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terça-feira, agosto 18, 2026

A LUTA É DE TODOS NÓS. O INIMIGO É UM SÓ PARA TODOS NÓS.

 Por: Luciano Armando Tarieque

Tenho dito e vou continuar a dizer: esta guerra não é só de um partido da oposição. É de toda a oposição. É de todo o povo que quer mudança, que quer justiça e que quer um país diferente.
Já viram? Quando a oposição luta entre si, a FRELIMO luta e combate toda a oposição ao mesmo tempo. Enquanto gastamos energia a nos atacar, o regime avança, prende, cala e persegue. E no fim, quem sangra somos todos nós. O militante, o simpatizante, o cidadão comum que só quer viver em paz.
No dia 12 de agosto, em Nampula, foi o MDM que sofreu. E o que ouvi? Em vez de solidariedade, saíram insultos vindos da própria oposição. "Vocês acabaram. Vão lá se juntar com o ANAMOLA". Como se a dor de um fosse motivo de festa para o outro. Como se a repressão contra um fosse vitória para o outro lado.
No dia 15, em Quelimane, foi a ANAMOLA que sofreu. E adivinha? A pergunta voltou: "Os outros partidos da oposição estão onde?" Ninguém lembrou que o problema é comum. Ninguém lembrou que a mão que bate hoje em um, bate amanhã em todos.
O maior problema está dentro de nós. É a síndrome do "só o meu partido salva". Há dirigentes e militantes na oposição que juram de pé junto que só a sua sigla tem moral, só o seu líder tem visão, só a sua estratégia funciona. E desprezam todos os outros. Esquecem que solução não está no nome do partido. Solução está no pensamento. Está na comunicação eficaz. Está na planificação séria. Está na produção de estratégias com eficácia. Está na capacidade de ouvir o povo e unir forças.
Esse orgulho cego está a matar a luta. É o "meu partido primeiro, o país depois". É o "se não for comigo, então que se dane". É o "eu sou mais oposição que tu". Mas pergunto: de que vale ter o melhor discurso se não consegues chegar ao povo? De que vale ter as melhores ideias se não consegues dialogar com quem pensa diferente? De que vale chamar-se de alternativa se age igual ao regime, dividindo, excluindo e humilhando?
O povo não vota em sigla. O povo vota em esperança. E esperança se constrói com pensamento claro, com comunicação eficaz e com planificação e estratégia. Pensamento claro é saber qual é o problema real do país e qual é a proposta concreta para resolver. Não basta gritar "abaixo". É preciso dizer "vamos fazer assim". Comunicação eficaz é falar a língua do povo. É ir às rádios comunitárias, às igrejas, aos mercados, aos bairros. É explicar sem arrogância e ouvir sem interromper. O povo está cansado de discursos de palco. Planificação e estratégia é ter um plano para ganhar eleições, para fiscalizar, para governar e para resistir à repressão. Estratégia não é improviso. É trabalho de gabinete, de base e de formação de quadros.
Nenhum partido sozinho tem tudo isso. A RENAMO tem história e estrutura. O MDM tem quadros técnicos. A ANAMOLA tem a energia da juventude e das ruas. O PODEMOS tem penetração nova. A Nova Democracia tem quadros. Separados, cada um tem uma peça do puzzle. Juntos, temos o quadro completo. Mas enquanto cada um achar que só a sua peça serve, o puzzle nunca vai ficar pronto.
A história já nos avisou. Basta lembrar o que aconteceu com o PDD entre 2008 e 2009. Naquele tempo o PDD deu esperança a muitos moçambicanos. Fabricava roupa com timbre do partido. Distribuía motas da marca Salink quase para todos os distritos. Entregava roupas em grande quantidade. O povo acreditou, porque estava cansado e queria acreditar em algo novo. Mas o povo descobriu tarde demais que o PDD era um prolongamento da língua da FRELIMO, criado com um único objetivo: combater a RENAMO e dividir a oposição. Era isco. Era armadilha. Em menos de 5 anos o PDD desapareceu. E o final do jogo? O fundador e presidente foi premiado como embaixador de um país X. Enquanto isso, os militantes ficaram sem partido, sem rumo e com a esperança traída.
É por isso que temos que ter cuidado com alguns espetáculos dos nossos líderes. Há oposições e discursos que só servem para garantir o império de Gaza. Há gente que prefere ser líder de três gatos a ser parte de uma frente que muda o país. Há gente que troca o futuro da nação por protagonismo barato.
A oposição deve sentir e respeitar o posicionamento da outra oposição. Deve entender que a diferença de ideias não pode virar guerra. Pode haver divergência de estratégia, pode haver debate, pode haver crítica. Mas nunca pode haver traição, insulto e humilhação pública. No final, temos que nos juntar para buscar solução. Sentar à mesma mesa. Ouvir. Ceder. Construir. Sem insultar. Sem humilhar. Sem apontar dedo.
Porque se continuarmos assim, vamos ser derrotados um por um. Separados somos alvos fáceis. Juntos somos força. Juntos somos voz. Juntos somos voto. Juntos somos história.
O povo já está cansado de ver a oposição a morder a própria cauda enquanto o regime ri. O povo quer ver unidade. Quer ver maturidade. Quer ver que os líderes entendem que a causa é maior que o partido, maior que a sigla, maior que o ego.
Hoje é o MDM. Amanhã é a ANAMOLA, o PODEMOS, a Nova Democracia. Depois de amanhã pode ser a RENAMO. E depois? Quem sobra? Se não nos levantarmos agora, não sobra ninguém.
A luta é de todos. A dor é de todos. A vitória tem que ser de todos. Chega de vaidade. Chega de achar que só o meu partido salva. Chega de infantilidade política. Hora de sentar, conversar e construir uma frente comum. Hora de colocar o país acima do partido. Hora de provar que estamos prontos para governar, porque primeiro aprendemos a caminhar juntos.
Porque no dia em que a oposição entender que o problema é um só e a solução é coletiva, nesse dia o regime vai tremer.
LATA
Cidadão vigilante na reserva aberta

domingo, dezembro 14, 2025

Sobre o regresso do debate político em Mocambique

 Felizmente, gracas ao Venâncio Mondlane o debate político multipartidário voltou em Mocambique.

