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quinta-feira, junho 28, 2007

TVM – caixa de ressonância de perversos!

Por Edwin Hounnou

A Frelimo continua a manipular a opinião pública, ao transmitir uma mensagem falsa segundo a qual “Simango é reaccionário”, uma mentira desmascarada pela história. A Televisão de Moçambique, TVM, como um órgão público, não deveria passar uma publicidade tão maldosa, inaceitável, mesmo em campanha eleitoral. Quem se orgulha de ser injusto, não é filho boa gente, diz um ditado.
A Frelimo agride a história recente de Moçambique. É uma injúria que marca os que decidiram matar seus concidadãos por terem opinião diferente.
Como se não bastasse o hediondo crime, os seus mentores deleitam-se, mergulhados em poltronas, saboreando whisky envelhecido, ao som de uma canção macabra.
A publicidade é degradante, fere a sensibilidade de um importante sector da sociedade. Simango e seus colegas do martírio foram mortos quando o País já era independente, com as instituições do Estado implantadas no território nacional. Matar prisioneiros, sejam de guerra ou consciência, é um acto cobarde, próprio de facínoras que se desculpam estar a defender interesses populares.
Simango e a mamã Celina deram o melhor de si pela libertação da Pátria.
Deixaram filhos que muito honram e prestigiam seus progenitores e o País, pela sua dedicação ao trabalho e inteligência, apesar de terem sido arrancados, de tenra idade, do calor familiar por um regime déspota que se instalou na Ponta Vermelha, a seguir a Independência Nacional.
Sugerimos aos filhos de Simango - Lutero e Davis - a processarem, criminalmente, a Frelimo e a desprestigiada caixa de ressonância do partido no poder, TVM, recorrendo, se necessário, às instâncias internacionais.
Simango foi um homem honrado e de bem, merece que a sua memória seja respeitada.
Nunca se deve reconhecer o totalitarismo político como um princípio entre os seres humanos. O colonialismo
era totalitário com a PIDE a prender-nos e a matar-nos. Foi por isso que decidimos lutar contra o sistema. Não foi por uma imposição ideológica de moçambicanos por moçambicanos que muitos de nós gastamos a nossa juventude, combatendo - Uria Simango, na Beira. In “Uria Simango – Um homem, uma causa”, pp. 315, Bernarbé L. Ncomo. Um reaccionário não pode pensar de tal modo.
Quando o direito de pensar estava reservado a um grupinho que chamava a si a prerrogativa de tirar a vida aos outros, por terem um pensamento diferente, discordávamos, em surdina.
Não foi para isso que o povo combateu, de armas em punho, o colonialismo.
Não era para expulsar um bandido branco para, no seu lugar, pôr um bandido de pele negra, como veio a acontecer.
Ao cantar e difundir uma canção ultrajante e provocatória, a Frelimo mostra a sua arrogância, a falta de respeito e ameaça a paz! O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-carácter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!- Martin Luther King.
A repartidarização era previsível com a nomeação de Simão Anguilaze para a direcção da TVM. Em tempo oportuno, questionámos este facto. O tempo dá-nos razão. A Frelimo não tem noção de Estado, ficou claro nos festejos de 25 de Junho. Ficou-se sem saber se estava a celebrar a os 32 anos da Independência Nacional ou os 45 da Frelimo.
A quem serve, de facto, o 25 de Junho? Ao povo, não. Temos imensas dúvidas. Talvez aos fundadores do 25 de Junho de 1962, suas famílias e sequazes, que tratam do Estado e Independência como suas propriedades privadas, misturando confundem tudo e todos.
A TRIBUNA FAX – 28.06.2007

