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terça-feira, fevereiro 16, 2010

Fraude no ISCISA/inquérito implica director científico

O inquérito aberto pelo Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) implicou o respectivo Director Científico, José Nunes Gilberto, na fraude detectada nos exames de admissão para os diversos cursos ministrados naquele estabelecimento de ensino. Leia mais aqui

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Suspenso director científico do ISCISA


FOI terça-feira última suspenso de todas as funções, no Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), o director científico, José Nunes Gilberto, suspeito de envolvimento na fraude que ocorreu na instituição e que obrigou a direcção daquele estabelecimento de Ensino Superior a adiar a realização dos exames de admissão nas províncias de Maputo e Gaza. Esta medida foi tomada pelo director do ISCISA, Aurélio Zilhão.
No seu segundo comunicado desde que despoletou o assunto relativo à existência duma eventual fraude no último fim-de-semana, Aurélio Zilhão aponta que, “face aos acontecimentos registados no ISCISA, envolvendo o director José Nunes Gilberto, determino a sua suspensão imediata de todas as funções nesta instituição. Consequentemente, ordenar a abertura de inquérito de forma a apurar o grau de envolvimento do director científico no processo de fraude”.
José Gilberto Nunes, juntamente com o estudante Ussene António, foi constituído arguido neste caso por ser até aqui um dos principais suspeitos no envolvimento na fraude, que obrigou a direcção do instituto a suspender, nas províncias de Maputo e Gaza, os exames de admissão, tendo nas restantes províncias as provas sido realizadas.
Interrogado pelos agentes da Polícia de Investigação Criminal (PIC), na 7ª Esquadra da cidade de Maputo, onde se encontra encarcerado desde o último sábado, Ussene António disse que todos os exemplares dos exames encontrados na sua posse foram-lhe entregues para vender pelo director científico, José Gilberto Nunes. Cada exemplar custava cinco mil meticais e para o caso dum interessado em adquirir exemplares de disciplinas diferentes o preço podia baixar até dois mil meticais cada enunciado da prova.
Ussene António, único detido neste processo, foi encontrado na posse de exemplares dos exames das disciplinas de Português, Matemática e Biologia, depois de detido algures na cidade de Maputo, quando vendia as provas depois de cair numa armadilha montada pelos agentes da Polícia que se fizeram passar por estudantes interessados no negócio.
Porque os exames de admissão começaram a circular três dias antes da sua realização, a Direcção do ISCISA decidiu suspender a realização dos testes nas províncias de Maputo e Gaza e remarcá-los para os dias 26, 27 e 28 de Janeiro.
Em comunicado, o ISCISA refere que soube da existência de tentativa de fraude através da Imprensa, que denunciou o facto de alguns textos de exames de admissão para os diversos cursos terem sido extraviados e vendidos dias antes. Em face desta situação, a direcção do ISCISA tomou a decisão de suspender as provas de admissão nas províncias de Maputo e Gaza e mantê-las nas restantes províncias, mesmo debaixo de vozes discordantes por parte dos candidatos das províncias que viram o processo anulado.

Fonte: Jornal Notícias (21.01.2010)

Reflectindo: bem haja, Aurélio Zelhão. Isto é o que tenho sempre clamado, pois acima de tudo há responsabilidade ética e moral para além daquilo que é da responsabilidade jurídica neste tipo caso.

