sábado, abril 27, 2019

Reflectindo sobre os partidos políticos em Moçambique


Não sou cientista político para afirmar categoricamente, mas acredito que um partido que mantém de perto, mostrando paixão pelos seus críticos, sobretudo os internos, pode ter a sorte de manter muitos dos seus membros e simpatizantes e até mesmo mobilizar muitos mais.
Ao contrário, acredito que um partido que obriga que os seus membros se calem e recorra à expulsão ou ISOLAMENTO dos críticos internos, mas apaixonado pela bajulação e propaganda barata (MENTIRA) como aquela de que membros do partido A ou B se entregaram, rapidamente se reduz à insignificância porque perde grande parte dos seus membros e simpatizantes.

quarta-feira, abril 17, 2019

A Frelimo continua a recompensar a Fernanda Mocambique


A Xiconhoca que pertence a máquina da fraude do partido que governa Moçambique desde 1975, apanhada em 2014 com boletins de voto preenchidos para serem introduzidos nas urnas das intercalares do Guruè, foi recompensada há poucas semanas com a nomeação para o cargo de Administradora do Distrito do Limpopo passando a mamar ainda mais directamente do Estado!

terça-feira, abril 16, 2019

Helena Taipo detida

Helena Taipo está detida. A ex-embaixadora de Moçambique em Angola foi detida na tarde de hoje após uma audição no Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC).
Passavam poucos minutos depois das 15 horas quando a viatura do Serviço Nacional de Investigação Criminal que transportava Helena Taipo saiu à alta velocidade do Gabinete Central de Combate à Corrupção para a 18ª Esquadra da PRM.
A ex-embaixadora de Moçambique em Angola foi detida depois de ter sido ouvida no GCCC, onde chegou às 14H30 numa viatura particular acompanhada pelo filho e pelo advogado Inácio Matsinhe. Trinta minutos depois, a Nissan Navara saía do Gabinete Central de Combate à Corrupção, sem a antiga ministra do Trabalho. O País tentou uma entrevista com o advogado, mas este não estava para declarações à imprensa.
A detenção de Helena Taipo acontece 20 dias depois da sua exoneração do cargo de embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Moçambique em Angola. Uma decisão do Presidente da República que permitiu a realização de várias diligências, incluindo a prisão preventiva, no âmbito do processo em que a antiga governante é acusada de ter recebido 100 milhões de meticais do Instituto Nacional de Segurança Social.
Helena Taipo terá recebido o valor em 2014, último dos 10 anos em que esteve a dirigir o Ministério do Trabalho. Em 2015, foi exonerada das funções de ministra do Trabalho e nomeada governadora de Sofala, cargo que ocupou até Julho de 2018, quando foi indicada para liderar a diplomacia moçambicana em Luanda.
Na capital da Angola, Helena Taipo ficou oito meses e teve de voltar a Maputo para responder por crimes de corrupção, num processo que envolve mais cinco arguidos.

Fonte: O País – 16.04.2019

quinta-feira, abril 11, 2019

Al-Bashir - vão dizer que foram os americanos?

Sudão: Presidente Omar al-Bashir destituído e detido por militares
Depois de meses de protestos e 30 anos no poder, o presidente do Sudão, Omar al-Bashir foi destituído e detido pelo exército do país, anunciou o ministro da defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, numa televisão pública sudanesa.
O anúncio do ministro da defesa surge na sequência de um movimento de contestação popular contra Omar al- Bashir, que chegou ao poder depois de um golpe de Estado há mais de três décadas.
O ministro da defesa disse que com a detenção do Al-Bashir o país será governado por um conselho militar presidido por si durante um período de transição de dois anos, que será seguido de eleições. Ler mais

Quem matou Mahamudo Amurane?

