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sábado, maio 12, 2012

Rei morto.. Rei posto

Por Palmeirim Chongo

E eis que a nova DJ veio tocar a sua musica em Maputo, por sinal a primeira discoteca em que actua fora de portas. No inicio, como bons anfitriões era tudo sorrisos e som estava bom para valer. Mas não é de repente os passos de dança começaram a falhar, alguns dançarinos que a pouco pareciam eximios, a dado momento estavam a pisar os calos dos respectivos pares. “But Why”? É que de repente no auge de um pandza, a DJ malawiana resolveu misturar aquela desagradavel musica cujo refrão é a “navegabilidade dos rios Zambeze e Chire”. Tudo indica que com esta musica pisam-se muitos calos, calos que doem, calos a mistura com muito pato, que certamente vai miguar se a ração/farelo não passar por uma certa geografia chamada Nacala.

sábado, abril 28, 2012

EDITORIAL: Mas que altruísmo barato!


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No passado fim-de-semana, a nossa bela Pérola do Índico doou ao seu vizinho Malawi diversos produtos, nomeadamente dois vagões de milho, um de combustível, igual número de sal de cozinha, 10 cabeças de gado, 505 sacos de arroz, 20 de açúcar, 20 caixas de óleo vegetal, e 50 de bolachas e de sardinha.
No entendimento dos DONOS DO PAÍS, o donativo destina-se a ajudar o povo malawiano nas cerimónias fúnebres do ex-estadista Bingu Wa Mutharika.

terça-feira, abril 24, 2012

Relações entre Moçambique e Malaui deverão melhorar com Joyce Banda

Vários analistas, entre os quais o jornalista moçambicano Fernando Lima, acreditam que as relações entre Moçambique e o Malaui serão relançadas com a nova presidente malauiana, Joyce Banda, que agora toma posse.
A nova chefe de Estado do Malaui, que toma posse esta terça-feira (10.04.), anunciou a substituição de vários responsáveis, entre eles o governador do Banco Central, o chefe da polícia nacional e o patrão da rádio-televisão pública. A medida de Joyce Banda, de 61 anos, foi saudada como um avanço democrático. Ler mais

segunda-feira, abril 23, 2012

MOÇAMBIQUE OFERECE DONATIVO AO MALAWI

Por Elias Samo Gudo, da AIM, em Blantyre

Blantyre, 23 Abr (AIM) – O governo moçambicano ofereceu ao Malawi, durante o fim-de-semana, um donativo composto por dois vagões de milho, um vagão de combustível, um vagão de sal de cozinha e 10 cabeças de gado.
O donativo que também, inclui 505 sacos de arroz, 20 sacos de açúcar, 20 caixas de óleo de cozinha, 50 caixas de bolachas, 500 sacos de sal de cozinha e 50 caixas de sardinhas, tem por objectivo ajudar o governo malawiano nas cerimónias fúnebres do seu antigo presidente, Bingu wa Mutharika, que foi hoje a enterrar no mausoléu da família em Thyolo, que dista cerca de 38 quilómetros da cidade de Blantyre, capital económica do Malawi.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

NAVEGABILIDADE DO ZAMBEZE – AS EVIDÊNCIAS DE CONFLITOS DE INTERESSES ACUMULAM-SE

Por Noé Nhantumbo

Até se enganam ao nomearem porta-vozes e defensores…

Não tem lógica e nem se pode aceitar que alguém possa ser juiz em causa própria. Todos os que tem interesses privados nos portos de Nacala e da Beira, nas linhas férreas que confluem para estes dois portos são obviamente contra a possibilidade do Malawi e Zâmbia realizarem suas importações e exportações por via do rio Zambeze. E até são contra que outros negócios locais possam proporcionar progressivamente mais negócios aos locais e a elites nacionais que se possam vir a formar com autonomia relativamente aos grupos actuais preponderantes.

domingo, outubro 31, 2010

Moçambique – Malawi

A talhe de foice

Por Machado da Graça

Penso que começa a ser muito urgente que alguém venha a público explicar-nos o que se passa no relacionamento entre o nosso país e o Malawi, que levou, muito recentemente, a graves e lamentáveis incidentes diplomáticos.
E que a explicação vá ao fundo do problema e não se fique pela questão da necessidade do estudo de impacto ambiental.

