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terça-feira, julho 19, 2016

segunda-feira, julho 11, 2016

Pagar o quê?

Por Machado da Graça

o meio da proliferação de informação que começa a surgir a respeito das já famosas dívidas secretas contraídas durante o mandato de Armando Guebuza, a pergunta cada vez mais insistente é sobre onde foi parar todo esse dinheiro. O Governador do Banco de Mo- çambique, Ernesto Gove, garante que nem um centavo entrou nos cofres do seu banco e não tenho nenhuma razão para duvidar da palavra dele.
Temos portanto uma quantidade enorme de dinheiro que saiu do Crédit Suisse (Suíça) e do Vnesh Torg Bank (Rússia) e depois desapareceu como se fosse fumo.
Podem-me dizer que o dinheiro da EMATUM foi gasto nos barcos de pesca e de vigilância da costa marítima, mas aparentemente, pelos preços indicados pelos estaleiros fabricantes, isso não cobre nem metade do que lhe foi destinado. O resto perde-se numa sequência de diferentes empresas todas elas incluindo a designação EMATUM, com sede na Holanda, e em que não se sabe bem quem é o dono de quê.
Como é que esse dinheiro acaba por ir parar, por exemplo, às empresas Msumbiji Investments, domiciliada em Hong Kong e Timabes AG, registada no Liechtenstein, ambas propriedade de Mussumbuluko Guebuza tendo sido utilizado na compra de armamento em Israel.
Já anteriormente perguntei onde foi parar o dinheiro que não tem nenhuma explicação de utilização até ao momento, como por exemplo, o destinado à construção de dois estaleiros de reparação naval, um em Pemba e o outro em Maputo. Do dinheiro pedido pela PROINDICUS para sistemas de radar e outros instrumentos de protecção costeira, também não há conhecimento público de que esses equipamentos tenham sido adquiridos e/ou instalados.
Tudo isto leva a que, cada vez mais, entidades defendam que estas dívidas não devem ser pagas. É essa a posição das principais organizações não governamentais do país, é igualmente a posi- ção dos dois partidos da oposição parlamentar, a RENAMO e o MDM, e é já também a posição do representante da União Europeia, Sven Von Burgsdorff, conforme expresso no Canal de Mo- çambique de 6 de Julho de 2016. Contra essa posição temos apenas as declarações do Primeiro- -Ministro Carlos Agostinho do Rosário que afirmou, recentemente, que o não pagamento das dívidas acarretaria para o país consequências muito mais graves do que o pagamento.
O Primeiro-Ministro, no entanto, não deu qualquer indicação sobre quais seriam essas consequências.


Fonte: Savana – 08.07.2016

sábado, abril 23, 2016

As minhas dúvidas

Por João Machado da Graça

Durante toda a minha vida procurei não ter dívidas e, com pequenos momentos excepcionais, consegui-o.
Neste momento descubro cada manhã, ao levantar-me da cama, que as minhas dívidas aumentaram de forma galopante.
O primeiro sobressalto já foi há algum tempo quando, ao ler um artigo de uma revista francesa, descobri que tinha comprado uma frota de navios de pesca do atum. Ou alguém o tinha feito em meu nome. E assustei-me.
A compra rondava os US$850 milhões o que, dividido pelos 22 milhões de moçambicanos, dava quase 39 dólares a cada moçambicano. E comecei a deitar contas à vida para saber onde poderia fazer mais uns biscates para conseguir pagar essa dívida, dado que, com os meus rendimentos actuais, isso seria difícil.

domingo, março 06, 2016

Informação Pública

Por Machado da Graça

O que se passa com os órgãos de informação do sector público continua a ser um mistério para mim. Cada vez que fala sobre o assunto, Filipe Nyusi dá orientações concretas sobre a forma como esses órgãos de informação devem encarar a sua principal tarefa. E são orientações correctas, de acordo com a Constituição e a Lei de Imprensa. Mas o que é publicado, diariamente, contraria frontalmente essas orienta- ções. E não acontece nada.
Ora, o que está a acontecer é exactamente o oposto. Ainda há poucos dias, ao tomar posse do cargo de Director de Informação da Rá- dio Moçambique, Abdul Naguibo afirmou: “Nós temos de ser aqueles que mobilizam as pessoas a compreenderem melhor aquilo que são os objectivos do Governo”.
E isto é uma trágica confusão entre o que é o jornalismo e a propaganda. Esta definição cabe a uma agência de promoção de imagem, não a um órgão de informação. Mas este tipo de confusão vem de cima. Não há muitos meses a actual Directora de Informação junto do gabinete do Primeiro Ministro defendeu posi- ções muito similares.