Eu é quem não entendo nada?
No dia 3 de Outubro do ano passado, em plena campanha eleitoral, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) da PRM anunciou ter dez suspeitos no caso do assassinato de Mahamudo Amurane, presidente do Conselho Municipal de Nampula. O Sernic disse nesse dia que já havia remetido o processo à Procuradoria-Geral de Nampula. O mesmo avançava que entre os apurado elementos que indiciam o envolvimento de membros, incluindo quadros seniores do MDM”.
Contudo, segundo a reportagem da STV no jornal da noite de 10.04.2019 afirma-se a procuradoria constituiu arguidos dois indivíduos indiciados de estarem envolvidos no assassinato de Amurane.
Se a PRM falava com convicção sobre o envolvimento de membros seniores do MDM, quem os teria ilibado para hoje não se falar mais deles? Mesmo esses dois que na hora do assassinato estavam com malogrado, será que têm algo a ver com os criminosos? Que sinal nos deu a PRM com as afirmações em pleno tempo de campanha? Eu é quem não entendo nada?

sábado, março 30, 2019

Que metas tem a nova liderança da Renamo


Será que a actual Renamo somente lhe interessa a partilha de chefias militares?
Em 2012 Afonso Dhlakama saiu de Nampula onde residia desde 2009, passando por Quelimane, onde 12 anos depois e sob mediação de Manuel de Manuel Araujo se encontrou com Raul Domingos. Afonso Dhlakama chegou em Vunduzi onde supostamente era para celebrar os 33 anos da morte de André Matsangaíssa e aí anunciou a sua instalação naquele local e não só, mas também o reagrupamento dos seus comandos e reactivação das bases. Houve nessa altura os que disseram que a sua instalação em Vunduzi era uma imposição dos comandos e não um acto voluntário de Afonso Dhlakama. Outros até falavam de uma prisão domiciliária. 
Pessoalmente foi difícil acreditar que na verdade fosse uma imposição dos comandos, uma vez que eu contava que ele era o comandante-em-chefe dos tais comandos.
Após a morte de Afonso Dhlakama foi escolhido Ossufo Momade, supostamente pela Comissão Política da Renamo como coordenador interino. Digo supostamente porque já receio que as decisões mais importantes e determinantes na Renamo sejam de um grupo de “Chairmen”, um grupo informal composto por membros do tal comando, muito desconhecidos por nós e até pela maioria dos membros da Renamo. Poucos dias depois de ser indicado como coordenador, Ossufo Momade deslocou-se à Gorongosa e lá ficou como Afonso Dhlakama havia feito. No último congresso Momade foi eleito Presidente da Renamo.
Há poucos dias, Ossufo Momade veio a Maputo onde permaneceu mais que duas semanas, se não estou em erro e, dos encontros com Nyusi, tratou assuntos militares que me parece ter sido com sua satisfação. Nesse período todo, não me parece que Ossufo Momade tenha tratado pessoalmente assuntos políticos relevantes do partido, como de lançar-se apresentando a sua visão política e o caminho que a Renamo vai seguir para as eleições legislativas, presidenciais e provinciais a terem lugar este ano. O mais estranho é que Ossufo Momade não passou por Beira, pelo menos, para confortar as vítimas do IDAI. O seu regresso à Gorongosa sem dar sinal nestes dois pontos, deve ter deixado perplexos a muitos moçambicanos. 
A mim, parece que nos últimos seis anos, os presidentes da Renamo só servem de intermediários entre os chairmen e o governo moçambicano. Se bem que os chairmen podiam respeitar Afonso Dhlakama pela antiguidade na presidência da Renamo, Ossufo Momade só deve fazer o que for autorizado por aquele grupo. Penso que assim faria qualquer que saísse eleito presidente no congresso da Gorongosa.
A questão é se o único interesse dos Chairmen da Gorongosa é militar, isto é, partilha das chefias militares. Como a Renamo pode sobreviver desta forma se bem que cedo ou tarde, esses militares sairão naturalmente do exército?

quinta-feira, março 21, 2019

Michel Temer preso

A Oficiais da Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu, na manhã desta quinta-feira, 21, o antigo Presidente brasileiro, Michel Temer, e os agentes ainda tentam cumprir um mandado de prisão contra o seu antigo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. Ler mais

sexta-feira, março 15, 2019

Lição para os políticos de Moçambique?

Os políticos de Moçambique deviam aprender esta forma da Guiné-Bissau em fazer política. 

Os resultados das eleições do domingo último indicam que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), alcançou 47 mandatos, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-159 27, o Partido da Renovação Social (PRS) 21, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) 5, a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), todos com um deputado cada.
O PAIGC já anunciou um acordo de incidência parlamentar para governar com a APU/PDGB, UM e PND, pelo que deverá garantir apoio da maioria dos deputados eleitos. 
O segundo e o terceiro partido, Madem e PRS respetivamente, celebraram também um acordo parlamentar. 