Atentado à liberdade e democracia

Segundo notícias que circulam em alguns jornais e Blogs de Maputo (ver: Canal de moc ou curto & grosso ), o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, ficou detido pela polícia por cerca de duas horas por ele ter fotografado o local das celebrações do dia da independência nacional. Segundo as mesmas fontes, Mazanga explicou claramente ao polícia que o interpelou que estava a provar os contrastes entre a riqueza absoluta e a pobreza absoluta. Será que esta razão chega para um cidadão ser detido? Não se trata disto um atentado à liberdade e democracia?

quarta-feira, junho 27, 2007

Máximo Dias diz ter sido fundador da Renamo com André Matsangaissa

Dos 16 anos: Máximo Dias assume culpa pela guerra – e diz ter sido o fundador da RENAMO juntamente com André Matsangaíssa
O PRESIDENTE do MONAMO, Máximo Dias, revelou esta segunda feira, em Maputo, que ele e André Matsangaissa fizeram parte do grupo de cidadãos que fundaram a então Resistência Nacional Moçambicana, em 1976 na cidade da Beira, província de Sofala.
Este político que é deputado da Assembleia da República, por força da coligação União Eleitoral, revelou ainda que André Matsangaissa pode ter sido morto pela própria Renamo, enquanto movimento de guerrilha, por alegadamente nunca ter aceite a forma como os seus companheiros de luta conduziam a guerra que dilacerou o tecido económico e social moçambicano.
Segundo suas afirmações, metade dos 32 anos da independência nacional foram gastos com a gestão da guerra dos 16 anos, movida pela Renamo contra a governação da Frelimo.
“Metade dos 32 anos da independência foi com a guerra civil, eu sou um dos responsáveis da guerra e assumo a responsabilidade. Eu fui um dos fundadores da Renamo, juntamente com André Massangaissa e outros companheiros”, revelou, esclarecendo, por outro lado, que Afonso Dhlakama não é membro fundador daquele antigo movimento de guerrilha.
Segundo deu a conhecer a então Resistência Nacional Moçambicana foi fundada na cidade da Beira, em 1976. Informou ainda que já em 1978, ele fugiu para Portugal, via África do Sul, país este onde permaneceu durante 15 dias antes de seguir viagem para a Europa.
Disse que nunca revelou que foi um dos fundadores da Renamo, mesmo em 1976, quando interrogado pela Frelimo, teria negado, alegadamente porque o ambiente político não era favorável.
“Nós quando fundamos a Renamo não pretendiamos destruir o país, mas obrigar a Frelimo a mudar a sua política de exclusão, mas os então regimes da África do Sul e da Rodésia, aproveitaram-se deste movimento tranformando os guerrilheiros nacionalistas em mercenários de baixo custo, destruindo pontes, cortando linhas transportadoras de energia eléctrica e cometendo outros desmandos”.
Segundo Máximo Dias, o então regime da África do Sul e da Rodésia nunca estiveram interessados em apoiar a Resistência Nacional Moçamicana, no sentido de tomar o poder, “mas o que na verdade queriam, era usar este movimento para desorganizar a administração da Frelimo. Sempre tive choques com o então regime de Apartheid, porque cedo me apercebi da sua intenção desestabilizadora”.
O nosso interlocutor revelou ainda que quando André Matsangaissa e seus companheiros fundaram a Renamo não esperavam que a luta durasse 16 anos. “Não era essa a nossa intenção, mas conduzidos pelo “Apartheid” e Ian Smith, do regime rodesiano, a guerra acabou levando todo este tempo, uma vez que tinham outros interesses”.
O nosso entrevistado explicou que apoiou a Frelimo até 1976, ano em que viria a se juntar-se a André Matsangaíssa para a fundação da Renamo. “Depois, em Portugal, fundei o meu partido, o MONAMO”.
Reiterou que a sua formação política deixará de existir por, alegadamente, não concordar com o actual modelo de democracia.

