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segunda-feira, abril 10, 2017

Economist: Auditoria às dívidas de Moçambique só deve apontar "bodes expiatórios"

A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que a divulgação do sumário do relatório sobre as dívidas escondidas de Moçambique vai acabar por apontar apenas "bodes expiatórios" e poupar os políticos envolvidos na ocultação dos empréstimos. "Se a Procuradoria-Geral lançar procedimentos criminais contra os indivíduos que considera responsáveis, e que suspeitamos serão apenas 'bodes expiatórios', antes da publicação da auditoria, o Governo pode esperar aparecer como duro com a corrupção sem criminalizar os verdadeiros responsáveis envolvidos", escrevem os analistas da revista britânica The Economist.
Numa análise ao processo de divulgação do relatório da consultora Kroll sobre os 1,4 mil milhões de dólares em empréstimos contraídos em 2013 e 2014 por duas empresas públicas com aval do Estado mas escondidos das contas públicas, a EIU diz que "esta situação pode se considerada inaceitável para os doadores e os credores, mas, uma vez que os pedidos para haver acusações a políticos poderosos vão ficar sem resposta, os credores vão, em última análise, acabar por aceitar".

quinta-feira, novembro 12, 2015

CARLOS MACHILI NO BANCO DS RÉUS

Na sessão de julgamento Sheila Matavele, representante do Ministério Público, explicou que o réu desviou cerca de nove milhões, quinhentos e quinze mil meticais (210.297 dólares norte-americanos), fazia pagamentos a pessoas que não tinham vínculo contratual com a agência e usava meios do Estado para fins pessoais.

A magistrada do Ministério Público acrescentou que o réu chegou a alugar viaturas para serem usadas na agência sem nenhum concurso público, tal como regem as normas de contratação no Estado.

Segundo escreve o Notícias, dirigindo-se ao Tribunal, Carlos Machili começou por dizer que quando chegou à ANEIA esta instituição não tinha nenhuma viatura para trabalhar, razão pela qual usou o seu carro pessoal para prestar vários serviços, uma vez que quando cessou as funções de Reitor da Universidade Pedagógica (UP) o veículo em causa serviu-lhe na Direcção dos Assuntos Religiosos.

Explicou que quando a viatura avariou procurou saber junto da Direcção Administrativa e Financeira (DAF) a possibilidade ou não da sua reparação por conta da instituição, tendo-lhe dito que era perfeitamente legal assim como acontecia com os carros dos directores da Inspecção e do Licenciamento.

quarta-feira, junho 04, 2014

Demitido Secretário-Geral da Cruz Vermelha

O antigo secretário-geral da  (SG) da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) vai responder a um processo criminal. Américo José Ubisse é acusado de desvio de bens e de outras práticas prejudiciais à instituição.
A polémica instalou-se na instituição de ajuda humanitária depois de um grupo de trabalhadores ter apresentado denúncias sobre alegadas irregularidades na gestão, durante o consulado de Américo José Ubisse.

terça-feira, novembro 22, 2011

Corrupção aumentou nos últimos três anos em Moçambique

Foi esta terça-feira lançado o Relatório Regional do Barómetro Global sobre Corrupção, um documento que apresenta os níveis de corrupção em seis países da SADC, nomeadamente a República Democrática do Congo, Malawi, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwé, sendo que o nosso país é o único de expressão portuguesa. De acordo com o estudo, em Moçambique, 56% das pessoas inquiridas consideram que a corrupção aumentou nos últimos três anos, contra 23 % que julgam ter permanecido no mesmo nível e 21 que acham ter diminuído. Ler mais