Depois da morte de Mahamudo Amurane, Afonso Dlhakama e Depois Daviz Simango, os que vibravam, o debate político e sobretudo, multipartidário já havia acabado em Moçambique. A Frelimo (ou os seus membros) já fazia(m) tudo que queria(m) fazer. Entre, o que havia restado era a linha entre pró-Guebuza e pró-Nyusi.
Nas eleições autarquícas de 2023 surge um fenómeno que há muito a Frelimo evitou, mas que parece que estava convencida que estava sob controle do munna Ossufo Momade. Tratava-se de Venâncio Mondlane que nas eleições autárquicas de 2013, como candidato do MDM para edil de Maputo, teve a melhor prestação da oposição e levou para a Assembleia Municipal o maior número de membros, apesar da toda fraude.
Para eleições autarquícas de 2018, o partido no poder aproveitou-se das lutas entre os partidos da oposição para eliminar com sucesso a candidatura do VM. Infelizmente foi o meu partido, o MDM, aproveitado para Venâncio e Ricardo de Tete serem eliminados.
Dez anos depois, nas eleições autárquicas de 2023, Venâncio logra a sua candidatura para edil de Maputo numa altura que ele e o seu grupo de apoio estavam muito preparados na fiscalização desde o recenseamento eleitoral. Muitos devem se lembrar do recenseamento fraudulento em casas de secretários denunciados por fiscais da Renamo em Maputo. Quem tem prova que Venâncio Mondlane não tenha sido o verdadeiro vencedor nas autárquicas de 2023?
O munna OM e a cúpula abandonaram o Venâncio quando reivindicava a verdade eleitoral, um sinal para muitos que o munna Ossufo já estava possuído pela Frelimo. Quanta vergonha minha!
Para o bem da democracia em Moçambique, o Venâncio avançou para as eleições presidenciais de 2024, contando com todos os mocambicanos que o apoiassem. As suas alianças foram sendo eliminadas e infelizmente com apoio da Renamo e o meu partido MDM que são da oposição. Quanta ironia!
A continuidade da luta política de Venâncio Mondlane desde o pós-eleições autárquicas de 2023, devolveu-nos ao debate político. Os que são radicais membros e simpatizantes da Frelimo já voltaram para lá e arremessam contra a oposição. Infelizmente, muitos o fazem porque querem ter a mesma sorte que o Egidio Vaz e aqueles outros tiveram. Os que são da oposição com convicção de mudanças e não com CRENÇA de que é desta que vão ser deputados já voltaram ao debate político.

domingo, março 31, 2024

Democracia interna nos partidos em Moçambique

O nosso mal como moçambicanos, é sempre querermos apagar tudo que foi de gestão no passado, incluindo o que foi bom.

Ora, do que lembro naquele tempo, as teses do congresso da Frelimo, os estatutos da Frelimo começavam com debates na célula onde muitos tinham a possibilidade de dizer algo. Célula naquela altura incluía toda a população dum bairro ou aldeia. Na célula eram ELEITOS os porta-vozes daquilo que se decidiu como correcção ou aprovação nas teses e estatutos. Esses porta-vozes eram os que delegados para o escalão a seguir. O processo avançava assim para os círculos, postos administrativos ou localidades, distritos. Nas conferências provinciais era onde saíam os delegados ao congresso. Os delegados ao congresso não eram administradores distritais ou primeiros-secretários.

Havia mal nisto para os partidos agora num sistema partidário não fazerem o mesmo?

Nota: dói-me VER nos estatutos dos partidos que se dizem do centro-direita, e, pior ainda que dizem lutaram e lutam pela democracia a praticarem o pior duma democracia contemporânea.

domingo, maio 21, 2023

Críticos acusam oposição moçambicana de desorganização

 "A oposição pode-se criticar, tem as suas limitações, tem a sua culpa, mas não tenhamos amnésia: lembremo-nos das contestações, das mortes que têm acontecido em virtude de a oposição reivindicar que esses processos sejam genuínos", sublinha.

O académico lembra que quando a oposição reivindica irregularidades, sobretudo nos pleitos eleitorais, a FRELIMO usa a força do Estado para intimidar, perseguir e matar os opositores.


sábado, abril 27, 2019

Reflectindo sobre os partidos políticos em Moçambique


Não sou cientista político para afirmar categoricamente, mas acredito que um partido que mantém de perto, mostrando paixão pelos seus críticos, sobretudo os internos, pode ter a sorte de manter muitos dos seus membros e simpatizantes e até mesmo mobilizar muitos mais.
Ao contrário, acredito que um partido que obriga que os seus membros se calem e recorra à expulsão ou ISOLAMENTO dos críticos internos, mas apaixonado pela bajulação e propaganda barata (MENTIRA) como aquela de que membros do partido A ou B se entregaram, rapidamente se reduz à insignificância porque perde grande parte dos seus membros e simpatizantes.

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Chamar académicos para debate dentro dos partidos é valioso.

Quando numa entrevista, em Setembro de 2017, o filósofo e constitucionalista Severeno Ngoenha fez uma revisão sobre a democracia interna dos três principais partidos políticos moçambicanos, eu chamei atenção que os partidos deviam convidar a este como outros académicos para palestras ou debates deste e outros assuntos. Infelizmente, alguns partidos fizeram o contrário. Investiram na recusa das suas observações de Ngoenha.
Na verdade, o que tenho proposto que se faça nos partidos, é aquilo que aconteceu hoje. O partido Frelimo organizou um debate sobre o papel da educação na promoção da unidade nacional e da cidadania e convidou os académicos Severino Ngoenha, Lourenço do Rosário e o religioso Saide Abibo como radores. Infelizmente, como conheço os meus compatriotas, dirarão que estes três foram oradores àquele debate como membros do partido Frelimo como se estes alguma vez fossem convidados pela Renamo e ou MDM e recusassem. Aliás, o mano Brás Malique e o companheiro Carlos Bernardo devem se lembrar da minha insistência no debate que tivemos em Julho de 2017, ali no Canal Residencial, em Nacala-Porto, sobre a formação de membros do partido MDM e a definição e funcionamento da escola do partido. Eu insistia que a escola não consistia em um edifício com quatro paredes, mas organizando estudos e debates com oradores como Ngoenha, Domus OiKo aka Alberto Ferreira, João Pereira, José Macuiane, etc. Tenho também sublinhado a vantagem de ter oradores sem interesse de serem bem vistos por quem “manda” nos partidos.