Retirei a notícia acima, para mim muito curiosa do Jornal Notícias na sua edicão de 27.06.2007. Estou perplexo, tenho que dizer e gostaria de facto de uma discussão sobre estas declaracões do Dr. Máximo Dias. Constituem alguma verdade? É aceitável a explicacão do Dr. Máximo Dias sobre as razões de ele nunca ter vindo ao público para proclamar-se fundador da Renamo? Há dúvidas sobre as circunstâncias em que morreu André Matsangaissa, consideradas até hoje oficiais?

quinta-feira, junho 21, 2007

Primeiras eleições provinciais multipartidárias

O Presidente da Repúblico marcou o dia 20 de Dezembro para eleições provinciais, cumprindo o que vem emanado na Constituição da República elaborada, discutida e aprovada pelos moçambicanos. Porém, essa data calha dentro do período das chuvas em Moçambique, segundo a lei natural a qual não depende de nenhum ser humano em Moçambique.

É também do conhecimento dos moçambicanos que nessa altura, as dificuldades para votação não dependerão apenas se naquele dia vai ou não chover, mas se desde Outubro, mês conhecido como início das chuvas, choveu ou não, em certas zonas de Mocambique. As chuvas em Moçambique cortam normalmente as vias de acesso sobretudo nas zonas rurais. Nas eleições gerais de 2004 realizadas nos primeiros dias de Dezembro, provaram esta dificuldade e, consequentemente o Conselho Constitucional e todas as comissões de observação eleitoral, incluindo os financiadores recomendaram que actos eleitorais em Moçambique tivessem lugar em épocas secas.

Se bem que o PR cumpriu a Constituição da República, faltou a ele uma reflexão e exploracão da nossa esfera política, de como ele devia marcar as eleições provinciais que à vista não entrassem em contradição com o nosso tempo meteorológico. Tavez só os políticos poderão rogar para que não chova em Moçambique até à data das eleições, algo que por um lado, será sinal de fome em 2008. Por outro lado, suponho possa crie violência em certas zonas, sobretudo rurais. Bastaria lembrar-se que cólera tem criado violência para os políticos moçambicanos nunca desejarem quem no dia 20 de Dezembro não chovesse. A maior parte da população moçambicana vive pela agricultura.

Marcar as eleições para o 20 de Dezembro não era a única opção que o Presidente da República tinhesse cumprido a Constituição da República, pois ela, a CR, permite emendas. O Presidente da República devia ter procurado formas de encontrar um concenso para emendar a CR. Uma das formas teria sido de ele como Presidente da República e de partido no poder promover um debate com os grupos de pressão – partidos políticos e sociedade civil – para ouvir-se das vantagens e desvantagens em realizar eleições nesta ou naquela data. Com certeza, a partir deste tipo de debate, a Assembleia da República teria em conta ao decidir pela emenda ou não. Eu fico a concordar com o Raúl Domingos que esta constitucionalidade, só foi possível porque convém a determinados interesses e não a bem da nação.

Porém, não sei se Guebuza esqueceu-se ou ele possui o que não sabemos!!! eleiçõese ainda estas que requerem um recenseamento de raiz, isto é, requerem muito dinheiro???

terça-feira, junho 19, 2007

Outras pistas

Afonso dos Santos(*)

Estamos certamente habituados a que o autor duma coluna de opinião apresente aí as suas próprias opiniões. E também estamos habituados a que os grandes campeões se limitem a fazer declarações sobre desporto, e, por vezes, adicionem umas frases de efeito fácil sobre qualquer coisa que esteja politicamente na moda, para agradarem aos poderes instalados. Mas vamos hoje enveredar por outras pistas.

