Continuacão da série
Para o Nuno Amorim, o anónimo, por sinal membro ou simpatizante da Frelimo que questiona a sua postura, não pode ser outra pessoa senão o Reflectindo. Apenas eu perguntaria ao Nuno Amorim, se ninguém dos seus mais próximos já lhe criticou pelo discurso. Será que todos eles, incluindo os seus superiores, já estão claros sobre o que faz o José de colonialista, de um assassino dos moçambicanos?
Acredito que dentro da Frelimo, partido que Nuno Amorim usa para o seu discurso racista e tribalista é constituido por uma maioria não racista e tribalista. Os estatutos da Frelimo são claros nesse aspecto e o discurso racista e tribalista viola estes mesmos estatutos.
Contudo, tenho vindo a apontar aqui que o tipo do discurso do Numo Amorim não constitue caso inédito. Para alguns a minha insistência pode parecer desnecessária Mas todos nós sabemos como é sério este problema. Zimbabwe é caso muitíssimo vivo e recente. Por outro lado, é necessário imaginarmos o nosso sentimento se coisa semelhante fosse dito por um “branco” contra nós.
Mas para eu não ser abstrato vou citar alguns exemplos desse tipo de discurso, demonstrando que está sendo hábito para algumas pessoas:
Um que se fez passar por nome de Leonel Paulo Ivo, no Moçambiqueonline, uma vez escreveu o seguinte:
“... Aproveito para lembrar o que aconteceu logo depois dos Acordos de Lusaka: brancos e mestiços não aceitaram de modo algum que os donos da terra a tomassem de volta. Veja só a gravidade desse assunto: Mesmo depois dos Portugueses terem aceito devolver a nossa terra, os mestiços e alguns brancos não aceitavam de modo algum! Juntaram-se, armados, para atacar os moçambicanos, impedindo que nós nos governássemos a nós mesmos. O povo apercebendo-se disso fez questão
de os afastar e aconteceu aquele banho de sangue (a FRELIMO nem estava envolvida nisso). Foi o povo por si só que derrubou os brancos e mulatos, a FRELIMO já tinha derrubado os colonialistas.
Acontece que alguns indivíduos desse grupo não ficaram satisfeitos. Essa insatisfação lhes governa até hoje. Para esses indivíduos a FRELIMO é a culpada das perdas das suas mordomias...” (veja
aqui).
Segundo um artigo de Machado da Graça (ler
aqui ou
aqui), João Candiane Cândido, actualmente Vice-Ministro da Mulher e Acção Sociais, chamou entre outros nomes ao da Graça de moçambicano não genuino. Se bem que muitos se preocuparam em saber do que era ser moçambicano genuíno e não genuíno, ficámos sem saber se os seus superiores hierárquicos de Cândido já o pediram a explicação. O problema deste discurso é que ataca uma boa boa parte de nossos compatriotas. Então, vamos considerar de normal?
Durante a campanha eleitoral para as autárquicas, na cidade da Beira, levantou-se um caso que me deixou confuso. O governador da província de Sofala, Alberto Vaquina, deplorou a questão do racismo supostamente levantada, na campanha para as eleições municipais na cidade da Beira. Foi dito que alguns dos adversário de Lourenço Bulha, baseiando-se de ele ser um mestiço apelavam para não se votar por ele. O que deixou-me confuso é o facto de Vaquina não ter dito se este tipo de adversários estava dentro ou fora do partido Frelimo. Contudo, Vaquina avançou com um exemplo pessoal que permite que dentro da Frelimo e na Beira podia havia esse discurso racista. Vaquina que é casado com uma branca e tem filhos mestiços, disse que houve tempo que pessoas disseram-lhe que devia reduzir o número de brancos que vinham visitar-lhe. Quem eram essas pessoas? Não terão sido as mais próximas? (veja
aqui e
aqui). Em ambos os casos, não estou a dizer que não possam ser pessoas fora da Frelimo, mas há sempre o que me obriga a suspeitar. Após a vitória de Armando Guebuza houve pessoas que escreveram claramente no Imensis que ele não devia colocar nenhum branco no seu elenco governativo.
Seja como for, este tipo de discursos chamo de uma oferta envenenada, uma oferta amarga e uma vergonha de todos nós.