Recordando a entrevista: “É preciso que partidos reaprendam a fazer democracia”  in o País 819.09.2017)


sábado, dezembro 08, 2018

CNE throws out 1 Marromeu polling station but still gives Frelimo 46 vote victory

The National Elections Commission (CNE), without explanation, changed the Marromeu results to give Frelimo a narrow 46 vote victory. This means a Frelimo mayor but an assembly in which the opposition has a majority.

Without comment, this morning the CNE presented its official results for Marromeu following the rerun of voting in 8 polling stations on 22 November.

The CNE first threw out the notorious polling station 07127-03 which had 800 registered voters of whom 811 voted. And it made other changes to the Marromeu District Elections Commission (CDE) results, but did not explain them. The CNE reduced the number of voters reported by the CDE by only 649 and reduced the Frelimo vote by 748, leaving Frelimo with victory by just 0.25% of the valid vote. (The full table is in the attached pdf). The results mean 8 municipal assembly seats each for Frelimo and Renamo and 1 for MDM,

The CNE meeting in Maputo took two days on Monday and Tuesday and in the end the results were only approved and then presented by CNE members named by Frelimo or Frelimo-linked civil society groups. Renamo in its objection said that CNE President Abdul Carimo proposed a recount of the votes at the 8 polling station, but the Frelimo-aligned majority refused the recount. Renamo and MDM nominated and aligned members then walked out of the meeting.

Observers present in the 8 polling stations said the turnout was 47% and gave Renamo 75% of the vote. The CDE said the turnout was an incredible 87% and that Frelimo had 75% of the vote. Observers and Renamo say they CDE results were clearly false. Although it did not release details, it appears that for the 8 polling stations the CNE result cut the turnout to 76% and the Frelimo share of the valid vote to 68% (both still much higher than the observer count).

The CNE said the election was "free, fair and transparent" even though its understanding of transparency included its refusal to explain how it changed the CDE results and its refusal to do a recount. "The CNE welcomes the positive form of the voting process", it said.

Fernando Mazanga, a Renamo member of the CNE, this morning presented the opposition position rejecting the CNE decision. The three CNE documents and the Renamo objection (all in Portuguese) are posted on 
http://bit.ly/Marr-CNE-R

Full tables showing observer, STAE and CDE results, with huge differences, are in our previous bulletin on [bit.ly/LocEl80]bit.ly/LocEl80

sábado, novembro 24, 2018

Infiltrados para destruir a Renamo e o MDM?


Num momento que devia ser de profunda reflexão da e na oposição sobre uma FRAUDE VERGONHOSA, uma fraude que é um assalto gravíssimo a todo o processo eleitoral, um processo do estado moçambicano  em Marromeu, como é possível que haja “membros” da Renamo que se dediquem a comparar os resultados da falsa e fraudulenta tabela entre o MDM e os votos nulos? Por outro lado, como é possível que “membros” do MDM se dediquem a insulto à Renamo como o partido que permitiu a fraude em Marromeu?
Visitei murais de alguns amigos e membros da Frelimo que os julgo honestos e sobretudo pessoas que se envergonham por actos como os de Marromeu e noto um silêncio. Eu compreendo a razão do seu silêncio porque mesmo que fosse eu, pelo menos ficaria em silêncio.
Quando técnicos do STAE apoiados por agentes da Polícia de intervenção Rápida, carregaram  material de votação das assembleias de voto, em alguns casos saindo até pelas janelas, quem acredita que alguma vez teremos eleições transparentes e justas em Moçambique? Quem pensa que algum partido da oposição ganhará desta forma?
Como é que esses ditos membros da Renamo e MDM se dedicam aos ataques mútuos e não à reflexão sobre uma situação tão grave como a que ocorreu em Marromeu? Estes “membros” não têm uma missão ESPECÍFICA de terceiros como de ALIMENTAR ÓDIO, distrair a Renamo e o MDM para destruir os dois partidos?

quinta-feira, outubro 25, 2018

As lideranças da Renamo e MDM são um caso para um estudo político


” Na sede da CNE a Renamo contestou os resultados das Autarquias de Matola, Alto Molócue, Monapo, Marromeu e Moatiz e diz exigiu a recontagem dos votos com base nos editais enviados à CNE pelos órgãos eleitorais locais. Para ultrapassar a diferença, os membros da CNE optaram por submeter os resultados à votação, tendo havido três abstenções, seis votos contra e oito votos a favor. “ Fonte o país (25.10.2018).
Segundo o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique nr 71, as três abstenções foram de dois membros do MDM e do Presidente da CNE.
Ora, a abstenção de membros do MDM só nos revela que desde dia 10 de Outubro até o dia do ao anúncio dos resultados de apuramento nacional, as lideranças da Renamo e MDM nunca se aproximaram para a concertação das posições. Sabemos pela imprensa que localmente, isto é, nas autarquias os MMVs, fiscais de ambos os partidos, apresentavam as mesmas queixas e até diziam provar actos fraudulentos. Localmente estes pareceram ter voz unánime. O caso da Matola, vimos os vogais ou porta-vozes a se darem palavra.
AGORA, podemos nos questionar a proveniência do ódio que não permite aproximação entre a Renamo e o MDM ou já definitivamente sabemos que vem das duas lideranças do topo? Essas lideranças, têm em conta sobre a quem prejudicam? Sabem que se tratava e se trata de vota da Matola, Monapo, Moatize, Marromeu, Alto Molócuè e não deles?

