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sexta-feira, março 17, 2017

António Prista diz que dinheiro viciou algumas organizações da sociedade civil

Quem também foi cáustico no seu discurso foi António Prista, académico e membro do “Grupo da Petição - Não queremos privatização dos espaços públicos”. Desta vez as críticas não foram para os dirigentes políticos, mas para as próprias organizações da sociedade civil. Prista diz que o dinheiro “viciou” muitas organizações, ao ponto de trabalham só quando há financiamento. “Até parece que para ser cidadão e preocupar-me com a minha cidade só posso fazer se me pagarem”, desabafou.
Defende que é urgente “convencer” as organizações a moverem-se por ideias e não por oportunidades financeiras. “HIV/Sida é um exemplo disso. Há muita gente metida lá porque há dinheiro. Não estão lá por causa da doença, mas porque há dinheiro para o HIV”.
A questão do dinheiro, ou melhor, da sua falta, foi colocada na apresentação do estudo como um desafio para a participação da sociedade civil no desenvolvimento urbano. “Nunca tivemos nenhum apoio financeiro e as pessoas precisam de estar motivadas, temos que comprar crédito (...). As pessoas formam-se, capacitam-se e depois vão ficar em casa, porque não há financiamento para implementar (...)”. Este é um depoimento reproduzido no estudo “Cidadania Urbana” e que resume a problemática do dinheiro na participação política dos cidadãos.