É preciso resolver a tensão entre Moçambique e Malawi

EDITORIAL DO SAVANA

O incidente diplomático registado na semana passada, e que envolveu a detenção do adido militar do Alto Comissariado do Malawi em Moçambique torna evidente a necessidade de uma actuação mais prudente, tendo em vista a preservação de um relacionamento são entre Moçambique e os seus parceiros em geral, e com os seus vizinhos em particular.
Moçambique precisa dos seus vizinhos, tal como estes precisam de Moçambique, e nenhum entre eles se deve dar ao luxo de menosprezar a importância do outro.

Onde anda a Geração da Viragem?

Por Lázaro Mabunda

A última vez que ouvi falar, de forma insistente, da Geração da Viragem, foi durante a Chama de Unidade, nas vésperas do 25 de Junho (...) A chama que é chama apagou-se, as crises que são crises vieram, a Viragem que é uma geração, virou.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Inauguração do porto de Nsanje: “alguêm desviou convite a Guebuza”, afirma diplomata malawiano

O vice-embaixador do Malawi em Mocambique, Harry Mononga, suspeita que alguém em Maputo deve ter desviado o convite endereçado ao Presidente Armando Guebuza para participar na inauguração do porto fluvial de Nsanje no passado sábado.
Em entrevista publicada esta quarta-feira no jornal malawiano NATION, Harry Mononga, é citado a dizer que como Moçambique não queria participar na cerimônia, o convite teria sido desviado para desencadear a detenção do adido militar malawiano, quando viajava a bordo de uma embarcação com destino a Nsanje, e que foi interceptada pela polícia mocambicana.

terça-feira, outubro 26, 2010

Zambeze: um rio de problemas e incidentes diplomáticos

Para dar prova da viabilidade da navegabilidade dos rios Chire e Zambeze, o presidente do Malawi, Bingo wa Mutharika, aguardava pelo aparecimento de uma embarcação navegando nas águas do Chire, que não chegou a “despontar”, porque a mesma tinha sido interceptada dias antes em Marromeu, noroeste da província de Sofala. Haviam convidados de luxos com excepção de Moçambique. A novela está no início.
O governo moçambicano deplora a decisão da contraparte do Malawi de avançar com o projecto de navegabilidade do canal Chire e da bacia hidrográfica do Zambeze, sem a devida conclusão do estudo de viabilidade acordado entre as partes. Leia mais aqui, no O País online.

Entretanto, recordo ao leitor para ler o artigo de Bayano Valy, clicando o título: Nsanje: choque de interesses entre Moçambique e Malawi? cuja publicado a 21.08.2009 no semanário Savana.

sábado, outubro 23, 2010

Confundiu-se fertilizantes com cocaína

Na Beira, uma carga malawiana de fertilizantes foi confundida pelas autoridade moçambicanas com mistura com cocaína. Com efeito, quando a carga chegou a Marromeu por onde seria levada via fluvial para para Malawi, foi interpelada por um aparato policial composto pela Força de Intervenção Rápida (FIR), Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE), Polícia de Protecção (PT), entre outras unidades, que consideraram que a mercadoria era “quente”, quer dizer, tratava-se de droga, designadamente cocaína. Porém, as amostras que foram avaliadas em laboratórios das duas cidades e os resultados finais ditaram que se tratava de fertilizantes, não cocaína, como se propalava, tendo, depois, o transportador sido libertado.