quarta-feira, outubro 07, 2009

Continuamos na cauda…

Moçambique ocupa o 172º lugar no desenvolvimento humano e 126º na corrupção
(Maputo) Depois de a Transparência Internacional (TI) ter dito, em relatório, que Moçambique caiu da 111ª para a actual 126ª posição com apenas 2.6 pontos dos 10 possíveis, esta semana, o Índice do Desenvolvimento Humano 2009, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou o seu relatório anual colocando Moçambique na 172ª posição, numa lista de 182 países liderada pela Noruega com 0,971pontos.
O relatório do PNUD refere que Moçambique apenas obteve 0,402 pontos e apenas está acima da Nigéria e do Afeganistão que obtiveram 0,352 e 0,340 pontos, respectivamente.
A Noruega, que lidera a lista dos 182 países é seguido pela Austrália, Islândia e Canadá na classificação elaborada com dados de 2007, antes da crise económica e financeira mundial de 2008/2009.
Segundo o PNUD, a crise "deve ter um impacto importante nos resultados, em matéria de desenvolvimento humano, em muitos países" – alertou num relatório que hoje será lançado no país.
Alguns países bem posicionados na lista, como Islândia e Irlanda, estão entre as nações mais afectadas pela recessão mundial. O IDH leva em consideração a expectativa de vida ao nascer, a taxa de alfabetização e o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante em comparação com o poder aquisitivo da população (PPA). Estas três dimensões são reduzidas a valores entre zero e um. Os países que, segundo o PNUD, gozam de "desenvolvimento humano muito alto", têm IDH acima de 0,900.
Corrupção
No ranking sobre corrupção, não só Moçambique encontra-se em posição considerada bastante má. Segundo indica o documento, o Brasil piorou, caindo do 72º para o 80º lugar, no ranking da Transparência Internacional no qual Cabo Verde foi o único país da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a melhorar a classificação na lista.
No relatório anual referente a 2008, no qual foram analisados 180 países, Portugal desceu da 28ª posição para a 32ª, enquanto Macau saiu da 34ª para a 43ª e Moçambique, da 111ª até a 126ª.
São Tomé e Príncipe deixou o 118º lugar para o 121º, e Angola e Guiné-Bissau desceram ambos o 147º para o 158º. O Timor Leste também caiu, enquanto Cabo Verde subiu da 49ª posição para a 47ª. A classificação segue liderada por Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia.
A Somália é o país mais corrupto, seguido de Mianmar (antiga Birmânia), Iraque, Haiti e Irão.

Fonte: MÉDIAFAX (07.10.2009)

segunda-feira, outubro 05, 2009

Moçambique é o 125º dos países menos corruptos

.Moçambique desceu do 111º lugar para o 126º, na lista dos países menos corruptos do mundo
Cabo Verde foi o único país da CPLP que viu melhorada a sua classificação na lista de países menos corruptos, elaborada pela Transparência Internacional (TI), em que Portugal desceu quatro posições, de 28º para 32º.
No relatório anual referente a 2008, em que foram analisados 180 países, a seguir a Portugal (32ª), Macau (passou de 34º para 43º) e a Cabo Verde (passou de 49º para 47º), Brasil, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Angola desceram no “ranking”, que continua a ser liderado pela Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia.
O Brasil desceu de 72º para 80º lugar, Moçambique do 111º para o 126º, São Tomé e Príncipe de 118º para 121º e Angola e Guiné-Bissau desceram ambos do 147º para o 158º.
No final da lista, a Somália é o país mais corrupto, seguido por Myanmar (Birmânia), Iraque, Haiti e Irão.
No relatório, em que os países são avaliados por um conjunto de critérios que, somados vão de 0 (muito corrupto) a 10 (livre de corrupção), Portugal obteve 6,1 pontos, seguido por Macau (5,4), Cabo Verde (5,1), Brasil (3,5), São Tomé e Príncipe (2,7), Moçambique (2,6), Timor-Leste (2,2), Angola e Guiné-Bissau (ambos com 1,9).
Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia obtiveram 9,4 pontos, enquanto a Somália, última classificada, registou apenas 1 ponto.

