a saber se Moçambique é um Estado de Direito. Ou não... Porque, num Estado de Direito, as pessoas respondem pelos seus actos. Todas as pessoas, sejam elas quem forem.

Se houver pessoas que violaram a Constituição e as leis do país e essas pessoas ficarem impunes, aí não há que ter dúvidas de que somos uma qualquer outra coisa. Estado de Direito é que não.

É verdade que há muito tempo a dúvida paira, dada a impunidade com que actua toda uma série de gente que comete crimes graves. Mas aí surge sempre a desculpa de que não se conhece a identidade do(s) criminoso(s) e que a Polícia está a trabalhar para os identificar. 

terça-feira, abril 26, 2016

É pouco provável que o partido Frelimo acuse os responsáveis pelos avales ilegais que aumentaram a dívida externa de Moçambique

O povo moçambicano, pelo menos aquele mais urbanizado e com acesso à informação para além da propaganda governamental, já identificou pelo menos dois responsáveis pelos empréstimos ilegalmente avalizados pelo Estado, e cujo montante ainda não é certo, contudo “o partido Frelimo é uma formação política que assume a responsabilidade colectiva das suas lideranças” explica o professor de Ciência Política João Pereira numa entrevista ao @Verdade onde também afirma que Filipe Nyusi não tem muito tempo para ganhar as eleições que se avizinham, Autárquicas em 2018 e Gerais em 2019, se não “mostrar sinais de que quer combater aquilo que são os grandes males desta sociedade”.

Embora a 5ª sessão ordinária do Comité Central (CC) do partido no poder tenha-se debruçado, entre outros temas, sobre a corrupção - que tem nos avales emitidos pelo Governo de Armando Guebuza em montante ainda a determinar, e que violam a Constituição da República, um dos exemplos mais gritantes – o professor João Pereira acredita que “nunca o partido Frelimo há-de vir acusar o anterior Presidente Guebuza de corrupção ou o ministro Chang, porque muitos deles também na altura faziam parte do Governo, não é agora que se tem que atribuir culpas a este ou a aquele. O partido assume como uma culpa colectiva”.

“A questão agora não é ir buscar o passado, a questão é ver como no futuro se pode evitar repetir o mesmo tipo de erros”, acrescenta o docente da Universidade Eduardo Mondlane(UEM) em entrevista telefónica ao @Verdade onde enfatiza que “o partido Frelimo é uma formação política que assume a responsabilidade colectiva das suas lideranças”. Ler mais ( @Verdade – 26.04.2016)

sábado, abril 23, 2016

As minhas dúvidas

Por João Machado da Graça

Durante toda a minha vida procurei não ter dívidas e, com pequenos momentos excepcionais, consegui-o.
Neste momento descubro cada manhã, ao levantar-me da cama, que as minhas dívidas aumentaram de forma galopante.
O primeiro sobressalto já foi há algum tempo quando, ao ler um artigo de uma revista francesa, descobri que tinha comprado uma frota de navios de pesca do atum. Ou alguém o tinha feito em meu nome. E assustei-me.
A compra rondava os US$850 milhões o que, dividido pelos 22 milhões de moçambicanos, dava quase 39 dólares a cada moçambicano. E comecei a deitar contas à vida para saber onde poderia fazer mais uns biscates para conseguir pagar essa dívida, dado que, com os meus rendimentos actuais, isso seria difícil.

E agora, Presidente Nyusi?

DO LADO DA EVIDÊNCIA

Por Luís Nhachote

Se dúvidas prevaleciam de que a nossa “soberania” ainda reside nos doadores, e não no “povo”, como se convém dizer por aí, por razões de alguma “auto­-estima”, estas foram dissipadas nos últimos dias.

E essa descoberta ficou mais cristalina graças à maioria da bancada parlamentar da Frelimo na Assem­bleia da República (AR) que votou contra a solicitação da bancada parlamentar da Renamo que pretendia obter esclarecimentos do Governo sobre as notícias que estão a ser veiculadas nas praças financeiras in­ternacionais sobre empréstimos que foram contraídos no maior dos segredos. À margem da lei!

