Por Alfredo Manhiça
O slogan “a luta
continua”, embora seja, hoje, utilizado por pessoas de várias tendências
políticas, e em várias circunstâncias da vida é, originariamente, património
dos regimes filo-comunistas. No caso de Moçambique, ele é associado ao
movimento independentista da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e as suas campanhas
de politização das massas.
Na nova
subsistência desta organização política, quando, isto é, nos princípios da
década Noventa, como única forma para inserir-se na nova ordem política mundial
resultante da queda do muro de Berlim em Novembro de 1989, foi constrangido a
abandonar o sistema totalitário do partido único para adoptar o sistema
multipartidário, o slogan “a luta
continua” passou a descrever a nova situação na qual os membros e
simpatizantes do partido eram incitados a agir e a comportar-se politicamente
como se o depois da introdução do multipartidarismo fosse igual ao antes da introdução
do multipartidarismo, e o depois da inauguração do processo da democratização
fosse igual ao antes da inauguração de tal processo.