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terça-feira, agosto 18, 2026

A LUTA É DE TODOS NÓS. O INIMIGO É UM SÓ PARA TODOS NÓS.

 Por: Luciano Armando Tarieque

Tenho dito e vou continuar a dizer: esta guerra não é só de um partido da oposição. É de toda a oposição. É de todo o povo que quer mudança, que quer justiça e que quer um país diferente.
Já viram? Quando a oposição luta entre si, a FRELIMO luta e combate toda a oposição ao mesmo tempo. Enquanto gastamos energia a nos atacar, o regime avança, prende, cala e persegue. E no fim, quem sangra somos todos nós. O militante, o simpatizante, o cidadão comum que só quer viver em paz.
No dia 12 de agosto, em Nampula, foi o MDM que sofreu. E o que ouvi? Em vez de solidariedade, saíram insultos vindos da própria oposição. "Vocês acabaram. Vão lá se juntar com o ANAMOLA". Como se a dor de um fosse motivo de festa para o outro. Como se a repressão contra um fosse vitória para o outro lado.
No dia 15, em Quelimane, foi a ANAMOLA que sofreu. E adivinha? A pergunta voltou: "Os outros partidos da oposição estão onde?" Ninguém lembrou que o problema é comum. Ninguém lembrou que a mão que bate hoje em um, bate amanhã em todos.
O maior problema está dentro de nós. É a síndrome do "só o meu partido salva". Há dirigentes e militantes na oposição que juram de pé junto que só a sua sigla tem moral, só o seu líder tem visão, só a sua estratégia funciona. E desprezam todos os outros. Esquecem que solução não está no nome do partido. Solução está no pensamento. Está na comunicação eficaz. Está na planificação séria. Está na produção de estratégias com eficácia. Está na capacidade de ouvir o povo e unir forças.
Esse orgulho cego está a matar a luta. É o "meu partido primeiro, o país depois". É o "se não for comigo, então que se dane". É o "eu sou mais oposição que tu". Mas pergunto: de que vale ter o melhor discurso se não consegues chegar ao povo? De que vale ter as melhores ideias se não consegues dialogar com quem pensa diferente? De que vale chamar-se de alternativa se age igual ao regime, dividindo, excluindo e humilhando?
O povo não vota em sigla. O povo vota em esperança. E esperança se constrói com pensamento claro, com comunicação eficaz e com planificação e estratégia. Pensamento claro é saber qual é o problema real do país e qual é a proposta concreta para resolver. Não basta gritar "abaixo". É preciso dizer "vamos fazer assim". Comunicação eficaz é falar a língua do povo. É ir às rádios comunitárias, às igrejas, aos mercados, aos bairros. É explicar sem arrogância e ouvir sem interromper. O povo está cansado de discursos de palco. Planificação e estratégia é ter um plano para ganhar eleições, para fiscalizar, para governar e para resistir à repressão. Estratégia não é improviso. É trabalho de gabinete, de base e de formação de quadros.
Nenhum partido sozinho tem tudo isso. A RENAMO tem história e estrutura. O MDM tem quadros técnicos. A ANAMOLA tem a energia da juventude e das ruas. O PODEMOS tem penetração nova. A Nova Democracia tem quadros. Separados, cada um tem uma peça do puzzle. Juntos, temos o quadro completo. Mas enquanto cada um achar que só a sua peça serve, o puzzle nunca vai ficar pronto.
A história já nos avisou. Basta lembrar o que aconteceu com o PDD entre 2008 e 2009. Naquele tempo o PDD deu esperança a muitos moçambicanos. Fabricava roupa com timbre do partido. Distribuía motas da marca Salink quase para todos os distritos. Entregava roupas em grande quantidade. O povo acreditou, porque estava cansado e queria acreditar em algo novo. Mas o povo descobriu tarde demais que o PDD era um prolongamento da língua da FRELIMO, criado com um único objetivo: combater a RENAMO e dividir a oposição. Era isco. Era armadilha. Em menos de 5 anos o PDD desapareceu. E o final do jogo? O fundador e presidente foi premiado como embaixador de um país X. Enquanto isso, os militantes ficaram sem partido, sem rumo e com a esperança traída.
É por isso que temos que ter cuidado com alguns espetáculos dos nossos líderes. Há oposições e discursos que só servem para garantir o império de Gaza. Há gente que prefere ser líder de três gatos a ser parte de uma frente que muda o país. Há gente que troca o futuro da nação por protagonismo barato.
A oposição deve sentir e respeitar o posicionamento da outra oposição. Deve entender que a diferença de ideias não pode virar guerra. Pode haver divergência de estratégia, pode haver debate, pode haver crítica. Mas nunca pode haver traição, insulto e humilhação pública. No final, temos que nos juntar para buscar solução. Sentar à mesma mesa. Ouvir. Ceder. Construir. Sem insultar. Sem humilhar. Sem apontar dedo.
Porque se continuarmos assim, vamos ser derrotados um por um. Separados somos alvos fáceis. Juntos somos força. Juntos somos voz. Juntos somos voto. Juntos somos história.
O povo já está cansado de ver a oposição a morder a própria cauda enquanto o regime ri. O povo quer ver unidade. Quer ver maturidade. Quer ver que os líderes entendem que a causa é maior que o partido, maior que a sigla, maior que o ego.
Hoje é o MDM. Amanhã é a ANAMOLA, o PODEMOS, a Nova Democracia. Depois de amanhã pode ser a RENAMO. E depois? Quem sobra? Se não nos levantarmos agora, não sobra ninguém.
A luta é de todos. A dor é de todos. A vitória tem que ser de todos. Chega de vaidade. Chega de achar que só o meu partido salva. Chega de infantilidade política. Hora de sentar, conversar e construir uma frente comum. Hora de colocar o país acima do partido. Hora de provar que estamos prontos para governar, porque primeiro aprendemos a caminhar juntos.
Porque no dia em que a oposição entender que o problema é um só e a solução é coletiva, nesse dia o regime vai tremer.
LATA
Cidadão vigilante na reserva aberta