Fonte: Jornal Notícias - 23.10.2010

quinta-feira, julho 29, 2010

PR do Malawi diz NÃO à energia de Cahora Bassa

O Presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, rejeitou esta quarta-feira a importação da energia moçambicana a partir da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa em Tete, alegando ser um negócio extremamente oneroso.
Segundo especialistas da indústria energética, a decisão do Mutharika significa que o Malawi vai continuar a perder anualmente 238 milhões de dólares devido a fraca energia eléctrica fornecida ao parque industrial daquele país.
Trata-se de um valor que o Malawi poderia poupar caso optasse pela energia da HCB contra o pagamento anual de apenas doze milhões de dólares.
Falando a jornalistas em Lilongwe, Bingu wa Mutharika reiterou que a ligação à HCB só iria favorecer apenas a Moçambique, uma vez que mesmo sem consumir toda a energia fornecida, o Malawi seria obrigado a pagar mensalmente a um milhão de dólares àquela empresa.
Ele considera que nestas condições, o negócio é inviável, sublinhando que como Presidente do Malawi não vai autorizar que tal aconteça, porque isso significaria o desperdício das poucas divisas de que o país dispõe.
Bingu Wa Mutharika referiu ainda que o Malawi vai potenciar o uso dos seus recursos hídricos para a produção de energia que necessita, sem depender de Moçambique.
Segundo dados oficiais, a economia malawiana sofre anualmente prejuízos estimados em duzentos e trinta e oito milhões de dólares devido a fraca energia eléctrica, valor este que representa quatro 4,4 por cento do Produto Interno Bruto do Malawi.
Mutharika afastou igualmente a possibilidade da assinatura de um acordo com o Banco Mundial visando o empréstimo de 48 milhões de dólares para a construção de uma linha de transporte de energia eléctrica a partir de Tete para o Malawi.
O projecto iria permitir ao Malawi dispor de 485 megawatts de energia contra os actuais 285, que se mostram insuficientes para fazer face à demanda.
Aquela instituição financeira internacional havia dado um ultimato ao Malawi para decidir sobre aquele financiamento até quinze de Março passado, mas até agora as duas partes não chegaram a consenso.
Recorde-se que no ano passado o PCA da HCB, Paulo Muxanga, disse que haviam fracassado as negociações com o Malawi visando a venda da energia aquele país.
Com uma população estimada em treze milhões de habitantes, apenas sete por cento de malawianos têm acesso à energia eléctrica.

Fonte: Rádio Mocambique - 29.07.2010

quinta-feira, outubro 22, 2009

750 eleitores moçambicanos foram proíbidos de votar no Malawi


Cerca de setecentos e cinquenta moçambicanos residentes em Nsanje no extremo sul do Malawi foram proibidos de votar no próximo dia 28 de Outubro pela policia malawiana, alegando-se questões de segurança.
O facto decorre da proibição imposta pelas autoridades malawianas no sentido de se abrir uma mesa de voto em Nsanje, depois de inicialmente terem autorizado o governo moçambicano a realizar o recenseamento eleitoral naquela região.
Nestas condições esta fora de hipótese qualquer possibilidade destes cidadãos puderem votar na próxima semana, na medida em que isso implicava o transporte dos setecentos e cinquenta moçambicanos de Nsanje a Blantyre, numa distancia de duzentos quilómetros.
Todas as tentativas da parte moçambicana para convencer as autoridades malawianas para abertura de uma mesa de voto em Nsanje, resultaram infrutíferas.
Os malawianos insistem que apenas podem funcionar duas mesas de voto, uma no Alto-Comissariado em Lilongwe e outra no Consulado moçambicano em Blantyre.
Fontes da Radio Moçambique disseram que dos nove paises onde se realizou o recenseamento eleitoral dos moçambicanos na diáspora, apenas no Malawi não aceitam a abertura de uma mesa de voto fora do Alto-Comissariado ou do Consulado.
Para alem do Malawi, o recenseamento dos moçambicanos na diáspora teve lugar na Zâmbia, Zimbabwe, Tanzania, Quénia, África do Sul, Swazilândia, Portugal e Alemanha.
Independentemente das Convenções de Viena sobre as Relações Diplomáticas e Consulares, este facto é interpretado por algumas fontes como uma situação desagradável nas relações de boa-vizinhança entre Moçambique e Malawi.
Cerca de cinquenta mil moçambicanos ou mais vivem no Malawi, pais encravado dentro do território nacional, e que muito depende de Moçambique para o seu comercio internacional.
Recorde-se que no mês passado, três membros da policia secreta malawiana interpelaram em Nsanje o Cônsul de Moçambique em Blantyre, Félix Mambule, exigindo-lhe as listas dos moçambicanos recenseados naquele ponto.
Na altura Félix Mambule disse que Moçambique deve tomar uma posição firme em relação as atitudes do vizinho Malawi.