Fonte: O País online

sexta-feira, agosto 21, 2009

Frelimo garante que a corrupção no sector público "desapareceu"

A FRELIMO, considera que “a corrupção desapareceu” das instituições do Estado em Moçambique, como resultado da campanha que empreendeu nos últimos cinco anos contra o fenómeno.
O suborno aos funcionários públicos tem sido apontado por organizações nacionais e internacionais como um dos maiores flagelos do Estado moçambicano.
O porta-voz da FRELIMO, Edson Macuácuá, apontou esta sexta-feira “a transparência” no sector público como uma das conquistas dos últimos cinco anos, quando falava aos jornalistas, à margem da IV sessão do Comité Central do partido, que decorre desde quinta-feira na Matola, a cerca de 20 quilómetros de Maputo.
“A corrupção desapareceu do sector público em Moçambique. Os cidadãos já não se sentem pressionados a tirar dinheiro para verem os seus problemas resolvidos na saúde e na educação” sublinhou Edson Macuácuá.
O porta-voz do partido disse ainda que os últimos cinco anos de governo da FRELIMO imprimiram a descentralização e desconcentração das atribuições dos órgãos centrais do Estado para os órgãos locais, permitindo a apropriação pelas comunidades do processo de combate à pobreza.
“A governação dos últimos cinco anos assentou na ampla participação dos cidadãos. Essa metodologia gerou ganhos no combate à pobreza absoluta no país”, afirmou Edson Macuácuá.

Fonte: O País online (20-08-2009)

terça-feira, janeiro 20, 2009

MP abstém-se de acusar 19 arguidos no “caso Siba-Siba”

O Ministério Público (MP) decidiu, na última semana, abster-se de acusar 19 indivíduos, outrora constituídos arguidos no “Caso Siba-Siba”, de onde se destacam Octávio Muthemba, ex-PCA do Banco Austral; Álvaro Massinga, ex-membro do Conselho Fiscal do Banco Austral; Jamú Hassan e Arlete Patel, ex-administradores do Banco Austral.

Estão também na lista dos que deixam de ser suspeitos do Ministério Público no assassinato de Siba-Siba Almirante Banze, Mário da Costa, José Costa Rodrigues Soares e Manso Finiche Juízo, Jorge manuel Ferreira da Costa Marques, José Manuel Lino Barroca, Jerry Hopa Manganhela, António Fabião Maugalisso, Henrique Paulo Morrepa, Pio João Malemba, Abubacar Ismael, Carlitos Francisco Armação, Ilídio Miguel Laque e Momad Assif Satar. Leia mais aqui.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Former computer director arrested

Orlando Come, former head of computing for elections, was arrested Tuesday 6 January on corruption charges. Come had high level political protection and remained as computer director for STAE, the technical secretariat of electoral administration, despite complaints after every election of poorly written, untested and insecure computer systems. It is believed that lack of computer security allowed results to be changed in 1999, ensuring the election of Joaquim Chissano as president. In 2004, computer software was still being revised three days after the election, when tabulation should already have begun. (Details in the Mozambique Political Process Bulletin 31, 29 December 2004, pp 12-13, posted on http://www.open.ac.uk/technology/mozambique/ ) After President Joaquim Chissano left office in 2005, Come quickly lost his post as head of election computing.

He had also been director of the national data processing centre (Centro de Processamento de Dados, CPD), and it was with two other former CPD officials that he was arrested. CPD staff had accused him of corruption and maladministration, and a detailed article on the allegations was published in Magazine Independente on 14 November 2007. He was dismissed as CPD director on 12 March 2008, after workers threatened to strike.

Fonte: AWEPA

sábado, dezembro 27, 2008

A razão que Bonga tinha!

Por Pedro Nacuo

Em Novembro de 2006 um menino de 16 anos de idade, de nome Bonga Issa Agostinho, levantou-se em pleno comício orientado pelo então governador da província de Cabo Delgado, Lázaro Mathe, na sede do distrito de Macomia e colocou um problema sério. Era por causa dos exames em que dos 86 alunos que haviam frequentado a Escola Comunitária de Macomia-sede, 45, portanto mais de metade, tinham perdido o ano. Chumbaram!

Bonga que nem sequer fazia parte do grupo de colegas reprovados, pois havia passado para a décima classe, disse que não gostaria de deixar de apresentar o problema que ninguém do distrito queria levantar. Disse que havia indícios suficientes para duvidar, se bem que, por exemplo, três mulheres de professores e um sobrinho de um deles que, na sua opinião, haviam sido péssimos. Apresentou os nomes dos professores.