Machado da Graça in SAVANA (04.03.2016)

domingo, fevereiro 28, 2016

Sobre a Rádio Moçambique

"Até há pouco tempo, os únicos momentos em que podíamos ouvir, na Rádio Moçambique, a opinião dos partidos da oposição parlamentar sem “filtros”, por ser em directo, era nas transmissões das sessões plenárias da Assembleia da República. A partir do início da presente sessão isso deixou de acontecer. Creio que, preocupada com a nossa cultura musical, a RM prefere transmitir longas horas de música variada em vez daqueles discursos parlamentares que, por vezes, põem a nu coisas de que os ouvintes devem ser poupados. Obrigado, RM!"

Machado da Graca en Savana, 26.02.2016

terça-feira, fevereiro 23, 2016

O diálogo

Por Machado da Graça

No momento que corre uma das palavras mais ouvidas é “diálogo”. O diálogo parece ser a única solução para o risco de uma nova guerra generalizada.
Eu acho que pode ser... ou pode não ser.
Comecemos por ver o que é o diálogo. Dou um exemplo:
“António: Eu proponho isto.
Luís: Não aceito!
António: Eu proponho aquilo.
Luís: Não aceito!
António: Eu proponho aquela outra coisa.
Luís: Não aceito!”
Embora possa não parecer, isto é uma forma de diálogo... que não leva a lado nenhum. Pelo menos a lado nenhum bom.
Embora eu não conheça detalhes, muito provavelmente foi o que aconteceu quando a Frelimo contactou o Governo português para negociar pacificamente a nossa Independência. Os argumentos do Governo de Lisboa terão sido que a proposta de Independência contrariava a constituição e as leis do Estado português. Que a constituição falava das províncias ultramarinas e isso não podia ser alterado. O resultado foram 10 anos de guerra, a luta armada de libertação nacional, e o fim da constituição e das leis colonialistas portuguesas.

sexta-feira, dezembro 11, 2015

O chumbo

Por Machado da Graça

A sensação que tenho, depois do chumbo da proposta da Renamo no Parlamento, é de que a ala radical e guerreira do partido Frelimo deu, consciente ou inconscientemente, mais um passo no sentido de envolver o país em novo confronto armado.

O palavreado jurídico que levou a este resultado (e o parecer da Primeira Comissão, longuissimamente lido por Edson Macuácua, ultrapassou as piores expectativas) é um exemplo de que há quem não compreenda, ou não queira compreender, que o que se precisa agora é de decisões políticas e não de erudição jurídica.

Esta última teria sido útil, em Outubro passado, como base para a severa punição do(s) mandante(s) e dos executantes da fraude eleitoral que nos colocou na situação em que agora estamos. Mas aí os ilustres jurisconsultos brilharam pelo silêncio.

segunda-feira, novembro 09, 2015

Declaração de guerra?

Por Machado da Graça

Houve confrontos militares, em Sofala “(Vanduzi) e na Zambézia (Morrumbala), entre as Forças de Defesa e Segurança e as forças residuais da Renamo, ou lá como quisermos chamar-lhes.

Embora nenhum dos lados revele nú- meros de baixas, terá havido, certamente, mortos e feridos. Do lado do Governo/Frelimo uma voz autorizada revelou em que contexto se deram esses confrontos.

O Ministro do Interior, Basílio Monteiro, veio a público afirmar que os combates derivam da necessidade de “perseguir ninhos de instabilidade para remover essas ameaças em resposta aos anseios de todo o povo moçambicano”. E prometeu que “vamos continuar a perseguir até remover o último ninho de instabilidade”.

terça-feira, outubro 27, 2015

A opinião de Machado da Graça sobre Luaty Beirão vs o regime de Eduardo dos Santos

A opinião de Machado da Graça sobre Luaty Beirão vs o regime de Eduardo dos Santos

Olá, Julieta

Como vais tu, querida amiga? Os teus filhos estão bem? Espero que sim. Do meu lado está tudo normal, felizmente. Só que ando muito perturbado com aquilo que está a acontecer em Angola e que penso que estás a acompanhar. A estupidez, aliada à arrogância e à prepotência, transformou uma coisa que não era nada de politicamente relevante, nada que, de perto ou de longe, colocasse em perigo o regime político angolano, num escândalo enorme, internacional, com ondas de choque nas Nações Unidas e nos parlamentos brasileiro e português.

