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sábado, abril 23, 2016

Fomos enganados (na íntegra)

Por Olívia Massango

Não é difamação, muito menos injú­ria. Fomos mesmo ludibriados pelo Presidente Nyusi. A desilusão já pas­sou de sensação para realidade, tal e qual pas­sou o período de graça e de paninhos quen­tes. Na avaliação, após um ano e três meses de governação, em matéria de transparência o nosso presidente chumbou. Fez inúmeras pro­messas públicas que não se compadecem com o quotidiano da sua nublosa governação. A pretensão da transparência não se compadece com adiamentos. É imediato. E transparente o seu o Governo não é.
A começar pelo meloso discurso de investi­dura, reproduzido no discurso de tomada de posse do Governo e noutras ocasiões, o Presi­dente Nyusi sempre pregou a transparência, mais para a sepultura do que para a vida, num túmulo já enterrado pelos seu antecessores.
Recordemos algumas das falsas promessas:
“Exigiremos maior eficiência e melhor qua­lidade das instituições e dos agentes públicos que respeitem os princípios da legalidade, transparência e imparcialidade por forma a servir cada vez melhor o cidadão”.
“Asseguraremos que as instituições estatais e públicas sejam o espelho da integridade e transparência na gestão da coisa pública, de modo a inspirar maior confiança no cidadão. Queremos uma cultura de responsabilização e prestação de contas dos dirigentes”.

sexta-feira, abril 15, 2016

Fomos enganados

Por Olívia Massango
Não é difamação, muito menos injú­ria. Fomos mesmo ludibriados pelo Presidente Nyusi. A desilusão já pas­sou de sensação para realidade, tal e qual pas­sou o período de graça e de paninhos quen­tes. Na avaliação, após um ano e três meses de governação, em matéria de transparência o nosso presidente chumbou. Fez inúmeras pro­messas públicas que não se compadecem com o quotidiano da sua nublosa governação. A pretensão da transparência não se compadece com adiamentos. É imediato. E transparente o seu o Governo não é.
A começar pelo meloso discurso de investi­dura, reproduzido no discurso de tomada de posse do Governo e noutras ocasiões, o Presi­dente Nyusi sempre pregou a transparência, mais para a sepultura do que para a vida, num túmulo já enterrado pelos seu antecessores.
Recordemos algumas das falsas promessas:
“Exigiremos maior eficiência e melhor qua­lidade das instituições e dos agentes públicos que respeitem os princípios da legalidade, transparência e imparcialidade por forma a servir cada vez melhor o cidadão”. Ler mais (O País – 15.04.2016)

sábado, abril 25, 2015

Presidente Nyusi e o discurso camaleónico

PALAVRAS SEM ALGEMAS

Por Olícia Massango
Os ventos da mudança sopram e já aquecem o discurso do Presi­dente Nyusi. Desde o último Comité Central da Frelimo, onde o Presidente da Repúbli­ca foi eleito pelos camaradas, com quase 100% dos votos, para a direcção do partido, que o seu tom discursivo fez acrobacias e assumiu novas cores.
Quando, a 15 de Janeiro úl­timo, tomou posse na Praça da Independência, fez um dis­curso cor-de-rosa que corou os rostos dos moçambicanos, alimentado a esperança de uma nova página na História do país. Era a força do verde. Até os mais cépticos perderam o fôlego da crítica e deram-lhe um voto de confiança. Entrou para o período de graça, onde o bicefalismo do poder - de Guebuza, no partido, e o seu, no Estado - lhe rendeu mais elogios e apoios. Era inatin­gível, era a vítima do Estatuto do seu partido.
Na noite de 29 de Março, depois de eleito presidente da Frelimo, uma nova página ver­dadeiramente se abriu; com continuidade das acções, mas também com sinais de afirma­ção de uma liderança parcial­mente divorciada dos compro­missos de 15 de Janeiro, dia da sua investidura como Pre­sidente da República.
Vejamos:

segunda-feira, abril 04, 2011

O mal de agir bem

Cesta básica e subsídio aos transportados:

O Governo decidiu esta semana mudar de filosofia em termos de medidas, com vista a atenuar o custa de vida dos moçambicanos. No pacote da inovação está a introdução de uma cesta básica que contém feijão, trigo, arroz, pão e peixe, para os trabalhadores que auferem um salário igual ou inferior a dois mil meticais. Também se observa a introdução do subsídio aos transportados, através da atribuição de

segunda-feira, janeiro 03, 2011

2011 é ano novo?

Por Olívia Massango

“O homem é o único animal que é intrinsecamente descontente; daí o seu sentimento de vergonha – porque ele sabe que pode ser livre”, Osho.
A salada de acontecimentos esteve bem recheada em 2010, apenas não conseguiu aguçar o meu apetite para dela me degustar aspirando prosperidade. Meu olhar atento apenas captou inquietações cada vez que procurava o nexo de cada acontecimento. Aflições nascidas da incerteza do futuro.

sábado, novembro 27, 2010

Diálogo surdo!

