Em grande entrevista ao nosso jornal, o académico moçambicano Jaime Macuane abriu o peito, pela primeira vez, depois do atentado que sofreu há pouco mais de ano e meio. No seu jeito característico de homem frontal nas suas análises e opiniões, Macuane comentou de tudo um pouco. Dos temas mais polémicos aos suaves, o presente e perspectivas para o futuro, falou sem rodeios e sem fugir a qualquer assunto, incluindo o que mais lhe marcou num passado recente: o atentado que sofreu.
Há um ano e meio, foi vítima de um atentado que o silenciou enquanto analista político com intervenções semanais no programa Pontos de Vista da STV. Como é que interpretou este acto?
Embora seja trágico e em certo ponto duro, o atentado não foi assim tão surpreendente, tendo em conta o contexto social vivido na época. Era de se esperar, como disse numa edição do programa Pontos de vista: “todos nós podíamos ser potencialmente vítimas da violência que havia no momento”. O acto em si de forma alguma me demove do facto de acreditar que é meu dever, também direito, contribuir para que se possa debater as questões do meu país. E mesmo que sejamos vítimas desta violência que periodicamente se abate sobre nós, acho que recuar e deixar de participar não fará com que esse espírito de resolver as coisas de forma violenta acabe. Pelo contrário, vai dar mais espaço e encorajar ainda mais os protagonistas destes ataques, que pretendem silenciar os moçambicanos que não fazem nada mais do que exercer os seus direitos.





