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segunda-feira, dezembro 29, 2014

RENAMO ESCORRAÇA JORNALISTAS

A Renamo, o maior partido da oposição no país, impediu os jornalistas dos órgãos públicos, incluindo da Agência de Informação de Moçambique (AIM), Radio Moçambique (RM) e Televisão de Moçambique (TVM), bem como do jornal “Noticias” de cobrir uma conferência de imprensa desta formação política havida hoje em Maputo.

Para o efeito, Renamo incumbiu ao seu chefe-adjunto do departamento nacional de informação, Gilberto Chirindza, a missão de controlar a identidade de cada jornalista e o respectivo órgão de informação.

Quando chegou a vez da equipe de reportagem da AIM, Chirrindza disse num tom ríspido “a AIM não foi convidada”, para de seguida acrescentar “tanto o Notícias, a TVM (Televisão de Moçambique) e vocês já não vão mais cobrir as nossas actividades. Os vossos chefes já sabem disso.

Fonte: AIM – 29.12.2014

segunda-feira, outubro 26, 2009

Cobertura parcial das eleições

Os órgãos de informação não estão a realizar uma cobertura equilibrada
e imparcial, conforme prescrito no código de conduta de cobertura eleitoral assinado pelos jornalistas moçambicanos, revela um estudo feito pelo Instituto dos Media da África Austral, MISA.
O estudo abrangeu órgãos da imprensa escrita diária e semanal, televisiva e radiofónica de todo o país. Entrevistado pela nossa enviada às eleições,Teresa Lima, o oficial de pesquisa do MISA, Ericino Salema referiu ter constatado que alguns sectores, particularmente da imprensa com fortes ligações históricas aos Estado estavam a dar maior destaque ao partido no poder e ao seu candidato.
"Estamos a falar do princípio de igualdade de tratamento entre as diferentes candidaturas, estamos a falar do princípio de independência e também do respeito pelos valores supremos do jornalismo que é a verdade"", disse Ericino Salema.
Ele referiu que os casos mais notórios de parcialidade diziam respeito ao jornal diário Notícias e também à televisão pública, TVM. Considerou, no entanto, "razoável" a cobertura eleitoral da Rádio Moçambique.
"Na nossa opinião, a TVM não usa os critérios universais de jornalismo. Já estabeleceu que quem abre os seus serviços noticiosos, é sempre o partido no poder e o seu candidato".
Em Moçambique a actualidade noticiosa é divulgada actualmente por sete jornais semanários, três diários, 12 Boletins de Fax diários, 6 canais de Televisão e apenas uma estação de rádio a nível nacional, embora estejam a surgir rádios locais e comunitárias, mas cujo conteúdo é mais de entretenimento do que noticioso.


segunda-feira, maio 25, 2009

No círculo eleitoral da Zambézia : Sessenta mil membros filiam-se ao MDM

SESSENTA mil membros de vários estratos sociais acabam de filiar se ao Movimento Democrático de oçambique (MDM) de Daviz Simango no circulo eleitoral da Zambézia, esperançosos de uma governação transparente e inclusiva, onde todos tem lugar para contribuir para o desenvolvimento socioeconomico e cultural do pais.

O delegado Político do Movimento Democrático de Moçambique na Zambézia, Margarido Abrantes, disse há dias à nossa Reportagem que não constitui verdade as alegações segundo as quais o partido tem inserção apenas nos centros urbanos. O nosso entrevistado que acaba de regressar de uma périplo que o levou sucessivamente à vários distritos com a excepção de Chinde e Inhassunge disse que o partido está representado a nível dos distritos, não em termos de uma pessoas que coordenada as actividades, mas já tem sedes próprias, membros e recursos materiais e financeiros para funcionar.

A aderência dos membros ao partido é extremamente surpreendente. Abrantes afirmou que para além dos que vem da Renamo e Frelimo, a qualidade dos membros é igualmente boa, sobretudo, jovens academicos com visão e perspectivas de como o pais deve ser governado, pretendem usar o seu potencial intelectual para contribuir para o desenvolvimento do pais.