Uma pessoa de quem quase ninguém tinha ouvido falar, aqui há quatro meses, é hoje um nome presente em jornais dos quatro cantos do mundo. Luati Beirão, com a sua intransigente greve de fome, ganhou o respeito em todos os quadrantes e isso à custa do desprestígio, cada dia maior, do regime do Presidente José Eduardo dos Santos, visto como um sistema corrupto e ditatorial, disposto a manter o poder a todo o custo e passando por cima de quaisquer considerações humanitárias.

segunda-feira, agosto 24, 2015

Despartidarizar

Por Machado da Graça

Nas negociações entre o Governo e a Renamo, o chamado “diálogo político”, que decorre no Centro de Conferências Joaquim Chissano, as coisas não andam nem desandam. Ou, melhor dito, não andam e, em alguns casos, desandam. Como foi o caso no ponto sobre a despartidarização do Estado que, depois de longos debates para se chegar a um acordo, foi objecto de consenso apenas para a Governo dar o dito por não dito pouco depois.

E, no entanto, na minha opinião, a questão da despartidarização do Estado é a questão fundamental onde mergulham as raízes todas as outras questões.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Mais um

Por Machado da Graça

É verdade, mais um assassinato se veio juntar à longa lista dos que dão tanto trabalho a investigar à nossa PRM. Daqueles que estão a ser investigados há anos e anos, sempre em segredo de justiça, e sem resultados esclarecedores.

Talvez para “comemorar” os 14 anos passados sobre o assassinato de Siba Siba Macuácua, mais uma pessoa incómoda para os poderosos deste país foi algemado, levado para uma vala de drenagem e morto com dois tiros na cabeça.

Chamava-se Ianlamo Ali Mussa e tinha feito carreira nos services secretos, de onde foi, entretanto, marginalizado.

quarta-feira, julho 01, 2015

Um discurso autocrático (repetição)

Por Machado da Graça

O III Reich Nazi vai durar 1000 anos. 
Adolf Hitler

Nem que passem milhares de anos a FRELIMO não pode nem deve sair do poder.
Mariano Matsinhe

Embora a História já me devesse ter ensinado a não me espantar com nada neste nosso país, a verdade é que continuo a ficar perplexo com aquilo a que vou assistindo.

A última foi uma reportagem do “Notícias” sobre uma palestra que Mariano Matsinhe foi fazer à nossa Academia de Ciências Policiais (ACIPOL).

Ao que parece a palestra era sobre a história das forças policiais no nosso país e, nesse aspecto, pouco ou nada tenho a objectar. O orador é pessoa conhecedora da matéria e pode ter dado uma aula interessante aos cadetes daquela academia.

terça-feira, junho 23, 2015

Os barcos da EMATUM

Por Machaddo da Graca

Meu caro Chivambo
Espero que estejas de saúde, assim como toda a tua família. Do meu lado está tudo bem, felizmente.
Só que com aqueles problemas de sempre que, como diria Filipe Nyusi, nos tiram o sono.
Mas eu conto-te:
Há dias, para espairecer, fui dar uma volta de barco pela baía de Maputo e, no regresso, ao fim da tarde, dei de caras com a frota pesqueira da EMATUM. Essa mesma, ou, pelo menos, grande parte dela. Ali atracada no cais, com os barcos quatro a quatro. A velocidade do barco em que eu estava não deu para os contar mas seriam talvez uns 20.

domingo, maio 03, 2015

Os tiros rápidos

Por Machado da Graça

As histórias são muitas e, infelizmente, estão permanentemente a chegar novas, cada uma mais trágica do que a outra.

Um dos últimos casos passou-se, segundo notícias publicadas, em Nampula: um chapa, cheio de passageiros, terá cometido alguma irregularidade e começou a ser perseguido por um carro da Polícia. Sem ter em conta que o chapa levava passageiros um dos polícias começou a disparar contra as rodas do chapa e rebentou um dos pneus. Como resultado disso o chapa capotou e vários passageiros foram parar ao hospital com ferimentos entre graves e ligeiros.

terça-feira, março 10, 2015

"A mediocridade com que fomos governados nos últimos anos estampou-se ali, à nossa frente, com fardas negras dignas de filmes de ficção científica"

MARCO DO CORREIO 

Por Machado da Graça

Olá amigo Luís

Como vai a tua saúde e a da tua família? Do meu lado está tudo bem, felizmente.

