Entrevista com Elísio Macamo
Não vê problemas na descentralização proposta pela Renamo e diz que não faz sentido que os governadores provinciais sejam nomeados pelo Presidente.
O País: Disse ao jornal Público, de Portugal, em 2013, que Moçambique é uma construção muito frágil. “É como um castelo de cartas que pode ruir, no mínimo num sopro. Qualquer grupo de pessoas com vontade e com meios pode inviabilizar um país como Moçambique”. O que falta ao nosso processo institucional e democrático para que sejamos um país sólido, onde não haja esse risco de desagregação?
Elísio Macamo: Eu fiz esse comentário numa altura em que havia fortes ameaças de guerra em Moçambique, algo que depois veio a confirmar-se. Não há guerra, mas há uma situação militar muito crítica. A questão que os jornalistas em Portugal estavam a pedir é que eu fizesse um prognóstico em relação à guerra em Moçambique.
Num Estado como Moçambique, e isso diz respeito a qualquer Estado africano - qualquer Estado em formação - as instituições não são sólidas, naturalmente. O Exército, a Polícia, todas aquelas instituições que têm a missão de garantir a estabilidade de um país, não são suficientemente fortes, de tal modo que qualquer grupo de indivíduos que tenha um mínimo de organização e que tenha armas, sobretudo, está em condições de inviabilizar, ou pelo menos de desestabilizar seriamente esses países. Mas isso tem a ver com o facto de, apesar de muitos ainda não terem a consciência disso, sermos um país muito jovem. 40 anos de independência não é grande coisa no mundo e, depois, nós estamos sempre a ser comparados com países que existem há séculos, cujo processo de formação foi tão problemático como está a ser o nosso, aqui em África. Estamos em processo de constituição do nosso Estado e nós estamos a fazer esse processo num contexto completamente diferente do contexto em que estiveram os países europeus, na constituição dos seus Estados.