“Apesar disso ser extremamente bom, devo dizer igualmente as idéias que os membros trazem, independentemente de ter ou não escolas são muito importantes para definir a nossa estratégia eleitoral; por isso, eu disse que temos membros de todos os estratos sociais e profissionais; filiaram-se ao nosso partido porque vê o MDM como a única salvação e alternativa de governação do país; estão fartos de serem excluídos e marginalizados e querem uma oportunidade para provar as suas capacidades de pensar e saber fazer bem as coisas”, disse o nosso entrevistado para que o partido já está a trabalhar na mobilizar de mais membros nos Postos Administrativos e Localidades da província da Zambézia para também namorar os indecisos. Alias, a fonte disse igualmente que uma parte significativa desses membros que o partido angariou desde a sua apresentação pública há dois meses são os chamados indecisos que acham que agora chegou a altura de tomar uma decisão para sua participação da vida política como cidadãos conscientes.

“Os cidadãos perderam a esperança da Renamo e a alternativa para salvar o pais é o MDM que no seu programa apresentado publicamente traça as linhas mestras de um verdadeiro combate a pobreza; não combater pobreza de discursos políticos; é um programa pragmático”, disse Margarido Abrantes para depois acrescentar que a principal mensagem transmitida que está cativar as pessoas a filiarem se ao MDM é de um “Moçambique Para Todos” pelo facto de o partido no poder estar alegadamente a excluir muita gente da sua governação, a exemplo do que está acontecer com actual governação do partido Frelimo na Zambézia que ignorou todos os Zambezianos.

“A Frelimo em trinta e cinco anos não trouxe mudanças na política económica e só está a forçar os cidadãos, incluindo os funcionários públicos a acreditar todo quanto dizem quando na verdade está longe da realidade; a Renamo não conseguiu devolver aos cidadãos moçambicanos o bem estar social; então, nessa perspectiva o MDM aparece como o partido que vai salvar o país que está a beira do colapso”, disse.

Segundo Margarido Abrantes, a pobreza em moçambique só poder combatida com a alocação de infra-estruturas nos locais onde existem os recursos naturais por forma que esse potencial seja utilizado para dar emprego aos cidadãos. Apontou com exemplo, o ramo da madeira onde estão envolvidos muitos dirigentes políticos que ao invés de pagarem salários justos exploram os seus compatriotas para além de estarem a dizimar as florestas e a aumentar a pobreza absoluta que não se cansam de afirmar que estão a combatê-la. “Os chineses levam as quantidades de madeira que quiserem sem pagar impostos mas o governo continua impávido e sereno; um cidadão que quer tirar madeira para fazer um banco e vender e comprar pão para a sua família é preso; é um autentico contraste”, disse.

Todos esses males só podem ser combatidos por alguém que foi educado dentro de uma cultura de respeito e amor ao próximo. Segundo o delegado Político do MDM, essa pessoa só pode ser o Presidente do MDM o jovem engenheiro Daviz Simango que já tem créditos firmados na praça pública que é uma pessoa comprometida com o desenvolvimento do pais.

Entretanto, no dia da apresentação pública o campo de futebol da sagrada ficou lotado por completo e não havendo espaço para meter sequer uma agulha. Há muita expectativa em torno do movimento criado pelo Daviz Simango considerado pelos jovens como a única esperança para os seus múltiplos problemas, nomeadamente, falta de emprego, formação profissional, oportunidade de estabelecimento de negócios. Os financiamento para desenvolver negócios são para pessoas localizadas, escolhidas a dedos.

Entretanto, dentro de poucos dias arranca a capacitação dos fiscais e membros que irão trabalhar em Outubro nas Assembléias de Voto em matérias do pacote eleitoral.

Jocas Achar
´
Fonte: Jornal Notícias


Nota: Este é o artigo que sumiu poucos minutos depois de ter sido publicado no Notícias, segundo o que descrevi aqui. Qualquer pessoa pode testar e provar que a peça foi censurada. Pode-se ver como o Moçambique para todos testou. Eis o link do Notícias: http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/753297

domingo, maio 24, 2009

O artigo foi censurado?

Continuo a questionar sobre o paradeiro dum artigo de notícias publicado no Jornal Notícias e que sumiu milagrosamente poucos minutos depois e definitivamente poucas horas depois. Isto é uma continuacão do que escrevi aqui.