Queria hoje falar-te da marcha que fizemos, aqui em Maputo, para protestar contra o assassinato do Prof. Gilles Cistac.

Não sei quantas pessoas éramos. Sou mau a fazer esse tipo de contas. Amigos meus calcularam entre 2000 e 4000. Mas éramos muitos e profundamente indignados. Havia gente de todas as raças, de to­das as religiões, de todas as idades. Muitos jovens, provavelmente estudantes universitários.

Vi lá dirigentes do MDM, nomeadamente Manuel de Araújo e Lutero Simango, e da Renamo, de que recordo Ivone Soares e António Muchanga.

Só não vi ninguém do partido Frelimo nem do Governo. Apesar de ambas as entidades terem, nos dias anteriores, declarado publicamente o seu choque com o assassinato, nem um só dos seus dirigentes, a qualquer nível, encontrou na sua ocupada agenda espaço para estar presente na marcha.

terça-feira, dezembro 09, 2014

"Só que, mais uma vez, com a sensação de que estamos a caminhar, de novo, para o desastre"

Olá António

Espero que estejas bem de saúde, assim como toda a tua família. Do meu lado está tudo bem, felizmente.

Só que, mais uma vez, com a sensação de que estamos a caminhar, de novo, para o desastre.

Estamos perto do prazo para o Conselho Consti­tucional emitir o seu acórdão sobre os resultados das eleições e tudo leva a acreditar que ele irá validar as vitórias do partido Frelimo e de Filipe Nyusi. Com mais ou menos citações em latim...

terça-feira, outubro 07, 2014

"Uma arrogância que espero não continue, seja qual for o candidato eleito no próximo dia 15"

MARCO DO CORREIO 

Por Machado da Graça

Minha amiga Luiza

Como estás tu de saúde? E a tua família?

Do meu lado está tudo bem, felizmente.

O que parece não estar nada bem é a saúde da reconciliação nacional. A arrogância parece ter voltado ao de cima, no momento menos apropriado.

Eu explico porque digo isso:

Como bem recordas a Renamo nunca se fez re­presentar nas cerimónias de celebração dos aniversários dos Acordos de Paz de Roma. E o Governo sempre criticou isso fortemente.

sexta-feira, julho 11, 2014

Falta de energia?

Por Machado da Graça

Tudo leva a acreditar que o partido Frelimo, apesar tudo o que apregoa, está com uma enorme falta de energia.E, por essa razão, em vez de ir buscar a sua energia ao povo, como fazia antes, agora tem que a importar para poder desenvolver as suas actividades.
Na verdade, de acordo com uma investigação levada a cabo pelo SAVANA, só no passado mês de Junho aquele partido importou 20 contentores de pilhas da marca 777. Leu bem, leitor, 20 contentores de pilhas 777. Milhões e milhões de pilhas para dar energia a um partido debilitado.

quarta-feira, julho 02, 2014

"Perante esta nova situação qual é a desculpa de Abdul Carimo e do Dr. Augusto Paulino para não actuarem proibindo a propaganda eleitoral, de ilegalidade escandalosa, que continua por todo o país?"

MARCO DO CORREIO, 

Por Machado da Graça

Justino, meu bom amigo

Como vai essa saúde? Do meu lado está tudo bem, felizmente.
Só que estou muito espantado e preocupado com o que está a acontecer por cá.
Lembras-te que, quando começou esta campa¬nha eleitoral galopante, e totalmente ilegal, a fa¬vor do candidato presidencial do partido Frelimo, algumas vozes se levantaram e foram pedir medi-das ao Presidente da CNE. O sheik Abdul Carimo escusou-se a tomar quaisquer medidas afirmando que, oficialmente, Filipe Nyusi não era candidato a coisa nenhuma, pois não tinha entrado na CNE nenhuma candidatura em nome dele.

terça-feira, junho 17, 2014

"Eu creio que alguém, na cúpula do partido Frelimo, anda a passar-se, anda a abusar da soruma. Não vejo outra explicação... "

MARCO DO CORREIO 
Por Machado da Graça
Olá amigo Emílio
Como vais de saúde? E toda a tua família? Eu estou bem, felizmente.
Mas estou totalmente desconcertado com uma notícia que começou a circular há dias.
Pois parece que algumas mentes muito ilu­minadas (devem ter geradores próprios...) em Sofala decidiram diminuir a cidade da Beira! Sim, estás a perceber bem, diminuir a área da cidade.