Fonte: Deutche Welle - 14.03.2019

quinta-feira, março 14, 2019

PAIGC ganha eleições legislativas na Guiné-Bissau

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) venceu as eleições legislativas do último domingo com 47 dos 102 mandatos no Parlamento, revelou hoje a Comissão Nacional das Eleições, numa conferência de imprensa liderada pelo seu presidente José Pedro Sambú.
Em segundo lugar, ficou o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) com obteve 27 mandatos; e em terceiro o Partido de Renovação Social (PRS), a tradicional segunda força política, desde 1999, conseguiu 21 deputados .
A APU conseguiu cinco deputados, PND e a União para a Mudança (UM), um mandato cada.
O anúncio dos resultados foi antecedido, entretanto, da assinatura de dois acordos políticos de incidência parlamentar, envolvendo, as quatro principais forças políticas concorrentes.
Os líderes do PAIGC, Domingos Simões Pereira, e da Assembleia do Povo Unido Nuno Nabian assinaram um acordo de incidência parlamentar com a necessidade de dar estabilidade ao país.
Documento semelhante foi também assinado entre o Madem-G15 e o PRS.
"Este acordo político é para estabilizar o país", afirmou Alberto Nambeia, presidente do PRS, sublinhando que é preciso haver entendimento para o desenvolvimento do país.
Refira-se que, antes das eleições, o PAIGC, o PND e UM tinham assinado um acordo pós-eleitoral.
Caso o PAIGC consiga que a APU, o PND e a UM sustentem o seu eventual Governo, o partido, que já tinha vencido as eleições de 2014, pode conseguir 54 deputados, dos 102 do Parlamento.

Fonte: Voz da América – 13.03.2019

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Os danos da confiança política nas instituições pública e ou partidárias


Qual instituição pública ou partidária já se tornou forte ou produtiva por ser gerida por confiança política?

Confiança política que na verdade é NEPOTISMO, AFILHADISMO, AMIGUISMO, COMPADRIO, é o que sufoca as instituições públicas, diga-se do Estado e partidárias em Moçambique.
Infelizmente, desde os meados dos anos 80, as instituições estatais e partidárias em Moçambique, tornaram-se autêntico nicho de nepotismo, usando o termo “CONFIANÇA POLÍTICA”.  Desde essa altura, quase todos os cargos de chefia nas instituições acima passaram para familiares ou amigos, familiares dos familiares ou amigos dos amigos, em suma, passaram para pessoas AFINS. Hoje, é muito normal que quando alguém é nomeado ou eleito para qualquer cargo de chefia, a sua prioridade seja remodelar a instituição e em nome da confiança política, chamar seus familiares, amigos aos cargos subordinados a ele. Todos os que eram do antecessor são retirados. Se o antecessor for transferido ou nomeado para um novo cargo, leva consigo os seus familiares ou amigos para onde vai, promovendo-os a cargos de chefia independentemente se são competentes ou conhecedores da área – é confiança política.
Na minha opinião, “Confiança política” é um dos grandes males como também é a corrupção. Nisso de confiança política torna as instituições uma verdadeira teta, local de tacho, isto é, emprego remunerado de pouco ou sem nenhum trabalho.

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Chamar académicos para debate dentro dos partidos é valioso.

Quando numa entrevista, em Setembro de 2017, o filósofo e constitucionalista Severeno Ngoenha fez uma revisão sobre a democracia interna dos três principais partidos políticos moçambicanos, eu chamei atenção que os partidos deviam convidar a este como outros académicos para palestras ou debates deste e outros assuntos. Infelizmente, alguns partidos fizeram o contrário. Investiram na recusa das suas observações de Ngoenha.
Na verdade, o que tenho proposto que se faça nos partidos, é aquilo que aconteceu hoje. O partido Frelimo organizou um debate sobre o papel da educação na promoção da unidade nacional e da cidadania e convidou os académicos Severino Ngoenha, Lourenço do Rosário e o religioso Saide Abibo como radores. Infelizmente, como conheço os meus compatriotas, dirarão que estes três foram oradores àquele debate como membros do partido Frelimo como se estes alguma vez fossem convidados pela Renamo e ou MDM e recusassem. Aliás, o mano Brás Malique e o companheiro Carlos Bernardo devem se lembrar da minha insistência no debate que tivemos em Julho de 2017, ali no Canal Residencial, em Nacala-Porto, sobre a formação de membros do partido MDM e a definição e funcionamento da escola do partido. Eu insistia que a escola não consistia em um edifício com quatro paredes, mas organizando estudos e debates com oradores como Ngoenha, Domus OiKo aka Alberto Ferreira, João Pereira, José Macuiane, etc. Tenho também sublinhado a vantagem de ter oradores sem interesse de serem bem vistos por quem “manda” nos partidos.