As lideranças da Renamo e MDM são um caso para um estudo político.

terça-feira, outubro 16, 2018

MDM interpõe recurso ao tribunal da Matola

O movimento Democrático de Moçambique na Autarquia da Matola submeteu na tarde de hoje um recurso ao tribunal Judicial daquela cidade no qual contesta os resultados que divulgados Sábado ultimo. O partido pede responsabilização criminal aos que considera serem autores da fraude.
Foi fazendo –se acompanhar do cabeça de lista do partido que a mandataria do MDM na província de Maputo Isabel Augusto Macubele foi apresentar na tarde desta terça feira o recurso contencioso ao  tribunal Judicial da Matola, reclamando vários aspectos que diz serem irregularidades deste processo. Macubele diz que o seu partido foi injustamente penalizado no apuramento intermedio tendo lhe sido subtraídos cerca de quatro mil votos
“Nos não concordamos com os resultados, por isso estamos aqui para apresentar a nossa reclamação “afirmou
Disse ainda que a prova da viciação de resultados pode ser vista nos três editais existentes sobre a mesma eleição. Questionado sobre a alegada falsidade do edital que atribui pouco mais de 16 mil votos ao seu partido Macubele afirmou que era no tribunal que o seu partido queria provar que os votos do seu partido haviam sido subtraídos.

domingo, agosto 26, 2018

O aproveitamento de clivagens como meio de sobrevivência


A Frelimo sabendo que o seu maior adversário na zona sul, sobretudo Maputo e Gaza, era o MDM, conseguiu estrategicamente empurrá-lo para fora. Ora, ela sabendo a partir de Nampula (caso Amurane e o II Congresso) da dificuldade que o MDM tem em consolidar as suas conquistas, a Frelimo impôs o enganoso modelo de cabeça de lista que em princípio parecia dar todas as garantias para a Renamo governar em muitas áreas do centro e norte. Sendo assim, à Renamo não lhe interessaria qualquer frente eleitoral comum. Dito e feito. Mas a saída de Venâncio Mondlane e mais um grupo de mobilizadores do MDM de Maputo e Xai-Xai para a Renamo, criou nervosismo dentro da Frelimo. Nisto ela tinha que usar o plano B ou C que consiste em empurrar a Renamo para fora da zona que considera seu bastião.
Como a história sobre a ocupação de Moçambique pelos portugues nos ensina (Entre Changamire e Monomotapa das lutas eles sabiam), no plano A, a Frelimo usa a Renamo para empurrar o MDM e no plano B usa o MDM para empurrar a Renamo. O que na verdade acontece é que a Frelimo assim consegue sobreviver mesmo em seus momentos mais críticos como este. Estas guerrinhas por exemplo, estão consideravelmente a baixar do nível os dois partidos da oposição com consequências já mais vistas.
Até aqui o tempo é escasso, mas não está perdido para chamar à consciência às lideranças do MDM e Renamo e no mais cedo possível passarem a defender os interesses dos seus simpatizantes e da nação. Há telefones para tal e sem falar de pessoas que podem servir de ponte.

segunda-feira, agosto 20, 2018

MDM acusa Renamo de usar nome de Simango como cabeça-de-lista na Beira

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) acusa a Renamo de estar a usar o nome de Daviz Simango como seu cabeça-de-lista na Beira, alegadamente com objectivo de mobilizar o eleitorado para a perdiz.
O MDM convocou a imprensa, há dias, na cidade da Beira, para alegar que a Renamo está em Pré-campanha eleitoral e que de porta-a-porta, tem estado a apontar Daviz Simango, presidente do MDM , como cabeça-de-lista da perdiz na Beira.
“Uma autêntica desinformação popular e abuso do bom nome do engenheiro Daviz Simango”, disse Luís Guio , Delegado da Renamo na Beira.
A Reacção da Renamo não se fez esperar e através do seu delegado da cidade a perdiz diz que o MDM está em agonia, que as acusações em causa não preocupam este partido.
“O MDM na Beira já não tem controlo da base e a Renamo tem o controlo a 100 por cento. Nós não precisamos usar uma pessoa que já acabou em termos de imagem política, como o Daviz Simango”, afirmou o Delegado da Renamo na Beira, Luís Chitato. Chitato acrescentou que Simango não tem políticas claras para defender aquilo que o eleitorado da Beira precisa.

Fonte: O País – 17.08.2018  

terça-feira, junho 19, 2018

MDM divulga cabeças de lista, com excepção da cidade de Maputo

A Comissão Política do MDM anunciou, esta segunda-feira, os nomes dos seus membros que serão cabeças de lista em 52 dos 53 municípios do país, nas eleições autárquicas de 10 Outubro próximo, com excepção da cidade de Maputo.
De acordo com Luís Boavida, porta-voz da Comissão Política, da segunda sessão ordinária do MDM que vinha decorrendo desde a última segunda-feira na Beira, com objectivo central e homologar os cabeças de lista, Daviz Simango, por sinal presidente deste partido, foi confirmado para município da Beira. Em Quelimane Manuel de Araújo foi homologado. No muncípio de Gurué, o actual presidente, Orlando Janeiro, é igualmente o cabeça de lista. 
Em relação aos outros municípios, Boavida começou por garantir que parte significativa dos candidatos por este partido nas eleições autárquicas de 2013, serão os cabeças de lista, tais como os casos de Mueda, Chiure, Pemba, Cuamba, Milange, Marromeu, Gorongosa,Tete, Chimoio, Maxixe, Xai-xai e Matola.  
Entretanto, há casos onde os cabeças de lista não foram candidatos em 2013, como é o caso de Lichinga, Mandimba, Nampula, Nacala Porto, Ilha de Moçambique, Maganja da Costa, Gondola, Catandica, Macia, Chibuto e Manhiça.
Para a cidade de Maputo, Venâncio Mondlane distanciou-se da indicação efectuada pelos membros do MDM para ser cabeça de lista, e indicou claramente que vai dissociar-se deste partido.
“Foi uma situcação que surpreendeu os nossos membros, tendo em conta que antes e durante o congresso do partido, que teve lugar em Dezembro do ano passado, em Nampula, o companheiro Mondlane sempre mostrou-se disponível a colaborar com a confiança que os membros depositavam nele, na altura como candidato para Maputo. Agora ao ser indicado como cabeça de lista, ele distanciou-se de forma surpreendente. Estamos à espera que ele formalize o seu posicionamento para o partido tomar o posicionamento oficial”.
O País está na posse de uma informação que dá conta que o cabeça de lista da cidade de Tete, o deputado Ricardo Tomás, terá submetido a sua carta de renúncia como membro deste partido nesta segunda-feira.  
“Não temos conhecimento. O que sabemos é que ele é o nosso cabeça de lista no município de Tete”- explicou Luís Boavida.