No dia 19 do corrente mês, por volta das 23 horas, estavam se publicando os artigos de notícias no nosso jornal de maior circulação e na secção de temas políticos, havia sido publicado em segundo lugar um artigo (entrevista) com o título: No círculo eleitoral da Zambézia: Sessenta mil membros filiam-se ao MDM. Depois de eu ler e copiá-la para o meu ficheiro, fui lendo outros artigos. Na medida em que eu ia fazendo a busca desses, notei que o artigo sobre o MDM na Zambézia já não existia, havia sumido.

Usando o link onde constava o artigo, eu podia recuperá-lo, mas com a dada de 21 de Maio e não 20 de Maio como devia ser. Esperei que no dia 21, quinta-feira, a notícia havia de ser publicada no Notícias online ao que não aconteceu. Terá a peça sumido milagrosamente ou foi censurada? Se foi censurada será por que motivos? E se foi censurada, será que podemos assumir que só Deus protejerá o jornalista que escreveu a entrevista?

sábado, maio 23, 2009

O sumiço de um artigo de notícias sobre o MDM na Zambézia

No dia 19 do corrente mês, por volta das 23 horas, estavam se publicando os artigos de notícias no nosso jornal de maior circulação e na secção de temas políticos, havia sido publicado em segundo lugar um artigo (entrevista) com o título: No círculo eleitoral da Zambézia: Sessenta mil membros filiam-se ao MDM. Depois de eu ler e copiá-la para o meu ficheiro, fui lendo outros artigos. Na medida em que eu ia fazendo a busca desses, notei que o artigo sobre o MDM na Zambézia já não existia, havia sumido.

Usando o link onde constava o artigo, eu podia recuperá-lo, mas com a dada de 21 de Maio e não 20 de Maio como devia ser. Esperei que no dia 21, quinta-feira, a notícia havia de ser publicada no Notícias online ao que não aconteceu. Terá a peça sumido milagrosamente ou foi censurada? Se foi censurada será por que motivos? E se foi censurada, será que podemos assumir que só Deus protejerá o jornalista que escreveu a entrevista?

terça-feira, novembro 11, 2008

Mais de meio milhão de jovens – uma grossa mentira

Não vou me apressar em recorrer o Instituto Nacional de Estatísticas para encontrar o número de habitantes da cidade da Beira, pois tratando-se de assuntos eleitorais, os números de eleitores me ajudam a interpelar o que foi veiculado pelo Jornal Notícias.

Também eu podia não me importar desta peça de notícias, considerando-a de uma mera propaganda política de um órgão ao serviço do partido – nao vejo nenhum problema com propagandas políticas. Porém, devido ao passado muito recente, leva-me a desconfiar que forjar números, seja uma preparação de uma fraude eleitoral. Nas eleições gerais e presidenciais de 2004, em locais como Changara e Tsangano, em Tete, Gaza e, Lichinga, em Niassa, a aderência às urnas foi tida como de mais de 100 %. Coisa impossível em lado algum no mundo, atendendo que por qualquer motivo, há sempre quem dos registados não vota.

Ora vejamos, donde vieram os mais de meio milhão (mais de 500 000) de jovens que foram ao comício de Edson Macuacua? E, fala-se de jovens! Segundo AWEPA, seu Boletim Eleitoral Número 1, de 5 de Novembro de 2008, o Município da Beira tem apenas 230 720 eleitores registados. Aqui contam-se todos os registados a partir de 18 anos para frente, isto é, jovens e velhos; membros e simpatizantes de todos partidos. A nível nacional, foram registados 2 775 181 eleitores para as eleições das 43 autárquicas, daí mesmo que elas constituissem uma aldeia, seria incrível de Edson Macuacua reunisse mais de meio milhão de jovens. Quão popular é Edson Macuacua?

A segunda anomalia da peça de notícia é apresentar um número fabuloso como aquilo, num munícípio onde a Frelimo não goza muita popularidade, mas apresentar foto/imagem de Manuel Pereira, o candidato da Renamo-Mbararano. Não teria sido coisa boa para a Frelimo nos mostrasse uma imagem do encontro?

A terceira anomalia é o pronunciamento atribuido a Edson Macuacua “tanto Bulha como o partido dos camaradas já são vencedores do processo dada a forma como as pessoas têm seguido e recebido as nossas mensagens em todos os bairros. Se as eleições fossem hoje (ontem) já seríamos proclamados vencedores, pois a Beira deve ser resgatada, porque está sendo dirigida de forma danosa e dolosa pelo actual edil, e as pessoas já querem uma Beira para os beirenses.” Este pronunciamento soa como uma justificação sobre uma fraude já está consumada. Segundo a minha “má” leitura, a vitória não vem das urnas, mas as eleições servem apenas para simular uma democracia multipartidária.