domingo, dezembro 14, 2025

Sobre o regresso do debate político em Mocambique

 Felizmente, gracas ao Venâncio Mondlane o debate político multipartidário voltou em Mocambique.

Depois da morte de Mahamudo Amurane, Afonso Dlhakama e Depois Daviz Simango, os que vibravam, o debate político e sobretudo, multipartidário já havia acabado em Moçambique. A Frelimo (ou os seus membros) já fazia(m) tudo que queria(m) fazer. Entre, o que havia restado era a linha entre pró-Guebuza e pró-Nyusi.
Nas eleições autarquícas de 2023 surge um fenómeno que há muito a Frelimo evitou, mas que parece que estava convencida que estava sob controle do munna Ossufo Momade. Tratava-se de Venâncio Mondlane que nas eleições autárquicas de 2013, como candidato do MDM para edil de Maputo, teve a melhor prestação da oposição e levou para a Assembleia Municipal o maior número de membros, apesar da toda fraude.
Para eleições autarquícas de 2018, o partido no poder aproveitou-se das lutas entre os partidos da oposição para eliminar com sucesso a candidatura do VM. Infelizmente foi o meu partido, o MDM, aproveitado para Venâncio e Ricardo de Tete serem eliminados.
Dez anos depois, nas eleições autárquicas de 2023, Venâncio logra a sua candidatura para edil de Maputo numa altura que ele e o seu grupo de apoio estavam muito preparados na fiscalização desde o recenseamento eleitoral. Muitos devem se lembrar do recenseamento fraudulento em casas de secretários denunciados por fiscais da Renamo em Maputo. Quem tem prova que Venâncio Mondlane não tenha sido o verdadeiro vencedor nas autárquicas de 2023?
O munna OM e a cúpula abandonaram o Venâncio quando reivindicava a verdade eleitoral, um sinal para muitos que o munna Ossufo já estava possuído pela Frelimo. Quanta vergonha minha!
Para o bem da democracia em Moçambique, o Venâncio avançou para as eleições presidenciais de 2024, contando com todos os mocambicanos que o apoiassem. As suas alianças foram sendo eliminadas e infelizmente com apoio da Renamo e o meu partido MDM que são da oposição. Quanta ironia!
A continuidade da luta política de Venâncio Mondlane desde o pós-eleições autárquicas de 2023, devolveu-nos ao debate político. Os que são radicais membros e simpatizantes da Frelimo já voltaram para lá e arremessam contra a oposição. Infelizmente, muitos o fazem porque querem ter a mesma sorte que o Egidio Vaz e aqueles outros tiveram. Os que são da oposição com convicção de mudanças e não com CRENÇA de que é desta que vão ser deputados já voltaram ao debate político.