[Antônio Veríssimo] Para quem teve o azar de nascer e sobreviver em Portugal e nas colónias do regime salazarista não é novidade que esse regime sempre que precisava de demonstrar que era apoiado pelas populações recrutava todos os transportes possíveis para levar milhares aos locais das manifestações de apoio. Acontece em todas as ditaduras. Até nas ditas "democracias". Vejam-se atualmente certas concentrações de quase todos os partidos políticos em Portugal.
Na capital do então "império", Lisboa, as manifestações de apoio a Salazar e ao seu regime fascista, quando aconteciam, tinham por recrutadores os caciques e as chamadas Casas do Povo dos mais recônditos lugares do país. Ali se concentravam camionetas de passageiros ou de transporte de gado para trazer a Lisboa muitos dos cidadãos que vinham pelo aliciante do passeio à capital do país – que antes não tinham visitado e provavelmente nunca mais a veriam. Era o "passeio" e não Salazar que os fazia mover, mas para o caso servia às mil maravilhas. Os caciques controlavam. Ai daqueles que não estivessem presentes nas manifestações de apoio com as bandeiras, cartazes e faixas elaboradas nas organizações salazaristas (Movimento Nacional Feminino, Mocidade Portuguesa, Legião e outros) e que já no local da manifestação lhes eram distribuídas.