Recordando a entrevista: “É preciso que partidos reaprendam a fazer democracia”  in o País 819.09.2017)


quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Centralismo democrático vs democracia contemporânea


Se a Frelimo continua guiar-se por centralismo democrático, um sistema de organização interna adotado nos partidos comunistas leninistas, eu entendo. Embora a Frelimo tenha se transformado em partido de capitalistas selvagens, changuinistas, nunca oficialmente se declarou partido não-socialista. Aliás, a Frelimo continua membro da Internacional Socialista.
O que eu não entendo é como os partidos oficialmente do centro-direita queiram-se se guia por centralismo democrático e não por uma democracia contemporânea. Aliás, entendo.  Nestes partidos não estudo político e consequentemente ninguém sabe distinguir entre centralismo democrático e democracia contemporânea. Não se enganem pelos graus académicos, o tempo na Assembleia da República como deputados ou o tempo no partido de certas pessoas que possam não ter nada em ciências políticas.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Ngoenha diz que “changuinismo” está em todas as instituições

Severino Ngoenha não exulta com as detenções dos arguidos das dívidas e diz que o problema é muito mais profundo do que parece: toda a sociedade está ligada à corrupção.
O que é a Justiça? Foi o tema da palestra dirigida a futuros juízes e procuradores e que teve como orador Severino Ngoenha. Como era de esperar, Ngoenha fez uma abordagem filosófica e no fim defendeu que só se pode falar da justiça se o Direito militar a favor dos fracos. Mas porque era necessário dar exemplos práticos, Ngoenha recorreu ao assunto na ordem do dia: as detenções dos indiciados de envolvimento no esquema das dívidas ocultas.
Numa altura em que muitos moçambicanos exultam com as detenções, Ngoenha alerta que o problema é mais grave do que a maioria imagina. Toda a sociedade moçambicana vive ligada à corrupção, pelo “Chang e companhia” representam apenas a parte mais visível de um problema muito profundo. “Se a gente perguntar hoje quem são os corruptos em Moçambique, a resposta seria Chang e companhia. Mas o professor que vende nota, o pai que aceita pagar nota, a menina que se prostitui, o polícia que cobra dinheiro ao chapeiro todos os dias, o homem das Alfândegas que recebe mordomias todos os dias, como chamamos a isso? Nas universidades, se eu sou um bom militante da Frelimo e faço olhos bonitos ao chefe, vou ser promovido e logo recebo um carro zero quilómetro. Como é que você chama a isso? As nossas instituições estão todas ligadas a coisas ilegais. Se eu perguntou um por um, como comprou o seu carro, onde compra a sua gasolina, quanto ganha, como é que vive, vamos ver que esta promiscuidade, este changuinismo, está em todas as instituições”.
Para Severino Ngoenha, o mais difícil para Moçambique não será condenar o antigo ministro das Finanças e todos os arguidos das dívidas ocultas, mas sim concertar a sociedade. E explica porquê: “Durante os últimos 25 anos deixamos perceber para toda a geração dos nossos filhos que o malabarismo, o engano, a esperteza era mais importante que o trabalho, o estudo e o sacrifício. Como vamos mudar isto? Este é o grande problema. Temos toda malta a pensar que com esperteza e malandrice vai chegar longe”.
Contrariando mais uma opinião generalizada na sociedade, Ngoenha diz que não é a justiça que está em descrédito, mas o sistema em que ela está inserida. “O cartão vermelho não é contra a justiça, não é contra o juiz. Não é contra o facto de que durante quatro anos não conseguimos dar resposta a este caso e um tribunal da África do Sul está a trabalhar; o cartão vermelho não é contra o facto de uma sentença de Londres colocar um pouco de ordem nos campos de exploração de rubis em Cabo Delgado. O cartão vermelho está ligado ao facto de que quando fizemos os acordos de paz e a segunda Constituição dissemos que íamos pautar por um Estado de Direito e ele pressupõe a separação dos poderes, mas não estamos a conseguir. Portanto, o problema não está na justiça, mas no sistema”, disse.
A palestra dirigida por Severino Ngoenha decorreu no Centro de Formação Jurídica e Judiciária.