quinta-feira, junho 14, 2018

Fernando Bismarque é o cabeça de lista do MDM nas Autárquicas de Nampula

O Porta-voz do MDM na Assembleia da República, Fernando Bismarque, é o cabeça de lista do partido nas eleições autárquicas de dez de Outubro no Município de Nampula.
Bismarque foi eleito com 133 votos, num sufrágio em que participaram 200 membros de diferentes órgãos do MDM na cidade de Nampula.
Para além de Bismarque concorriam outros dois candidatos, nomeadamente Mussa Abudo e João Coronta.
Fonte: O País – 14.06.2018

terça-feira, maio 22, 2018

Coligação entre Renamo e MDM emerge no debate político em Moçambique

Daviz Simango, do MDM, sugere trabalho conjunto para as próximas eleições

Em alguns círculos políticos moçambicanos afirmar-se que membros séniores da Renamo reagiram positivamente a uma sugestão do líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) no sentido de os dois partidos trabalharem em conjunto nas próximas eleições em Moçambique, aumentando a possibilidade de uma coligação.
Analistas, no entranto, consideram que a grande questão é quem seria o candidato dessa eventual coligação às presidenciais.
Daviz Simango foi citado por alguns jormais da praça como tendo afirmado esperar que as políticas do MDM e da Renamo venham a convergir em estratégias eleitorais para conseguir alcançar bons resultados.
Simango realçou que tanto o MDM quanto a Renamo lutam para chegar ao poder, havendo por isso, a necessidade de se encontrar uma forma de lá chegar.
O analista Laurindos Macácua diz ser pouco provável uma coligação entre os dois partidos, "porque o MDM está enfraquecido e a Renamo sairia a perder nesse jogo, pois, não seria uma junção de forças".
A ideia é criar uma frente comum contra a Frelimo, o que para o líder do MDM, "é sempre uma janela aberta que permite a passagem de vento".
Contudo, Macuácua duvida que, pelo menos nesta fase, essa frente seja capaz de tirar a Frelimo do poder.
Para o analista Francisco Ubisse, é possível uma coligação MDM-Renamo, mas a questão é quem será o candidato às eleições presidenciais dessa frente.
Ubisse sublinhou ser evidente que com a morte de Afonso Dhlakama, o candidato mais proeminente da oposição é Daviz Simango, mas duvida que a Renamo o aceite como candidato, porque, na sua opinião, "há claramente conflitos de interesse pessoais".

Fonte: Voz da América – 22.05.2018

segunda-feira, maio 14, 2018

Frente Comum MDM/Renamo “é uma janela aberta”

Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique, não descarta a possibilidade de uma frente comum MDM/Renamo para tirar Frelimo do poder. As eleições autárquicas em Moçambique estão previstas para Outubro de 2018.
Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), não descarta a possibilidade de uma frente comum MDM/Renamo para tirar Frelimo do poder.
“Espero que as políticas do MDM e da Renamo venham a convergir em estratégias eleitorais (…) para conseguir alcançar os resultados esperados”, sublinhou o líder do terceiro partido com representação parlamentar em Moçambique. Acrescentando que “tanto o MDM como a Renamo lutam para chegar ao poder” e há, por isso, necessidade de encontrar forma de lá chegar.
À questão sobre a criação efectiva da frente comum contra a Frelimo, o presidente do município da Beira garantiu que "é sempre uma janela aberta” que permite a “passagem do vento” e “ninguém impede que o vento passe”, concluiu.
Daviz Simango lembrou que o MDM e a Renamo são partidos de centro-direita, ambos membros da Internacional Democrata Centrista (IDC), que tem o líder do MDM como um dos vice-presidentes da IDC África: “portanto, ideologias comuns, princípios em algum momento diferenciados, mas no fim do dia a ideologia é comum”. Ler e escutar em RFI – 14.05.2018