O autor da coluna de opinião vai ceder o espaço às opiniões de outro alguém, que é um campeão de atletismo que, como se verá a seguir, também se mostra capaz de correr em outras pistas. “O homem mais rápido da Europa nasceu em África, é português e vive em Madrid. Aos 16 anos, fugiu da Nigéria...”. Chama-se Francis Obikwelu, e tem actualmente 27 anos de idade. (Todas as citações, que serão apresentadas aqui, com a devida vénia, são de uma entrevista feita por Sofia Arêde, publicada no suplemento “Única” do jornal “Expresso”, 1786, 20.Janeiro.2007) Mas não é exacto que Francis Obikwelu fugiu da Nigéria. É mais acertado dizer que ele simplesmente não voltou lá. Da Nigéria, ele saiu oficialmente, como elemento da selecção nacional júnior de atletismo desse país, para ir disputar o campeonato de África, em 1994, na Argélia, e, logo a seguir, o campeonato do Mundo, em Portugal. Ficou em Portugal, como ilegal, é certo; e por isso não pôde continuar a ser atleta. Foi trabalhar como servente da construção civil.

Ele conta: “Misturava cimento, carregava tijolos, às vezes oito andares. (...) Às vezes começávamos a trabalhar às seis da manhã e só terminávamos de madrugada. Vivia na obra. Havia construções que demoravam um ano e nós vivíamos lá, oito ou dez pessoas”. Mas ele: “Pensava que voltaria a correr, que um dia ainda ia ter sorte”. E assim aconteceu, quando o Belenenses o acolheu, após um contacto feito por uma senhora inglesa, que tinha uma escola onde Obikewlu andava a aprender português. Mas vamos vê-lo, agora, percorrendo outras pistas.

Quando, na entrevista, lhe perguntam como é que ele reage às imagens dos milhares de imigrantes que tentam chegar à costa espanhola para entrar na Europa, ele responde: “Eles tentam conseguir uma vida. A culpa não é deles, mas sim dos nossos presidentes em África que roubam dinheiro e deixam as pessoas sofrer. As famílias querem comer, por isso arriscam-se a morrer no mar”.

Quanto à possível solução, ele acha que: “Há muitas. Primeiro, impedir que os presidentes africanos mandem dinheiro para bancos de outros países, como a Suíça”. E as suas opiniões prosseguem assim: “A Europa não precisa de mandar dinheiro para África. Há países ricos, o problema é que os presidentes desses países são mafiosos e roubam a riqueza do país. (...) Quando oiço na televisão que “temos que mandar dinheiro para África”, penso: “Não, isso não existe”. Primeiro, esse dinheiro não vai chegar a nenhum lado. Segundo, vão matar só para poderem ficar com ele. Se não mandarem dinheiro, ninguém vai tentar roubá-lo. (...) A democracia não existe em África. (...) Os presidentes estão lá quatro anos e só pensam em como podem roubar para depois viverem como reis. (...) Em África, quando alguém é bom, afastam-no. Como a nigeriana [Okonjo-Iewala] que foi vice-presidente do Banco Mundial. Fez um grande trabalho, mas o Presidente agora já não está interessado em mantê-la. Os que são bons nunca duram. Ou são afastados, ou são mortos”.

Quem quiser acusar Obikewlu de estar a alimentar a imagem negativa duma África de corruptos, deverá reparar que as suas palavras também apontam o dedo explicitamente à Europa, como sendo quem patrocina essas práticas, o que significa, no mínimo, que esse Continente é cúmplice. Mas, por outro lado, talvez já seja tempo de deixar de tentar tapar a sujeira com a peneira. A sujeira de cá não se limpa tentando deitá-la para os olhos de quem está a ver com toda a clareza o que se passa. Aliás, outras palavras de Obikewlu ajudam a compreender que cada um deve correr por si.

Ele diz: “Corro como se estivesse sozinho na pista”. E, quando lhe perguntam se não vê os adversários, ele responde: “Isso só atrapalha. Não tento apanhar o adversário. Isso é um erro porque estás a correr a prova de outra pessoa”. E como quem diz que “correr não é chegar”, ele conclui: “Quase sempre parto atrasado, mas sou o mais rápido no Planeta nos últimos 40 metros. Não há ninguém neste mundo que faça os últimos 40 metros tão depressa como eu”. Mas Obikewlu também corre numa outra pista: um projecto seu, que é uma escola de atletismo, e que, segundo ele esclarece: “Está a começar aos poucos no Algarve: uma academia para crianças e jovens que têm dificuldades ou que não têm família e precisam mais de ajuda. (...) Agora o que quero é ajudar jovens a vencer. Quando eu morrer quero ter sido importante para essas pessoas”.

