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domingo, maio 20, 2012

terça-feira, agosto 04, 2009

“Somos ladrões porque estamos vivos?”

Alberto Chipande diz não haver mal nenhum em os dirigentes da Frelimo acumularem riqueza

O veterano da luta de libertação nacional e membro da Comissão Política da Frelimo, Alberto Chipande, lançou um violen­to ataque a alguns círculos de opinião que acusam dirigentes do partido Frelimo de enrique­cerem à custa do povo moçam­bicano.

Chipande, que falava à mar­gem da cerimónia de apresen­tação do novo corpo directivo do Corredor do Desenvolvi­mento do Norte, no qual assu­me à presidência da mesa da assembleia-geral, defendeu o direito de riqueza aos altos di­rigentes do seu partido.

“Hoje existe uma tendência de se dizer que todos os dirigen­tes da Frelimo são ricos. Eu per­gunto: ricos de quê e em quê?”, disse para em seguida respon­der à sua própria pergunta: “e se for rico (o dirigente da Fre­limo) qual é o mal? Afinal de contas não foram os mesmos que trouxeram à independên­cia que vocês estão a usufruir?”, questionou Alberto Chipande, perante uma considerável pla­teia composta, maioritariamen­te, por jornalistas.

“Somos ladrões porque estamos vivos?”

Prosseguindo com a explana­ção em prol da acumulação de riqueza, Chipande lançou críti­cas contra aqueles (a imprensa incluída) que, na sua opinião, denigrem a imagem dos diri­gentes da Frelimo e do governo suportado por este partido polí­tico, no poder há mais de trinta anos.

“Denigrem a imagem (dos dirigentes), chamam ladrões e corruptos(...). Estes homens (os dirigentes da Frelimo) não mudaram nada. São os mesmos desde há 40 anos (altura em que a Frelimo foi fundada)”, disse para, depois, acrescentar que “se Mondlane e Machel fos­sem vivos, seriam também acu­sados de serem ladrões. Somos ladrões porque estamos vivos?”, indagou Alberto Chipande com ar de bastante irritação.

“Não se é capitalista sem capital”

Num outro desenvolvimen­to, aquele veterano da luta de libertação nacional voltou a defender a rectidão da linha político-económica levada a cabo pela Frelimo, logo após a proclamação da independên­cia nacional. Para Chipande, a escolha do socialismo era uma questão lógica pois, na sua vi­são, não percebe como é que se poderia ser “capitalista sem capital”. Mais: Chipande de­fendeu a nobreza dos ideais so­cialistas, dando como exemplo a necessidade dos corredores (incluindo o do norte onde é accionista) estarem ao serviço de Moçambique e dos moçam­bicanos. “O corredor vai conti­nuar socialista para beneficiar o povo e não para um punhado de gente. Queremos capital so­cialista e não capitalista. A nos­sa política continua a mesma de há 40 anos”, vincou o velho general.

Fonte: O País online