Contou a história com um domínio espectacular. O governador, em resposta, pediu que um professor presente explicasse publicamente o que havia acontecido. Explicou assim-assim. O aluno voltou a falar em termos convincentes. O director distrital dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, chamado a explicar o facto na mesma reunião, disse que o problema se encontrava na direcção provincial do sector. O representante daquele pelouro, que fazia parte da delegação do governador, igualmente chamado a esclarecer deixou muitas penumbras, recorrendo àquilo que se achava como solução, nomeadamente a orientação de que aqueles estudantes deveriam, excepcionalmente, ter o direito de participar nos exames da segunda época.

Bonga insistiu pedindo que a questão não terminasse com o simples recurso aos exames da segunda época, pois havia razões mais que suficientes para duvidar seriamente e estancar o mal pela raiz. Optou-se pelo mais prudente.

Na verdade, era preciso que imediatamente se formasse uma comissão que em pouco tempo desse a resposta a tudo o que Bonga havia posto publicamente em jeito de denúncia. O estudante por ordens do governador foi nomeado membro integrante da referida comissão, mais um popular, para além daqueles que faziam parte do sector acusado.

Bonga parecia um jovem “doutro tempo” principalmente quando disse que sentia que se estava numa clara situação que, querendo, se poderia pensar em corrupção e daí a necessidade de investigar para se saber se há ou não essa prática na Educação. Fê-lo sereno, respeitoso na sua explanação, sem chocar a quem quer que fosse, mas muito contundente. Na altura, sem exagero, consideramo-lo um líder em miniatura.

A atitude de Bonga, infelizmente considerada ingénua por uma boa parte, sobretudo entre os dirigentes do distrito que não gostaram da apresentação pública do problema, porque lhes punha numa situação de coniventes, hoje é vista como precisamente a que falta entre os cidadãos, dirigentes aos diferentes níveis, para que um dia termine o ciclo de mentiras que vem em relatórios, intervenções públicas de quem fá-lo para defender o seu pão. Mentindo! E afinal, Bonga tinha razão, a comissão concluiu o seu trabalho e descobriu-se que os professores, exactamente aqueles apontados pelo menino, eram culpados.

Fizeram-se os competentes processos disciplinares, as respectivas defesas e interpretações, mas chegou-se a uma conclusão muito evidente: houve pelo menos duas palavras que Bonga havia usado na reunião que não faltaram na atitude dos professores: corrupção e nepotismo. Agora estamos a saber, por via do informe da administração do distrito, que foram expulsos dos quadros da Educação. Eram, na verdade, daninhos!

P.S. Está a ser difícil trabalhar com os directores provinciais de Eliseu Machava. Combinei com seis deles, entre 7 e 10 de Dezembro, que fizéssemos a avaliação do seu desempenho em 2008. Ninguém negou, mas até hoje ninguém no dia indicado se dispôs a aceder à entrevista prometida. Razões? Muitas, mas que não explicam a ausência do dever de prestação de contas ao público a quem se diz servir!

Fonte: Jornal Notícias online (27-12-08)

sexta-feira, novembro 07, 2008

Governo de corruptos

Soltas da Campanha

Por Cláudio Saúte*

No show-micio levado a cabo pelo candidato da Frelimo, David Simango, para o município da capital do País, acto que ocorreu, na tarde de ontem, no “quartel general” dos madjermane, Jardim 28 de Maio, o local esteve, fortemente, guarnecido por um contingente da Polícia da República de Moçambique, PRM, reforçado por agentes à paisana. Porém, mesmo com as “bombas” lançadas pelos madjermane, chamando o governo da Frelimo de corruptos, as autoridades policiais não agiram, até que a “caça ao voto” terminasse.

No seu discurso ao eleitorado, David Simango apelou, aos presentes, para que não dessem ouvidos às palavras proferidas por madjermane. O apelo de Simango foi secundado pelo músico angolano, residente na cidade da Matola, Yeyé, casado com uma moçambicana, chamou de desgraçados aos madjermane, em pleno palco. Este facto enfureceu aos visados que, no final da actuação do músico, o cercaram, pedindo explicação.