Por Olívia Massango

O sector privado e o Executivo ainda não se acertaram no compasso, e cada um dança a sua música. “Como produzir com eficiência?” - tema eleito pela CTA para a XII Conferência

Anual do Sector Privado - foi uma verdadeira exibição de contrastes. Se, por um lado, se revelou um sucesso pelo nível de adesão que teve, por outro, foi um “fracasso” no que respeita à qualidade do diálogo. O sector privado apresentou minuciosamente as enfermidades que afectam a sua actividade. Nada surpreendente, porque, afinal, é de velhos problemas que se tratava (custo de transacção elevado, reformas lentas, retorno do IVA...).

segunda-feira, setembro 14, 2009

Batota na CNE?

Por Olívia Massango

Há quem diz que a política é um jogo. Secundo e digo mais: é um jogo de batota, onde ganha quem domina a arte de lu­dibriar. Os políticos, em campanha eleitoral, vendem expec­tativas procurando atingir o seu eleitorado em todos os seus pontos fracos. Até os “mais conscientes” são atingidos. Enfim, está longe o dia em que as coisas não serão assim.

Já quando se fala de Comissão Nacional de Eleições (CNE) é inaceitável a ideia de ver qualquer que seja o jogo. Até porque se trata de um órgão do Estado que se presume ser independente e imparcial na supervisão dos actos eleitorais. Regida apenas pelas Constituição e leis, a CNE deve ser independente de todos os poderes públicos e, no rol das suas competências, deve assegurar a igualdade de tratamento dos cidadãos em todos os actos do processo eleitoral. Porém, os capítulos passados da novela política que os anos eleitorais sempre nos proporcionam suscitam dúvidas relativas à natureza, competên­cia,(...) desta instituição. Ora vejamos:

Os partidos tiveram o período de 1 de Junho a 29 de Julho para a apresentação das suas candidaturas. Ok, assim proce­deram. O número 1 do artigo 173 da Lei 7/2007 diz que terminado o prazo para a apresentação de listas, o presidente da CNE manda afixar cópias, à porta da CNE. Que eu me lembre, isto não acon­teceu. O número 2 do mesmo artigo diz que, nos oito dias subsequentes ao termo do prazo de apresentação de candida­turas, a CNE verifica a regularidade do processo, autenticidade dos documentos que o integram e a ilegibilidade dos can­didatos. Quando identificada alguma irregularidade, os artigo 174 e 175 apon­tam para mecanismos de substituição. A CNE garante ter feito, mas os partidos dizem o contrário, e mais uma área de penumbra emerge entre um intervalo e outro, visto que que as provas não con­vencem os (tel)espectadores.

O artigo seguinte, 176, explica que depois desta corrida para a supressão de irregularidades (cujos cálculos apontam para 18 dias, se somarmos os oito que a CNE tem para a verificação das candi­dturas e o prazo máximo que os manda­tários têm - 10 - para eliminar as irregu­laridades), mais uma vez, a CNE afixa à sua porta as lista dos admitidos e excluí­dos. Se obedeceu ou não a Lei não sei. O que sei é que esta lista foi afixada 40 dias depois da data limite de entrega das can­didaturas (curiosamente, nos dias seis e sete do mês corrente, mas com a data de 28 de Agosto, deixando, portanto, extemporâneo o prazo de reclamação) e seis dias antes do início da campanha eleitoral. Esta lei, no seu artigo 177, tam­bém prevê reclamações ao Conselho Constitucional (CC), órgão que, por sua vez, não aceitou receber a reclamação de um partido, alegando tratar-se de um contecioso eleitoral, pelo que devia dar entrada na CNE. Entretanto, quando vou ao número 3 do artigo 184 da lei que venho citando, entendo que quando se fala de contecioso eleitoral se está a falar de uma fase posterior à da votação, e nós ainda não fomos às urnas.

Esta lei também prevê, agora no arti­go 178, uma terceira e última fase de afixação de listas, depois da apreciação das reclamações pelo CC. O que sei é que as listas foram afixadas apenas uma vez e, no mesmo dia, fez-se o sorteio, como sentença final do assunto. Isto é, deixando nula a hipótese de aceitar a entrada de outros candidatos depois de apreciadas as reclamações previstas na lei. Pior: a isto junta-se o argumento conveniente de har­monização da lei para justificar a forma de sorteio. E, sobre o financiamento, que transparência houve na entrega do dinheiro aos partidos?

Meus caros, quando se joga xadrez, os passos são muito claros, mas quando se joga “batota”, as artimanhas distraem a clareza dos processos e as explicações não são facilmente digeríveis. Ainda que as leis nos permitam manobras diversas para acomodar as nossas pretensões, elas não se sobrepõem à nossa capacidade de en­tendimento do fim que se pretende.

Fonte: O País online

Nota: Muitos com olho aberto a batota terá o seu fim.