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sexta-feira, março 10, 2017

Suécia defende inclusão das mulheres no processo de paz moçambicano

A embaixadora da Suécia em Moçambique, Irina Schoulgin Nyoni, defendeu hoje em Maputo a inclusão das mulheres nas negociações de paz em Moçambique, assinalando que este grupo populacional é a principal vítima das guerras no mundo.
Em declarações aos jornalistas, no final de um encontro com o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, a quem apresentou cumprimentos de despedida, Nyoni disse que o processo de paz em moçambicano deve ser o mais inclusivo possível.
"A principal mensagem que posso deixar em relação ao processo de paz é que deve haver atenção em relação à inclusão, estou a pensar nas mulheres, que normalmente são as vítimas da violência", declarou a embaixadora da Suécia.
Além de serem as mais afectadas, continuou, as mulheres devem ser protagonistas na formulação de políticas de reconstrução pós-conflito, para verem salvaguardadas o direito à igualdade do género.
Irina Schoulgin Nyoni adiantou que deixa Moçambique num momento em que as relações bilaterais estão num bom patamar e têm sido caracterizadas pela intensificação do apoio sueco ao desenvolvimento do parceiro africano e por um diálogo franco em várias matérias.

segunda-feira, outubro 17, 2016

Declarações do Presidente nigeriano em Berlim causam polémica

Ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, Muhammadu Buhari disse que o lugar da sua mulher é na cozinha e em casa e não na política. Choveram críticas de imediato.
Na origem está a afirmação da primeira-dama nigeriana, Aisha Buhari, que disse recentemente que não apoiaria o marido à reeleição se ele não fizesse mudanças no Governo. 
Em visita de Estado à Alemanha, o Presidente Buhari comentou assim a declaração da esposa: “Não sei a que partido pertence a minha esposa. Ela pertence à minha cozinha, à minha sala e aos restantes compartimentos da minha casa”. Afirmação proferida ao lado daquela que é considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo, a chanceler alemã Angela Merkel. 
O comentário de Buhari desencadeou um longo rol de reações, principalmente nas redes sociais. Em entrevista à DW, Auwal Musa Rafsanjani, do Centro de Advocacia Legislativa da Sociedade Civil na Nigéria, criticou o depoimento do chefe de Estado. “Em tempos modernos, em que se fala na participação das mulheres na governação e na política, este tipo de declarações mostram que não há interesse no progresso das mulheres.”

Mas há também quem apoie o chefe de Estado."Porque se se deixar que outras pessoas interferam na administração haverá problemas. Na anterior administração havia um número execssivo de donas de casa no Governo. Para Buhari isso é inaceitável. E para muitas pessoas de direita também. Foi por isso que o Presidente extinguiu o gabinete da primeira-dama, era desnecessário”, justificou Ahmed Baba Kaita, membro da Câmara dos Representantes da Nigéria. Ler mais ( Deutsche Welle, 17.10.2016)

quinta-feira, junho 09, 2016

ONU Mulheres considera alarmantes casos de violação sexual em Moçambique

A ONU Mulheres em Moçambique qualificou hoje em Maputo de alarmantes os casos de violação sexual no país, exigindo medidas urgentes das autoridades moçambicanas.
"A escalada da violência sexual contra mulheres e raparigas nos espaços públicos em Moçambique é muito alarmante", refere uma nota da organização, enviada hoje à Lusa, observando que a violência em espaços públicos é uma realidade diária no país.
A ONU Mulheres em Moçambique exige a responsabilização dos autores deste tipo de crime e considera que as autoridades moçambicanas devem adoptar medidas urgentes para a prevenção de casos de violação no país.
"Somamos a nossa voz para condenar e instamos as autoridades competentes para empenhar todo o peso da lei contra os agressores", refere o comunicado, que condena dois casos ocorridos recentemente em Maputo.
No passado dia 06, uma mulher de 35 anos de idade foi violada e morta por cinco indivíduos, no bairro Xipamanine, subúrbios da capital.
Na mesma semana, uma adolescente de 16 anos foi violada por quatro homens no bairro de Guava, distrito Marracuene, arredores de Maputo, tendo também falecido no local.