Proclamados vencedores? Beira deve ser resgatada porque está sendo dirigida de forma danosa e dolosa pelo actual edil? Pelo que sei, nunca houve sondagem que favorecesse à Frelimo na Beira de modo que o Macuacua ficasse tão certo que no domingo passado já o seu partido e candidato teriam sido proclamados vencedores se isso não fosse forjado. Também, de governação danosa e doloso nunca ouvímos de eleitores beirenses, senão a partir do próprio Macuacua, Paúnde ou Mbararano (Frenamo)? O que sabemos é que Daviz Simango, já foi muitas vezes nomeado edil do ano, e por duas vezes foi premiado pela sua boa governação. Daviz é o jovem da esperança e do resto é INVEJA, uma inveja que está para reproduzir ALBUQUERQUES para as rapinas voltarem à cidade da Beira.

Não nos esqueçamos que é na Beira onde Albuquerque foi detectado a manipular números no computador. Beirenses, observadores e a comunidade internacional devem controlar bem os Macuacuas, nada mais eles fazem que pôr em prática o projecto anunciado pelo Marcelino dos Santos e Mariano Matsinhe – regresso ao monopartidarismo.

NB: Não estou contra a campanha da Frelimo, mas contra a grosseira manipulação de números que é uma acto grave e perigoso em eleições. Mais que meio milhão de jovens no comício de Edson Macuacua, na cidade da Beira, é GROSSA MENTIRA.

sábado, agosto 02, 2008

Raimundo Samuge – caso para minha reflexão (3)

A Frelimo alicia?

Há quem acha que atribuir à Frelimo a postura de certas pessoas, instituições públicas ou privadas é injusto, é apenas uma teoria de conspiração. Esses podem pensar assim, é do seu direito. O certo é que o pensamento deles é também uma suposição, embora sejam muito certos numa coisa: cada um, cada instituição pública ou privada tem instrumentos para recusar qualquer missão fora das competências do partidão. Temos leis baseadas na nossa Constituição da República. E os próprios estatutos da Frelimo observam geralmente o que está na Constituição da República.

Quando a Frelimo publicamente nega que alicia pessoas a aderir ao seu partido, ela tem aparentemente razão. Na prática, a coisa pode ser e é outra. A Frelimo usa muitas vezes as brechas existentes na Constituição da República e nas outras leis vigentes para agir em seu benefício. Uma das brechas é a falta de uma instituição para derrimir casos de discriminação. No pior de tudo, poucas organizações da sociedade civil trabalham para lever à justiça os actos de discriminação. E as nossas instituições de justiça são uma autêntica calamidade que para mostrarem trabalho, ainda ao partidão só intimidam o jovem Azagaia e jornalistas que lhes ajudam a investigar casos da sua responsabilidade.

Há sim aliciamentos que passam muitas vezes por chantagem. Também, a Frelimo conhece o seu alvo, conhece a quem chantagear e claramente são os fracos. Para se ser susceptível a chantagens do partidão não significa exactamente ter fraqueza mental embora haja alguns, mas devem ser muito poucos, os que resistem as chantagens por serem fortes mentalmente. Mesmo assim há premissas para os que são fortes mentalmente para resistirem aliciamentos do partidão.

Muitas vezes as pessoas mentalmente fortes para resistirem chantagens são as bem preparadas para tal. Elas arrumam as suas formações académicas ou profissionais, os seus empregos, a sua conduta social. Elas procuram actualizarem-se nisso que ninguém os tira, isto é, procuraram exercer a sua profissão ao lado da política. Por outro lado, são membros dum partido por convicção, conscientes de todos os problemas que aí surgem. Deixarem-se aliciar por um outro partido consideram, vender a sua integridade. Assumem-se actores activos e geralmente têm bases de apoio de membros e simpatizantes dentro do partido. Se não as têm quando aderem ao partido, apressam-se a constituí-las as quais nunca as largam. Conheço pessoas que sofreram a tentação e resistiram firmemente.