Yeyé, vendo-se entre a espada e a parede, redimiu-se, pedindo desculpas. Aliás, a intervenção do apresentador Gabriel Júnior, foi oportuna, pois, conseguiu amainar os ânimos dos visados. São coisas da campanha eleitoral.

* Jornalista

Fonte: ATribunaFax, 07-11-2008
Nota: Corrigi de Deviz para David no primeiro parágrafo.

terça-feira, outubro 07, 2008

Chefe do Estado não responde corrupção

MAPUTO – O “dossier corrupção” dos Antigos Combatentes, rico em matéria criminal, completou, ontem, dois meses em que foi entregue, publicamente, ao Chefe de Estado, Armando Guebuza, mas, até ao momento, ainda não se vislumbra qualquer acção para sua resolução.

O silêncio do Presidente da República face a este caso entristece os funcionários do Ministério para os Assuntos dos Antigos Combatentes, MAAC, pois, é desejo destes ver o problema explicado, com os autores a serem responsabilizados pelo saque de dinheiro do erário público, sob capa de libertadores do País.

“É nosso desejo que o caso denunciado, publicamente, pela nossa colega, Zauria Adamo, seja explicado e não deixar os infractores impunes, pois, se trata de roubo aos Cofres do Estado”, afirma um grupo de funcionários do ministério dirigido por Feliciano Gundana, que, sob anonimato, reitera que “louvamos a coragem que a nossa colega teve, de fazer chegar, ao Presidente da República, a corrupção que assola a nossa instituição, pois, os nossos chefes nunca se mostraram predispostos a resolver o caso, porque são coniventes”, resolver o caso, porque são coniventes”, denunciam.

Dados na posse do A TribunaFax indicam que o Presidente da República, Armando Guebuza, foi apanhado de surpresa, com a denúncia pública da corrupção que se instalou nos Combatentes, camada social que é o suporte do partido no poder, a Frelimo.

“O desfecho deste caso está a demorar muito e porque ninguém se pronuncia à volta do mesmo, concluímos que é mais uma tentativa de abafá-lo, pois, se trata de uma camada sensível”, afirmam as fontes, para depois sublinharem que “na rede corrupta há indícios de estarem envolvidas figuras da nomenklatura política do partido no poder, dai que o caso está a ser tratado num secretismo total”.

O “caso corrupção”, nos Antigos Combatentes, chegou às mão do Presidente da República, depois da denunciante, Zauria Adamo ter tentado denunciá-lo junto ao governo provincial de Maputo, liderado por Telmina Pereira, sem, no entanto, conseguir lograr seus intentos.

Também fez saber o mesmo ao titular de pasta do MAAC, Feliciano Gundana, quando este governante tomou posse como ministro e visitou a Direcção Provincial dos Antigos Combatentes de Maputo.

“O ministro Gundana e a governadora Telmina Pereira têm conhecimento deste caso, mas o ignoraram, supostamente, porque se trata de um caso “quente” que envolve alguns camaradas bem posicionados no seio da Frelimo”, comentam as fontes, frisando que a denunciante, numa reunião do Consultivo de Direcção, falou deste problema, na presença do ministro Gundana e do director Aquimo.

“Ela chamou à razão ao ministro Gundana sobre os problemas que afectam a Direcção dos Antigos Combatentes de Maputo, esquemas de corrupção, praticados por quadros seniores ali afectos, bem como a falsificação de pensões que tem “tentáculos”, no nosso ministério”, contam as fontes, reiterando que não houve vontade de “cortar o mal pela raiz”, dai que o caso chegou às mãos do presidente Guebuza.

Dados apurados pelo A TribunaFax ndicam que, num intervalo muito curto, a Direcção Provincial dos Antigos Combatentes de Maputo foi dirigida por três directores, Molatinho, N’tonikel e Aquimo, todos afastados do cargo de
director por estarem envolvidos em esquemas de corrupção. Com estes estão, também, envolvidos, nas frauds financeiras aos Cofres do Estado, funcionários afectos em sectoreschave, como é o caso da Maria Souto, Inácio Calulu entre outros.