E com este último ponto, pode afirmar-se que Francis Obikwelu, afinal, corre na pista principal, e que é esta: Quais são as pessoas para quem terás sido importante, quando morreres? E de que modo foste tu importante para essas pessoas?


(*)Savana

CNE: That’s the way it should be

Fernando Gonçalves(*)

No meio de muitas coisas que tenho que fazer no dia-a-dia, incluindo algumas pequenas chatices evitáveis, mas que mesmo assim tenho que aturar, procuro entender o que se passa à minha volta, e procurar encontrar respostas sobre questões que não têm respostas óbvias.

Uma dessas questões foi toda a cozinhada à volta da eleição dos oito membros da CNE provenientes da sociedade civil, processo que no princípio parecia um osso duro de roer, mas que à última hora correu tudo tão suavemente; a uma velocidade supersónica. Razões de sobra para desconfiar da sociedade civil. Vimos uma sociedade civil abertamente partidária, e onde mais uma vez impôs--se, como foi possível ver para quem tem olhos, a vontade do partido que tem mais experiência no meio de tudo isto. Mas não foi o partido mais experiente que abriu o jogo para todos verem. Senão não teria a experiência de que é reputado. Mas foi o partido menos experiente que, ao ver-se irradiado da contenda, num desabafo público inocente, creio eu, veio a público queixar-se de que todo o processo fora viciado para pôr de fora os seus candidatos.

Huhm!!! Se a função primordial de uma CNE é preservar a integridade dos processos eleitorais e, por inferência, da própria democracia, que integridade pode ser conseguida com a intervenção de partidos políticos cujo único e legítimo interesse nas eleições é ganhá-las? E se antes tínhamos um modelo de CNE anacrónico e anti-democrático, não melhoramos só porque mudamos desse modelo. Simplesmente ampliamos o campo de acção para incluir uma pretensa sociedade civil como colaborador cúmplice. Nem imagino de quem terá vindo a tal proposta de inclusão da sociedade civil durante os debates sobre a nova lei eleitoral. Mas seja quem for, poucos devem se ter apercebido das suas intenções, todos embalados na ilusão de uma sociedade civil inocente. Sei que há pessoas que detestam comparações. Mas eu acredito que se não temos nada que alguma vez tenha provado ser melhor, vale a pena tentar copiar dos outros, mesmo que com algumas modificações de ajuste a uma realidade própria. Aliás, não é da minha autoria o ditado que diz que não se pode inventar a roda quando ela já existe. Há exemplos de modelos mais criativos e eficazes de composição de órgãos de administração eleitoral. E não moram muito longe daqui.

Perdi a contagem da quantidade de workshops, seminários ou conferências em que os nossos dirigentes participaram e tomaram conhecimento da existência desses modelos. Nem de tantas eleições de que foram observadores. Apenas a teimosia da originalidade quis-lhes tapar os olhos para não verem o que estavam a ver, e não ouvir o que estavam a ouvir. E, nessa originalidade obtusa, vai toda uma nação de cambalhota em cambalhota. That’s the way it should be.

(*)Savana

Brincando às democracias

Por Noé Nhantumbo

Beira (Canal de Moçambique) - O futuro de Moçambique torna-se sombrio quando a CNE começa sem consenso.

As peças do puzzle estão se encaixando com a maior perfeição. É curioso e recomenda-se que se pare para reflectir.

Neste jogo chamado «democracia à moçambicana» há coisas que de facto só entre nós é que acontecem.