Moçambique está diante de uma colossal dívida pública e, por essa razão e obra da bancada maioritá­ria e o seu veto, o Primeiro-ministro, Carlos Agosti­nho do Rosário, foi “chamado” de emergência para reuniões junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) para se explicar... o Ministro da Economia e Finanças já lá se encontrava em missão similar. Podiam tê-lo feito em sede da AR... mas como não é lá que reside a nossa soberania, foram aos nossos “patrões”!

Os valores que se veiculam têm estado a mexer não só com a racionalidade dos economistas e juristas, mas também com os mais comuns dos mortais que são encharcados com esse tipo de notícias, por tudo quanto é canto. Do “chapa” às “barracas” é esse o assunto.

sexta-feira, abril 15, 2016

Fomos enganados

Por Olívia Massango
Não é difamação, muito menos injú­ria. Fomos mesmo ludibriados pelo Presidente Nyusi. A desilusão já pas­sou de sensação para realidade, tal e qual pas­sou o período de graça e de paninhos quen­tes. Na avaliação, após um ano e três meses de governação, em matéria de transparência o nosso presidente chumbou. Fez inúmeras pro­messas públicas que não se compadecem com o quotidiano da sua nublosa governação. A pretensão da transparência não se compadece com adiamentos. É imediato. E transparente o seu o Governo não é.
A começar pelo meloso discurso de investi­dura, reproduzido no discurso de tomada de posse do Governo e noutras ocasiões, o Presi­dente Nyusi sempre pregou a transparência, mais para a sepultura do que para a vida, num túmulo já enterrado pelos seu antecessores.
Recordemos algumas das falsas promessas:
“Exigiremos maior eficiência e melhor qua­lidade das instituições e dos agentes públicos que respeitem os princípios da legalidade, transparência e imparcialidade por forma a servir cada vez melhor o cidadão”. Ler mais (O País – 15.04.2016)

quinta-feira, março 05, 2015

Quando o assassino é o juiz!

Por Matias Guente

O que me impressiona em Moçambique não é capacidade do partido Frelimo em fazer mal às pessoas. Entenda-se aqui o mal como um circunscrito acto de torturar e até assassinar, que é a subdivisão máxima da maldade e o muro mais alto da estupidez humana. Não me impressiona e já nem assusta o facto de eu saber que a Frelimo assassina pessoas e depois envia condolências às famílias enlutadas. Não é isso que me impressiona. Nem tão pouco me causa mossa o facto de eu saber que a qualquer altura também posso ser vítima de uma encomenda de morte, com retoques disfarçantes do tipo atropelamento, bala perdida ou mesmo acidente de viação. Estas possibilidades não me assustam. Não me assusta a ideia de saber que estamos numa coutada em que o pensamento próprio paga-se com a vida própria. Isso também não me assusta. Tal como não me causa o mínimo desconforto o facto de eu saber que o que eles querem é que todos pensemos segundo a estupidificante lógica de rebanho, em que a directiva máxima é reproduzir e seguir. Tudo isso não me assusta.

sexta-feira, outubro 10, 2014

Libertar as Embaixadas das células do partido Frelimo

Por Noé Nhantumbo

Desde Pretória até Berlim, passando por Washington e Lisboa
Aquela filosofia de partido único que punha e dispunha sem contestação deve ser refutada porque contrária à nova ordem política pluralista vigente no país.
As células do partido Frelimo que pontificavam e actuavam abertamente nas Embaixadas mascararam-se e encobriram-se numa acção que deve ter obedecido a comandos de Maputo.
Mas, aproveitando o vento de monopolização da acção política e regressão aos tempos do partido único, que foi ensaiado e muitas vezes implementada nesta Terceira República de Armando Guebuza, viu-se embaixadores transformando-se em secretários de célula ou comissários políticos.
De Lisboa, circularam notícias alarmantes aquando das eleições de candidatos a deputados na diáspora.