Tantos os directores acima descritos como seus subordinados, a única medida que lhes foi aplicada foi a transferência. “Não entendemos por que razões, comprovado o roubo de dinheiro do Estado, os implicados são, apenas, penalizados com a transferência.

É assim que se pretende combater a corrupção? – questionam, sublinhando que “os corruptos da Direcção dos Combatentes são transferidos para o Ministério e os que estão no Ministério, apenas, lhes são abertos processos disciplinares que “morrem” com o andar do tempo”.

Tentativas de ouvir a posição do governo de Maputo face a este problema redundaram no fracasso, pois, ao Jornal foi-lhe dito que a pessoa indicada para falar do assunto, no Executivo de Telmina Pereira, é o secretário permanente, Luís Mambero, que, neste momento, se encontra a gozar licence disciplinar. Entretanto, fontes junto ao governo da Telmina Pereira disseram, sob anonimato, que o caso já tem desfecho, mas quem tem direito de se pronunciar sobre o mesmo é o secretário permanente, que está de férias.

No MAAC, correm rumores Segundo as quais o “caso Aquimo” anexo no “dossier” corrupção no MAAC, entregue ao Presidente da República, foi encaminhado para o Gabinete Central de Combate a Corrupção, conforme decidiu Feliciano Gundana, no ofício nº-34/ GM/MAAC/2007 por si assinado e datado a 31 de Novembro de 2007. (R)
TribunaFax, edicão nr 815 de 06.10.2008

segunda-feira, outubro 06, 2008

Corrupção a “dois pesos e duas medidas”

MAPUTO – O combate à corrupção, declarado pelo Presidente da República, Armando Guebuza, é feito mediante “dois pesos e duas medidas”, no Estado, porque, enquanto alguns funcionários são detidos indiciados de defraudá-lo, há outros acusados do mesmo tipo de crime que passeiam, impunes, sua classe.

O “ex-super” ministro, na governação de Joaquim Chissano, que respondia pelas pastas do Interior, de Assuntos da Segurança, na Presidência da República e da Casa Militar, o piloto aviador Almerino Manhenje, está preso, acusado de defraudar os cofres do Ministério do Interior, MINT, em 220 biliões de meticais da antiga família, Segundo matéria constante no processo nº 771/PR/08.

Com ele, estão detidos, na Cadeia Civil, Lourenço Jaquessone Mathe, Manuel Luís Mome, Luís Rusé Colete, Rosário Carlos Fidelis, Serafim Carlos Sira, Álvaro Alves Nuno de Carvalho, Dionísio Luís Colege, quadros seniores daquele Ministério que, supostamente, em conluio com Manhenje, roubaram aos Cofres do Estado.

Na mesma cadeia e em conexão com o mesmo processo, está também encarcerado o Presidente do Conselho de Administração, PCA, do Instituto Nacional de Segurança Social, INSS, Armando Pedro Júnior.

A detenção de Manhenje e seus comparsas resulta de duas auditorias feitas, no MINT, a pedido do ministro José Pacheco, governante que, no passado mês de Março de 2007, entregou, pessoalmente, o “dossier MINT” ao ex-procurador Geral da República, Joaquim Madeira, que sustentou, na altura, haver matéria para ser analisada, em termos jurídicos.

O exemplo do ministro Pacheco de solicitar auditoria, nas contas do ministério que dirige, vem responder à letra do apelo lançado pelo Presidente da República, de combater a corrupção, “batalha” que fez de Manhenje e seus comparsas as primeiras vítimas.

Estranhamente, o passo corajoso dado pelo titular de pasta do Interior, Pacheco, no âmbito de combate à corrupção, já não encontra seguimento, pela parte do membro de Conselho de Ministros, o titular de pasta para os Assuntos dos Antigos Combatentes, o sobrevivente da UDENAMO, Feliciano Gundana, pois, no ministério que dirige, está “escondido” um director pensionista falso.

Trata-se de Isaias Aquimo, exdirector provincial para os Assuntos dos Antigos Combatentes, ao nível de Maputo, estudante, na Universidade Politécnica, que, durante 12 anos, defraudou o Estado, usando a capa de reformado da Luta de Libertação Nacional.