quarta-feira, abril 25, 2018

Situação sombria no MDM


Daviz Simango expurga vozes críticas

- Venâncio Mondlane, Manuel de Araújo, Silvério Ronguane, Maria Moreno, António Frangoulis, Geraldo Carvalho e Job Mutombene fora dos órgãos decisórios do partido
embros sonantes do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) foram isolados dos órgãos decisórios do partido. A decisão foi tomada último fim-de-semana, na cidade da Beira, em sede da reunião do Conselho Nacional. Trata-se de figuras que se destacaram na luta por reformas dentro do partido e que sempre desafiaram a direcção do MDM a respeitar os estatutos e pautar por condutas democráticas. É o caso de Venâncio Mondlane e Maria Moreno que saíram da Comissão Política (CP), Geraldo Carvalho que deixou o departamento de Mobilização, Job Mutombene que saiu do departamento de Informação para além de Silvério Ronguane e António Frangoulis que foram relegados para o plano secundário. Sande Carmona, porta-voz do partido, diz que as mudanças são normais.
Como resultado da expulsão de Daviz Simango da Renamo, no dia 7 de Março de 2009, foi criado, na cidade da Beira, capital provincial de Sofala, o Movimento Democrático de Moçambique.
Sob o slogan: “Moçambique para todos”, o MDM defendia a tese de que queria aglutinar os interesses de todos os moçambicanos, independentemente da raça, grupo étnico, religião, classe social ou académico.
Na altura, Simango disse que o seu partido estava aberto para todos. Porém, nove anos depois dessa comunicação brilhante e cheia de promessas e esperança, a realidade prática actual entra em contramão com o discurso inaugural.
Muitas correntes ligadas ao MDM queixam-se da falta de espaço para o diálogo, intolerância, tribalismo, ditadura, nepotismo, liberdade de expressão e de opinião bem como da cultura de prestação de contas. A crise do MDM vem desde os primeiros anos da sua criação.
Em Fevereiro de 2010, sob pretexto de querer dar “mais vitalidade ao partido” Daviz Simango dissolveu a Comissão Política (CP) do MDM eleita no Congresso de 2009.
Numa decisão interpretada em alguns círculos como reedição das atitudes anti-democráticas que caracterizam Afonso Dhlakama e contestadas por Simango, vozes próximas da organização confi- denciaram que a dissolução da CP visava afastar Ivete Fernandes que, na altura, era vista pelos irmãos Daviz e Lutero Simango como um elemento perturbador.
Recorde-se que Ivete Fernan des foi dos primeiros membros do MDM que se mostrou contra certas práticas que, aos seus olhos, eram inadmissíveis para um partido que pretendia trazer uma nova maneira de ser na cena política moçambicana, como, por exemplo, o facto de Daviz Simango ter viajado para a Europa na companhia de indivíduos que, embora aspirantes a membros do MDM, ainda eram deputados da Renamo-UE.
Um ano depois da saída de Ivete Fernandes, mais concretamente em Maio de 2011, Ismael Mussá demitiu-se do cargo de secretário- -geral do partido.
Para deixar o cargo e, consequentemente, o partido, Mussá alegou questões de divergências étnicas e políticas.
Em 2014, o MDM também conheceu momentos de tensão na altura da constituição das listas de candidatos a deputados, quando a direcção do partido foi acusada de privilegiar familiares, amigos, grupos de Sofala e servis às chefias.
Situação sombria
As fontes dizem que no último Congresso, realizado no mês de Dezembro, na cidade de Nampula, foram alterados os estatutos do partido e definiu-se que os componentes da CP fossem indicados pelo presidente do partido, após consultas às delegações políticas provinciais.
Nesta indicação, não se podia ignorar o princípio de representatividade, em que cada província devia ter um membro na CP. Mesmo numa situação em que a província tenha um membro por razões de inerência de funções, a representatividade não podia ser ignorada. De acordo com as fontes, o que devia acontecer é que as províncias elegessem a figura para CP e o presidente apenas promulgasse. Porém, este preceituado estatutá- rio está a ser completamente ignorado pela direcção do MDM e este é que se encarrega de escolher. O exemplo flagrante dessa viola- ção estatutária é que na nova CP, empossada último fim-de-semana, não há representantes de Maputo cidade, Gaza e Inhambane. Judite Macuácua, da província de Gaza, está no órgão por inerência de funções, já que é presidente da Liga Feminina do MDM.
“Todos os membros da nova CP foram indicados a gosto do presidente, as delegações provinciais não tiveram a oportunidade de fazer valer o seu desejo”, contaram. Sublinham que os poderes extraordinários do presidente do MDM não se limitaram apenas na indicação dos membros da CP, mas também à figura do Secretá- rio-geral bem como aos chefes de departamentos, tarefas que, segundo os estatutos, são da competência do Conselho Nacional.
Como consequência, figuras sonantes e com um capital político invejável, mas com ideias próprias, foram expurgadas.
Manuel de Araújo, que até então era chefe do departamento de Formação e Projectos, foi substituído por Atija José Pililão.
Araújo que também ocupa a posição de edil de Quelimane, eleito pelo MDM, é conhecido pela sua opinião frontal, crítico e contundente sobre a forma como Daviz Simango está a dirigir o partido. Em várias aparições públicas, Manuel de Araújo tem exigido a direcção do MDM para que seja mais democrata, dialogante, aberta e transparente.
Geraldo Carvalho, uma das figuras que mais se destacou na criação do MDM bem como no amparo a Daviz Simango quando foi expulso da Renamo, perdeu o cargo de chefe do departamento de Mobilização e Propaganda. Carvalho foi substituído por Juma Rafim.
Geraldo Carvalho entrou em choque com o presidente do MDM quando levantou a necessidade de Daviz Simango abrir espaço para outras figuras do partido candidatarem-se à presidência do municí- pio da Beira.
Segundo Carvalho, era incoerente que uma pessoa que também é candidato a edil tenha prerrogativa de indicar candidatos para municípios. No quadro da luta pela introdução dessas reformas no seio do MDM, Geraldo Carvalho lançou um movimento de auscultação das bases daquilo que seria o perfil ideal dos candidatos à presidência dos municípios.
“Geraldo Carvalho foi um dos membros que mostrou interesse na introdução de eleições primá- rias dentro do partido para a escolha de candidatos à presidência dos municípios, uma ousadia que lhe saiu caro”, contam.
Sande Carmona, pessoa conhecida como fiel à figura de Daviz bem como do seu irmão Lutero Simango, substituiu Job Mutumbene no cargo de chefe do departamento de Organização e Informação.
António Frangoulis, outro grande crítico à direcção do MDM, foi relegado para suplente da Comissão Nacional de Jurisdição.
Venâncio Mondlane e Maria Moreno foram expurgados da CP.
Coincidência ou não, todos os excluídos dos órgãos decisórios do partido são pessoas que questionavam o facto de o partido, externamente, defender uma postura e, internamente, ter um comportamento totalmente contrário e igual ao das organizações critica das pela organização. Contam as fontes que, quer Mondlane, Araújo, Moreno, Mahamudo Amurane (falecido), António Frangoulis, Job Mutombene entre outros, sempre defenderam a redução de poderes do presidente do partido e que os órgãos deviam ser eleitos a todos os níveis. “O MDM aparece publicamente a defender diminuição de poderes do chefe de Estado, mas cada vez que há uma revisão dos estatutos do partido, é para aumentar os poderes do presidente. Isso não é incongruência”, questionam as fontes.
Dizem ainda que, publicamente, o MDM defende maior transparência na gestão da coisa pública, porém, internamente, não há cultura de prestação de contas aos membros.
Indicação de José Domingos Manuel
A indicação de José Manuel para o cargo do Secretário-geral (SG) também não colheu consensos no partido.
Figuras do MDM entendem que tinha chegado a hora de Luís Boavida deixar o cargo por ser inoperante, porém, numa altura tão crucial como esta, em que se aproximam grandes pleitos eleitorais, o MDM precisa de um SG carismático e com capital político muito mais forte.
José Manuel é uma figura anónima na esfera política nacional e não se acredita que ganhe tarimba em tão pouco tempo, num campo bastante renhido, para superar os desafios futuros.
José Manuel é vereador no Conselho Municipal da Beira e uma pessoa da confiança de Daviz Simango, a sua manutenção no cargo de vereador depende da vontade do seu chefe, pelo que, em nenhum momento poderá questionar. Limitar-se-á apenas a ser uma caixa de recados do chefe.
Numa altura em que a imagem do MDM está manchada pelos acontecimentos de Nampula com o efeito Tocova, a forma como a direcção do partido geriu o dossier Amurane, a derrota eleitoral de Nampula, as crispações e feridas que saíram do Congresso de Nampula entre outras falhas, era o momento de se reinventar e olhar para os pleitos futuros com outros binóculos.
“O congresso do MDM em Nampula confundiu-se com do partido Comunista Chinês. A direcção do partido chegou a criar grupos de choque para aplaudir os discursos do chefe e vaiar os pronunciamen -tos dos críticos. A direcção do MDM reuniu-se à porta fechada com os delegados provinciais para orientá- -los a persuadir membros das suas delegações para votar nesta ou naquela figura. Isso é democracia”? Questionam.
O SAVANA sabe ainda que a mesa do Conselho Nacional, na reunião deste fim- -de-semana, sem justificação plausível e de forma pouco democrática não acolheu três propostas feitas por membros do Conselho Nacional.
Trata-se da inclusão na agenda da aprovação de plano de actividades e do orçamento dos órgãos do partido.