Se numa partida de qualquer desporto em que participam duas equipas opostas há todo um conjunto de regras de cumprimento obrigatório para os intervenientes, no jogo democrático moçambicano, as coisas tem outra forma e conceito: há quem parte e reparte e fica com a melhor parte.

A pretensão de ver Moçambique gozando de uma democracia florescente ficou uma vez mais gorada ou pelo menos estão ficando reunidos todos os elementos para que as coisas não mudem.

No passado recente viu-se como as CNEs actuaram quando era para se decidir onde estava a razão em qualquer diferendo.

Está claro para todos que em Democracia, numa votação, ganha a maioria. Mas, entre nós, o problema é como as maiorias são construídas ou fabricadas. E é esse o problema no caso da CNE.

Com a introdução do conceito sociedade civil e de organizações afins, os detentores do poder conseguiram dar a volta por cima às reais pretensões da verdadeira sociedade civil. Como bebés-proveta, foram produzidas várias organizações para se parecerem com representantes da sociedade civil mas, no momento da verdade, quando a sua opinião conta e é decisiva, elas na sua maioria alinham pelos “ditames paternos”. É a farsa!

Não há invenção nenhuma quando se diz isto. Qualquer observador atento chegará à mesma conclusão.

Fazer este conjunto de observações não é uma questão de alinhamento partidário, mas nacional.

Sofremos de falta de identidade nacional ou temos uma que é fraca. Sofremos de falta de sentido de Pátria e amor à mesma.

Os partidos políticos ainda não compreenderam que qualquer agenda partidária tem de primeiro ser nacional. Os cidadãos têm de ser continuamente educados sobre esta matéria.

A construção do país, a sua reconciliação efectiva, a melhoria do ambiente sócio-politico conducente a uma economia que garanta o bem estar de seu povo, passa pelo enraizamento do sentido nacional e desenvolvimento de uma postura apropriada.

Política feita por políticos maduros, independentemente dos egos que possam estar nas contendas, tem de ser feita tendo em mente e como último objectivo o público, servir tal público!

É construindo consensos que os políticos nacionais ganharão a credibilidade necessária e não jogando baixo.

A auto-censura que parece estar ganhando terreno no país é perigosa sob todos os pontos de vista democráticos.

Ditadura política disfarçada ou camuflada, recados e mensagens estrategicamente colocados no caminho das pessoas, não apontam o melhor caminho a seguir.

Em Moçambique, embora quase ninguém se atreva a dizer, todos os pratos que a «cozinha local» confecciona são para a boca dos que pertencem a uma determinada lista. Só para alguns.

De uma maneira imperceptível, a transição do sistema de partido único para o multipartidarismo deixou quase tudo na mesma ao nível dos tomadores de decisões. Aqueles que ao abrigo de sombras e coberturas, às vezes mesmo invisíveis, controlavam os cordelinhos, não perderam nem um palmo da sua esfera de influência.

A economia, factor determinante de toda a movimentação política passou de estatal para mãos privadas, mas estas estão sob controlo do mesmo partido de ontem e das mesmas pessoas.

Desenvolver um ambiente político que favoreça e promova uma participação plena dos moçambicanos requer entrega de todos os moçambicanos sem olhar à sua cor política. Afinal é a dignidade de todos que está em causa. Mas falar de dignidade parece ser coisa ainda só para alguns.

Fonte: Canal de Mocambique (2007-06-18)

segunda-feira, junho 11, 2007

Raúl Domingos, Presidente do PDD explica


Porque Almeida Tambara renunciou o PDD

As deserções de membros não constituem problema, sobretudo quando sabemos por que é que isso acontece. Almeida Tambara, por exemplo, é membro fundador do partido, e quando ele nos apresentou a proposta de se aliar à Frelimo tivemos que respeitar a sua posição, talvez achou melhor assim para alcançar as suas ambições financeiras e materiais. Temos que saber que nem todos nós temos mesmos objectivos dentro de um partido. Enquanto alguns procuram melhorar as condições de vida do povo, outros estão a procura do seu bem-estar. Nós sabemos que o partido Frelimo tem estado a chantagear os moçambicanos ao excluir da sociedade aqueles que não são membros deste partido. O Tambara, por exemplo, possui o curso de professorado, mas não consegue emprego e quando a Frelimo aparece a oferecer o cargo de um dos assessores do presidente do Municipio de Chimoio, ele não precisou pensar duas vezes e, como a condição para o emprego era renunciar o PDD fez exactamente isso. Para nós isso não passa de uma chantagem. Leia +