Fonte: O País – 19.02.2019

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Caros líderes de partidos políticos em Moçambique

De forma mais simples escrevo esta carta aberta.

Vocês estão arranjando problemas desnecessários nos partidos porque sabem que o único caminho que temos dentro dos partidos é a democracia interna. Vocês sempre confundem partidos do Estado ou o modus operandi num partido ao do Estado. No dia que vocês acharem a diferença, saberão agir como líderes de partidos políticos.
No município quem indica vereadores, directores é o edil. Mas município é Estado. No governo, quem indica ministros e outras figuras importantes é o Presidente da República, mas governo é Estado. No partido já não é assim. Vejam caros líderes que mesmo para ser presidente do partido há que passar pelo crivo dos membros do seu partido. Se a pessoa se impõe vai ter problemas sérios. Em democracia, quando o líder perde apoio dos seus membros retira-se logo da liderança porque sabe das consequências que pesarão no partido. Líderes assim salvaguardam os seus partidos. Outro facto em democracia é se o partido nunca cresce em número de apoiantes, se retira da arena política.
Se vocês líderes de partidos políticos estudarem profundamente, saberão que mesmo os estadistas ditadores eram mais democratas nos seus próprios partidos e daí conseguiram chegar a estadistas. Isto aqui é sério. Estudem. Repito, vocês estão a confundir as funções dum presidente do partido às dum Presidente da República.
Indicar a dedo quem deve dirigir um partido localmente é inútil, senão perigoso, porque na base é donde vêm os votos. Os donos dos votos têm que ser acarinhados com lideranças aceitáveis localmente. Um partido sem eleitores não é partido. A base dum partido político é o eleitorado que o apoia.
Recordem-se que em Moçambique não há movimento ou partido político que não tenha evocado a DEMOCRACIA como motivo da sua criação. Portanto, a luta pela democracia, pelos valores democráticos não é de agora, mas um prosseguimento. A luta pela independência que começou em 1964 sob FRELIMO não estava dessaciada à luta pela democracia. O que aconteceu é que uma vez próximo ao poder ou mesmo no poder na FRELIMO, a causa DEMOCRACIA foi traída. Como consequência, nasceu uma nova guerra sob RENAMO, mas essencialmente para recuperar o mais precioso objectivo na fundação da Frelimo – a DEMOCRACIA. Tanto sangue de moçambicanos jorrou por mesma causa da luta desencadeada em 1964.
Digamos, lutar pela democracia foi um dos motivos que fez com que a Renamo granjeasse apoio durante a guerra de 16 anos. Quando em 2008 e na verdade, altura em que a Renamo estava a ganhar o terreno e com muita probabilidade de ganhar e sobretudo a maioria dos assentos na Assembleia da República, eis que começa o disvirtuamento da democracia interna.  Muito importante isto. E como a luta não pára, funda-se o MDM como partido que recupararia os objectivo da luta iniciada em 1964 e prosseguida em 1977. Mesmo com tendência opotunistas que ganhavam lugar com o desreipeito à democracia interna, o MDM foi caminhando bem até no primeiro congresso se estitucionou o contrário do que sempre foi a causa da luta dos moçambicanos – DEMOCRACIA.  