Para o efeito, Aquimo falsificou sua identificação, alterando o ano de nascimento, de 1964 para 1954, crime também praticado pelo seu subordinado, o chefe do Departamento de Assistência Social, Inácio Calulu, numa rede que inclui mais 38 pensionistas falsos distribuídos pela cidade da Matola e distritos de Manhiça, Boane e Namaacha, na província de Maputo e na Capital, incluindo alguns trabalhadores afectos, na sede do Ministério para os Assuntos dos Antigos Combatentes, MAAC.

Denunciado o “caso corrupção”, o ministro Gundana, através do seu Conselho Consultivo, nomeou uma comissão de inquérito que constatou que os acima referenciados se beneficiaram, ilicitamente, da pensão de reforma, desde 1995, e como medida, ordenou a cessação de funções dos dois dirigentes institucionais, instauração do processo disciplinar e remissão do assunto ao Gabinete de Combate à Corrupção.

Até aqui, tudo bem. Só que o MAAC bem como o Ministério das finanças recusam-se, redundantemente, trazer ao conhecimento público, os valores que a dupla acima referenciado e seus sequazes roubaram, ao Estado.

Aquimo foi transferido para o ministério de tutela, e Calulu continua, na mesma direcção, apenas, mudou de sector, encontrando-se afecto no Departamento de História. Quanto aos restantes pensionistas falsos, não se sabe da sua sorte.

O “caso corrupção”, nos Combatentes, foi analisado, na Assembleia da República, com Gundana a dar respostas evasivas. Porém, a 5 de Agosto do presente ano, o dossier foi entregue, ao Presidente da República, pela mão de Zauria Maimuna Adamo, funcionária do Aparelho do Estado, que, em resposta ao apelo de Guebuza, de combater a corrupção, foi transferida da Direcção Provincial dos Antigos Combatentes para a da Juventude e Desportos, tendo perdido o cargo de chefia, medida que “cheira” à vingança.

Com os pressupostos acima descritos, é caso para dizer que o combate à corrupção, “guerra” declarada pelo Chefe do Estado, está a ser tratado a dois “pesos e duas medidas”. Uns indiciados são presos e outros passeiam, impunes, sua classe. Por que o tratamento diferenciado aos que roubam dinheiro ao Estado? (R)
TribunaFax, edicão nr 813 de 02.10.2008

terça-feira, setembro 23, 2008

Joaquim Chissano sobre a detenção de Almerino Manhenje

Prisão podia ter sido acautelada - Joaquim Chissano, numa primeira reacção

A DETENÇÃO do ex-ministro do Interior, Almerino Manhenje, podia ter sido acautelada, considerando que sempre cooperou nas investigações, segundo opinião do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano.

Chissano, quando entrevistado pela TVM a propósito da detenção segunda-feira do ex-ministro do Interior, disse que não tinha matéria suficiente para comentar, mas o que sabia é que Almerino Manhenje havia sido detido. Também não se sentia confortado para emitir uma opinião mais formada para não interferir no processo em curso em relação ao caso.

“(...) Se era preciso ser detido ou não depende das instâncias apropriadas, porque de facto nós sabemos que há casos que parecem ter sido graves e que foram tratados com as pessoas em liberdade, o caso do presidente do ANC da África do Sul, Jacob Zuma”, anotou Chissano, para depois acrescentar que se era necessário ou não deter o ex-ministro Almerino Manhenje, “é um assunto que eu não posso realizar na minha cabeça, porque eu sei que vive cá e há algum tempo que vem sendo inquirido e que ele esteve sempre a cooperar”.

Respondendo a pergunta da TVM se este caso não teria relação com as pressões dos doadores relativamente à problemática da corrupção no país, Chissano disse que se for essa a motivação é muito mau, porque não se pode agir contra pessoas para responder a solicitações de fora.

Para Chissano, agir desta forma pode ter consequências psicológicas e sociais irreversíveis e negativas, tanto para a pessoa detida, como para a sociedade.

Fonte: Jornal Notícias