terça-feira, junho 05, 2007

Adiado o Congresso da Renamo

Julgo estranho que o porta-voz do partido Renamo vá a imprensa para falar de >adiamento de um congresso por questões financeiras, ainda que confirma que o Conselho Nacional não havia ainda se reunido para análise e deliberação sobre a questão. Agora, em definitivo já não será o Conselho Nacional a deliberar sobre o adiamento ou não do 50 congresso. Ele já foi adiado e continuo a dizer que sem explicação palpável aos membros, por isso tenho uma série de perguntas.

Porquê o congresso não pode ser prioritário ou não foi sempre prioritário? Não tem congresso dum partido um maior impacto na preparação para eleições provinciais, autárquicas ou legislativas? Como e quem decidirá sobre se a Renamo vai coligada ou não nas eleições vindouras, isso entre muitos assuntos que se podem tratar pelo congresso? Se ao congresso nada diz sobre este assunto, porquê o Presidente Dhlakama disse diversas vezes que seria esta magna reunião a decidir sobre o assunto? Sem uma restruturação interna que passe por eleições e conferências locais e provinciais como serão preparadas as candidaturas paras assembleias provinciais? E, o que dizem afinal os estatutos da Renamo sobre um eventual adiamento de eleições? Penso que quando se diz que o presidente do partido convoca o congresso, não lhe dá o direito automático de adiá-lo, muito mais quando se trata de um congresso ordinário. A título de exemplo, se cabe ao Presidente da República em decidir o dia de realização de eleições, já não é a ele a quem cabe em decidir que elas não se realizem dentro do prazo, segundo a Constituição da República. Cabe sim, à Assembleia da República.

Por último, questiono-me se os órgãos actuais do partido não estão fora do seu mandato ou não estão assim sendo?

segunda-feira, junho 04, 2007

As oito individualidades da socierdade civil para a CNE

O Observatório eleitoral apresentou as individualidades que irão preencher as vagas reservadas para a sociedade civil na comissão nacional de eleições, CNE.
São eles Tomás Vieira Mário, Alice Mabota, Paulo Cuinica, Salomão Moyana, Ali Jamal, Eduardo Munhequete, Leonardo Massango e Arlindo Muririua.
O apuramento daquelas individualidades, em representação de diversas organizações da sociedada civil, seguiu-se a um processo de triagem que incluiu entrevistas individuais e públicas.
A eleição daqueles nomes marca o culminar de um processo, iniciado a nove de marco passado, marcado por consultas e eleições a nível das províncias envolvendo 50 candidatos.
O Chê Abdul Carimo do Observatório eleitoral, disse hoje, em conferência de imprensa, que o passo a seguir será o da certificação da documentação dos canditatos a ser submetida a CNE, próxima terca-feira.

Fonte: RM(03/06/2007-19:04)