Geralmente as pessoas aliciáveis são opostas ao que descrevi acima, mas não é tudo. As condições sócio-económicas podem ser um factor. Elas podem produzir fracos mentais que se deixam aliciar pelo menos aparentemente. Digo aparentemente porque muitos de nós, talvez menos os reconhecidamente frelimistas, conhecemos muita gente que anda com cartão da Frelimo, mas que não se identificam nem tão pouco com ela.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Raimundo Samuge - caso para minha reflexão (2)

As palavras de Samuge "queria informar à população, em geral e aos membros da Renamo, em particular que a partir de 29 de Julho, não faço parte dos quadros da Renamo. Não vale a pena perguntar-me questões da Renamo porque não tenho mandato para tal.

Estas foram as palavras de Raimundo Samuge ouvidas em directo pela Rádio Moçambique nas suas emissões noticiosas da tarde de 1 de Agosto de 200. Para mim, estas palavras não dizem que ele não é membro porque entendo existir diferença entre membros e quadros dum partido.

Desta conferência de imprensa, há ainda o que reflicto sobre a função da nossa imprensa, sobretudo, na questão de conflito que perigam a nossa democracia. A questão chave para mim é se Raimundo Samuge não se tornou também vítima da imprensa tal igual tem sido a sorte de muitos quadros da Renamo?

quarta-feira, julho 30, 2008

Raimundo Samuge - caso para minha reflexão (1)

Acabo de ler aquilo que o Jornal Notícias gosta de escrever como forma de satisfazer à Frelimo. Não é que o Jornal Notícias não devia escrever casos deste tipo que no geral contribuem para a nossa reflexão sobre a nossa democracia, o funcionamento dos partidos políticos e se calhar também para a reflexão dos próprios políticos. O que cria crítica em mim ao Jornal Notícias, aquele que é do Estado Moçambicano e que devia trabalhar em prol de informação aos contribuintes, note-se, todos os contribuintes independemente da sua filiação partidária, é que o jornal só serve para bajular à Frelimo e com certeza com intenções de destruir quadros de outros partidos, sobretudo, dos mais directos adversários do partidão.

Nota-se que o Notícias pode escrever todo o mal que se passa na Renamo, mas nunca o que se passa na Frelimo. Se há algo para os dois principais partidos, o Notícias conta a metade da história sem sentir alguma culpa. Assim advertira o saudoso Carlos Cardoso aos órgãos de imprensa pública aquando das manifestações de Montepuez, em Novembro de 2000. Com certeza, se eles pudessem contar as duas metades de cada história, servir-nos-iam de educador e informador, ao invés de estarmos a duvidar da veracidade mesmo dessa metade de história já contada.

O título de uma peça de notícia devia dizer-nos o conteúdo da mesma, mas parece-me que o Notícias quando quer se servir do artigo para propagandas ao serviço do partidão, prefere deixar o leitor atento um pouco confuso. Eis este títuto que julgo não ajustar-se ao conteúdo: Baixa de vulto: Raimundo Samuge abandona Renamo. É bem possível que Samuge tenha dito a intenção de abandonar a Renamo, mas o jornalista escreveu bem sublinhado que Raimundo Samuge escreveu carta ao partido e está a tratar o assunto pelos canais apropriados. Eu não diria aqui que Samuge revelou o conteúdo da sua carta.

Pelo que Raimundo Samuge fala, isto é, sua suspensão que já vai há mais de um ano, a recusa tanto do Secretário-geral como do Presidente do partido Renamo de o receber para definir a sua situação, é legítimo que ele fale à imprensa para dela receber um apoio de pressão aos órgãos do seu partido para resolver a sua questão. A imprensa numa sociedade democrática serve para isso. Mas é má fé quando um jornal se quer servir dele para propagandas políticas. Desta forma, a pessoa é duplamente vítima.

Por um lado, se o Notícias quisesse fazer jornalismo puro duma sociedade democrática, tenho em mim, que pegaria nos estatutos do Partido Renamo, para averiguar o cabimento do caso Raimundo Samuge. Se necessário, usaria um jurista para interpretá-lo. Por outro lado, o jornal(ista) procuraria falar com as duas figuras referidas por Raimundo Samuge, nomeadamente, o secretário-geral, quem é dito em ter exarado o documento de suspensão e ou o Presidente do Partido a quem ele dirigiu a sua carta. O Notícias ao escrever que contacta o porta-voz do partido, parece estar a fugir da sua responsabilidade.