Para além de violar os estatutos, a marginalização desses pontos abre espaço para muitos questionamentos como por exemplo: como é que os órgãos do partido vão trabalhar sem orçamento e nem plano de actividades apreciado e aprovado pelo colectivo do partido.
É que, a canalização de fundos partidários para actividades dos órgãos competentes torna-se ilegal.
Também se questiona o facto da reunião da Beira ter marginalizado o desaire eleitoral de Nampula e muito menos discutir e aprovar a estratégia eleitoral para as autarquias de 10 de Outubro.
Entendem as fontes que a reunião da Beira era o momento solene para a direcção do partido prestar contas aos membros sobre as falhas de Nampula e juntos encontrar soluções para desaires futuros, visto que ninguém, excepto a direcção, sabe onde é que foi discutida e aprovada a estratégia eleitoral da intercalar de Nampula.
Sande Carmona comenta
Contactado pelo SAVANA, Sande Carmona diz que as mudanças registadas nos órgãos do partido fazem parte das dinâmicas de qualquer organização e as pessoas que saíram, quando foram indicadas, no passado foram substituir outros quadros.
Sublinha que os verdadeiros membros do MDM não são úteis quando estão dentro dos órgãos.
Sande Carmona diz ao SAVANA que a agenda da Beira foi aprovada antes do início das actividades, pelo que qualquer queixa é infundada e que a CP tem representantes de todas as regiões do país.
Para o porta-voz do MDM, o seu partido é dos mais democráticos que há em África de tal forma que os seus membros aparecem publicamente a exprimir suas opiniões sem represarias.
Lacónico nas palavras, Carmona referiu que o MDM continua a ser por um Moçambique para todos e é por isso que luta todos os dias.
Sobre as possíveis deserções, Carmona diz que isso é normal em qualquer organização e que o MDM não seria o primeiro, para além de várias pessoas deixaram o partido mas, continua intacto.
Sobre a não aprovação do plano de actividades e do orçamento, Carmona diz que cabe aos órgãos eleitos elaborar o programa e definir o orçamento de actividades e, enquanto isso não acontecer vai trabalhar com os planos modelos anteriores.
Sobre a saída de alguns membros para concorrer pela Renamo, Sande Carmona diz que não entra no campo das especulações.
Daviz Simango está a cavar a própria sepultura
Sérgio Chichava, pesquisador do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), disse ao SAVANA que a liderança do MDM está a cavar a própria sepultura, na medida em que a sua forma de ser e agir choca, completamente, com os princípios que defende no discurso oficial. Diz que o MDM apareceu como alternativa à Frelimo bem como à Renamo, era crítico ao modus operandi dos dois principais partidos, mas agora faz completamente o mesmo.
“A imagem actual do MDM é diferente daquela que nos foi apresentada em 2009. Um partido moderno, democrático, transparente, dialogante e aberto para todos. Hoje, a imagem que temos é de um partido anti-democrático, intolerante, fechado e de família”, disse.
Chichava, que também é director científico do IESE, referiu que Daviz Simango é o inimigo número um do MDM, porque o afastamento de figuras sonantes e com um potencial invejável mostra que a direcção do partido não quer uma organização mais pluralista.
Para o cientista político, a indicação de Lutero Simango para chefia da bancada do MDM é um exemplo claro de que a organização guia- -se pelos apetites familiares, pois a organização tem pessoas talentosas, com um discurso coerente e lógico. Lutero Simango não tem discurso convincente, pelo que, se o MDM quer um partido moderno, não pode ter aquela personalidade como chefe de bancada.
O académico diz que o MDM precisa de se reinventar porque, caso contrário, não vai a lado nenhum como organização política e com fortes probabilidades de perder os municípios que detém neste momento, tal como aconteceu em Nampula.
-semana, assim como noutras ocasiões, mostram que Daviz Simango é irresponsável e arrogante. “No princípio foi um dirigente humilde e exemplar. Mostrou ser um gestor competente, porém, de um tempo a esta parte mudou completamente. Talvez o poder o corrompeu, o que, infelizmente, é mau para quem sonha atingir outros voos”, sentenciou.
Chichava refere que é impossível formar um partido forte marginalizando ou isolando figuras preponderantes e respeitadas pela sociedade. Pelo contrário, são pessoas com um pensamento coerente, crítico e respeitado que o MDM devia procurar convencer para alinhar nas suas fileiras.
“Já ouvimos vozes, dentro do partido, a dizer que não nos podemos libertar de Maputo para sermos colonizados a partir da Beira, o MDM não pode ser uma organiza- ção que serve para aglomerar interesses da família Simango, que Daviz é arrogante, que o MDM não é democrático e a cultura política escasseia. Isso é muito mau e não nos espantemos que parte dos actuais edis eleitos pelo MDM concorram pela Renamo nas eleições de Outubro”, alertou o académico.
Sublinha que ao isolar pessoas como Geraldo Carvalho, Venâncio Mondlane, António Frangoulis, entre outros, mostra que o MDM é um partido que se guia na base de simpatias étnicas, clientelismo, lambebotismo e nepotismo.
“É muito estranho que pessoas que davam vida ao partido sejam isoladas e substituídas por anónimos numa altura em que estamos pró- ximos das eleições. Isto mostra que dentro do MDM ninguém pode brilhar mais que o chefe sob o risco de cair na desgraça”, disse.
Sobre a indicação de José Manuel para o cargo do SG do MDM, Chichava interpreta como uma falha de casting, na medida em que o partido tem pessoas competentes e com enorme potencial político que podiam dar mais energia ao partido.
Daviz Simango é um líder fraco
 Por seu turno, Régio Conrado, doutorando em Ciência política na França, disse ao SAVANA que o MDM, tal como muitos partidos políticos em Moçambique, tem uma estrutura anti-democrática seja na forma como organiza as estruturas do partido bem como distribuição de lugares de poder.
Conrado refere que a exclusão de pessoas como Venâncio Mondlane, Frangoulis, entre outros, da CP, denota que Daviz Simango é um líder fraco, sem capital simbólico e carisma. Para o académico, Daviz Simango mostra-se intolerante em relação a estas figuras por pretender organizar o partido à sua própria imagem, isto é, uma CP constituída por pessoas desapossadas de capitais aptos de desafiar as lógicas. Sublinha que, eliminando figuras sonantes, o caminho para Simango liderar de forma desordenada e autoritária está aberto.
“Ao fazer isso, pretende mostrar que não aceita críticas, nem pessoas que pensam porque tem consciência que é um líder fraco”, disse. Conrado diz que estamos próximos dos pleitos eleitorais e a exclusão dessas figuras pode trazer muita frustração naqueles eleitores que viam no MDM uma alternativa e por, consequência, não votar nele. Para o politólogo, a imagem do MDM fica manchada, aparecendo como um partido que é governado entre irmãos, puxa-sacos e outros que são fiéis e leais.
Diz que o MDM pretendia ser uma alternativa à cultura política dominante em Moçambique. Muitos acreditaram nisso.
Porém, o MDM não só é uma continuidade do que se tem como cultura política dominante em Moçambique, mas também é tendecialmente mais regionalista dos principais partidos. As suas prá- ticas ou forma de funcionamento, distribuição do poder, ocupação de posições dentro do partido e fora dele mostram que o MDM é, fundamentalmente, contrário do que defendia e defende em público. 
Sublinha que a exclusão desses membros reproduz uma estratégia clássica, que consiste em excluir, humilhar para melhor ter o controlo de uma organização. Estas tácticas são usadas para desapossar pessoas que têm prestígio dentro e fora da organização.
Para Régio Conrado, líderes fracos e não carismáticos, como Daviz Simango, fazem muito uso desse tipo de estratégias.
Refere que estas atitudes denotam um alto nível de intolerância ao pensar diferente, o que é um contra-senso dentro de um movimento dito democrático. De democrático o MDM tem apenas o nome. Sei que dentro do MDM há persegui- ções, rixas, lutas intestinais, como em todos os partidos, organizado por pessoas leais a Daviz Simango, que se poderia esperar outra atitude.
A cultura política dentro do MDM é aquela de que o líder manda e o resto respeita. É aqui que pode afirmar que o MDM acaba sendo uma rede de clientelismos e de opera- ções secretas de eliminação de potenciais substitutos de Daviz.
De acordo com Conrado, o MDM é um partido cuja existência está em perigo devido às incoerências de gestão.
Recorde-se que, nas intercalares de 2011, que elevaram Araújo ao poder no município de Quelimane, o edil alugou o MDM apenas para questões de logística. Fora disso Araújo não precisa do MDM. Ganharam em Nampula devido aos erros da Frelimo e ausência da Renamo. Em Maputo quase ganhavam pelo carisma do Venâncio Mondlane. Isto mostra que, enquanto partido, o MDM é estruturalmente fraco. O MDM não possui nem visão nem estratégia sobre o país. O seu lema “Moçambique para todos” é violado em permanência dentro dele próprio. Não poderia Venâncio Mondlane ser chefe da Bancada do MDM? Porque é que não o é?   Refere que as pessoas excluídas podem sair do partido.
Termina a sua explanação referindo que, fortificando os poderes do presidente nos estatutos, Daviz Simango quer ser um líder incontestável e poder igualmente intimidar as vozes críticas.
“Penso que o fim de tudo isto é fazer de Daviz Simango uma figura insubstituível via arranjos institucionais e manipulação dos procedimentos internos.  Se há uma coisa que o MDM não é hoje é ser democrático. Ficou cada vez mais anti-democrático, partido de clientelismos e amiguismos”, disse. Raul Senda