Fonte: LUSA – 09.06.2016

sábado, abril 02, 2016

As saias das alunas têm machismo pintado (na íntegra)

Por Boaventura Mojane

A partir de este ano, os uniformes femininos das escolas secundárias de Maputo não terão mais saias “curtas”. A decisão foi divulgada nos regulamentos internos das instituições de ensino que consideram que a vestimenta acima do joelho “facilita o assédio sexual”.
Ao reprimir as manifestantes feministas que se concentraram no exterior da Escola Francisco Manyanga, a 18 de Março, e prender cinco mulheres que lutavam pela liberdade dos seus corpos, também a polícia moçambicana pareceu sentir-se “ameaçada” com o tamanho das saias destas crianças e jovens.
Acompanhei a pouca repercussão que o assunto teve nas redes sociais e assustei-me com as publicações e comentários que fui lendo: aplaudiam a directiva, repudiavam o protesto, ridicularizavam as feministas – insultando-as – e culpabilizavam as meninas e mulheres pela violência de que são vitimas, acusando-as de provocar os incautos homens.

terça-feira, março 22, 2016

SERÁ UMA CONTRIBUIÇÃO PARA O 7 DE ABRIL QUE SE APROXIMA?

Eu já contei aqui neste no Diálogo sobre Moçambique, dois casos que aconteceram em Nampula e que tive que intervir.
1. Uma turista é atacada por jovens na feira em Nampula que localizava em frente da Catedral, com alegacão de que ela tinha saia curta. Dos homens a socorrê-la fui eu e um amigo que vinha da Holanda mas também natural de Nampula, o resto foram tantas mulheres.
2. Precisamente em Muatala, eu vindo donde acompanhava a uns amigos, ouvi uma mulher a chorar e vindo para o lado onde eu estava. Afinal dois moços lhe seguiam para lhe violarem sexualmente. Pedi-lhes para pararem e me explicarem do que se passava. Felizmente, os jovens pararam e disseram-me que iam violar sexualmente a moça porque é o que ela queria ao andar de noite. Fiz-lhe algumas perguntas como, se eles também podiam ser violados porque andavam de noite. Esta entre outras perguntas... Durante a conversa com os moços, a jovem conseguiu fugir.
Ora, tudo isto acontece devido à educacão que nós homens recebemos em casa, na sociedade, como é okhalawai (ritos de iniciação masculina) e mesmo em instituições públicas como escolas que dão o direito aos homens de decidirem sobre a mulher, sobre o que é bom ou não para elas, o direito de violá-la, etc. Apesar da longa luta pela igualdade entre homens e mulheres ainda são poucos os homens que respeitam a mulher, poucos homens que aceitam que a mulher tem o direito de decidir por si. Etc. etc. É notável isso nas conversas entre homens e até há mulheres incluindo académicas, de carreira, dirigentes, que já cederam. Nas escolas, nos locais de trabalho, não há debates sobre a igualdade entre os homens e mulheres.


Será esta uma reflexão para o 7 de Abril que se aproxima? Depende de todos nós, mulheres e homens. 

sábado, maio 05, 2012

“Mulher não é só para dançar nas missas”, diz Padre Zé Luzia em Nampula

O padre português José Luzia Gonçalves, com mais de 40 anos de sacerdócio em Moçambique, defende em livro o reconhecimento e integração da mulher em acções pastorais, considerando que "a mulher não é só para fazer danças nas missas".

domingo, março 11, 2012

Vinte e três homens morrem vítimas de violência doméstica

Vinte e três homens morreram por agressão com recurso a piladores e paus, entre outros instrumentos contundentes, protagonizada pelas suas próprias esposas durante o ano passado, na província de Tete. Este tipo de violência doméstica, que se considera um fenómeno novo, já preocupa a Direcção da Mulher e da Acção Social, de acordo com a respectiva chefe, Páscoa Sumbana Ferrão.
Entrevistada ontem pela nossa Reportagem, à margem do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, Sumbana sublinhou que a violência doméstica está a atingir o apogeu na província de Tete e já se registam mortes de homens.
Sem mencionar o número de homens que perderam a vida em 2010, por espancamento, ela considerou que se trata de uma revolta que as mulheres estão a fazer, quando saturadas de violência doméstica em que elas são as principais vítimas. Ler mais

sábado, fevereiro 11, 2012

Mãe abandona bebés gémeos no serviço do marido na Beira

Queixa do esposo resulta no seu encarceramento

Uma mulher de 25 anos de idade, Joana Barnabé, está a contas com as autoridades policiais, na cidade da Beira, acusada de ter abandonado, na terça-feira, seus bebés gémeos, de três meses de vida, na porta do serviço do seu marido algures no bairro de Matacuane, soube ontem o “Diário de Moçambique”. De acordo com a Polícia, o caso deu-se à flor do dia, quando a referida mulher, que até ontem encontrava-se sob custódia policial na 3ª Esquadra, decidiu abandonar os seus filhos menores no serviço do seu esposo, Aurito Duarte, 30 anos de idade, alegadamente porque este estava a expulsá-la da casa sem nenhuma justificação.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Qual é/era a visão verdadeira de Muammar Gaddafi sobre a mulher?