Fonte: Rádio Moçambique (20-10-2009)

Ministro Oldemiro Balói reage à proibição dos moçambicanos votarem em Nsanje

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, disse hoje que as relações bilaterais entre Moçambique e o Malawi decorrem sem sobressaltos, apesar da medida tomada por Blantyre de não permitir que eleitores moçambicanos residentes em Nsanje, sul daquele país, exerçam o seu direito de voto no dia 28 de outubro.
Baloi considerou que trata-se de uma medida excpecional que decorre no quadro da soberania malawiana, acrescentando que ela peca pela negativa, uma vez que na maior parte dos países da África Austral, os moçambicanos exercem o seu direito de votar.
Em consequência deste problema, o governo moçambicano afirma que está em contacto permanente com as autoridades malawianas no sentido de se encontrar uma solução favorável para o caso.
Os malawianos insistem no entanto, que apenas podem funcionar duas mesas de voto, uma no Alto-Comissariado em Lilongwe e outra no Consulado moçambicano em Blantyre.
Nestas condições está fora de hipótese qualquer possibilidade destes cidadãos, puderem votar na proxima semana, na medida em que isso implicava o transporte dos setecentos e cinquenta moçambicanos de Nsanje a Blantyre, numa distância de duzentos quilômetros.
Contactada pela Rádio Moçambique, a Comissão Nacional de Eleições afirma que ainda não teve conhecimento do facto.
O Porta-voz da CNE Juvenal Bucuane, assegurou que o assunto deverá ser analisado nos próximos dias para depois emitir algum parecer sobre o mesmo.

Fonte: Rádio Moçambique, 20/10/2009

sábado, agosto 22, 2009

Nsanje: choque de interesses entre Moçambique e Malawi?

Por Bayano Valy

Nsange, no distrito do baixo Chire no Malawi, é uma cidade em franco desenvolvimento. A imprensa malawiana reporta que a transformação de Nsanje, que até há pouco era uma vila poeirenta sem esperança, numa cidade comercial e parte integrante do projecto de desenvolvimento infra-estrutural do presidente Bingu wa Mutharika.
Aliás, o desenvolvimento infra-estrutural é um dos objectivos preconizados pela SADC no seu Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional (RISDP), e recomenda aos países regionais a edificarem projectos de desenvolvimento infra-estrutural integrado.
O Malawi é um país do hinterland cujo comércio com o mundo depende muito da infra-estrutura rodoviária e portuária de Moçambique. Até ao momento o Malawi utiliza os portos da Beira e Nacala (e também os portos sul-africanos) para exportar e importar os seus produtos – mas as distâncias podem reduzir em 560 quilómetros para o porto da Beira e 660 quilómetros para o de Nacala pela opção Nsange-Chinde, visto distarem cerca de 800 quilómetrose 900 quilómetros de Blantyre, respectivamente.
O Malawi considera que os custos de cabotagem e de transportes encarecem os produtos comercializados dentro e para fora das suas fronteiras em 55%.
Daí que tenha se decidido em construir um porto fluvial com uma profundidade de oito metros no rio Chire, um dos tributários do rio Zambeze, justamente em Nsanje. A imprensa local escreve que as obras, que se espera terminem em Julho de 2010, estão a cargo do empreiteiro Mota-Engil que recentemente concluiu as obras da ponte de Unidade sobre o rio Zambeze. O projecto está avaliado em 3 biliões de kwachas (USD20.5 milhões). Também está em construção uma estrada alcatroada entre a capital comercial Blantyre e o porto de Nsange.