quinta-feira, outubro 09, 2014

CARTA ABERTA AOS MOÇAMBICANOS PREJUDICADOS

Por Alfredo Manhiça

A ideia de elaborar uma “Carta Aberta” não é original. Já houve “Cartas Abertas” dirigidas ao Chefe de Estado, aos “libertadores” da pátria, aos líderes políticos, ou a muitas outras personalidades “importantes”.
A novidade da presente Carta consiste no facto dela ser dirigida – não aos altos dirigentes políticos, nem a um determinado partido ou grupo político – mas sim, a todos os moçambicanos “prejudicados”:
-                           é a vós, vítimas do sistema clientelar de governação instaurado no País, a quem dirijo esta Carta;
-                           vós, utentes dos Hospitais e Centros de Saúde públicos, para quem aqueles lugares deixaram de ser inspiradores de esperança e passaram a ser símbolos de morte certa, devido à precariedade dos serviços que lá se prestam;
-                           vós que no vosso dia a dia pagais com o suor do rosto o preço da corrupção ao alto nível;

terça-feira, agosto 05, 2014

João Trindade considera “urgente” aprovação da lei de acesso à Informação

O projecto consta do rol de matérias a serem discutidas na presente sessão (a nona) que encerra a 12 de Agosto

O juiz jubilado do Tribunal Supremo e investigador do Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB) considera que o acesso à informação não pode ser denegado pelos titulares dos órgãos da administração pública , sob pretexto da falta de lei regulamentar sobre a matéria. João Trindade reconhece, entretanto, a necessidade de um regulamento que clarifique, sobretudo, os aspectos procedimentais do exercício deste direito fundamental e da promoção da transparência, da prestação de contas e da boa governação. Para  Trindade, é urgente que a Lei de Acesso à Informação seja aprovada, pois a Constituição da República de Moçambique é suficientemente expressa no seu artigo 48, nº 1, ao estabelecer que “Todos os cidadãos têm direito à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa, bem como ao direito à informação”.

Porque é que não assistimos a mesma "confusão" de listas na Renamo?

Por Egídio Vaz
Este pequeno convite a reflexão poderia começar de outra maneira, indo por exemplo pelo mesmo diapasão do meu amigo Mendes Mutenda,que há dias pesquisou na google a palavra ESPOSAS e encontrou fotografias de algemas.

Poderia ter feito a pergunta como fez Zenaida Machado fez quando 300 antigos membros do MDM desertaram em Nampula por não concordar com a liderança do partido nas nomeações a membros a deputado. Quando há notícias de um só membro da Frelimo que muda de lados, os críticos fervilham de alegria. É como se tivessem apanhado um diamante depois de revirar uma duna inteira!

quarta-feira, julho 30, 2014

15 DE OUTUBRO DE 2014: AS ELEIÇÕES DE TRANSIÇÃO

Por Alfredo Manhiça

O consenso alcançado - na Segunda-feira, dia 28 de Julho, na 66ª ronda negocial entre o governo da Frelimo e a Renamo, no Centro de Conferências “Joaquim Chissano” - sobre o documento base alusivo ao fim das hostilidade no país, dissipa as nuvens que, por longo período, pairaram na opinião pública dos moçambicanos sobre a efetiva realização das eleições gerais marcadas para 15 de Outubro. Tendo aumentada a certeza da sua realização, o que é que se pode esperar das eleições de 15 de outubro?

quinta-feira, julho 17, 2014

O que é ser jornalista?

Uma homenagem para o jornalista Jornalista Fernando Bismarque

Por Ana Cossa
Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber direito que caminho irá te levar. É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegado. É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro... nem de nenhum. É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma simples caneta em uma arma letal. Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objectivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.

terça-feira, junho 17, 2014

"Eu creio que alguém, na cúpula do partido Frelimo, anda a passar-se, anda a abusar da soruma. Não vejo outra explicação... "

MARCO DO CORREIO 
Por Machado da Graça
Olá amigo Emílio
Como vais de saúde? E toda a tua família? Eu estou bem, felizmente.
Mas estou totalmente desconcertado com uma notícia que começou a circular há dias.
Pois parece que algumas mentes muito ilu­minadas (devem ter geradores próprios...) em Sofala decidiram diminuir a cidade da Beira! Sim, estás a perceber bem, diminuir a área da cidade.

quarta-feira, junho 11, 2014

Opinião de Machado da Graça

Olá Ana

Como vais de saúde? E os teus filhos? Do meu lado tudo bem, felizmente.
Só que cada vez mais confuso fico com esta situação que se vive no país.
Estou a chegar à conclusão que, neste momento, não se vive uma guerra em Moçambique mas sim duas, diferentes.
Senão, vejamos.