Segundo Angola Press (aqui), Gaddafi afirmou o seguinte: "Mesmo que não ouçam minha voz, mantenham a resistência. Não nos renderemos. Não somos mulheres e vamos continuar a combater".

Reflectindo: Aqui já me parece que Muammar Gaddafi tem uma certa visão sobre as mulheres.

quarta-feira, março 30, 2011

Linette Olofsson - a Life Spent in Politics

By Charles Maraia

Mopeia District — There is no way one can have a conversation with Linette Olofsson without being dragged into her collection of images about her community agricultural project in central Mozambican Province of Zambezia.
It has been seven years since she left the Mozambican parliament and started the Nfuma Yatho project.
Nfuma Yatho, which means "our wealth" in the local Sena language, integrates diverse community groups: women, local leaders and families who before did not have any other source of income. The project combines livestock, fishing, a mill and a wood-fired bakery.

terça-feira, agosto 18, 2009

Conceição Osório: “As instâncias partidárias exprimem modelo de dominação masculina”

Contra-argumentando a matriz político-partidária de construção ideológica de quem é herói nacional, o bantulândia escolhe e consagra Conceição Osório para uma das heroínas em direitos humanos da mulher moçambicana contemporânea. Seus feitos, socialmente reconhecidos e reflexões públicas e privadas sobre a essência de dignidade da mulher, concorreram para que este blogojornalismo a pedisse, em entrevista, para debater sobre a sua incansável, porém compensatória, luta pelos direitos da pessoa feminina, no contexto moçambicano. Este canal convida o (a) leitor(a) a saborear a racionalidade de Conceição Osório, cuja fineza académico-intelectual e activismo cívico são recomendáveis. Isso, contudo, não quer dizer que ela não sofra posicionamentos contrários, em virtude de algum tipo de conservadorismo religioso-ancestral e tradicional local, em alguns pontos sobre direitos da mulher. Josué Bila é condutor da entrevista.

Bantulândia - Um pouco antes de ‘90 circulava e se usava a expressão “emancipação da mulher” e um pouco depois de ’90 ouvimos falar de “direitos das mulheres”.
- Em termos práticos, qual é a diferença destes dois conceitos?

CO - A noção de emancipação tem a ver com a libertação das mulheres e foi muito utilizada logo a seguir à conquista da independência nacional, em 1975, num contexto em que se lutava por um novo modelo político e social para o país. Na realidade, para nós, feministas, a questão central tem a ver com os direitos humanos das mulheres, o acesso e exercício desses direitos, que vão desde a ocupação do espaço público à liberdade de decisão sobre a sexualidade e a reprodução.
Então, nós preferimos “libertar-nos” da abstração e das generalizações para onde somos empurradas quando usamos o conceito de emancipação, substituindo-o pelo de direitos, que clarifica a necessidade de alterar as relações de poder, que caracterizam as relações sociais de género.

Para continuar ler clique: Bantulândia

quarta-feira, julho 22, 2009

O problema de igualdade de género na Lei sobre a Violência Doméstica

A Lei sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher que foi rodeada de muita polémica, por não estabelecer igualdade de género, parece conter ainda algumas questões que levantarão debates acesos se ela na prática for aplicada, o que eu desejo ardentemente que seja. Ora vejamos, o que o Notícias escreve sobre o caso de transmissão de doença transmissão sexual:

“Aquele que, consciente do seu estado infeccioso, mantiver cópula consentida ou não com cônjuge, namorada, mulher com quem tem ou teve uma relação amorosa duradoura, laços de parentesco ou consanguinidade ou mulher com quem habite no mesmo tecto transmitindo-lhe doença de transmissão sexual será punido com pena de dois a oito anos de prisão maior, sendo a mínima elevada a três anos.

Se da cópula resultar a transmissão do HIV, a pena será de oito a doze anos de prisão maior.”


Será que na Lei aprovada mantém-se o termo transmitir doença à mulher como está no Notícias ou mudou para transmitir doença ao seu parceiro sexual que inclui homem ou mulher?