Um porto libertador

A estratégia dos malawianos é de navegar o Zambeze para o transporte das suas mercadorias de Nsanje ao Chinde, na foz do rio Zambeze, e vice-versa, uma distância de apenas 240 quilómetros. Acreditam que isso poderá baixar significativamente os custos de transacção dos produtos, ou seja menos 25 por cento - wa Mutharika esteve semana passada em Maputo para frisar esse ponto.
Ademais, os governos moçambicano e malawiano, conjuntamente com a Zâmbia, assinaram no último sábado um Memorando de Entendimento para a criação do Projecto Fluvial Zambeze-Chire, que visa o transporte de bens e pessoas, no âmbito das suas obrigações internacionais e regionais, em particular ao abrigo dos protocolos sobre os Transportes, Comunicações e Meteorologia e sobre o Comércio da SADC, e ainda alguns acordos sobre os cursos de águas partilhadas. O Memorando em que tomaram parte o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique Paulo Zucula, o ministro dos Tranportes e Infra-estruturas Públicas do Malawi, Khumbo Kachale, o ministro das Comunicações e Transportes da Zâmbia, Geoffrey Lungwangwa, foi rubricado também pelo representante da ZARTCO, Clive Dutlow e por representantes do secretariado da SADC e da COMESA presentes no Hotel VIP. O estudo será formalmente financiado pelo consórcio mas fontes credíveis asseguraram ao SAVANA que um montante de aproximadamente USD 500.000,00 poderá ser canalizado através da COMESA. Wa Mutarika foi no passado o secretário-geral desta organização.
Não obstante o memorando de entendimento, há sinais de que os dois países querem coisas diferentes. Fontes do SAVANA afirmam que da parte moçambicana faz mais sentido proteger os investimentos já realizados na linha do Sena, corredor e porto da Beira.
Conforme o SAVANA reportou na edição passada, a táctica do governo moçambicano foi a de que nenhuma decisão poder ser tomada antes que sejam realizados os estudos de impactos que deverão arrancar em breve, a cargo do consórcio ZARTCO. Funcionários moçambicanos têm expressado em privado dúvidas sobre a capacidade técnica do consórcio. Também têm expressado receios sobre o tipo de cargas a manusear e a eventualidade de dragagens em caso de redução dos caudais. No século passado o rio Zambeze foi sulcado por barcos a vapor de fundo chato entre o Chinde e Tete. Os técnicos defensores da opção fluvial, argumentam que barcaças modernas autopropulsionadas podem navegar em caudais reduzidos e asseguram elas próprias a manutenção dos canais de navegabilidade. Actualmente o açúcar de Marromeu é escoado para a Beira por via fluvial e a companhia de prospecção de carvão Riversdale estuda a possibilidade de escoar o carvão de Tete também por via fluvial.