quinta-feira, junho 05, 2014

Alternância democrática constrói-se com pequenos passos

Há que entender que juntos tudo se torna mais fácil

Por Noé Nhantumbo

Pode parecer complexo e irrealizável, mas é tão simples como isso. Enquanto a oposição se preocupa e dispende esforços e canaliza recursos para ofensivas individuais ou sectoriais, visando fazer frente ao partido no poder nos pleitos eleitorais, deixa de lado algo muito importante e crucial para se alcançar êxitos. Na verdade deixa de fora e de lado o essencial que é a “unidade dos fracos”.

sábado, maio 24, 2014

Como gerir família e amigos na empresa?

Por Jaime Langa
Não é bom chefe quem tem medo de ter colaboradores competentes.
Um dos crimes de corrupção mais frequentes nas empresas é o nepotismo, um mecanismo através do qual o chefe, no processo de admissão ou nomeação para cargos, favorece os seus parentes ou amigos próximos, em detrimento de outros candidatos também qualificados.
Alguns analistas criticam a consideração desta prática como corrupção, e por consequência crime, e defendem o direito dos amigos e familiares do chefe de também terem oportunidade de emprego e de mostrarem as suas potencialidades na empresa, não obstante serem amigos ou familiares do chefe.

terça-feira, maio 20, 2014

O “patriotismo” do Camarada Pai de Gema

Por Adelino Timóteo

Camarada Pai de Gema,

O Camarada Pai de Gema apareceu na media a acusar a oposição de “falta de patriotismo”. Confesso que me ri, pois soa a ironia o real sentido de “patriotismo” que o Camarada Pai de Gema se atribui. 

Ora, me explico: 
Aquele que compra trinta barcos num negócio obscuro, lesando o Estado, não se pode assumir como um “patriota” no verdadeiro sentido da palavra.
Aquele que compra armas para se esquivar do diálogo com a oposição não se pode assumir como pessoa idónea para avaliar o grau do “patriotismo” dos demais concidadãos. 
Aquele que manda atacar sedes dos partidos de oposição, prende votantes para acabar com a oposição, aquele que manda a Polícia disparar e matar opositores do regime não é “patriota” no sentido e significado que se pretende atribuir.

segunda-feira, maio 19, 2014

Manual para assassinar pobres e continuar rico

Por Matias Guente

É de extrema urgência que recusemos que a propaganda nos tolde o discernimento e nos arrebate para o mórbido estado de ausência de capacidade craniana. É que, deixando de lado o ensaio de hipocrisia, é preciso dizer que, caso o espectro de guerra civil que se vive no país se generalize, o mais benef
iciado com a situação será o cidadão Armando Guebuza. Isso não desculpabiliza a própria Renamo, pois não vejo argumento algum que justifique tirar a vida ao outro homem, por mais justa que seja a nossa causa!
 
Mas, é muito verdade que com uma guerra a rebentar com tudo e todos não teremos eleições, e Guebuza livra-se de ter de submeter o partido Frelimo e o seu fraco candidato às eleições em que os cidadãos vão com o seu voto, não julgar Filipe Nyusi, mas sim Guebuza e a Frelimo.

Entre “marchas e clarins” os tubarões aviam-se com contratos

Fim do regime suscita apetites, golpes de rins e ofensivas


Por Noé Nhantumbo
Não é que a sociedade civil moçambicana nada esteja a fazer para honrar e dignificar o seu nome e postura. Não é que a oposição política não esteja funcionando e trazendo a público as suas preocupações e projectos. Não é que o país não esteja andando ou progredindo em determinados sectores. Não é que tudo o que o poder do dia esteja fazendo seja completamente mal feito.

Mas não se pode dizer que o país está nos carris e que tudo esteja “nos conformes”...
Há uma certa paralisia na esfera política dado o contínuo impasse no Centro de Conferências “Joaquim Chissano”. Há suspeitas fundamentadas de que as manobras dilatórias protagonizadas pelos interlocutores naquele fórum tenham como objectivo final o adiamento dos pleitos eleitorais, e desta forma prolongar a permanência no poder da actual equipa.