ISCISA suspende exames de admissão em Maputo e Gaza

O Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) decidiu suspender a realização dos exames de admissão nas províncias de Gaza e Maputo, devido à fraude detectada naquele estabelecimento de ensino. Porém, a direcção do ISCISA decidiu mantê-las nas restantes províncias do país. As primeiras investigações dão conta de alegado envolvimento na referida fraude do director científico daquela instituição. Recorde-se do assunto aqui.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Fraude no ISCISA: Polícia interroga director científico

JOSÉ Nunes Gilberto, Director Científico do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), em Maputo, está desde o último sábado a ser ouvido por uma brigada da Polícia de Investigação Criminal (PIC) afecta à 7ª Esquadra da cidade de Maputo, suspeito de envolvimento num esquema de venda de exemplares dos exames de admissão àquela instituição de ensino, cujo arranque está marcado para esta manhã em todo o país. Em conexão com o caso, a Polícia também deteve e continua a interrogar Ussene António, estudante do ISCISA, encontrado na posse de onze exemplares das provas que, segundo o indiciado, lhe teriam sido entregues por José Nunes Gilberto com a missão de colocá-los no mercado.

Ussene, que confessou à Polícia tratar-se apenas de um intermediário do negócio do director, foi encontrado na posse de exemplares dos exames das disciplinas de Português, Matemática e Biologia, que de acordo com o calendário estabelecido deviam ser realizados de hoje até quinta-feira desta semana.

Dados apurados pelo “Notícias” indicam que Ussene António foi detido na tarde do último sábado numa casa de pasto algures na cidade de Maputo, onde procedia à venda dos exemplares, depois de ter caído numa armadilha montada pelos agentes que se fizeram passar por estudantes interessados no negócio.

Animado pelo sucesso das vendas, Ussene acabou dizendo à Polícia que além dos exemplares que trazia consigo tinha outros, de outras cadeiras em sua casa. Tais exemplares acabariam por ser recuperados pela Polícia após buscas na residência de Ussene.

Por cada prova, segundo a Polícia, o suspeito cobrava (cinco) mil meticais com direito a desconto até dois mil meticais para quem quisesse adquirir mais do que um exemplar.

O negócio foi descoberto no sábado por um grupo de estudantes que, apercebendo-se de uma movimentação estranha de exemplares das provas, envolvendo elementos da direcção e seus colegas, tratou de alertar a Polícia que, de imediato, colocou uma equipa de investigadores que rápida e facilmente se infiltrou na rede devido à avidez dos suspeitos pelo negócio.

Contactado ontem pela nossa Reportagem, o Reitor do ISCISA, Aurélio Zilhão, disse que não tinha nenhuma informação sobre a ocorrência, e que a instituição estava preparada para realizar os exames de admissão a partir de hoje.

“Hoje (ontem) não vi o director científico, mas mesmo assim não achei nada estranho, pois, tanto quanto sei, ele devia estar a caminho de Gaza, onde iria dirigir o processo de exames de admissão. Portanto, não sei de nada”, disse Zilhão.

Arnaldo Chefo, porta-voz da PRM na cidade de Maputo, que confirmou o facto à nossa Reportagem, disse que a equipa de investigadores ainda está à procura de mais elementos que possam sustentar o suposto envolvimento do Director Científico do ISCISA no caso, sublinhando que até agora só existem provas contra o estudante Ussene António.

“O estudante só disse que José Nunes Gilberto foi quem lhe contactou a fim de servir de intermediário no negócio. Estamos a trabalhar para ver até que ponto isso é verdade. O estudante está detido porque em sua posse foram recuperados onze exames”, disse Chefo.

Segundo soubemos, a PIC está igualmente a seguir a pista de um estudante do ISCISA alegadamente visto no Aeroporto Internacional de Maputo a despachar um envelope contendo exemplares dos referidos exames, que aparentemente tinham como destino a província de Tete. Além deste dado, os investigadores estão igualmente a trabalhar com uma outra pista que dá conta de que outros exames foram alegadamente espalhados pelo país fora, via Internet, e que há receptores em todas as províncias incumbidos de vendê-los.

Desde a sua criação, o ISCISA vem sendo abalado por vagas de instabilidade, com os estudantes a manifestarem-se sistematicamente contra o mau ambiente e desmandos protagonizados por alguns quadros de direcção, incluindo o Director Científico, José Gilberto.

Fonte: Jornal Notícias (19.01.2010)