Moçambique sob pressão

Segundo revelou o mediaFAX esta semana, no mês de Maio uma barcaça com motor tentou fazer o percurso entre o Chinde e Nsange mas foi interceptada pelas autoridades moçambicanas na travessia de batelão de Chipata no rio Chire. Segundo a publicação diária, o caso não teve repercussões políticas mas a sua chegada a Nsange deveria coincidir com a presença ali de Bingu wa Mutarika, então ainda candidato à reeleição presidencial.
De alguma forma, os desentendimentos sobre a exploração da via fluvial parecem penalizar os diplomatas malawianos que pelos resultados alcançados por Wa Mutharika dão a entender que não fizeram o seu “trabalho de casa”. O melhor cenário seria o presidente malawiano ter vindo a Maputo apenas para assinar o acordo para o uso do transporte fluvial, e não para talvez anunciar o seu intento.
Todavia, o memorando ora assinado e a que o SAVANA teve acesso, contém uma condicional; ele prevê que caso uma das partes não se sentir, por qualquer motivo, interessado em continuar com o projecto deve indicar a sua desistência com três meses de antecedência. Isso abre a possibilidade aos moçambicanos de dizer aos malawianos que não estão interessados em prosseguir.
Uma outra hipótese colocada para a fraca demonstração de interesse por parte dos moçambicanos se circunscreve a outros interesses, nomeadamente a construção a montante da entrada do Chire no Zambeze da Barragem de M’panda Nkuwa.
Uma das constatações da organização Justiça Ambiental (JA) foi de que a construção da barragem influiria sobre o caudal do rio. A albufeira M’panda Nkuwa vai certamente conservar o que a Barragem de Cahora Bassa libertar, baixando ainda mais o caudal do rio - isso teria alguma influência sobre a navegabilidade do próprio rio.
Portanto, o que se pode prever nos próximos tempos é uma movimentação nos corredores da SADC para se convencer Moçambique a autorizar o projecto. E a pressão já começou, conforme revela a forma como foi assinado o memorando, longe dos holofotes das câmaras de televisão.

SAVANA – 21.08.2009

quinta-feira, agosto 13, 2009

Malawi: O velho Reino dos Lagos e Montanhas

Por: Zacarias Abdula, em Lisboa

O 1º passo de cooperação económica com o Malawi foi dado por Moçambique em 1979

Na governação do Presidente Samora Machel teria já havido espírito de cooperação económica com o governo do Malawi, do Presidente Hon. Dr. Hasting Kamuzu Banda.

Segue-se excertos da minha viagem entre 15 e 22 de Dezembro de 1979 à Zomba, capital política, Blantyre, capital económica, e Lilongwe, a nova e actual capital do Malawi, inserida no primeiro encontro de empresários de Moçambique e do Malawi. "Seguido à lupa pelo Presidente HK Banda, segundo me confidenciou a Lady Kadzimira em Zomba, em nyanja/ chissena (na altura Assistente pessoal do Dr Hasting Kamuzu Banda)".

O chefe da delegação foi Pacheco Faria, na altura DG da Enacomo, também Merali, DC da FACIM, Tricamgy, DC da Mabor, e um economista representante do MCE, e eu claro, Zacarias Abdula, Director Geral da Celmoque.

Segundo se avançou na altura, esta viagem compreendeu empresários representantes do Comércio e Indústria de Moçambique e estava sendo acompanhada de perto pelo único ministro civil do Bureau Político da Frelimo, Dr. Mário da Graça Machungo, mais tarde Ministro do Plano, dirigente da Zambézia, Primeiro Ministro, actualmente PCA do Milleniun BIM.

Numa respeitosa visita de cortesia a Zomba, capital política do Malawi na altura, (em que nos acompanhou a Zomba, o Dr Alec Banda, CEO do holding de empresas pertencentes ao Estado e aos altos quadros do Congress Party), fomos atendidos pela Mrs. Mama Kadzimira, Assistente política pessoal do Presidente Banda e Mrs Kaluluma, Secretária de Educação e "pivot" do Governo, visto que o "Doctor Banda" estava incomodado com "gripe", disse ela, e mais...que o "Doctor BANDA" seguia "à lupa" esta primeira visita económica de boas intenções dos irmãos africanos de Moçambique, segundo me confidenciou à parte, a Lady Kadzimira em nyanja/ chissena, (porque o Dr. Alec apresentava-me sempre como o "irmão de Mutarara e que entendia nyanja").

Disse também num tom de "desabafo" e algum "secretismo", que "Machel obrigou Robert da ZANLA a assinar Lancaster House, mas ainda faltam mais coisas por resolver, PARA VOLTARMOS A SER irmãos africanos".

Não me apercebi bem do contexto na altura, mas "estava patente que talvez estivesse a referir a guerra civil movida pelo MNR-Renamo no interior de Moçambique, e que estava a alastrar junto a fronteira oriental do Malawi/Moçambique".