Fonte: Savana - 20.04.2018

quarta-feira, abril 18, 2018

Capitalizando a especulação sobre Venâncio Mondlane


Se eu fosse da direcção do partido MDM estaria grato pelo artigo do Canal de Moçambique de hoje o qual fala de Venâncio Mondlane vir ser cabeça de lista da Renamo nas eleições de Outubro.
Primeiro, junto ao jornal iria procurar saber sobre como foi a venda do jornal de hoje. Segundo, criaria um grupo de membros honestos e críticos (nada de invejosos e bajuladores) para análise dos comentários sobre o assunto aqui nas redes sociais.
Na minha opinião, este artigo, verdadeiro ou não, serviu de sondagem sobre o capital político de Venâncio Mondlane. Quem não tiver em conta nisto só pode ser quem não queira ganhar, quem está contra o próprio partido MDM. Isto não diz respeito apenas a Venâncio Mondlane, mas qualquer partido que queira ganhar eleições procura formas de conhecer a popularidade dos seus candidatos.  Por outro lado, qualquer membro dum partido que se apercebe que tem dificuldades de passar desiste a corrida para quem tem possibilidades.  

quinta-feira, abril 12, 2018

Presidente interino de Nampula "forçado" a renunciar antes da posse do novo edil

MDM admite que renúncia pode ser do interesse do partido

O presidente interino da cidade moçambicana de Nampula, Américo Iemenle, pode ser forçado a renunciar ao cargo por indicação do seu próprio partido, o MDM , antes de entregar as pastas ao novo edil eleito, Paulo Vanhale, da Renamo.

Para o chefe da bancada do MDM na Assembleia Municipal, a renúncia de Lemenle é parte de organização interna do partido, mas a tutela das autarquias alerta que Lemenle pode incorrer em ilegalidade se abandonar o cargo antes da posse do novo presidente daquele município.

A Assembleia Municipal incluiu à última hora na proposta de agenda da sua primeira sessão que decorre hoje e amanhã, a eleição de um novo presidente e vice-presidente do órgão.

Américo Iemenle, que assume interinamente a autarquia desde a condenação de Manuel Tocova em Novembro do ano passado, na qualidade de presidente da Assembleia Municipal, deverá deixar o cargo e, por inerência, a presidência da cidade antes da posse do novo edil.