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terça-feira, março 31, 2009

Conselho Constitucional confirma vitória da Frelimo em Nacala

Fraude insuficiente para mudar resultado

A vitória da Frelimo na segunda volta das eleições de 11 de Fevereiro para presidente do município de Nacala foi confirmada hoje pelo Conselho Constitucional (CC).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) informou que alguns boletins de voto foram invalidados de forma fraudulenta, mas alegou que os resultados eram válidos porque a fraude não era suficientemente grande para alterar o resultado - Chale Ossufo da Frelimo venceu por 4119 votos, e o número de votos inválidos foi apenas de 2346. Este facto é aceite pelo CC.

Mas o CC continuou afirmando que era "imperíoso" que a CNE e o Ministério Público tomassem rápidamente medidas para julgar os responsáveis das fraudes. Com efeito, a credibilidade das instituições da administração eleitoral depende da sua tomada de medidas contra aqueles que tenham efectuado estes ”ilícitos criminais”, independentemente de terem ou não afectado o resultado.

No Boletim 28 relatámos que a equipe do Boletim realmente viu Amido Fernando, Vice Presidente assembleia de voto 1894, utilizando tinta para colocar uma segunda marca nos boletins de voto para o candidate da Renamo, Manuel dos Santos, para os inválidar. Pela primeira vez, a CNE analisou mais de perto os boletins de voto inválidos durante o processo de requalificação e, no seu acórdão de 18 de Fevereiro, "constatou, com apreensão, uma anulação feita, de má fé ... com recurso ao uso da tinta indélevel ou esferográfica ". A questão, realçada pelo Boletim e pelos observadores, foi que, em várias assemblias de voto houve invalidações tão grosseiras que eram óbvias - uma segunda marca feita com uma tinta ou uma caneta que não eram acessíveis ao eleitor, enquanto este marcava o seu boletim de voto.

O CC assinalou que duas das 99 assembleia de voto tinham mudado de local por causa das fortes chuvas e que a CNE admitiu que ter havido uma publicidade inadequada sobre tal mudança. No entanto, a afluência nestas duas estações voto foi similar às outras. Assim, o CC concluiu que a mudança foi legal e aceitável.

O resultado final, confirmado pelo CC, foi de 24131 votos para Ossufo (54,7%) e 20012 para dos Santos (45,3%) com uma taxa de afluência de 54%. Na primeira volta nenhum dos candidatos ganhou mais de metade dos votos. Na primeira volta, havia dois candidatos menos importantes e Ossufo ganhou 49,8% e dos Santos 47,8% dos votos, com uma taxa de afluência de 57%.
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A deliberação, Acórdão n º. 5/CC/2009, será publicada no site do CC: http://www.cconstitucional.org.mz/

Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique, veja aqui

Nota do Reflectindo:

Porquê até aqui o Ministério Público não agiu contra os fraudelentos que sem dúvidas cometeram um crime eleitoral?



segunda-feira, março 23, 2009

O Poder Judicial em Mocambique

De acordo com o Canal de Mocambique, pode ler aqui, Manuel dos Santos, até aqui Presidente do Município de Nacala, foi intimado para apresentar-se e responder perante o Tribunal da urbe da província de Nampula. A notificação enviada ao Edil não dá indicações do motivo que terá levado o tribunal a querer ouvir Manuel dos Santos, da Renamo.

Há especulações que Manuel dos Santos tenha sido intimado alegadamente para responder num caso em que se irá tratar de destruição de material eleitoral do partido Frelimo, neste caso de uma bandeira pertencente àquele partido, aquando das eleições autárquicas. Vamos esperar da explicação sobre os motivos da intimação e o desenrolar do caso.

Contudo, mais uma vez algo me chama atenção. Quando é que o Tribunal de Nacala vai intimar Antoninho Maia, Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, Amido Fernando entre outros que invalidaram votos?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

2.ª volta em Nacala-a-Porto (3) - Resultados

A Frelimo vence em Nacala

Chale Ossufo (Frelimo) conquistou ontem 55% dos votos para presidente do município de Nacala, em comparação com os 45% de votos para Manuel dos Santos (da Renamo e atual presidente do município), de acordo com a contagem paralela realizada pelo Observatório Eleitoral. Apesar da chuva, a afluência foi semelhante à taxa de 56%, na primeira volta das eleições em 19 de Novembro.

As assembleias de voto abriram a tempo, e foram capazes de fechar a tempo, porque só havia um boletim para que as pessoas pudessem votar rápidamente. Mas há indícios de fraude em pelo menos cinco assembleias de voto.

Anulação de votos da Renamo

Cinco assembleias de voto registaram um grande número de votos nulos, o que pode indicar a a possibilidade de ocorrência de fraude. Em Matalane, a equipa editorial do Boletim viu realmente o pessoal da mesa invalidar votos para o candidato Renamo, Manuel dos Santos.

Na assembleia de voto 1894, Ossufo teve 207 votos e dos Santos 149, com 109 votos nulos. O presidente da assembleia de voto, Arsénio Geraldo Joaquim Nkabwebe, foi acusado de invalidar a maioria destes votos, colocando uma marca adicional sobre eles, utilizando a tinta indelével destinada a marcar os dedos dos eleitores. O vice-presidente, Amido Fernando, também foi visto usando tinta indelével no polegar direito, para invalidar outros boletins favoráveis a dos Santos. A acção de Fernando foi testemunhada quer pelo Editor Adjunto do Boletim quer pelos nossos Assistentes de Pesquisa, Adriano Nuvunga e Tânia Frechauth.

Na assembleia de voto 1893, Chale Ossufo (Frelimo) teve 250 votos e Manuel dos Santos (Renamo) 66 votos, com um incrível número de 137 votos nulos. Destes 137, cerca de 115 foram boletins de voto em que o eleitor votou a favor dos Santos com uma impressão digital, mas cada boletim teve um traço idêntico, riscado com uma caneta azul, por cima da foto de Chale Ossufo. O presidente da assembleia de voto foi Antoninho Maia, que é director pedagógico da Escola 4° Congresso.

A assembleia de voto 1832, em Ontupaia, teve 140 boletim nulos. A sua comparação com as assembleias de voto vizinhas, 1829 e 1830, sugere que algo está errado. Ver o quadro aqui.

Em todas as três assembleias, os votos para Ossufo são semelhantes, mas na assembleia de voto1832, existem cerca de 150 votos a menos favorecendo dos Santos e 114 votos nulos extra.

Duas outras assembleias de voto também registaram um elevado número de nulos: EPC Mathapue 1839 com 72 nulos e EPC Murrupulane 1898 com 55 nulos.


Fonte: Boletim sobre o processo político em Moçambique