Decorriam os últimos dias do Acordo de Paz para Rhodesia – Acordos de Lancaster House, conversações entre o mediador da potência colonial e Secretário de Estado Britânico Lord Carrington, coadjuvado pelo Lord Soames, que viria a ser o último representante da Corôa Britânica e Governador Geral versus dum lado o Governo não reconhecido internacionalmente de Zimbabwe-Rhodesia-Presidente Gumendi, Primeiro Ministro Abel Muzorewa, e representante da minoria Ian Smith, versus Robert Mugabe-ZANLA, Dr Joshua Nkomo-ZAPU, representantes de movimentos de guerrilha respectivamente, sobre a modalidade de cessar fogo, e marcação de eleições sem guerra, que se efectivaram a 18 de Abril 1980 (independence day of Zimbabwe), tendo saído vencedor a ZANLA de Robert Mugabe. A Reforma Agrária (política da terra) foi excluída, e ficando sem solução, post-agreed para os 20 anos seguintes.

Deu no que deu, no País mais rico da África Negra em 1980, excluindo a RAS, o Zimbabwe tornou-se no País pária, e mais pobre do Mundo, nos 20 anos seguintes.

E dois dias depois, a confirmar "as dicas" da Mama Kadzimira, recebemos já em Blantyre, em cortesia a visita do Mayor da cidade.

Confidenciou-nos numa atitude de "vós irmãos africanos", que acabara de chegar de Lilongue, nova capital, e que numa reunião do Congress Party Leaders, o "doctor Banda" tinha-lhes dado a boa notícia de que o Acordo de Paz de Zimbabwe-Rhodesia, Acordos de Lancaster House, seria assinado "AMANHÃ", "e que eu como africano, fico satisfeito que outro africano, "Presidente Machel seja preponderante na solução", mas "pena que tenha deixado coisas por resolver, african things, coisas de africanos". Mais uma vez a referir-se da desagregação económica de Moçambique devido a guerra civil entre moçambicanos.

E sub-reptíciamente, falou-nos que o socialismo não era aconselhável para os africanos, "porque desprezava os chefes tradicionais", como seu pai, que era Régulo e Chefe tradicional perto de Nsanje, junto a fronteira de Moçambique, perto de Mutarara, donde sou natural, já que não confraternizava com os outros régulos africanos da fronteira de Moçambique, e blá, blá.

E disse mais: Vocês africanos de Moçambique tinham que estudar bem esses fenómenos e, logo a seguir, numa atitude de "saca-cartolas" de afirmação, "foi a minha tese de Mestrado em Oxford-UK, faz 6 anos" – a defesa consuetudinária do africanismo. Voltamo-nos a encontrar em 21 de Dezembro, no cocktail oferecido pelo Dr Alec Banda, representante dos empresários de Malawi aos empresários de Moçambique.

O Mayor fechou o cocktail afirmando já "satisfeito": Feliz Natal de 1979, e que auspiciava um bom ano de 1980, que "os africanos devem continuar a utilizar a cabeça para pensar e não andar só nas CABEÇADAS".

No dia 22 de Dezembro regressei a Beira, num Natal triste, em que escasseava produtos de primeira necessidade, em que o Presidente Machel falou aos moçambicanos sobre a derrota infligida pelo povo zimbabweano e moçambicano ao racista Smith, iniciando semanas seguintes a "Ofensiva Organizacional", (porque era insustentável a situação de "bichas" para aquisição de comida"), que foi de parcos resultados....

O Presidente Machel deu a sua quota parte de africano, na solução do Zimbabwe, exemplo de bom acordo de paz na altura, mas que hoje "à lupa", faltou "o preto no branco" da distribuição da terra, e daí o desastre actual!!!.

Hoje, quase 30 anos depois, revejo-me e penso que o Mayor de Blantyre, TINHA RAZÃO!!!! A CABEÇA É PARA PENSAR!!!

(Excertos do livro a publicar...)

O AUTARCA – 12.08.2009

Nota: Publico-o com a autorizacão do autor. O artigo foi também publicado no Moçambique para todos