sexta-feira, junho 01, 2007

O aluno exemplar


A talhe de foice

Por Machado da Graça

Durante muitos anos o nosso país foi  considerado, pela comunidade doadora, como exemplar em todos os aspectos.
Os elogios eram tantos que nós olhávamos para o espelho a ver se os merecíamos. E, se fôssemos honestos connosco próprios, víamos que não.
Os elogios que a anterior embaixadora americana fez à democracia moçambicana, no dia em que se despediu, fizeram-me ficar muito incomodado, por saber que aquilo não era verdade e, pior ainda, saber que ela também sabia isso.
Mas agora as coisas parecem estar a mudar.
Os primeiros sintomas chegaram-me em princípios de Maio, como reflexo da revisão conjunta, entre Moçambique e os principais doadores, em finais de Abril.
Uma pessoa que está, normalmente, presente nestes encontros disse-me que nunca tinha visto os doadores tão aborrecidos, tão críticos e tão impacientes.
Os comentários à actuação do Governo em áreas como o combate à corrupção, à legalidade, à agricultura, etc., foram contundentes e os doadores mostraram-se “preocupados” com isso, forma diplomática de dizer que estão a perder a paciência.
Os resultados dessa “preocupação” começamos agora a senti-los. Em vez de haver um aumento, que estava previsto, no apoio desses doadores aos programas do Governo, as verbas prometidas ficaram-se pelos níveis de 2006.
E os doadores foram claros sobre as razões para isso. Sem mais e melhores resultados naquelas áreas chave para o nosso desenvolvimento não abrem mais os cordões às respectivas bolsas.
A proliferação de organizações, leis, regulamentos e estratégias de luta contra a corrupção, de que a última invenção é o caricato Fórum Anti-corrupção, não chegam para esconder a verdade nua e crua que é a total falta de vontade política para combater os corruptos que estão a todos os níveis do nosso Aparelho de Estado.
Ao dizer que não vai praticar a caça às bruxas o Presidente Guebuza está a dizer aos corruptos que podem continuar a praticar livremente as suas malfeitorias porque ninguém os irá punir.
Se uma das exigências dos doadores era mais e melhores resultados na área da agricultura, o recente incêndio que devastou o respectivo ministério foi uma péssima resposta.
Em termos de legalidade e combate ao crime, basta ler os jornais todos os dias para se ficar a saber até que ponto as coisas andam mal, com esquadrões da morte e linchamentos a substituírem a Justiça que se não pratica.
Recentemente realizou-se em Maputo um encontro de parlamentares especializados no controlo das contas públicas nos países da SADC. E ouvimos discursos eloquentes sobre as virtudes dessa actividade.
Só que alguns desses discursos foram feitos por pessoas que, anualmente, aprovam as contas do Estado, apesar de todos os pareceres críticos do Tribunal Administrativo, que não se cansa de apontar erros, falhas, e outras incorrecções, muitas vezes ilegalidades. E, no entanto, esses e esses distintos oradores propõem a aprovação pelo plenário e, depois, votam a favor dessa aprovação.
É, mais uma vez, a aplicação do velho ditado: Bem prega Frei Tomás. Todos façam o que ele diz, ninguém faça o que ele faz!
Ora tudo isto, que os moçambicanos já conhecem por experiência própria, parece começar a entrar pelos olhos dos doadores dentro. Nos últimos anos começámos a assistir a exigências de devolução de dinheiros doados e mal utilizados, ao congelamento de doações e empréstimos até que se façam determinadas investigações e auditorias, enfim a pressões mais claras e incisivas para que se passe do paleio para inglês ver a coisas mais concretas.
E seria bom que o executivo percebesse bem esta mudança na direcção em que sopra o vento, para evitar que um dia destes passemos da fila onde se sentam os melhores da turma para uma carteira lá mais para o fundo da sala, onde chegam menos os sorrisos dos professores e chovem mais os carolos sobre as nossas cabeças.
Porque quem vive de cinto apertado, a contar as moedinhas que tem no bolso, não se pode dar ao luxo de contrariar aqueles senhores que nos fazem a esmola de nos permitir comer todos os dias.
Por muito que isso seja desagradável ao nosso sentido de soberania.

PS – Toda a gente tem direito a umas férias e eu resolvi conceder um mês de descanso a todos os que ficam aborrecidos ao ler as minhas crónicas. Espero que recuperem bem porque em Julho cá estarei de novo.
SAVANA – 01.06.2007