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Membros da Renamo reconduzem à revelia Luís Chitato ao cargo de delegado

Os delegados da Renamo dos 26 bairros da cidade reconduziram no final da tarde desta terça-feira, o delegado da cidade, Luís Chitato, que tinha sido  destituído na passada segunda-feira por uma brigada central desta formação política que de  seguida indicou João Marara para o seu lugar.  O processo de eleição do delegado da cidade decorreu na sede deste partido no bairro da Munhava. Luís Chitato foi eleito com 24 votos contra dois do seu adversário, Luís Manhaize.  Chitato indicou que a sua prioridade será unir a Renamo.
As bases da Renamo afirmaram que  os actos eleitorais que culminaram com a eleição  dos delegados  políticos  da cidade e província de Sofala, não visam  dividir o partido, mas sim cumprir com actos democráticos internos. Refira-se que as bases da Renamo rejeitaram a indicação de delegados, tal como uma brigada central havia feito na passada segunda-feira e decidiram eleger os seus representantes.   
Os dois delegados garantiram  que irão obedecer às orientações do presidente deste partido Ossufo Momade.
O O país sabe que está na Beira desde as primeiras horas desta quarta-feira, uma outra brigada central da Renamo que tem encontros marcados com os  membros da base deste partido, a fim de resolver o conflito, pois neste momento existem dois delegados da cidade e dois provinciais.

Fonte: O País – 13.02.2019

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Miguel de Brito diz que partidarização da administração eleitoral está esgotada

Miguel de Brito, especialista em questões eleitorais diz que o modelo de órgãos eleitorais compostos por representantes de partidos políticos está esgotado. O especialista em questões eleitorais considera que para reduzir a descredibilização dos processos eleitorais é preciso uma administração menos partidarizada e mais profissional.
Desde que Moçambique passou a um Estado de Direito Democrático, a Comissão Nacional de Eleições já organizou mais de uma dezena de eleições, com destaque para as presidenciais, legislativas e autárquicas. Ainda assim, os eleitores e os partidos políticos ainda não confiam plenamente nos órgãos eleitorais.
Esta segunda-feira, na mesa redonda sobre desafios e oportunidades para construção de um Estado de Direito Democrático, Miguel de Brito alertou que o problema não é técnico nem financeiro, mas reside na partidarização da administração eleitoral. Um modelo que se mostrou esgotado nas autárquicas de 2018.
Aliás, a incerteza sobre os resultados eleitorais cria cada vez mais pressão sobre a CNE. Por isso, Miguel de Brito defende que é preciso pensar em formas de tornar a administração eleitoral menos partidarizada e mais profissional.
No encontro, organizado pela Diakonia, os participantes criticaram ainda a actuação considerada intimidatória da polícia, quando os cidadãos exercem os seus direitos de reunião e manifestação.

Fonte: O País – 11.02.2019

sábado, fevereiro 09, 2019

A par da exaltação da soberania e não ingerência Governo pede dinheiro à "mão externa" para Gerais de 2019

Enquanto o Governo do partido Frelimo exalta a soberania, a defesa da pátria e avisa que sobre alegada ingerência dos Parceiros de Cooperação nas Eleições Gerais deste ano o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE)lançou o alerta: “Estamos com um défice de cerca de 60 por cento, daquilo que é previsto”. O pleito está orçado em 6,5 biliões de meticais que o Presidente da República está a "pidir" à "mão externa".
Após acusar os Estados Unidos da América de ingerência nas Autárquicas de 2018 e ter dito aos Membros do Corpo Diplomático que “Os moçambicanos deverão decidir sobre o seu destino, sem manipulação, porque só assim o país poderá assegurar a estabilidade real” o Presidente Filipe Nyusi apelou a generosidade dos Parceiros de Cooperação.
“Em 2019, temos o desafio da preparação e realização das Sextas (VI) Eleições Gerais, exercício democrático em que esperamos contar, mais uma vez, com o apoio de todos os parceiros para que as mesmas sejam bem-sucedidas e se transformem em momento de festa para os moçambicanos”, afirmou o Chefe de Estado no passado dia 23.
O que não estava claro era a que “apoio” Nyusi se referia. Na semana finda Abdul Carimo Sau, o presidente da CNE, revelou: “Estamos com um défice de cerca de 60 por cento , daquilo que é previsto”.
Estranhamente estes apelos à generosidade da chamada “mão externa” acontecem depois do Executivo haver inscrito na componente de investimentos com fundos internos do seu OE para este ano 6,5 biliões de meticais para o “ciclo eleitoral - eleições presidenciais, parlamentares e assembleias provinciais 2018”.

Fonte: @Verdade, 06.02.2019